Viva o Magalhães! (ou: qual é o futuro para um país moitaflorado?)
Magalhães: nem todos olhamos apalermadamente (II)
Estes textos visam principalmente as críticas técnicas ao projecto Magalhães, mas em alguns momentos entram pela área da política, argumentando de forma pouco aberta que, a bondade alegada de um projecto destes num mundo globalizado e coiso justifica tudo o resto.
Por aqui, no Umbigo, o Magalhães tem sido criticado principalmente como instrumento de uma estratégia de campanha eleitoral, o que parece que aos puristas não levanta grandes problemas. Leni Riefenstahl desenvolveu argumentação semelhante, ressalvadas as distãncias óbvias do paralelismo.
A arte e a técnica são boas e puras, não interessa em que contexto se desenvolvem e ao serviço de quem são usadas.
Pois. Discordo. Desculpem lá.
Sou um palerma, portanto. Moitaflorado é que não, por favor.
Setembro 26, 2008 at 3:06 pm
Sempre houve “boata-abaixismo” relativamente à rotulagem de “Propaganda”, mesmo em época anterior à geração designada por “vindouros” os que, segundo 0′Neill,iriam trabalhar “só duas horas/ a ver trabalhar a cibernética” (embora o vaticínio “poético” tenha falhado e de que maneira)…
Por isso mesmo, seguem linhas poéticas dedicadas às “vozes do dono”:
Todos os dias os ministros dizem ao povo
Como é difícil governar. Sem os ministros
O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima.
[...] Sem o ministro
da Propaganda
Mais nenhuma mulher poderia ficar grávida. Sem o ministro da Guerra
Nunca mais haveria guerra. E atrever-se-ia a nascer o Sol
Sem a autorização do Führer?
Não é nada provável e se o fosse
Ele nasceria por certo fora do lugar.
B.Brecht
Setembro 26, 2008 at 3:12 pm
Olhão – são aceites detergentes, papel higiénico, clips e agrafos
Escola Básica pede donativos aos pais
Numa circular, a coordenadora da Escola Básica 1 nº4 de Olhão, pede aos pais e encarregados de educação “donativos em dinheiro, que ficará ao critério de cada um, ou então géneros”. Papel higiénico, detergentes, panos, esfregões, vassouras, esfregonas, baldes, sacos de lixo, clips, agrafos, pioneses e tonner de impressora fazem parte da longa lista entregue, que nem esquece o pedido de ajuda para pagar “a conta do telefone”.
“É uma vergonha, quando sabem que a maioria dos pais é gente pobre”, queixa-se a mãe de uma das alunas. Maria da Luz denuncia o “grave abandono do estabelecimento de ensino, da responsabilidade da Câmara de Olhão, que se limita a enviar 300 euros, de três em três meses, quantia que não permite o normal funcionamento”.
A escola não tem refeitório, o que obriga os alunos a terem de ir comer, acompanhados por uma auxiliar, à escola secundária, situada a 500 metros. “Os miúdos são obrigados a atravessar a perigosa Estrada Nacional 125 e, quando chove, porque a edilidade recusa um autocarro, ficam sem comer, ou apanham uma molha”, diz Maria da Luz, que se queixa ainda “do tecto danificado, que leva a que chova nas salas de aula”.
Os pais vão reunir e, se nada for feito, “fecharemos a escola a cadeado”, garante Maria da Luz.
Francisco Leal, presidente da Câmara Municipal de Olhão, mostrou estranheza por estas queixas.
“A Junta de Freguesia tem a responsabilidade de apetrechar as escolas básicas e ninguém me falou em falta de material ou de um autocarro”, garante o autarca, que lembra os seis milhões de euros que a autarquia tem disponíveis para o apetrechamento das escolas. “Realizámos, recentemente, um forte investimento na escola do Largo da Feira e a EB 1 nº4 vai ter um refeitório e uma sala de apoio, já adjudicados”, garante. A utilização do refeitório e de uma sala de apoio alugada são “uma situação provisória”.
PORMENORES
Números
A EB1 n.º 4 tem 302 alunos e 16 professores, funcionando com turnos de manhã e de tarde.
Aspecto
Escola tem um bom aspecto exterior. O interior denota graves deficiências estruturais.
http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx?contentid=71096DF8-44A4-41F5-835E-28397C241B82&channelid=ED40E6C1-FF04-4FB3-A203-5B4BE438007E
Setembro 26, 2008 at 3:17 pm
A minha escola tem mau- eu diria péssimo- aspecto exterior (e interior), encontrando-se 3 professores a leccionar temporariamente ao ar livre- escolha estratégica de docentes menos “controversos”- enquanto as obras de “remedeio” perduram. Neste particular, S. Pedro tem sido “amigável”… E não há pais que intervenham? É que há “outras” prioridades em educação (?) ,alguns de nós é que não as entendemos…
Setembro 26, 2008 at 4:35 pm
Vivo num dos concelhos com maior qualidade de vida do país… que até já foi notícia no jornal.
