É verdade que nem sempre tenho tempo suficiente para espreitar as escritas alheias e tantos blogues que merecem ser visitados e lidos.
Mas ainda vou fazendo os meus passeios.
E leio coisas que me deixam coma chamada pulga atrás da orelha. Digamos que enfio o barrete. Leio lamentos ou críticas veladas, sem destinatário expresso e, pela origem e tom, acho que se me destinam. Se são certeiras não sei. Mas acho que eu, ou outros como eu (o Ramiro, principalmente…), estamos na ponta do pensamento de quem escreve coisas vagas, de sabedoria popular, sem a capacidade de dar o nome ao bovídeo, mesmo que o dito seja eu.
Coisas do tipo: «ah, eles falam e escrevem muito, mas não sabem como é que as coisas se fazem» ou «pois, pois, há quem barafuste muito mas eu é que sei como dar a volta a isto de mansinho, olhem para mim». E depois como acham que não se percebeu à primeira ou à segunda, insistem.
E isso irrita-me porque não posso responder directamente, já que o dedo fica apontado para não sei onde.
Mas posso, em contrapartida, fazer o mesmo tipo de remoques vagos e generalistas, assim como quem não fala de ninguém em particular, mas tem alguém em mente.
Vamos lá então a isto: não há vergonha extrema em – a certa altura do percurso – se ter optado por uma adesivagem light. Pronto, percebemos, é a vidinha, são as ambições, os afectos, uma forma sedosa de estar na vida que prefere a ausência de espinhas e pedras no caminho à sua presença.
Não me entendam mal. Não é por isso que deixam de ser boas pessoas, bons profissionais, bons colegas, bons chefes de família. Deixem-se é de tretas complacentes, auto-justificativas ou condescendentes para com os outros.
Se há algo a dizer ou criticar que o façam a direito, não enviesado. Porque se o fizerem, já sabem que terão a resposta devida. Por favor, não se armem é em santinhos porque não é por dizerem as coisas pelos corredores (virtuais), meio às escondidas, que os sentimentos ou as palavras deixam de ter a visível aleivosia. Basta lembrar-me do outro que é todo afectos, mas depois corta tudo o que é comentário que não lhe lambe os pés.
Mas há quem faça pior que esse, por refinar na dissimulação. E é pena.
E pronto, aqui fica o meu post vago, mansamente paranóico, mas que acredito vai servir de barrete aos destinatários certos. Porque eles sabem que eu sei que eles sabem… como dizia a outra.
Agosto 26, 2008 at 12:02 am
Xi!, desta vez não era comigo.
Agosto 26, 2008 at 12:04 am
Nope.
Gosto das críticas frontais.
Podem não dar em grandes amizades, mas certamente não dão em coscovilhos envergonhados.
Já tive por aqui belas bulhas – nem tantas quanto isso, porque desconto o tipo das tretas e o outro que diz que é mau – e nunca me aborreci.
Mas quando se trata de engomadinhos a pegar de cernelha, dá-me vontade de marrar.
Agosto 26, 2008 at 12:12 am
… e quem fala assim não é gago! Muito bem “escrevido”, caro Paulo! Não há pachorra para essa gente hipócrita.
Agosto 26, 2008 at 12:17 am
Paulo diz:
“não há vergonha extrema em – a certa altura do percurso – se ter optado por uma adesivagem light. Pronto, percebemos, é a vidinha, são as ambições, os afectos, uma forma sedosa de estar na vida que prefere a ausência de espinhas e pedras no caminho à sua presença.”
Na estatística existe uma medida de localização chamada MODA.
A ADESIVAGEM LIGHT é precisamente a MODA.
É o nosso fado!
Agosto 26, 2008 at 12:23 am
Pois, fado assim do género Carlos PREC do Carmo.
Agosto 26, 2008 at 12:41 am
Um abraço Paulo – incomodar com este Blog o Poder é fazer história…aparece no meu
Agosto 26, 2008 at 12:53 am
já agora – tenho alguns recortes de férias para passar no scanner…a seu tempo
Agosto 26, 2008 at 3:26 am
Nem sempre sou assídua, nem sempre leio os temas que escolhe, nem tenho por hábito ler blogues. Um dia encontrei o “umbigo” e voltei (isto até parece um discurso de anúncio
)… encontrei eco em muitos dos pontos de vista, nos variados temas da actualidade que escolhe, e em especial o ensino, claro … aprecio muitos dos seus comentadores, na pluralidade das suas identidades.
Estou absolutamente fora do contexto em relação ao que escreveu hoje… mas consigo imaginar pelo número de page views que a “exposição” tem o seu preço…
Os “tempos” não estão fáceis, e estes rectâgulos de espaços virtuais funcionam em muitos casos como uma katharsis que às vezes têm uma direcção, outras nem por isso.
