Rankings e xanax
Esta semana evite a companhia de professores. Falar com qualquer um deles pode deixá-lo em mau estado. Vivem, nos dias que correm, em depressão colectiva. A sucessão de reformas, contra-reformas e contra-contra-reformas, a destruição do que se foi fazendo de bom – do ensino especial ao ensino artístico -, a incompetência desta equipa ministerial e o linchamento público de uma classe inteira tem os resultados à vista: as aulas recomeçam com professores tão motivados como um vegetariano perante um bife na pedra.
Sabem que os espera apenas uma novidade: a avaliação do seu desempenho. E é, ao que parece, tudo o que interessa a toda a gente: a avaliação dos professores, a avaliação dos alunos, a avaliação das escolas, a avaliação do sistema educativo português.
Tenho uma coisa um pouco fora do comum para dizer sobre o assunto: a escola serve para ensinar e aprender. Se isto falha, os exames, as avaliações e os “rankings” são irrelevantes. Talvez não fosse má ideia, enquanto se avaliam os professores, dar-lhes tempo para eles fazerem aquilo para que lhes pagamos em vez de os soterrar em burocracia. Enquanto se exigem mais e mais exames, garantir que os miúdos aprendem com algum gosto qualquer coisa entre cada um deles.
Enquanto se fazem “rankings”, conseguir que a escola seja um lugar de onde não se quer fugir. E enquanto se culpam os professores pelo atraso cultural do país, perder um segundo a ouvir o que eles têm para dizer. Agora que já os deixámos agarrados ao Xanax, acham que é possível gastar algumas energias a dar-lhes razões para gostarem do que fazem? Se não for por melhor razão, só para desanuviar o ambiente nos edifícios onde os nossos filhos passam uma boa parte do dia.
Já me peguei com ele um par de vezes, mas desta parece que acertou na muge, como dizia o outro.
Setembro 15, 2008 at 9:18 pm
Se retirar a frase – “Sabem que os espera apenas uma novidade: a avaliação do seu desempenho.” (porque não subscrevo o argumento que a sustenta), considero que é uma opinião interessante e realista.
Setembro 15, 2008 at 9:37 pm
Vá lá! Depois de trinta triliões de alarvidades, esta criatura conseguiu dizer alguma coisa acertada.
Estava num dia mau!…
Setembro 15, 2008 at 10:06 pm
Daniel Oliveira e todos os outros como ele, são roussenianos e, não me convencem nem alegram…este senhor pertence a um sector ideológico que é dos maiores culpados em o sistema de educação estar como está! Pertence ao sector do “é proibido proibir” e a todas as outras tretas que conhecemos.
Como é que gente que sempre combateu toda a vida a “autoridade” pode agora vir chorar lágrimas de crocodilo em relação aos professores?
Setembro 15, 2008 at 11:24 pm
Banal. Muito banal.
Setembro 16, 2008 at 3:23 am
Já tinha deixado alguns extractos do texto de DO no fim-de-semana.
E é útil para o desmontar da “coisa” que qualquer comentador ou cronista descubra ou mostre maior compreensão pela realidade.
Cá para mim, seja quem for… Porque os agraciamentos do Presidente à ministra não ajudam nada!