Em relação a este meu post, e após animada troca de mails, tenho o prazer de publicar o seguinte texto do jornalista Pedro Sousa Tavares em que expõe a sua perspectiva sobre o assunto tratado e sobre a minha análise da notícia por ele então elaborada.

Sobre a ‘Estranha forma de Notícia”

Citação: “(…) A actividade de ensino ainda é regulada, em quase toda a parte, por autoridades de nível nacional ou central. Apesar disso, tal regulação não está necessariamente incorporada numa bem organizada moldura legal. Muito poucos países – a Holanda, Portugal e o Reino Unido – levaram a cabo um completo inquérito ao papel dos professores que conduziu a reformas radicais dos seus estatutos e condições de trabalho. Na maioria dos casos, as mudanças actuais sustentam-se na acumulação de uma sucessão de leis, cada uma atribuindo ‘frescas’ responsabilidades sem iniciar qualquer discussão profunda sobre o que constitui a essência da profissão de professor”

Professor Paulo Guinote,

Ponto prévio: como lhe disse, o facto de ter dado conta das leituras veiculadas no relatório não significa que esteja de acordo com elas. Já divulguei as conclusões de dezenas de estudos, relatórios e inquéritos, alguns elogiosos, outros arrasadores para o nosso sistema educativo e nunca tomei partido. O que fiz foi a minha interpretação, enquanto jornalista,  dos dados, provavelmente errando algumas vezes, apesar de não acreditar ter sido esse o caso desta vez.

Na análise que fiz do relatório, a referência a Portugal, no contexto do excerto acima citado e traduzido, pareceu-me elogiosa; tal como me parece elogioso que, a propósito da importância de apostar na formação contínua, se refira Portugal como um dos “raros” países onde esta tem consequências, tanto positivas como negativas (para quem a não fizer); ou ainda que se diga que Portugal está entre os países que “mostraram o caminho para o futuro” ao nível das condições de trabalho dos professores. Foi desta posição do relatório, que não é necessariamente a minha,  que dei conta. Tem todo o direito de discordar da minha análise. Só lamento que, no seu blogue, a minha notícia tenha sido apresentada como uma espécie de exemplo de tratamento truncado da informação, para não usar o termo “manipulado”.

Eu também posso considerar que as próprias interpretações do relatório pelo Paulo Guinote, nomeadamente de alguns excertos que cita, poderão ter sido  condicionadas pela sua opinião sobre os assuntos em causa. Mas jamais me atreveria a presumir qualquer tipo de má-fé da sua parte. Acredito quando me diz que também não terá sido essa a sua intenção em relação a mim. No entanto, apesar de considerar que em termos de isenção o meu trabalho é a minha melhor defesa, não deixo de lamentar o teor de alguns comentários ao “post” em causa, demonstrativos de uma preocupante facilidade de cair no insulto barato e na calúnia. Gostaria que, antes de fazerem certas afirmações e processos de intenções, as pessoas percebessem que há destinatários do outro lado. Nada tenho contra as críticas. Até as considero um elemento enriquecedor do meu trabalho. Mas não admito que ponham em causa a minha integridade sem sequer me conhecerem.

Cumprimentos, Pedro Sousa Tavares