Criança deficiente passa grande parte do tempo no recreio para não incomodar colegas
Ruben tem comportamento agressivo e não controla as necessidades fisiológicas. A DREL forçou-o a frequentar a escola dita normal.
Uma criança de oito anos com deficiência mental passa grande parte do dia no recreio da Escola de I Ciclo Pinhal da Vila, em Salvaterra de Magos. De acordo com os pais, a professora é forçada a colocar o aluno no exterior da sala de aula devido aos problemas que tem e ao barulho e a agressividade que demonstra com outros colegas. Por isso é costume vê-lo diariamente, a partir das 10h30, no pátio da escola sob vigilância de uma auxiliar de acção educativa, até às 15h30, hora em que os pais o vão buscar. Tem sido assim desde o início do ano lectivo, há cerca de três semanas.
Carlos Oliveira e Fátima Ruivo não recriminam a professora mas não se conformam com a situação e exigem que o Agrupamento de Escolas de Salvaterra de Magos ou a Direcção Regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo (DREL-LVT) coloquem a criança sob observação de técnicos especializados. “Assim é que não aprende nada nem melhora”, desabafa o pai.
Há dois anos que o pequeno Ruben, de oito anos, devia ter entrado para o primeiro ano de escolaridade, mas os pais tentaram adiar a situação o mais possível, antevendo os problemas. “Como é que se coloca uma criança com deficiência junto de outros alunos sem ter qualquer tipo de apoio para os problemas que tem?”, questiona Carlos Oliveira.
Tentaram colocar o filho no Centro de Recuperação Infantil de Benavente (CRIB) mas dizem que a directora da instituição lhes referiu que, apesar de haver vagas, haveria indicação da DREL para os alunos serem encaminhados para as suas escolas. Há dois anos tentou resolver a situação na sede da DREL, mas sem sucesso.
Continua na edição online do jornal O Mirante.
Outubro 6, 2008 at 9:54 pm
É incrível não é? E para a criança demonstrar esses índices de agressividade/outros leva a mais perguntas: o que foi que lhe aconteceu antes? Porque se tornou assim?
Oxalá estes casos continuem a ser expostos para que os cidadãos comecem a perceber que têm o dever de agir. Trata-se de Direitos Humanos … de Direitos do Cidadão Portador de Deficiência, Direitos da Criança …
Trata-se da mal-tratada Constituição. Trata-se da esquecida mas em vigor, Lei de Bases do Sistema Educativo.
Pudera ajudar …
bjo P.
Outubro 6, 2008 at 9:55 pm
Não sejamos hipócritas.
A política de encerramento dos estabelecimentos de educação especial (EEE) recebeu o apoio das antigas ECAE, dos “especialistas”, dos sindicatos, do BE, PCP, PS e, por omissão, do PSD e CDS.
Para cúmulo, a maioria das Direcções dos próprios EEE aderiram à política do ME, por um lado, sob chantagem financeira e, por outro lado, por convicção ideológica em relação à “inclusão”.
Ou seja, a actual política educativa do tudo-debaixo-do-mesmo-tecto-porque-somos-todos-iguais-e-queremos-poupar-dinheiro-à custa-disso, tem o apoio tácito da esmagadora maioria dos burocratas, vigaristas, terapeutas, especialista e tele-evangelistas do mercado educativo.
Quando surgem casos como o agora revelado, não se questiona a política educativa em que assentam todas as medidas do governo, nomeadamente a caldeirada assistencial em que se transformou a “escola pública” e que proporciona casos imorais como o relatado.
Tudo é relativizado e engolido em nome da “inclusão”, mesmo que um ser humano seja negligenciado, uma vez que não existem “recursos técnicos” apropriados.
Pois devo dizer que as pessoas envolvidas nesta história (e noutras parecidas que se repetem h+a muito tempo por todo o lado) são vítimas de uma lavagem ao cérebro miserável e criminosa.
Com o dinheiro estoirado no Magalhâes, todos os deficientes poderiam ter apoio e assistência de grande qualidade, quer nas escolas da rede pública, quer nos eee (consoante os casos específicos)
Mas a pulsão demente do tecno-progresso, o culto do centro comercial escolar, leva os cidadãos deste país a prostrarem-se diante do altar da “mudança”, mesmo que isso detrua as suas vidas.
