Exmos. Senhores
Tenho um filho com cerca de 2 anos, o qual lhe foi diagnosticada uma Paralisia Cerebral. Actualmente apresenta um atraso no seu desenvolvimento global, nomeadamente na parte cognitiva.
O que me leva a este contacto é o facto do meu filho ter sido inserido no passado Ano Lectivo no Programa de Intervenção Precoce do Agrupamento da Alapraia tendo o apoio de uma Educadora do Ensino Especial 4h por semana, no entanto e por falta de colocação na referida Escola, de Educadoras do Ensino Especial para darem apoio educativo às crianças com necessidades Educativas Especiais, este ano o meu filho ainda não iniciou o referido Programa, não existindo sequer nenhuma data para o começo do mesmo. Em contactos com a Escola e com a DREL, fui informada que das 7 Educadoras solicitadas pela Escola só 1 foi colocada, sendo que nenhuma das Entidades poderá resolver esta situação.
Nesta situação e neste Agrupamento estarão cerca 60 crianças que se encontram sem Apoio Educativo. Pelo que a minha questão é se estas crianças não têm o mesmo direito das outras crianças. Afinal o Ano Lectivo começou, a questão é se será que começou para todos?
Junto envio carta expondo o meu caso e apelando que o mesmo seja divulgado no vosso Blogue.
Estarei disponível para mais contactos, caso estejam interessados nesta situação.
Atentamente
Cláudia Alexandra Rocha
Carta em formato pdf: carta_mae-guilherme_ip.



Outubro 2, 2008 at 7:43 pm
Situações como referida na carta não podem deixar de nos fazer sentir indignados. Uma criança da minha família e residente em área próxima da referida, deixou de frequentar a instituição em que se encontrava em Lisboa pois, por falta de apoio de técnicos especializados – o orçamento da instiuição veio a sofrer sucessivos “cortes” -, deixou de apresentar os progressos revelados nos primeiros anos de acompanhamento, quando os recursos humanos eram os adequados.
Os pais foram informados pela DRELVT que o menino passaria, no presente ano lectivo, a ser incluído numa sala especial de uma escola básica do concelho de Cascais. Até agora ainda se encontra em casa, sendo a justificação a de que a sala ainda se encontra em fase de acabamento.
À semelhança da mãe que assina esta carta, gostaria de acreditar que os direitos das crianças são cumpridos em Portugal.
Outubro 2, 2008 at 8:43 pm
Parece-me que serão alguns casos isolados:(
Outubro 2, 2008 at 9:01 pm
Estas são as histórias mais assustadoras.
E era bom que todas as mães, pais e responsáveis por crianças com dificuldades de aprendizagem, seguissem o exemplo.
Há que mostrar ao país que este governo tem tomado medidas que vão muito para além dos cortes orçamentais de cada família, de cada indivíduo.
As medidas que esta gente tem vindo a impor são desumanas.
Este post é disso exemplo.
Oxalá outros sigam a coragem de Cláudia Alexandra Rocha.
Outubro 2, 2008 at 9:14 pm
Andei anos a ouvir hinos à inclusão.
Andei anos a ouvir chamar nomes aos estabeleimentos de educação especial, porquanto eram um sinal de discriminação; que todos saíriam beneficiados com o seu encerramento e com a concentração dos alunos debaixo de um telhado comum do estado terapêutico.
Tal como o Magalhães, a Escola Inclusiva era e é considerada um catalizador de mudanças e de progresso.
É pena as pessoas só olharem para um lado do problema, geralmente aquele que é mais demagógico e habilmente manipulado pelas transnacionais da propaganda, sem pensarem nas consequências a médio/longo prazo para os principais visados: os alunos.
Na inglaterra já se criticaram há alguns anos os resultados desatrosos da escola inclusiva, para muitos casos específicos de deficiência (a deficiência motora nada tem a ver com o autismo, com patologias graves da personalidade ou multideficiência grave), e do correlativo encerramento de inúmeros estabelecimentos de educação especial.
Em portugal, como de costume, chafurdamos e atascamos nos erros dos outros, como se se tratasse de uma extraordinária coragem e de uma “mudança de paradigma” (embora este termo já tenha 46 anos de idade – Kuhn – e seja actualmente uma mera frase de marketing).
