Transcrevo o mail recebido, com autorização do(a) autor(a) do documento, apenas eliminando, a seu pedido, os seus elementos identificativos e da escola
Colegas
No início da discussão do novo sistema de avaliação expressei, em reunião de Departamento de *********, o meu cepticismo relativamente às transformações que a aplicação deste processo iria trazer à escola. Gostava de me ter enganado.
Entendia, então, e assim penso ainda, que todas as medidas tendentes a separar professores e privilegiar o trabalho individual só podem empobrecer a escola. Mais ainda, se estiver em causa a avaliação do desempenho e uma pretensa corrida para o fundo de um túnel onde não se adivinha nenhum raio de luz. Diz a experiência que, em situações de congestionamento e na ânsia da salvação individual, cada um acaba por esmagar o mais próximo e, se alguém sobreviver, não terá de que se orgulhar.
Propus que tudo o que nos víssemos obrigados a fazer, o fizéssemos em grupo e com espírito de partilha. Mantenho o meu propósito.
Aqui envio a todos os colegas de Departamento a Ficha de Definição de Objectivos Individuais que elaborei. Não me mereceu muito dispêndio de tempo que preciso de reservar para actividades mais consentâneas com os meus verdadeiros deveres profissionais. Antes de fazer a entrega oficial do documento quis partilhar convosco o que escrevi e dizer que estou receptiva a críticas, sugestões e partilhas.
Anexo: objectivos.
Outubro 3, 2008 at 9:54 pm
BRAVO!!!
Outubro 3, 2008 at 10:03 pm
Parabéns!
Pela determinação e coragem!…
Outubro 3, 2008 at 10:06 pm
Ora comentemos lá!
De acordo com a colega,mas…. os objectivos individuais só devem ser entregues depois das metas de escola constarem do PAA e de revisto e aprovado um novo Projecto Educativo pelo CGT eleito e constituído de forma legal.
Sem isso, nada feito.Como diz o Paulo, tolerância zero para o incumprimento da legislação.
Outubro 3, 2008 at 10:10 pm
Na minha escola o Projecto Educativo está em reformulação. Não deverá estar concluído até à data em que se pretende a entrega da folhinha com os objectivos individuais.
Alguns colegas dizem que irão posteriormente reformular os objectivos. Isto tem alguma lógica?!!!
Outubro 3, 2008 at 10:11 pm
Penso que depois da coragem e honestidade que demonstrou como podería eu criticá-la?
De facto, após nos colocarem em “obediência civil” pelo menos que possamos viver com a nossa consciência. Penso que conseguiu conciliar as duas. Parabéns Isabel! Obrigado por partilhar connosco!!!
Outubro 3, 2008 at 10:16 pm
Certo, António
A ficha só deve ser entregue depois disso tudo. Mas entretanto podemos ir pensando e partilhando formas de o fazer não fazendo. Ou outras. O que é importante é chamar a nós os colegas que estejam na aflição de levar a sério o que nos foi atirado sem seriedade.
Outubro 3, 2008 at 10:17 pm
Os objectivos deveriam ser os mesmos de Norte a Sul. Mais ou menos 150.000 mil objectivos iguais.
Outubro 3, 2008 at 10:18 pm
Tenho de agradecer a ficha. Fiz sempre as fichas de que precisava para as adaptar à minha pessoa. Mas eis que, de repente, me apetece copiar tudo. Nalgumas é só colocar o nome. Porreiro, pá! Se isto satisfaz os Altíssimos, quem sou eu para os contrariar! Se não satisfaz, óptimo! Não preciso de me adesivar para criar engulhos!
Outubro 3, 2008 at 10:25 pm
Devo dizer que já tenho algumas fichas, tiradas da Net, guardadas no Ambiente de Trabalho.
Se isto for mesmo avante é só copiar!
Outubro 3, 2008 at 10:28 pm
Dá vontade de copiar estes documentos da net, imprimir e fazer dossiers, como os trabalhos da treta que os alunos fazem, em 98% dos casos, sem qualquer esforço (nem sequer os lêem). Dá ainda vontade de escrever umas asneiras lá pelo meio, só para testar se alguém os leu…
Hoje ouvi uma palavra que não ouvia há muito e que vou usar numa próxima porcaria de documento da treta que me obriguem a fazer: panóplia!
Aceitam-se sugestões para palavras rebuscadas, um pouco démodés, à laia de guisa, para inscrever na papelada…
Outubro 3, 2008 at 10:29 pm
Obrigada colega.
