Ora bem, perante várias (muitas) msgs a propor uma acção de protesto para Novembro dos professores em relação a este modelo de avaliação, apenas gostaria de sublinhar dois aspectos que acho verdadeiramente essencial, de todos os pontos de vista e mais alguns que me estarão a escapar agora:

  • Esse protesto deveria surgir não como uma pressão ou forma de demonstrar resistência à sua implementação – o que daria campo de manobra para todos os que dizem que os docentes não querem é ser avaliados – mas como um aviso sobre a sua inexequibilidade e pela facto de ser o ME que desde já o anda a desvirtuar, com as recomendações do CCAP a darem alguma cobertura técnica a essa decisão política e as estruturas intermédias do ME a tentarem controlar de perto como as coisas estão a correr.
  • De qualquer modo, acho que um protesto teria ainda mais força quando para a opinião pública e publicada já fosse por demais evidente que o modelo de avaliação de desempenho dos docentes tal como foi desenhado pelo ME e a que o PM se colou totalmente não é um sistema exequível, equitativo, transparente ou sequer um instrumento eficaz para a promoção do mérito e penalização das más práticas. Esse trabalho de esclarecimento da opinião pública e publicada ainda não está totalmente feito.

Não esqueçamos sempre que este tipo de protesto precisa de ser bem preparado e explicado porque não temos contra nós apenas o ME/Governo/PS. Temos o desagrado da Presidência da República que implícita e explicitamente tem dado cobertura a estas políticas, assim como a indiferença expectante da generalidade da oposição, mais interessada no desgaste do Governo do que no apoio aos professores.

E isto é válido de uma ponta à outra do espectro parlamentar, porque ao lado direito da Assembleia as políticas de desregulação dos concursos de docentes, pretensa autonomia das escolas e entrega ás autarquias não desagrada, enquanto à esquerda a principal luta é contra o Código do Trabalho, sendo os protestos dos professores meramente instrumentais numa estratégia mais alargada de contestação.

E há uma série de opinion-makers que foram muito progressivamente inflectindo o seu posicionamento neste confronto, ao serem obrigados a aperceber-se dos truques do ME para produzir sucesso e simular efeitos imediatos para as suas reformas, mas que mal tenham um pretexto poderão apontar novamente o dedo aos professores como os indolentes conservadores a quem a mudança assusta. Quando nós somos exactamente um dos sectores de actividade em que a mudança é permanente.