A escola monopolista de estado, no seu modelo clássico de asilo assistencial, em que as medidas educativas se substituem ao medicamento ou à mais radical lobotomia, continua a povoar o sonho do português catequizado pela Nomenklatura.
Outubro 2, 2008 at 9:30 pm
Não serve de conforto, muito menos resolve a situação do Guilherme, o que é certo é que a falta de prof. de educação especial é uma constante e afecta todas as escolas e alunos com NEE, havendo casos gritantes e que têm que ser denunciados. É inadmissível o que se passa nas nossas escolas!
Gostava de perceber a razão dos problemas existentes para a colocação de docentes de educação especial. Sei que os conselhos executivos não podem apresentar as necessidades residuais dos grupos de Educação Especial [910, 920 e 930] na modalidade dos restantes grupos de docência. Há alguém que me saiba explicar esta situação?
Outubro 2, 2008 at 9:57 pm
Esta mãe tem toda a razão, mas este (des)governo tem mais interesse em começar o ano lectivo com magalhanices. Há egos que se alimentam apenas com “folclore”!
Outubro 2, 2008 at 10:10 pm
Os casos não isolados começam a ficar completamente isolados no meio de tantos casos isolados.
Parece mesmo que só resta criar tantos casos isolados de não votantes nestes senhores que os façam também ficar suficientemente isolados!
Outubro 2, 2008 at 10:12 pm
Tive um problema algo parecido com o meu irmão.
Sabem como se resolvem estes problemas?
Desloque-se à DREL e faça uma peixeirada que inclua pedido de Livro de Reclamações e ameaça com a Televisão.
Se tu correr bem, rapidamente estará resolvido o problema!
É pena mas neste país é assim!
Tudo de bom para o seu filho!
Boa sorte!
Outubro 2, 2008 at 10:14 pm
Haverá alguma forma de pressão que possamos fazer para ajudar a Cláudia a ter uma educadora especializada na escola do filho?
Outubro 2, 2008 at 10:16 pm
Denunciando outras situações semelhantes. Tornando-as públicas em espaços como estes, Reb.
Outubro 2, 2008 at 10:17 pm
Existem outros espaços além deste?
Era útil denunciar no maior nº de sítios possível.
Outubro 2, 2008 at 10:24 pm
Eu quero ajudar esta mãe e tantas outras que por este pais fora neste momento devem estar desesperadas por saberem do retrocesso que estas politicas vão ter na vida dos seus filhos. Como estas crianças poderão ter alkgum sucesso ao lado das outras sem problemas. Assim pensa este ME e o sr Sòcrates ao passear pelo pais em altos carros a velocidades acima do limite legal e com todo o descaramento a defender a igualdade de oportunidades e de género. Anda a dar pérolas a porcos e para os verdadeiramente necessitados não tem respostas ou responde assim.
Outubro 2, 2008 at 11:08 pm
A irmã no comentário 8 tem razão.
Infelizmente, é assim neste país.
Escrever no livro de reclamações e ameaçar com a comunicação social.
Há dinheiro para os Magalhães (subsidiados até para os que não têm problemas financeiros) só não há é apoio para os mais vulneráveis. Esses, são abandonados.
Outubro 2, 2008 at 11:13 pm
(11) Existem outros espaços além deste? – Não existem?!
Outubro 2, 2008 at 11:40 pm
É como a irmã [8] diz:
Só com peixeirada e comunicação social à volta do caso é que isto vai para a frente.
Outubro 3, 2008 at 12:00 am
Criança com deficiência grave passa grande parte do tempo no recreio para não incomodar colegas
Ruben tem comportamento agressivo e não controla as necessidades fisiológicas. Tem graves problemas de linguagem e manifesta alterações de comportamento que resultam em heteroagressividade. Foi-lhe diagnosticada uma doença genética chamada de Inversão do Cromossoma 11. Tem oito anos e frequenta a escola do 1º CEB Pinhal da Vila, em Salvaterra de Magos. Apesar dos pais tentarem colocar o filho no Centro de Recuperação Infantil de Benavente, a DREL entendeu que crianças como o Rubem devem frequentar o ensino regular. O jornal O Mirante de 2 de Outubro conta a história toda. O caso do Rubem é certamente mais um caso típico do falhanço da política de educação especial do Governo. Os pais acusam: sem apoios especializados, o Rubem não consegue aprender nada. A “solução” encontrada não agrada a ninguém: o Rubem passa a maior parte do tempo no recreio para não incomodar os colegas.
http://www.profblog.org/2008/10/criana-deficiente-passa-grande-parte-do.html
Outubro 3, 2008 at 12:27 am
Se há lei que tem de ser urgentemente revogada é a do Ensino Especial.
