É verdade que nem sempre tenho tempo suficiente para espreitar as escritas alheias e tantos blogues que merecem ser visitados e lidos.

Mas ainda vou fazendo os meus passeios.

E leio coisas que me deixam coma chamada pulga atrás da orelha. Digamos que enfio o barrete. Leio lamentos ou críticas veladas, sem destinatário expresso e, pela origem e tom, acho que se me destinam. Se são certeiras não sei. Mas acho que eu, ou outros como eu (o Ramiro, principalmente…), estamos na ponta do pensamento de quem escreve coisas vagas, de sabedoria popular, sem a capacidade de dar o nome ao bovídeo, mesmo que o dito seja eu.

Coisas do tipo: «ah, eles falam e escrevem muito, mas não sabem como é que as coisas se fazem» ou «pois, pois, há quem barafuste muito mas eu é que sei como dar a volta a isto de mansinho, olhem para mim». E depois como acham que não se percebeu à primeira ou à segunda, insistem.

E isso irrita-me porque não posso responder directamente, já que o dedo fica apontado para não sei onde.

Mas posso, em contrapartida, fazer o mesmo tipo de remoques vagos e generalistas, assim como quem não fala de ninguém em particular, mas tem alguém em mente.

Vamos lá então a isto: não há vergonha extrema em – a certa altura do percurso – se ter optado por uma adesivagem light. Pronto, percebemos, é a vidinha, são as ambições, os afectos, uma forma sedosa de estar na vida que prefere a ausência de espinhas e pedras no caminho à sua presença.

Não me entendam mal. Não é por isso que deixam de ser boas pessoas, bons profissionais, bons colegas, bons chefes de família. Deixem-se é de tretas complacentes, auto-justificativas ou condescendentes para com os outros.

Se há algo a dizer ou criticar que o façam a direito, não enviesado. Porque se o fizerem, já sabem que terão a resposta devida. Por favor, não se armem é em santinhos porque não é por dizerem as coisas pelos corredores (virtuais), meio às escondidas, que os sentimentos ou as palavras deixam de ter a visível aleivosia. Basta lembrar-me do outro que é todo afectos, mas depois corta tudo o que é comentário que não lhe lambe os pés.

Mas há quem faça pior que esse, por refinar na dissimulação. E é pena.

E pronto, aqui fica o meu post vago, mansamente paranóico, mas que acredito vai servir de barrete aos destinatários certos. Porque eles sabem que eu sei que eles sabem… como dizia a outra.