Gestos desta generosidade vão ser cada vez mais raros. Enche-me a alma constactar que (afinal) não somos todos iguais…;)
Outubro 3, 2008 at 10:30 pm
corrijam ali “constatar” fachavor…
Outubro 3, 2008 at 10:33 pm
Hum!, ainda não percebi o paradoxo dos objectivos individuais, o objectivo não era, a par da massificação, o amorfismo?
Por isso, copiar, copiar!, havemos de determinar com êxito o comprimento do nariz do imperador chinês.
Outubro 3, 2008 at 10:35 pm
SERÃO ESTES OS OBJECTIVOS A ATINGIR..
http://br.youtube.com/watch?v=woKAtP_v3m8
Outubro 3, 2008 at 10:47 pm
Suomi Vivecananda (comentário 10)diz:
«Aceitam-se sugestões para palavras rebuscadas, um pouco démodés, à laia de guisa, para inscrever na papelada…»
Aqui vai um belo ramalhete de palavras…. que juntas, com engenho e arte e uma pitada de ironia, farão um brilharete!
Vejamos então:
abominábil, acoiteza, amictório, amículo, apêndice vermicular, arcocentro, bandir, buliço, cenologia, concassor, devisar, diese, flogose, gramasso, heréu…
Ah… esqueci-me do esternomastoideu…
Outubro 3, 2008 at 10:48 pm
Copy… paste é a palavra de ordem!
Força, colega, pela sua determinação!!!!!
Outubro 3, 2008 at 10:51 pm
seres rastejantes e sabujos…invertebrados…castrati…traseiros embutidos…
Outubro 3, 2008 at 10:51 pm
Hum!, copiar, pastar, …
Outubro 3, 2008 at 10:58 pm
O único acontecimento que me faria feliz ..verdadeiramente feliz era que o próxinmo avião onde fosse o 1º e os seus sabujos se depenhasse nos Andes …para não haver hipótese de sobrevivência..nem os corpos encontrassem para os sepultar e os restos fossem comidos por cães raivosos ..isso sim seria um acontecimento que me faria imensamente feliz..até rebentava um dom perignon..
Outubro 3, 2008 at 10:58 pm
só vocês para animarem!!!
tou com um sorriso de esguelha de olela em olelita!!!
gosto da ideia de 150 000 objectivos copy e cola!!!! ia ser um brua!!!
Outubro 3, 2008 at 11:16 pm
“O corpo docente de uma escola é composto por apenas algumas dezenas de professores. Há relações de proximidade, de afastamento, de indiferença e, até, laços familiares. Ora, não sendo as relações entre as pessoas neutras, que garantia de independência pode ter a avaliação? O coordenador de departamento vai avaliar a colega, que, por acaso, é a esposa?! Depois de uma almoçarada, o presidente do conselho executivo vai avaliar o colega, de quem é amigo desde a creche?! Enfim, sem comentários. Mário Lopes”
Outubro 3, 2008 at 11:16 pm
ia ser brutal!
então não se meteram conosco?
não andamos uma vida inteira na escola?
então alguma coisa devemos ter aprendido, não?
bora lá usar as cábulas, tá?
e “bota pró escacha” como se diz por aqui.
Outubro 3, 2008 at 11:21 pm
E se a escola exigir pouco palavreado?
É que 5 páginas de objectivos individuais é doze!!!
Outubro 3, 2008 at 11:35 pm
“Copy… paste é a palavra de ordem!”
Liiindo!Era o milagre da multiplicação dos objectivos!
Outubro 3, 2008 at 11:47 pm
DA (23):
Eles querem papéis… Pois afogamo-los em papéis! Quantos mais melhor.
Outubro 4, 2008 at 12:17 am
A delegação de competências de avaliador tem de ser publicada no Diário da República
Como vem sendo hábito, a colega Isabel identificou mais uma brecha no edifício legislativo da avaliação de desempenho. É uma brecha que pode fazer ruir ou pelo menos vacilar todo o edifício. Pelo menos, vai atrasar a concretização do processo de avaliação de desempenho nas escolas e agrupamentos com muitos professores. Estou a referir-me à delegação e subdelegação de competências de avaliador.
Os avaliadores que receberam delegação de competências não vão poder fazer nada antes desta delegação sair em Diário da República. É o que diz o artigo 37º do Código do Procedimento Administrativo:
“Artigo 37º do CPA
Requisitos do acto de delegação
1 – No acto de delegação ou subdelegação, deve o órgão delegante ou subdelegante especificar os poderes que são delegados ou subdelegados ou quais os actos que o delegado ou subdelegado pode praticar.