Outubro 3, 2008 at 10:05 am
Sou a Cláudia, a mãe do Guilherme e queria deixar aqui um agradecimento a todas as pessoas que me estão a ajudar nesta batalha com a falta de Educadoras do Ensino Especial.
Tenho enviado esta carta para jornais, televisão, blogues e afins, infelizmente da parte da Comunicação Social ainda não tive qualquer tipo de resposta, mas a minha luta irá continuar até que o meu filho tenha o acompanhameno que lhe é devido.
E como a esperança é a última a morrer, eu não vou parar até que as Educadoras sejam colocadas neste Agrupamento.
Se alguém tiver outras ideias, ou outros meios que me possam ajudar nesta batalha, estarei aqui para as ouvir e para as colocar em prática.
Atentamente
CláudiaR
Outubro 3, 2008 at 6:17 pm
O problema, cláudia, é que estes posts têm um tempo de consulta curto. Entretanto surgem novos posts e as pessoas não lêem os mais antigos.
O que seria bom que conseguissemos era que alguém tivesse contactos privilegiados nos jornais ou canais de televisão, para que o seu pedido pudesse, realmente, chegar a ser publicado num meio de comunicação mais abrangente…
Outubro 3, 2008 at 6:35 pm
Cláudia Rocha,
Hoje à hora do almoço, deram a notícia de um menino de 8 anos de NEE que foi incluído numa turma de 1º ano, com prejuízos quer para o menino quer para a turma.
Continue a divulgar a situação do Guilherme.
Enquanto houver dinheiro para subsidiar Magalhães (aos que não necessitam de subsídios) tem de haver dinheiro para apoiar os que na realidade necessitam.
Força!
Outubro 4, 2008 at 11:07 pm
Boa Noite
Eu continuo a lutar e a enviar a minha carta para tudo o que é Comunicação Social, jornais, TV´s, Ministério da Educação DREL, Câmara Municipal de Cascais, Associações de IP e PC…enfim, um sem número de sítios. Continuo a aguardar que alguém da Comunicação Social me contacte, como é óbvio….Comunicação é PODER.
Beijinhos e não vou desistir
CláudiaR
Outubro 4, 2008 at 11:09 pm
Bravo, Cláudia!!
Força. Não desista. Será ouvida, mais tarde ou mais cedo. Estamos aqui.
Outubro 8, 2008 at 11:17 pm
Boa Noite
Queria só aqui dizer, como seguimento deste Post, que hoje saíu uma notícia no Jornal “Público” sobre a minha situação, assim como foi feita uma Reportagem sobre o caso pela TVI, tendo a mesma passado no Jornal das 13h.
Para quem me tem acompanhado, quero agradecer todo o apoio e as ajudas preciosas que me têm dado.
Infelizmente a situação ainda não está resolvida e nós continuamos sem apoio Educativo, apesar de se encontrarem professores do Ensino Especial no Fundo de Desemprego.
Mas eu irei continuar a lutar…até atingir o meu objectivo, a Educação para o meu Filho.
Um grande beijinho
Outubro 8, 2008 at 11:21 pm
Cláudia,
Li a notícia no Público.
Acredito que se resolverá. Vamos esperar.
Dezembro 28, 2011 at 1:37 pm
Claudia.
Independente de ser a pessoa quem procuro,fico a disposição para uma tentativa de ajuda frente aos governantes.Certo que irei sim levar ao conhecimento dos vereadores e demais.Agradeço se você passar alguns elementos para que eu entregue aos políticos.
Sem mais.
Mauricio Roberto Machado.
e-mail:machado.3.d@hotmail.com
Aguardo um contacto seu.
Boa sorte.