MIGALHÃES
Lá vem pelo avelar
O filho do Zé João
Vem do centro escolar
Cansado de palmilhar
A caminho da povoaçãoNão há médico na aldeia
E a antiga escola fechou
Não tem carne para a ceia
Nem petróleo para a candeia
Porque o dinheiro acabouO seu pai foi para França
Trabalhar na construção
E a mãe desta criança
Trabalha na vizinhança
Lavando pratos e chãoMas o puto vem contente
Com o Migalhães na mão
E passa por toda a gente
Em alegria aparente
De quem já sabe a liçãoUm senhor muito invulgar
Que chegou com mais senhores
Veio para visitar
O novo centro escolar
E dar os computadoresE lá vem o Joãozinho
No seu contínuo vaivém
Calcorreando o caminho
Desesperando sozinho
À espera da sua mãeNeste país de papões
A troco de dois vinténs
Agravam-se as disfunções
O rico ganha milhões
E o pobre, Migalhães!
Luís Costa
Outubro 12, 2008
Outubro 12, 2008 at 11:28 pm
Migalhães – um poema de Luís Costa
http://www.profblog.org/2008/10/o-rico-ganha-milhes-e-o-pobre-migalhes.html
Outubro 12, 2008 at 11:36 pm
Amigo Luís, vou analisar este poema na aula. Excelente.
Outubro 13, 2008 at 12:41 am
Paulo
Este poema é meu. O meu estimado amigo é um dos três “mosqueteiros” que têm acesso ao meu “bunker”. É imperdoável! Pelo menos refaça o título deste artigo!
Bom, apesar de tudo, agradeço-lhe a publicação!
Outubro 13, 2008 at 12:43 am
Onde se lê “título”, deve ler-se “introdução”.
No final, dai a César o que é de César.
Outubro 13, 2008 at 12:44 am
Parabéns Luís Costa.
Fez-nos rir!
Outubro 13, 2008 at 12:48 am
Numa casa onde não há pão, faz muita falta o magalhão.
Outubro 13, 2008 at 1:30 am
Pela escrita, pareceu-me logo ser da autoria Luís.
Luís, contacta o Ilídio.
Outubro 13, 2008 at 3:06 pm
Neste país de morcões,
A troco de dois tostões,
Agravam-se as disfunções:
O rico rouba milhões,
E o pobre ganha Migalhães!