Paulo Guinote
Em primeiro, agradeço todo o empenho na divulgação das diferentes iniciativas das escolas no que respeita ao actual modelo de avaliação de desempenho docente.
Nesse sentido, envio um documento a solicitar ao Conselho Pedagógico da Escola Secundária de Augusto Gomes, de Matosinhos, a suspensão do processo de avaliação dos docentes. Este documento foi assinado por mais de 80% dos professores da escola. Se considerar importante, agradeço a divulgação para mostrar a todas as escolas que estão a desenvolver resistência a este processo de avaliação de que não estão sozinhas.
Informo ainda que todos os membros da Comissão de Avaliação do Desempenho Docente desta escola tomou idêntica atitude, aprovando uma moção onde evidencia as dificuldades de implementação deste modelo de avaliação.
Um abraço
José Caldas
Professor da Escola Secundária de Augusto Gomes

Outubro 23, 2008 at 8:53 pm
Pproposta de documento a subscrever pelos professores e educadores
e a apresentar ao C.Pedagógico e C. Executivo
Os professores e educadores do Agrupamento de Escolas/Escola Secundária de………………………………., subscritores deste documento vêm propor ao Conselho Pedagógico e ao Conselho Executivo a suspensão do processo de avaliação do desempenho em curso nos termos e com os fundamentos seguintes:
1.O modelo de avaliação do desempenho aprovado pelo Decreto-Regulamentar 2/2008 não está orientado para a qualificação do serviço docente, como um dos caminhos a trilhar para a melhoria da qualidade da Educação, enquanto serviço público;
2.O modelo de avaliação instituído pelo referido decreto-regulamentar destina-se, sobretudo, a institucionalizar uma cadeia hierárquica dentro das escolas e a dificultar ou, mesmo, impedir a progressão dos professores na sua carreira;
3.O estabelecimento de quotas na avaliação e a criação de duas categorias que, só por si, determinam que mais de 2/3 dos docentes não chegarão ao topo da carreira, completam a orientação exclusivamente economicista em que se enquadra o actual estatuto de carreira docente que inclui o modelo de avaliação decretado pelo ME;
4.Paradoxalmente, a aplicação do actual modelo de avaliação do desempenho está a prejudicar o desempenho dos professores e educadores por via da despropositada carga burocrática e das inúmeras reuniões que exige;
5.O modelo de avaliação reveste-se de enorme complexidade e é objecto de leituras tão difusas quanto distantes entre si e que nem o próprio Ministério da Educação consegue explicar devidamente;
6.A instalação do modelo revela-se morosa, muito divergente nos ritmos que é possível encontrar e dificultada ainda pela falta de informação cabal e inequívoca às perguntas que vão, naturalmente, aparecendo;
7.A maioria dos itens constantes das fichas não são passíveis de ser universalizados. Alguns só se aplicam com um número reduzido de professores. Outros, pelo seu grau de subjectividade, ressentem-se de um problema estrutural – não existem quadros de referência em função dos quais seja possível promover a objectividade da avaliação do desempenho;
8.O desenvolvimento do processo com vista à avaliação do desempenho não respeita o que determinam os artigos 8º e 14º, do próprio Dec-Regulamentar 2/2000, uma vez que o Regulamento Interno, o Projecto Educativo e o Plano Anual de Actividades não se encontram aprovados por forma a enquadrar os seus princípios, objectivos, metodologias e prazos;
9.É evidente um clima de contestação e indignação dos professores e educadores;
10.O próprio Conselho Científico da Avaliação dos Professores (estrutura criada pelo ME) nas suas recomendações, critica aspectos centrais do modelo de avaliação do desempenho como a utilização feita pelas escolas dos instrumentos de registo, a utilização dos resultados dos alunos, o abandono escolar ou a observação de aulas, como itens de avaliação;
11.O Ministério da Educação assumiu com os Sindicatos de Professores a revisão, este ano lectivo, do modelo instituído pelo Dec-Regulamentar 2/2008;
12.Suspender o processo de avaliação permitirá: (i) recentrar a atenção dos professores naquela que é a sua primeira e fundamental missão – ensinar; (ii) que os professores se preocupem prioritariamente com quem devem – os seus alunos; (iii) antecipar em alguns meses a negociação de um outro modelo de avaliação do desempenho docente, quando já estão em circulação outras propostas, radicalmente diferentes e surgidas do meio sindical.
Assim, o signatários, renovam a proposta de que o Conselho Pedagógico e o Conselho Executivo do Agrupamento de Escolas/Escola Secundária de ……………………… suspendam todas as iniciativas e actividades relacionadas com o processo de avaliação em curso, certos que, desta forma, contribuem para a melhoria do trabalho dos docentes, das aprendizagens dos nossos alunos e da qualidade do serviço público de educação.
Os signatários
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VAMOS TODOS EXIGIR A SUSPENSÃO
DO MODELO DE AVALIAÇÂO DO DESEMPENHO
DECRETADO PELO GOVERNO.
VAMOS EXIGIR A NEGOCIAÇÃO DE OUTRO MODELO DE AVALIAÇÃO
E A REVOGAÇÃO DO ESTATUTO DA CARREIRA DOCENTE
Sindicato dos Professores da Região Centro . FENPROF
http://www.sprc.pt – http://www.fenprof.pt
Outubro 23, 2008 at 8:56 pm
Aos colegas de Matosinhos um imenso ABRAÇO solidário. Coragem. A caminhada ainda agora começou.
Outubro 23, 2008 at 8:58 pm
Excelente.
Parabés secundária de Augusto Gomes.Viva Matosinhos.
Outubro 23, 2008 at 9:14 pm
Isto já não pára.
Parabéns!
Outubro 23, 2008 at 9:59 pm
Olá Caldas, também és frequentador do blogue do Paulo?
Eu participo pouco, mas não passo sem o visitar diariamente…tornou-se um vício…
Já tinha sentido a falta do nome da nossa Escola na lista das adesões à suspensão, mas como fui passiva, achei que outros mais activos deveriam tomar a iniciativa. Obrigada.
Um grande obrigada ao Paulo por tudo o que tem feito e por permitir esta divulgação.
Outubro 23, 2008 at 10:26 pm
Na minha escolinha as ordens são para cumprir primeiro (mesmo se nos mandarem ajoelhar de 15 em 15 minutos) e protestar depois. É a “democracia” de Sócrates em acção.
Outubro 24, 2008 at 10:56 pm
É por ter colegas como o José Caldas que ainda tenho orgulho em ser professor.
E, lá na escola, não é só pelo Zé. É por todo o CE, todo o grupo de avaliadores e pela esmagadora maioria dos docentes(130 de 156)que assinamos este documento.
Outubro 26, 2008 at 2:58 pm
Já trabalhei um ano na Augusto Gomes e, sinceramente,nunca pensei que seria a primeira escola no Concelho de Matosinhos a tomar uma posição…surpreendeu-me pela positiva. O colega José Caldas é de facto um óptimo colega, embora quase só o conheça como Formador numa acção de formação que fiz já há uns anos. Penso que as outras ecolas do concelho deviam seguir este exemplo.
Outubro 26, 2008 at 7:52 pm
Subscrevo o documento. Vamos todos unir e fazer a diferença. Somos nós que vamos decidir o nosso futuro. Força a todos os docentes.
Outubro 28, 2008 at 2:55 am
Força campeões!… Assim vamos lá. Em Matosinhos não se brinca à apanhada – é tiro neles.
Abraços.