Sempre me foram pedido “donativos em dinheiro” para essas pequenas necessidades, no momento da matrícula dos meus filhos.
Para alguns que pensam que apenas gostamos de dizer mal, fica o recado:
- Os professores quando falam de Escola e de Educação, sabem do que estão a falar.
Setembro 26, 2008 at 4:38 pm
O Magalhães não serve à propaganda do governo e do PS, ele é uma máquina de escravização ao mercado tecno-informático do capitalismo global.
Ao contrário do que possa parecer, os Magalhães não são instrumentos eleitorais. Os alunos sim, eles é que são transformados em INSTRUMENTOS PRECOCES DE VALORIZAÇÂO DO CAPITAL, em instrumentos de propaganda politico-financeira, uma vez que ficam ligados por laços comerciais aos negócios da Nomenklatura.
Aceitar alegremente o Magalhães, é equivalente a envergar a farda da Mocidade Portuguesa em nome do orgulho nacional e da marca Portugal.
Setembro 26, 2008 at 5:56 pm
Esses links que apontou são deveras representativos de uma certa esquerda Kaviar que abominam qualquer sentido crítico que vá sem sentido contraŕio ao deles…!
A característica mais interessante é o facto de os mesmos assentarem num único argumento: mais vale oferecer portáteis a todas as criancinhas que não usem fraldas do que nada
Sinceramente, ainda não percebi qual a utilidade de um portátil para crianças com 6 anos de idade que supostamente vão à escola para aprender a ler, escrever e contar.
O que um portátil pode acrescentar ao ensino de miúdos com 6 anos de idade? Será que é para dar continuidade à transformação da escola numa espécie de centro de entretenimento e guarda de criancinhas?
É que um miúdo de 6 anos com um portátil, só pode fazer duas coisas: jogar e fazer uns bonecos muito giros… não irá escrever um email com o último trabalho desenvolvido no processador de texto, porque supostamente ainda não sabe escrever…
Enfim.
Setembro 26, 2008 at 5:57 pm
Oooops onde está “sem sentido” deveria estar “em sentido”
Setembro 26, 2008 at 9:06 pm
O Magalhães? Só pode ser mais uma peça congeminada para denegrir os professores!
Setembro 26, 2008 at 9:11 pm
Luís você deve ser um daqueles crentes que quando o pastor diz:aleluia senhor nós somos a luz…Aleluiaaaaa..a luz somos nós diz o crente…recomendo-lhe a leitura do admirável mundo novo..de aldous huxley..para si que parece encarar que todos fazemosparte de uma grande engrenagem e que cad peça tem um destino e um designio..já agora porque é que o seu amigo Sócratesz não aprovou o casamento Gay? Conflito de interesses…
Setembro 26, 2008 at 9:15 pm
Luís Leonardo,
No seu caso colocam-se duas hipóteses:
a) Não percebe o que lê.
b) Finge que não percebe o que lê.
Setembro 26, 2008 at 10:51 pm
Paulo Guinote
Então, não percebeu ou não quis perceber que era uma metáfora?
Setembro 26, 2008 at 10:56 pm
Metáfora..Metáfora é uma figura de estilo (ou tropo linguístico), em que há a subtituição de um termo por outro, criando-se uma dualidade de significado.
“Amor é um fogo”…paixão socialista
Setembro 26, 2008 at 11:03 pm
Eu adoro metáforas, estou meia hora disponível para metáforas.
Setembro 26, 2008 at 11:08 pm
Mas o Luís Leonardo tem razão, o tom geral que se sente por aqui é esse. Pessoalmente acho mais estranho a sofisticação dos portáteis do e-escola: placas gráficas dedicadas, firewire, modem 3G interno… nada disto fica barato. Também não gosto da propaganda e não me parece que o aparelho seja prático e utilizável em sala de aula, mas lembro-me que a minha geração iniciou-se na informática com o Zx spectrum que era basicamente uma máquina de jogos. No meu caso só 14 anos depois comprei o meu primeiro PC.
