Alertado por um comentador, lá fui sacar do meu DN de hoje e encontrei esta notícia sobre o relatório dos «peritos do Eurydice»:

O que é curioso é que eu li ontem quase todo o relatório e em lado nenhum me pareceu ter encontrada referências valorativas, muito menos em forma de elogio, às reformas desenvolvidas pelo Ministério da Educação desde 2005. Achei descrições, mas «elogios» não encontrei, muito menos «várias referências elogiosas», com destaque para a «divisão das carreiras de “professor” e “professor titular”».

É certo que poderá ser um problema meu de compreensão do Inglês Mesmo Técnico do relatório, visto que eu tive apenas o Inglês Básico do nosso sistema de ensino público, cinco meros aninhos que para pouco darão.

Mas com esforço, coloquei o comando de pesquisa do Acrobat à procura das referências a Portugal e à avaliação e tal e acho que encontrei as passagens a que o jornalista P. S. Tavares se deverá referir quanto ao que afirma na sua peça.

Vejamos na página 16:

Posso estar a perceber muito mal, mas o que leio é que os países destacados por terem feito reformas profundas – Holanda, Portugal, reino Unido – longe de serem elogiados, são criticados pelo que é apresentado como uma mera sucessão de leis e por não terem feito a devida reflexão sobre o que é a essência da profissão docente. Pior, são comparados de forma negativa com os países nórdicos em que há muito maior estabilidade legislativa (mesmo se na Suécia isso passou pela localização das políticas educativas, de que eu discordo como solução para cá). Poderão alegar que, se calhar, porventura, os «peritos» se referem a outros países. Mas, em nenhum momento, leio mais do que uma descrição da situação em portugal.

Mais adiante (p. 68), na parte relativa à avaliação dos professores,lê-se que:

Lá está outro caso em que, por muito que leia, não encontro mais do que descrição da divisão da carreira docente – sendo estranhíssima a opção por skilled teacher para traduzir a expressão professor-titulare nunca qualquer tipo de valorização das medidas.

Mas provavelmente o jornalista P. S. Tavares conseguiu ler nas entrelinhas o que eu não consegui nas linhas e de lá sacou elogios galore para a política ministerial.

É verdade que PST termina referindo que nada é dito sobre o sistema de quotas, mas convenhamos que, na minha humilde perspectiva, 90% da notícia, a começar pelo título, é completamente mistificadora para quem não tenha lido o relatório.

Agora porque tal coisa acontece, a sério que vou tentar saber junto de quem de direito. Já agora…