Para a compreensão da área de estudo acompanhado
Este artigo é interessante porque aponta como sentido privilegiado para a existência do Estudo Acompanhado aquilo que está a ser abandonado. Ou seja, em vez de um «interface curricular» transformaram-no em explicações e Língua Portuguesa e Matemática
Setembro 4, 2008 at 9:28 pm
enquanto psicólogo educacional que já deu apoio nas aulas de EA, posso dizer que existem muitos professores que não compreendem o verdadeiro objectivo, nem sabem o que fazer nessas aulas. Eu tentei trabalhar as capacidades metacognitivas dos alunos e as técnicas e métodos de estudo, mas alguns professores insistiam em transformar as aulas num simples centro de explicações de inglês, português e matemática :p
Setembro 4, 2008 at 10:15 pm
(1)
Não são só os professores que “insistem”.
Ao que parece, foi o próprio ME que fez recomendações no sentido de este espaço ser ocupada por mais LP e PAM.
De qualquer modo, fico contente por existirem escolas com psicólogos educacionais que trabalham as capacidades metacognitivas e técnicas específicas de métodos de estudo.
Setembro 4, 2008 at 10:24 pm
No placard da escola, os néons amarelos e verdes de convocatórias para reuniões de clubes, projectos e ACND ocupam quase todo o espaço.
Ontem ouvi a afirmação de que ser professor não é só dar aulas.
Pois não. Mas não é preciso exagerar.
Setembro 4, 2008 at 10:50 pm
Ser professor é saber reunir e trabalhar em equipa.
Antigamente eu pensava que a isso se chamava “aulas”.
Agora é mesmo só runiões.
Rodrigo,
Esse trabalho, que deveria ser a essência do EA, aprender a estudar, a utilizar a descobrir e usar as capacidades cognitivas ao serviço de um processo de aprendizagem não necessariamente focado em disciplinas específicas, foi abandonado rapidamente, acho mesmo que poucos minutos depois de sair legislado.
Infelizmente, por acaso.
Há quem tente fazer, mas quase às escondidas.
Setembro 4, 2008 at 10:58 pm
Lembrando a MFM “Para se ser bom docente, são precisas três coisas: uma sólida preparação de base, prestígio junto da comunidade e autonomia de acção. A isto pode juntar-se a paixão pelo que se lecciona, um ideal que nem todos podem atingir. Ora que vemos? O Estado prepara mal os docentes (obrigando-os a frequentar cursos mal estruturados e estágios baseados em cursos recheados de jargão inútil), mina o seu status profissional e pretende regulamentar tudo o que se passa na sala de aula. Não estou a falar do Curricula, que, esse sim, compete ao poder central elaborar, mas das centenas de despachos normativos, regulamentos e grelhas que atulham as caixas de correio das escolas. Depois de lhes ter dado uma educação deficiente, de ter transformado a sua carreira num pesadelo, de lhes ter retirado a possibilidade de inovar, o Estado dá-se ao luxo de os olhar com desconfiança…”
Setembro 5, 2008 at 12:17 am
Efectivamente, tudo está cada vez mais regulado. Tudo tem de ser exaustivamente comprovado (em duplicado ou triplicado) com toda uma série de documentação que demonstre, passo a passo, o que se fez na aula ou fora dela. Com grelhas, vídeos, fotografias, reflexões, entrevistas,exposições, actas de departamento e de CT, dossiers, portefólios e outras análises documentais afins.
Setembro 5, 2008 at 12:21 am
Existe mais alguma profissão com um controlo destes sobre o que se fez?
Setembro 5, 2008 at 12:39 am
[6] Fernanda 1, uff, fiquei tão cansado!
Inflizmente é a realidade.
Setembro 5, 2008 at 12:40 am
rrrrr! “Infelizmente” quero dizer.
Setembro 5, 2008 at 1:03 am
(9)
Pedro,
Já vi que ficou mesmo cansado.
Mas é real.
Escola que tenha avaliação externa (por exemplo) tem de seguir este procedimento para IGE ver. E os relatórios da IGE estão online e podem ser consultados.
Para ter uma avaliação de Bom, não chega demonstrar com documentação que nos parece suficiente. Segundo soube, os procedimentos que referi têm de ser os que mencionei.
Setembro 5, 2008 at 1:11 am
(10) Eu já passei pelo mesmo, a minha escola não foi alvo de avaliação externa, mas existiu um acompanhamento da IGE ao Departamento de Matemática, por causa do PAM e passamos pela mesma burocracia. Reuniões, portfólios, planificações super-detalhadas, planos de aula, relatórios, etc, etc.