Setembro 26, 2008 at 11:11 pm
outra metáfora …
O Portugal real
Para iniciar a nova série de trabalhos, Carlos No teve que definir os moldes. “Não ia expor nenhuma criança. Lembrei-me de pedir de forma explícita pessoas para trabalhar, observei o Portugal real, pesquisei anúncios feitos manualmente sem qualidade estética ou gráfica e adaptei ao meu trabalho”. Para ilustrar o flagelo social, pintou instrumentos de trabalho como serras eléctricas industriais, carrinhos de mão, betoneiras, máquinas de costura, entre outros.
Debaixo das imagens, escreveu frases com erros ortográficos e de construção gramatical errada propositadas, aludindo à baixa instrução dos indivíduos que recrutam este tipo de trabalho. Assim, num painel monocromático pode-se ler, por exemplo: «Aceitam-se piquenos com vontade trabalhar», «Aceita-se menina», «Precizam-se gaiatos», «Ademitem-se jovens com experiencia e sem», «Aceitamse moços», «Oferece-se trabalho a menóres», «Procuram-se criânças á procura de emprego» ou «Aceitão-se putos com força».
Linguagem dura
“O tipo de linguagem é interpretada como sendo dura” e as obras tocam “em problemas que existem” mas que “as pessoas não gostam e procuram evitar”. Este trabalho “foge” ao conceito de arte, do belo e do deleite kantiano. De acordo com Sílvia Chicó, “o sujeito da pintura de Carlos No é o trabalhador inocente e clandestino, explorado por gente buçal que escreve com erros de ortografia. O patrão, o capataz, ou pura e simplesmente o explorador, anuncia em paredes e através de tabuletas deixadas junto às obras, que precisa de contratar miúdos, sabendo-se que tal acto é condenado pela lei”.
Desequilíbrios
Carlos No integra na mostra uma peça tridimensional na qual contrasta a sofisticação e a modernidade de uma prateleira, com “peluches tortos e malfeitos”, cujas etiquetas alterou e escreveu: «Fabricado na Infância». “A finalidade é lembrar que há “crianças que trabalham e constroem bonecos para ter o seu ganha-pão, em determinados locais no mundo, para outras crianças brincarem, do outro lado do planeta”.
A peça que totaliza a exposição «Classificados» é um tapete, no qual está escrito «Quando for grande quero ser alcatifa». Segundo No, inspirou-se no provérbio: “Quem nasceu para lagartixa nunca chega a jacaré”. Utilizou esta metáfora para lembrar que “infelizmente, nem todos nascemos com as mesmas condições e possibilidades”.
Ana Gonçalves, assistente da galeria, revelou que “o número de visitantes tem vindo a diminuir por causa das férias”, mas que “as reacções são positivas”. Salientou a “pintura de intervenção do artista” e que, ao nível técnico, “a parte do desenho, pintada em camadas dá-lhe uma maior dureza, é quase fotográfico”.
Setembro 26, 2008 at 11:19 pm
Eu vou já para a Fnac ver se compro um Magalhães para adultos, com 30% de desconto.;)
É que comprei, há um ano, um portátil no programa e-professor por 150 €, mas agora deu o berro. Dizem-me que não está coberto pela garantia e ainda tenho que pagar 2 anos a taxa de fidelização ao operador da internet.
Se quiser outro portátil terei que pagar não uma, mas duas taxas de internet.
Paga, paga, para não seres burro!
Setembro 26, 2008 at 11:30 pm
Uma das minhas sobrinhas ia-se enterrando com um e-escola, mas informou-se a tempo.
Setembro 26, 2008 at 11:36 pm
Sempre apreciei a criatividade das aulas de Sílvia Chicó, principalmente na orientação dos slides da pintura não figurativa, nunca havia a certeza se a obra não estaria de pernas para o ar.
Setembro 27, 2008 at 10:00 am
Esta notícia deu-me uma ideia, que deixo ao engenheiro dos diplomas:
«60 Minutos»
Magalhães para adultos lançado à meia noite
E a ideia é:
Depois de “oferecer” o computador aos (pais) dos alunos na esperança de receber um voto em troca, se o Magalhães também se destina a adultos, há que partir à conquista de mais eleitorado, combatendo a “infoexclusão”.
Sr. engenheiro dos diplomas, um mês antes das eleições distribua um Magalhães por todos os reformados, incluindo analfabetos, com um programinha adequado a quem não pôde ou não quis aprender a ler.
Como o sr. engenheiro “tem a escola toda”, já se deve ter lembrado da ideia.
Espera-se que a empresa que tem mas não tem um acordo, ou protocolo, ou contrato com o Governo consiga produzir mais 500 mil votos, perdão, portáteis…