Não há o tempo nem a paciência para andar a procurar nas letras miúdas da entrevista de Maria de Lurdes Rodrigues ao Jornal de Letras algo de novo para assinalar até que ponto tudo isto é um fadop mal cantado, mas sempre repetido.
Há um limite para o sacrifício.
Pelo que desta vez me limito aos destaques e chamadas letras gordas que ressaltam mais à vista.
Deixando de lado a tábua rasa feita sobre as condições em que este Governo afirma ter encontrado as Escolas Secundárias e que decidiu resolver apenas no ano lectivo anterior a novas eleições, temos duas passagens que conjugadas nos fazem pensar se terá sido o mesmo sistema de ideias a produzir.
Repare-se que numa das passagens se afirma que nunca existiram «tantos jovens a trabalhar em áreas de ponta, muito inovadoras e exigentes», acrescentando que terão feito o seu percurso no «Ensino Público».
Ficamos quase animados, mas deparamos depois com uma passagem que nos manda «olhar para as escolas ou colégios de referência» para verificarmos que eles praticam «a continuidade do pré-escolar ao 12º ano», assim se responsabilizando pela integralidade do percurso dos seus alunos.
Ora, sabendo nós que no sistema de ensino do Estado (que é a acepção de “público” usado por MLR) não existem instituições com esse perfil, é lógico inferir que a Ministra da Educação estará a fazer o elogio a alguns colégios privados.
Ora, antes acabara de dizer que os melhores investigadores e mais inovadores foram formados no «Ensino Público».
O que me deixa confuso.
Então por onde andam os ex-alunos das «escolas ou colégios de referência»?
Eu tenho uma ideia, lógica, a partir dos pressupostos da senhora ministra: andam a viver pelo mundo dos negócios e da política, que é por aí que a vidinha se ganha muito melhor, não a fazer investigação científica ou a inovar.
E talvez esta seja uma questão a discutir quando se debate a qualidade e a vocação do sistema de ensino público: que tipo de alunos queremos criar, que modelo de formação lhes queremos aplicar, que sistema de valores e de ética queremos transmitir.
E, principalmente, sabemos exactamente aquilo que pensamos, de forma coerente, quando abrimos a boca, em especial quando ocupamos cargos de responsabilidade?

Setembro 30, 2008 at 10:50 am
Numa coisa a senhora ministra tem razão. Nunca tantos jovens trabalharam «em áreas de ponta», entenda-se:
- Call Centers
- Caixas de hipermercado.
E nunca tantos jovens e menos jovens viveram na «ponta»…, da navalha…
Setembro 30, 2008 at 11:07 am
As escolas ou colégios de referência praticam a continuidade do pré-escolar ao 12º ano?
Claro que sim.
E com a ajuda de certos directores do ME, até se ajudaram que muitos alunos desses mesmos colégios provados ….. tivessem CONTINUIDADE para o Ensino Superior, graças a cálculos falseados ao abrigo de despachos nunca despachados.
Será que a Ministra, com essa afirmação, está a validar a trapaça dos seus serviços?
Setembro 30, 2008 at 11:47 am
Será que esses jovens que trabalham em áreas de ponta só começaram a sua escolaridade quando este governo entrou em funções????Então se a escola pública é assim tão má e os professores tão incompetentes,como é que estes jovens adquiriram as competência que têm???Não me digam que as adquiriram só a partir de 2005?Mas qie incoerências…e a jornalista nada diz!E os professores é que são incompetentes…IRRA!!!
Setembro 30, 2008 at 11:47 am
que
Setembro 30, 2008 at 12:54 pm
Lurdes Pereira
Essa foi muito bem observada. No afã de mentir e de manipular, esquecem-se da variável tempo.
Eu acho até que tudo quanto Portugal já teve de bom em 800 anos de História se deve à acção educativa deste Ministério da Educação, ao novo paradigma, à escola a tempo inteiro, ao inglês no 1.º Ciclo, ao Magalhães a pataco.
Teria sido possível a Camões ter escito os Lusíadas sem ter estudado no 1.º Ciclo a língua de Shakespeare?
