Numa troca de comentários em post anterior, levantou-se a questão da utilidade da criação de turmas de nível.
Por acaso sou um pouco contra esse tipo de medida, em especial agora que se podem constituir turmas de PCA e CEF com bastante facilidade.
Mas desgosto das turmas de nível por outros motivos, alguns dos quais até por achar que será uma medida prejudicial para todos os envolvidos, sejam os eleitos, sejam os coitadinhos. Porque isso é negar, logo à partida, o conceito de Igualdade de Oportunidades. Opção apriorística que não aceito, em coerência com a recusa da a obrigação da Igualdade de Resultados. E partilho, em grande medida, desta perspectiva que aponta as turmas de nível como um passo claro para «trabalhar o sistema» em favor de alguns.
Listarei apenas três, embora a discussão fique aberta a outros contributos:
- Como professor, compreendo que seja mais atractivo trabalhar com turmas mais homogéneas do ponto de vista do rendimento. No entanto, acho que esse tipo de metodologia acaba por encerrar os alunos, em especial os de maior rendimento, em «casulos» e por os afastar do contacto e trabalho com os colegas menos dotados, digamos assim. Sei que a presença de alguns alunos disruptores – mas nesse caso trata-se de problemas disciplinares – pode perturbar imenso o ambiente de aprendizagem de uma turma. Mas também sei que as chamadas «turmas de nível» podem transformar-se simplesmente numa guetização inter-turmas, beneficiando alguns alunos em detrimento de outros e desistindo de estratégias de trabalho cooperativo em que os melhores alunos ajudam os que têm maiores dificuldades, o que é muito importante para a sua formação pessoal. Aqui talvez seja parcial, porque a minha estória como aluno, em especial no equivalente aos actuais 2º e 3º CEB, foi a de pertencer a várias turmas que pareciam condenadas ao fracasso, principalment porque os alunos eram da periferia da sede do concelho e ficavam para os «restos». Já como professor, tenho exemplos bem sucedidos de turmas muito heterogéneas que funcionaram bem, em especial quando se impedia que os bons se agrupassem sozinhos, deixando os outros entregues a si mesmos.
- Uma outra reserva às turmas de nível passa por um aspecto que pode parecer contraditório com o anterior e é o da avaliação. Até que ponto é justo usar a mesma escala de avaliação para turmas com perfis de aprendizagem completamente diversos? Até que ponto é justo que um aluno bom numa turma XPTO tenha nível 4, enquanto um aluno que lhe seria inferior, em confronto directo, pode tirar esse mesmo nível 4 ou mais só porque está numa turma sobre a qual as expectativas são menores? Isso já acontece actualmente com as turmas de Currículos Alternativos e mesmo com os CEF, mas esses já sabemos que se regem por regras diferentes, enquanto com as turmas de nível isso se torna mais difuso.
- Por fim, uma questão prática elementar: onde se traça a fronteira para dividir as águas? O que fazemos aos alunos que ficam nos limiares? Os chamados borderline? Empurramo-los em que sentido? Para baixo ou para cima? Depende das vagas? Do poder de reivindicação do(a) EE? Complicado. Pouco transparente.
No fundo é transferir para o interior do sistema público de ensino uma estratégia discriminatória de que se acusa muitas instituições privadas de praticarem. E que admito que também já existe em vários estabelecimentos públicos. Mas que ainda não é a regra. Felizmente. Acho eu.
Agosto 24, 2008 at 7:17 pm
Nunca concordei com a criação de turmas de nível.
Porque não é justo nem saudável para os alunos, porque não é justo nem saudável para o trabalho dos professores.
Já agora, para quem as defende, com qual gostariam de ficar: com a dos bons ou a dos maus alunos?
Agosto 24, 2008 at 7:25 pm
Excelente argumentação, Paulo!
Agosto 24, 2008 at 7:27 pm
Jurema,
Eu normalmente sou voluntário para trabalhar com os «maus», no âmbito dos PCA.
Talvez porque me lembre de tantos colegas de banco de escola.
Obrigado Ramiro.
Agosto 24, 2008 at 7:35 pm
Humm… Mas os PCA já são outra história.
É que deve haver quem defenda as turmas de nível e prefira trabalhar só com os bons alunos porque os outros dão mais trabalho…
Agosto 24, 2008 at 8:02 pm
Desculpem-me a ignorância, PCA são os currículos alternativos? Em que diferem dos CEF? É que na minha escola não temos os primeiros mas temos os segundos. Trabalhei este ano com os CEF, e confesso que a margem de manobra em relação aos programas me agradou pois é imensa. É claro que estes alunos aprendem “menos” do que os outros, mas as suas capacidades também são diferentes, daí os níveis 4 de que o Paulo fala não serem de forma nenhuma iguais aos do ensino chamado regular.
Agosto 24, 2008 at 8:52 pm
Gostaria de ter tantas certezas quanto os anteriores, embora me pareça que esta discussão passa mais pela disciplina do que pelas aptidões dos alunos.
Temos debatido este tema vezes sem conta entre colegas, sem que alguém tenha feito sentir serem os seus argumentos mais válidos do que os contrários.
Em turmas heterogéneas quanto ao aproveitamento nas quais o comportamento é muito satisfatório, consegue-se trabalhar sem que os alunos em fase mais avançada da aprendizagem venham a sentir-se menos motivados, pois não se torna tão complexo gerir diferentes ritmos de trabalho.
