Não há o tempo nem a paciência para andar a procurar nas letras miúdas da entrevista de Maria de Lurdes Rodrigues ao Jornal de Letras algo de novo para assinalar até que ponto tudo isto é um fadop mal cantado, mas sempre repetido.

Há um limite para o sacrifício.

Pelo que desta vez me limito aos destaques e chamadas letras gordas que ressaltam mais à vista.

Deixando de lado a tábua rasa feita sobre as condições em que este Governo afirma ter encontrado as Escolas Secundárias e que decidiu resolver apenas no ano lectivo anterior a novas eleições, temos duas passagens que conjugadas nos fazem pensar se terá sido o mesmo sistema de ideias a produzir.

Repare-se que numa das passagens se afirma que nunca existiram «tantos jovens a trabalhar em áreas de ponta, muito inovadoras e exigentes», acrescentando que terão feito o seu percurso no «Ensino Público».

Ficamos quase animados, mas deparamos depois com uma passagem que nos manda «olhar para as escolas ou colégios de referência» para verificarmos que eles praticam «a continuidade do pré-escolar ao 12º ano», assim se responsabilizando pela integralidade do percurso dos seus alunos.

Ora, sabendo nós que no sistema de ensino do Estado (que é a acepção de “público” usado por MLR) não existem instituições com esse perfil, é lógico inferir que a Ministra da Educação estará a fazer o elogio a alguns colégios privados.

Ora, antes acabara de dizer que os melhores investigadores e mais inovadores foram formados no «Ensino Público».

O que me deixa confuso.

Então por onde andam os ex-alunos das «escolas ou colégios de referência»?

Eu tenho uma ideia, lógica, a partir dos pressupostos da senhora ministra: andam a viver pelo mundo dos negócios e da política, que é por aí que a vidinha se ganha muito melhor, não a fazer investigação científica ou a inovar.

E talvez esta seja uma questão a discutir quando se debate a qualidade e a vocação do sistema de ensino público: que tipo de alunos queremos criar, que modelo de formação lhes queremos aplicar, que sistema de valores e de ética queremos transmitir.

E, principalmente, sabemos exactamente aquilo que pensamos, de forma coerente, quando abrimos a boca, em especial quando ocupamos cargos de responsabilidade?