Setembro 2008


Travis, Coming Around

Será que estou pessimista? Mas a melodia é gira…

O espaço de imprensa do ME disponibiliza diversos temas para tratamento pela imprensa. Eu gostava mesmo era de receber os dossiers arrumadinhos que eles facultam às amizades maiores, em formato digital que é para ocupar menos espaço.

Projectos de promoção e educação para a saúde

Ensino da Música: Contratos de patrocínio

ME cria rede de escolas de referência e alarga unidades de apoio especializado

Projectos de incentivo à leitura

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Contra isto, os sindicatos começam a dar a entender que é preciso ir para a rua e outras coisas que já conhecemos de outros campeonatos e que precisam de bastante maturação. Veremos o que sai daqui e daqui.

Mas cuidado. Já muito pouca gente reage de forma automática à voz de comando.

Juntemos estas duas notícias e pensemos um pouco sobre o que se passou e pode vir a passar num futuro muito próximo:

Sete por cento dos 12.000 professores avaliados no ano passado obtiveram “Muito Bom” ou “Excelente”

Antes de mais espanto-me pelo número de docentes avaliados, pois ainda me lembro de terem falado em apenas 4000.

Depois contata-se que, dos teóricos 30% de classificações disponíveis acima de Bom, apenas foram usados 7%. Significa isto que só 7% dos professores contratados o mereceriam?

Não propriamente e até pelo contrário.

Pelo que se foi sabendo, nos blogues, em troca de mails, por contacto directo, o que aconteceu foi que com base no regime simplificado a maioria dos professores contratados deveria ter sido classificada com Muito Bom ou Excelente.

Só que, exactamente devido ao mecanismo das quotas, e para não fazerem distinções artificiais entre docentes com níveis de desempenho perfeitamente equivalentes, não foram poucas – quiçá  a maioria – as escolas que optaram por dar Bom a todos os docentes, para manterem a situação de igualdade, no plano local.

Ora, os contratados que foram avaliados de outro modo e puderam aceder a classificações de Muito Bom ou Excelente, ganharam bonificações na sua classificação profissional para efeitos de concurso, assim ganhando muitas posições em futuras listas de ordenação para colocação. Sem que se saiba ao certo se merecem, comparativamente, esse bónus.

E isto não é um argumento em favor da aplicação das quotas. Pelo contrário, é uma denúncia sobre os efeitos perversos da sua errada e desorientada aplicação ad hoc, por vezes até com boas intenções.

E é aqui que radica um dos problemas de um modelo que, sendo tão determinista e rígido, pode acabar por levar, para o simplificar, tornar exequível e justo a nível de escola, a cometer imensas injustiças a um nível mais amplo.

Porque estratégias de avaliação diferentes em diferentes escolas podem produzir distorções sérias e relevantes na classificação profissional dos docentes para efeitos de concurso.

E se agora se trata de 12.000 professores contratados (1000 dos quais ficaram a ganhar com tudo isto), daqui a pouco o universo será de largas dezenas de milhares de docentes, ou seja todos aqueles que sendo QZP ou QE entrarem em concursos já com a incorporação dos resultados de uma possível avaliação. Se para o concurso de 2009 isso ainda não será relevante (mas há situações em que o será), para outros concursos poderá ser extremamente gravoso, porque algo arbitrário.

Basta considerarmos esta hipótese simples: numa escola onde se opte por classificar todos os QZP da mesma forma, para tornear a questão das quotas, todos eles ficarão em desvantagem perante colegas de escolas onde as ditas quotas foram usadas. Pois um docente com Excelente receberá 5 valores em cima da sua anterior classificação de concurso, enquanto o que tiver Bom apenas terá 2 valores. E assim poderão ser galgadas dezenas ou centenas de lugares.

Ou mais grave: imaginemos os docentes dos quadros que entretanto já foram avaliados neste período. No próximo concurso já poderão beneficiar da valorização permitida pela sua classificação?

Então estarão numa posição de enorme vantagem sobre todos aqueles que não foram avaliados e à sua classificação profissional verão acrescidos apenas os valores relativos ao serviço transcorrido, sendo que a maior parte dele não conta por via do congelamento.

Ou seja, será possível a alguém beneficiar já dos 5 valores de um Excelente, enquanto a larga maioria dos docentes dos outros docentes, não avaliados, fica a olhar?

Esta e outras questões estão por aclarar, parecendo escapar à maioria dos debates públicos (?) ou das conversas de corredor.

Mas são muito importantes e reveladoras do ponto de distorção a que o sistema de avaliação de desempenho do ME pode levar um modelo de concurso dos docentes que se pretenda equitativo e transparente, tudo em defesa de uma falsa ideia de recompensa do mérito baseada em quotas.

ERC e blogosfera: o estatuto (s)em debate

A investida da semana passada da ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social pela blogosfera registou as esperadas reacções ao assunto, mas careceu de melhor análise.

 Os bloggers reagiram naturalmente às posições de Estrela Serrano e de Azeredo Lopes, presidente do Conselho Regulador da ERC. Enquanto Estrela Serrano debatia o “caso Sócrates” com Gabriel Silva, do Blasfémias, Azeredo Lopes intervinha em dois temas. Primeiro, numa carta publicada no Abrupto, em que “respondia” às “respostas” de Pacheco Pereira sobre “mais um” “exemplo de manipulação e propaganda pró-Governo” no Jornal da Tarde da RTP. Depois, dando apoio a Estrela Serrano no “caso Sócrates” num artigo no Diário de Notícias.

Mas não se ficou por aqui a semana de intervenções. Uma outra acção do Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas num blog sobre futebol ( aqui ) deve ser mencionada no mesmo contexto.

Se funcionar tão bem como outras, que venha… ninguém  dará por nada, a não ser o ruído.

Quanto ao resto, por mim pode vir… apesar do entusiasmo evidente dos cripto-reguladores de serviço.

Travis, Writing To Reach You
(acho que é repetida mas não faz mal…)

(c) Antero Valério

João Miguel Tavares no DN:

A cunha tem muito que se lhe diga. Toda a gente está disposta a condená-la e a apontá-la como uma das causas do atraso de Portugal, mas poucos, na prática, passam sem ela. Se Jesus, em vez de frequentar as terras de Israel, tivesse pregado nas margens do Tejo, teria dito à multidão em fúria: “Quem nunca meteu uma cunha que atire a primeira pedra.” E aí todos baixariam a cabeça, começando pelos mais velhos, e iriam apedrejar para outra freguesia.

E isto tem tantas aplicações…

Por exemplo: quem nunca pediu um despacho ou uma portaria a preceito que atire a primeira pedra. E aí baixariam a cabeça e iriam apedrejar outro sistema de ensino.

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