Sob pena de considerarem cliché o que afirmei… apeteceu-me dizer… e pronto.
Saudações do lado sul do Tejo… mesmo que não comente, continuarei a seguir com interesse as suas escolhas/informações.
Agosto 26, 2008 at 8:30 am
MBento, estamos do mesmo lado do Tejo.
Agosto 26, 2008 at 9:33 am
Escrevo por brincadeira,
E digo muita asneira
Para animar a malta porreira.
Mas não há maneira de por a malta a pensar,
Parece que já está programada para se deixar levar.
Como se fosse uma manada assustada!
Todos seguem a manada
Tem medo de ficar sós.
E a diferença entre só e nada
Se existe ninguém dá por nada.
Agosto 26, 2008 at 1:49 pm
Paulo continue a ser quem é, com a verticalidade que se deprende que possui, que vai demonstrando a quem o vai lendo neste blog.
Tal como MariaBento referiu os “tempos” não estão faceis e vão piorar!
É preciso ter calma e não desmoralizar.
Bem haja.
Agosto 26, 2008 at 1:50 pm
Nomes, nomes, nomes, caro Paulo.
No que me diz respeito, é raro o dia em que não visito este espaço. Concordo com o que escreve em (atiremos um número…) 80%, mas leio-o sempre atentamente e com respeito. De vez em quando, como é o caso, deixo aqui uns comentários maçadores. Quando visito outros espaços “internéticos” com os quais discordo em absoluto (pelas ideias, pelo tom, pela agressividade, pelo estilo ou falta dele), pura e simplesmente risco-os da minha lista. Foi o que fiz como blogue “Abnoxio”. É tão simples como isto!
Agosto 26, 2008 at 3:07 pm
Não Paulo,desta vez não concordo: a adesivagem “light” ou “strong” é o cancro que corrói o sistema.
Não conheço o suficiente de História de Portugal( ou de outro País qualquer,já agora)para saber se é “comum”, é “normal” fazer tudo o que o poder quer para obter as benesses correspondentes.Mas sei que em relação ao nosso Sistema Educativo é o que faz com que a situação dos Profesores seja sistematicamente desvalorizada e, também através dela, a qualidade de ensino baixe ano após ano.
Repare que, embora haja muitos intervenientes no processo educativo, oa Professores tinham obrigação de ser os mais bem informados e os melhor escutados.Acontece que “os adesivos” diariamente, e em tudo o que é lugar oficial, boicotam qualquer ideisa que não esteja de acordo com a política vigente. E, o que é mais espectacular conseguem sempre passar “incólumes pelos buracos de chuva”, ou seja, tratar de vidinha.
Sinceramente ocorre-me, neste momento,uma série de arumentos que por aqui não têm cabimento.
Termino apenas dizendo que quando vejo a “nossa querida Milu” a falar com as mãos potas em pose de oração sinto logo um imenso arrepio nas coluna e começo imediatmente a escolher o santo que me possa valer porque, com colegas raramente conto.
Agosto 26, 2008 at 4:06 pm
Teresa, eu até já os percebo pela adesivagem quando vejo que é a única forma de vida que conhecem.
Mas não o(a)s perdoo por isso…
Agosto 26, 2008 at 9:40 pm
“Adesivos lights?” …Mas que brandura, caro Guinote! Quanta brandura!…Porque não “ratinhos do sistema”? Porque não oportunismo objectivo?…Porque não “aparelhados”?
São eles que, para aceder ao (isto é um pequeno pingo de água, no oceano dos grandes privilégios) pequeno estatuto de “intocável”, (medíocre, aliás) de tudo são capazes, para ficarem com a “barriga ao so”. E passeiam-se, embezerrados na sua fraca modéstia, ostentando a mal disfarçada coleira de cão de fila, agora, altamente capaz de morder em tudo o que, ao seu redor, se mexa em sentido contrário…
Algo de novo, a implicar um neologismo bem conseguido? Não.Até este perfil de cães é uma reposição de tempos idos…bafientamente fascista, travestidos de modernidade.
Os professores, na escola, no sistema de ensino, no país, não são funcionários políticos de quaquer governo.
Aqueles que agora se colaram, até nisto, apenas confirmam uma coisa (que, se calhar, já conhecida era):nunca foram professores.Como não têm coragem de o assumir e “dar de frosque”, colam-se …convencidos que estarão seguros na sua imbecil vaidade de novos “aparelhados”.E aparelhar é acção de arrear e atrelar bestas à carroça.
Agosto 26, 2008 at 10:19 pm
Hum!, mais uma crítica de futebol. Colocar o chocalho no gato: o sonho displicente.
Agosto 27, 2008 at 11:17 am
Estou agora a reparar que falta uma palavra no título.
Também tenho direito às minhas manias…
Será?
Agosto 27, 2008 at 4:27 pm
“Que a consciência independente seja o sol do teu dia moral”
Goethe