2 – Os actos de delegação e subdelegação de poderes estão sujeitos a publicação no Diário da República, ou, tratando-se da administração local, no boletim da autarquia, e devem ser afixados nos lugares de estilo quando tal boletim não exista.”
Isabel
É claro que MLR pode apressar a publicação mas é muito provável que o processo obrigue a alguma demora. Não me parece que seja possível ultrapassar esta exigência porque o CPA é uma lei que não pode ser alterada por portarias ou despachos. Assim sendo, julgo que a publicação no DR da delegação de competências de avaliador tem de ser feita agrupamento a agrupamento e isso pode levar muito tempo. Seja como for, os avaliadores que receberam competências de avaliação por delegação só podem iniciar o uso dessas competências depois da publicação em Diário da República.
http://www.profblog.org/2008/10/delegao-de-competncias-de-avaliador-tem.html
Outubro 4, 2008 at 12:21 am
“Qual consideras ser a medida mais eficaz, dentro das escolas, para bloquear este sistema de avaliação?
tomar posições de grupo, departamento, escola, rejeitando o modelo de avaliação
ultrapassar as quotas, solicitando Muito Bons e Excelentes, e bloqueando o processo interno de avaliação
todos os avaliandos apontam objectivos iguais
recusar, com fundamentação, o/a avaliador/a proposto
recusar preencher o parâmetro referente aos resultados dos alunos na avaliação de desempenho
Outra. Linka o texto em baixo para dizeres qual
http://www.movimentoescolapublica.blogspot.com/2008/10/tempo-de-agir.html
Outubro 4, 2008 at 12:28 am
Ana (27)
Um dos pontos acordados entre a ministra e os sindicatos, para tranquilizar os professores, no famoso entendimento, não foi o de a avaliação deste ano não contar para nada? Então não façamos a ponta de um corno. Zero, nada, niente, nicles, rien de rien…
Tranquilos muchachos que no pasa nada.
Outubro 4, 2008 at 12:33 am
Quanto à delegação de competências, o que diz o CPA é o que tem sido expresso por aí, a colega Isabel, será? Mas há uma coisa que eu nunca percebi neste país, tirando as outras todas, claro! É que os Presidentes dos Conselhos Directivos (suponho também que os Executivos) podiam delegar funções no Vice. Mas isso, tanto quanto sei, bastava constar de actas!
Podia-se perguntar a juristas, mas estou convencido que cada um diria sua coisa. A clareza e interpretação das leis é o que se sabe!
Outubro 4, 2008 at 7:11 am
Partindo do princípio que tudo isto vai mesmo para a frente, interessou-me particularmente a afirmação a propósito de um aspecto: ‘Dessa actuação não tenciono fazer registo’. Não vejo explícita a intençÃO de fazer registo de outros, mas quero crer que está implícita e será feita. Estes registos serão fundamentais. Já vi muitos documentos deste tipo com o «farei», «farei». Começam a dizer todos o mesmo. Haverá que comprovar.
Há anos pertenci a um júri que avaliou um colega que pretendia ter BOM – na antiga avaliação. Para além de outros aspectos ridículos do documento que apresentou, um era espetacular: Fiz, fiz, fiz, mas nada provava ter feito… O colega tinha feito tudo, mas não provava nada. Ora aqui vai jogar-se muita coisa, principalmente para os que aspirem aos excelentes e muito bons…Estou comvencido que para o Bom não será necessário muito.
Pessoalmente, vou registando tudo.
Termino dizendo à colega que todos nós deveremos – quando discordamos desta fantochada toda – fazer o mesmo que fez: dar conta do nosso desacordo e desagrado, justificadamente, neste documento.
Outubro 4, 2008 at 10:43 am
Estou com a Ana Henriques! Aliás, chamo a atenção para as Recomendações do CCAP… não diz a lei que as devemos seguir?! pois sigamo-las… eu já tinha decidido e comunicado publicamente que não quantificaria os meus objectivos, as ditas recomendações apenas vieram apoiar a minha decisão: se alguém bufar contra é recurso certo (e olhem que eu sou avaliadora!…)
À Colega que partilhou o documento, um bem-haja por mostrar que temos muito pelo que nos orgulhar, na nossa “classe”
Outubro 4, 2008 at 4:50 pm
obrigada pela solidariedade, colegas.
também penso que se deve denunciar no documento o que está mal.
que se tornem públicas essas denúncias.