Criança deficiente passa grande parte do tempo no recreio para não incomodar colegas

Ruben tem comportamento agressivo e não controla as necessidades fisiológicas. A DREL forçou-o a frequentar a escola dita normal.
Uma criança de oito anos com deficiência mental passa grande parte do dia no recreio da Escola de I Ciclo Pinhal da Vila, em Salvaterra de Magos. De acordo com os pais, a professora é forçada a colocar o aluno no exterior da sala de aula devido aos problemas que tem e ao barulho e a agressividade que demonstra com outros colegas. Por isso é costume vê-lo diariamente, a partir das 10h30, no pátio da escola sob vigilância de uma auxiliar de acção educativa, até às 15h30, hora em que os pais o vão buscar. Tem sido assim desde o início do ano lectivo, há cerca de três semanas.
Carlos Oliveira e Fátima Ruivo não recriminam a professora mas não se conformam com a situação e exigem que o Agrupamento de Escolas de Salvaterra de Magos ou a Direcção Regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo (DREL-LVT) coloquem a criança sob observação de técnicos especializados. “Assim é que não aprende nada nem melhora”, desabafa o pai.
Há dois anos que o pequeno Ruben, de oito anos, devia ter entrado para o primeiro ano de escolaridade, mas os pais tentaram adiar a situação o mais possível, antevendo os problemas. “Como é que se coloca uma criança com deficiência junto de outros alunos sem ter qualquer tipo de apoio para os problemas que tem?”, questiona Carlos Oliveira.
Tentaram colocar o filho no Centro de Recuperação Infantil de Benavente (CRIB) mas dizem que a directora da instituição lhes referiu que, apesar de haver vagas, haveria indicação da DREL para os alunos serem encaminhados para as suas escolas. Há dois anos tentou resolver a situação na sede da DREL, mas sem sucesso.

Continua na edição online do jornal O Mirante.