Outubro 6, 2008 at 9:56 pm
E o exemplo da escola inclusiva à maneira portuguesa.
Outubro 6, 2008 at 10:01 pm
Pode não lhe ter acontecido nada, Moriae.
Pode ser que seja simples assim.
O que me enoja são os governantes que nós temos que obrigam uma criança neste estado particular, que merece outro nível de cuidados, a estar numa escola regular, em vez de estar numa escola especial, com profissionais devidamente habilitados.
Outubro 6, 2008 at 10:02 pm
O deficientes mais perigosos, não as crianças, estão onde sabemos.
Outubro 6, 2008 at 10:05 pm
h5n1 (#2)
É isso mesmo.
Vendedores de banha da cobra da igualdade, da pedagogia, da educação, da psicologia, e até com um fundo muito “democrático” e científico.
Outubro 6, 2008 at 10:12 pm
(2) H5n1, quando dia “Não sejamos hipócritas.”
refere-se a quem, no âmbito do nós???
(3) Lua, até à pouco tempo tínhamos uma legislação passível de se desenvolver e promover a inclusão …
(4) Luís Ferreira, é certo o que diz … é possível.
Que mundo este…
(5) Fafe, tb acho.
Outubro 6, 2008 at 10:31 pm
Na minha escola há uma criança com deficiência intelectual muito relevante.
Tem 11 anos mas uma idade mental de 3 ou 4.
Vai para as aulas com as outras crianças. Mas claro que se comporta como uma criança de 3 ou 4 anos… É muito meiga, mas não tem idade para estar sentada numa secretária…
Há uma escola de ensino especial da Igreja Católica que está disposta a recebê-la.
Mas o ME entende sabiamente que a criança deve estar a ser “socializada” numa escola para alunos ditos “normais”.
Nesta história, quem são os maiores anormais?
Outubro 6, 2008 at 10:33 pm
Resposta:
Como é possível uma escola, constituída por 6 seres humanos racionais, compassivos e esclarecidos (?), para além dos humanóides do CE, pactuar com uma tal situação ?
Uma parte dos eee foram criados em 1976, precisamente para responder a estas situações.
Passados 32 anos temos o CE do Agrupamento a não querer accionar o que está previsto no 3/2008 (encaminhamento) e toda uma teia de “consciências tranquilas”, com a criança entregue à bábá-escrava da escola, numa situação de insustentável imoralidade.
Os pais são/estão impotentes. E os docentes ? E as Associações de Pais ? E os sindicatos ?
Mas que raio de país é este ?
Outubro 6, 2008 at 10:37 pm
Esta é a inclusão do sr. Sócrates. “Todos diferentes, todos iguais”, sr. Sócrates, não se aplica assim… Idiotas!
Outubro 6, 2008 at 10:38 pm
É um país governado por…
Outubro 6, 2008 at 10:43 pm
(9) H5n1,
penso que a resposta foi para mim e agradeço mesmo…
em resumo, é um país enfraquecido, desconhecedor, infeliz …
sinceramente, é um espaço geográfico muito mal aproveitado …
Cordialmente,
m.
Outubro 6, 2008 at 10:45 pm
Este é um assunto muito delicado e que, com certez, nos sensibiliza a todos! Lamento por todos os Rubens, por todos os pais que se vêem a braços com o dilema da escola “inclusiva”…
Infelizmente, a suposta escola inclusiva não inclui! Pelo contrário, exclui! Fica-se pelo faz de conta que todos são iguais, faz de conta que nela terás boas condições, faz de conta que serás feliz como os demais…
Inclusão?! O Ruben é dela prova!
Outubro 6, 2008 at 11:12 pm
Concordo em absoluto com h5n1.
A banha da cobra vendida pela esquerda moderna é música para os ouvidos de quem quer poupar uns cobres. Se os “cientistas” da educação defendem que as criancinhas são todas iguais, porque não devem estar todas dentro da mesma sala?
Mesmo que alguns “especialistas” da educação acreditem que existem crianças com deficiências graves, os mesmos defendem que devido ao facto dessas crianças quando chegarem a adultos terão que conviver com toda a gente, então a escola e os professores devem encontrar uma forma de os incluir na mesma sala, na mesma escola, nas mesmas matérias, enfim…!