Teria sido possível a Pedro Nunes escrever o Tratado da Esfera sem ter recebido um Magalhães?
No seu mais profundo íntimo MLR e Sócrates acham que não. Só falta dizerem-nos isso, num qualquer jornal subvencionado pelo PS ou na televisão oficial do Governo…
E não faltarão o Vital Moreira ou o António Vitorino, secundados pelo Pai da Nação, para corroborar tal tese…
Setembro 30, 2008 at 1:16 pm
irrra!
Setembro 30, 2008 at 2:33 pm
Pessoal, afinal Pedro Nunes foi um excelente matemático porque beneficiou do PAM. Bartolomeu Dias, Diogo Cão e os outros grandes navegadores conseguiram os seus feitos graças ao Plano Tecnológico da Educação. D. Afonso Henriques conseguiu a independência do Condado devido à mudança de paradigma. D. Dinis e Luís de Camões beneficiaram com o Plano Nacional de Leitura…
Quanto às incongruências, relembro uma frase do célebro Yogi Berra: “Eu não disse tudo aquilo que disse”.
Setembro 30, 2008 at 5:39 pm
Primeiro-ministro presente em plenário do Conselho de Escolas?
http://www.profblog.org/2008/09/primeiro-ministro-presente-em-plenrio.html
Setembro 30, 2008 at 6:00 pm
Pode haver uma terceira opção: a Ministra anda confusa e nem sabe o que é a Escola Pública nem como funcionam os colégios privados. Penso que a Ministra é mais uma porta-voz do que o centro nevrálgico (Walter ou Valter Lemos) da política educativa. E, quando fala, parece que sofre de dislexia nas ideias.
Setembro 30, 2008 at 6:09 pm
Dar-(nos) “música”! Quando se encerram as escolas públicas!
ME vai patrocinar 78 escolas de música
O financiamento público destes estabelecimentos de ensino sobe este ano para 50 milhões
O Ministério da Educação (ME) vai assinar 78 contratos de patrocínio com escolas de música, academias e conservatórios de todo o país, depois de terem sido aprovadas as respectivas candidaturas a financiamento, noticia a Lusa.
Em comunicado, a tutela indica que foram aprovadas 22 candidaturas na Direcção Regional de Educação de Lisboa, 27 no Norte, sete no Algarve, quatro no Alentejo e 18 no Centro, num total de 78.
Em Junho de 2008, o Ministério da Educação definiu as novas regras do apoio financeiro a conceder aos estabelecimentos de ensino especializado da Música da rede do ensino particular ou cooperativo, com base no critério do custo anual por aluno.
De acordo com dados da tutela, existiam no último ano lectivo 17.960 alunos no ensino especializado da Música, que se repartiam por 84 escolas do ensino particular e cooperativo (13.600), 6 conservatórios públicos (3.590) e 5 escolas profissionais, que registavam 770 estudantes.
Ler
http://www.diario.iol.pt/sociedade/musica-ensino-escolas-de-musica-ensino-artistico/996871-4071.html
Setembro 30, 2008 at 6:19 pm
Mas se os jovens já trabalham em áreas de ponta, é porque concluiram o ensino secundário antes da dita cuja entrar em funções.
Deve estar distraída, a senhora.
Afinal os professores do ensino não superior não são tão maus como aquilo que esta equipa ministerial diz.
Haja pachorra para aturar esta cambada…
Setembro 30, 2008 at 8:10 pm
Há que estar atento aos pormenores…cada pormenor pode desmontar uma imensa mentira!!!
Setembro 30, 2008 at 9:54 pm
“que tipo de alunos queremos criar, que modelo de formação lhes queremos aplicar, que sistema de valores e de ética queremos transmitir.”
Pela minha parte, não são, seguramente, aqueles que me dita a consciência e a ética profissional, mas aqueles que um ministério, em delírio, me está a impor.
Setembro 30, 2008 at 11:28 pm
Um pouco mais de rigor sff
em que este Governo afirma ter encontrado as Escolas Secundárias e que decidiu resolver apenas no ano lectivo anterior a novas eleições
O programa de modernização arrancou em 2006, as primeiras intervenções em 2007.
http://www.min-edu.pt/np3/247.html