Tretas!
Tenho pena dessas crianças porque como é evidente para qualquer pessoa, devido às teorias muito pós-modernas dos “cientistas” e/ou “especialistas” da educação, nunca serão rigorosamente nada na vida!
Outubro 6, 2008 at 11:22 pm
ISTO ESTÁ A MELHORAR!
“Violência diminui nas escolas
Os casos de violência nas escolas diminuíram 54 por cento dentro dos estabelecimentos de ensino, mas aumentaram 8,4 por cento no exterior.
O relatório “A Segurança nas Escolas”, relativo ao último ano lectivo e que amanhã será discutido na Comissão de Educação e Ciência da Assembleia da República, revela que os funcionários foram as principais vítimas de violência nas escolas. No ano lectivo 2006/2007, 147 funcionários foram agredidos, num universo de 51.352.
Os professores surgem logo a seguir e os alunos em terceiro.
Entre os crimes registados, o furto foi o mais verificado com 25,8 por cento dos casos, seguido das ofensas à integridade física, com 24,2 pontos percentuais.
O documento destaca ainda que, no que respeita às ocorrências contra bens pessoais, são as acções que envolvem o uso do telemóvel que mais se destacam, com 367 casos, num total de 918.” in Correio da Manhã
on-line
Outubro 6, 2008 at 11:49 pm
LFB, esta é realmente a inclusão do sr. Sócrates. Claro que os filhos dele, já os “desincluiu” da escola de todos. Foram para o Colégio Alemão. Não se desse o caso de saírem uns madraços como o pai…
Outubro 7, 2008 at 1:19 am
Esta é só mais uma, TRISTE prova, entre tantas outras, do logro em que tem vindo a ser transformada a Escola Pública! Uma mentira para todos: alunos, pais, professores e sociedade!
Outubro 7, 2008 at 1:45 am
A violência nas escolas não está a diminuir. Os casos relatados é que são menores, pois inevitavelmenete a culpa será sempre do agredido se este for um professor ou um funcionário, e as represálias serão maiores se for um aluno. Quem se queixa sofre na avaliação se for adulto, e no corpinho se for menor.
Os alunos com deficiência mental continuam a vegetar no espaço das escolas do ensino regular, sem apoio especializado, tornando-se cada vez mais frustrados, irritadiços, e suscitando a incompreensão e as agressões de alguns alunos “normais” mas pouco educados. Os presidentes dos C.E., como de costume, escondem a realidade. A avaliação, sempre a avaliação… Que teia tão bem montada!
Outubro 7, 2008 at 10:41 am
Vergonhoso para o nosso País! Inaceitável!
Se isto acontece no principio do ano lectivo, como será daqui a 3 meses? vamos passar pelas escolas e ver as crianças com dificuldades ou deficientes fora das escolas, nos recreios ao cuidado de auxiliares de educação?
Isto assim não pode continuar, onde estão os responsáveis do ministério por esta área.
Outubro 7, 2008 at 12:03 pm
Na turma da minha filha são dois ” Rubens” mais um hiperactivo, um com abandono escolar(e que quer ser cigano!!!!!!!) à sala de aula mas que bate nos outros no recreio de onde não sai, tv a mãe peca o rendimento mínimo!….. é uma turma normal de 5 ano, que não anda no colégio alemão.
Os NEE’s, um é mal educado e chora para ir para casa, é o menino da mamã. A menina é um doce que nem sequer consegue falar, tudo à mistura no 5º ano!!!
As minhas 8 turmas, não são muito melhor !!!
Estou pelos cabelos e vou começar a por na rua gente mal educada, que a minha função ainda é ensinar.
já tenho insónias e devido à arritmia não posso tomar medicação “pesada”, bolas para a recessão na educação, já lá vão 30 anos disto no ensino.
já enjoa.
Outubro 8, 2008 at 11:09 pm
[...] Fonte: http://educar.wordpress.com/2008/10/06/ja-sabemos-casos-individuais-consequencias-dramaticas-e-etc/ [...]
Novembro 10, 2008 at 11:26 pm
existem muitos rubens infelizmente…
quanto a mim revolta-me a situação, penso que se poderia fazer mais. São muitos os alunos como o ruben vão para ao pé das auxiliares ficando para trás o pouco que podem aprender…