O aspecto mais preocupante do “nivelamento” poderá ser a criação de turmas de “baixo nível” nas quais o aproveitamento pouco satisfatório possa estar aliado a comportamentos sistematicamente perturbadores por parte de uma boa percentagem dos alunos, o que não beneficia ninguém.Será essa provavelmente a realidade em escolas situadas em áreas problemáticas do ponto de vista social.
Quanto aos PCA e sua distinção relativamente aos CEF,tentando responder à questão do comentário anterior, retirei esta informação do portal do ME:
As turmas com percursos curriculares alternativos poderão ter como número mínimo 10 alunos, atendendo à especificidade do público-alvo e à necessidade de promover um processo de aprendizagem mais individualizado.
[...] os alunos com idade até aos 18 anos que se encontrem a frequentar turmas de currículos alternativos podem ingressar [...].
Após este ano de transição (2006/2007), os alunos que frequentam os percursos alternativos, desde o momento que atinjam os 15 anos e não tenham concluído a escolaridade obrigatória, devem passar a ser integrados em cursos de educação e formação.
Agosto 24, 2008 at 9:25 pm
Eu sou favorável a turmas de nível, motivos:
1)Sempre que se misturam alunos fracos, e sobretudo indisciplinados, com bons alunos, por norma os pais dos segundos tendem a pedir transferência de escola.
2)Tendo em conta a enorme dificuldade que muitos professores têm em impor a disciplina, mesmo em turmas normais, 1-2 alunos indisciplinados conseguem estragar uma turma.
3)Todos os anos no 5.º ano, miúdos que até aí tinham um percurso escolar normal, são puxados para a indisciplina/marginalidade pelo grupo de repetentes e pelo mini-gang das escolas EB23.
4)Pelo que observo, no caso da cidade do Porto, as escolas que misturam tendem a guetizar-se.
Exemplo:
Freguesia de Paranhos
3 escolas EB23
Duas misturam, uma faz turmas de nível(não assumido é claro).
As que misturam são escolas TEIP, em perda de alunos, poucos pais com formação superior põem lá os filhos.
A que faz turmas de nível, tem mantido nos últimos anos o mesmo n.º de alunos, mesmo com instalações péssimas. Em 2000, 18% dos alunos vinham de famílias com formação superior, actualmente (dados do Projecto Educativo de 2007), este valor é de 38%.
Mais:
1.Também sou favorável à selecção de alunos no acesso ao ensino secundário. Para entrar nos cursos gerais os alunos deviam ser seriados pelas notas dos exames do 9.º ano. Responsabilizavam-se quando fazem os exames e não se criavam falsas expectativas aos alunos.
Um aluno que no exame de matemática do 9.º ano tem 1, jamais conseguirá fazer a Matemática A do Secundário, um aluno que não gosta de ler e escreve mal, dificilmente terá resultados satisfatórios a História, o mesmo para as Línguas.
Para quê enganar os alunos?
2.A favor de uma certa especialização das escolas secundárias, sobretudo nas zonas urbanas.
Umas mais Gerais, outras mais Tecnológicas/profissionais e as Artísticas.
3.E a favor de currículos vocacionais, desde o 7.º ano, a partir dos 12 anos, como alternativa ao currículo de 15 disciplinas.
Agosto 24, 2008 at 9:31 pm
Que tema, Paulo!
Vou á janta. Tomar fôlego. Para dar o meu contributo em termos de argumentação. Sou contra as turmas de nível.
Agosto 24, 2008 at 10:20 pm
DA,
Essas estratégias parentais de fuga só são possíveis em alguns contextos.
Por onde ando, não há “escolas de elite”, que funcionem como santuários.
Pelos menos em matéria de EB23 é difícil.
Tenho trabalhado em algumas escolas medianamente difíceis – não vou exagerar – e sei que a situação dos 2-3 que estragam tudo é real.
Mas há formas de as ultrapassar.
E não noto esse êxodo de matrículas.
Talvez porque todas as escolas estejam nos limites da capacidade.
Agosto 24, 2008 at 10:54 pm
Essas estratégias parentais de fuga só são possíveis em alguns contextos.
Por onde ando, não há “escolas de elite”, que funcionem como santuários.
Pelos menos em matéria de EB23 é difícil.
Falta saber se parte da nova classe média-alta da tua zona, não esta a enviar os rebentos para os colégios do outro lado do Tejo.
A escola em causa que organiza turmas de nível não é santuário, aqui no Porto escolas com 2.º ciclo e com uma maioria de alunos de classe média-alta só há duas.
Agosto 24, 2008 at 10:57 pm
A fuga de alunos para os colégios privados é uma realidade em certas zonas do país, nomeadamente aquelas onde se concentra uma classe média/alta suficientemente numerosa ou onde a política de financiamento público a escolas privadas têm sido mais intensa. E a verdade é que aqui há mesmo turmas de nível, quando não são pura e simplesmente excluídos determinados alunos problemáticos.
Agosto 24, 2008 at 10:59 pm
Eu julgo que estamos a falar de turmas de nível no ensino básico, que é obrigatório e apresenta características diferentes do secundário.
O DA diz que é favor das turmas de nível pelos seguintes motivos:
1)Sempre que se misturam alunos fracos, e sobretudo indisciplinados, com bons alunos, por norma os pais dos segundos tendem a pedir transferência de escola.
Não conheço nem nunca ouvi falar de transferências por esse motivo. Admito que haja situações dessas, mas não creio que seja a regra.
2)Tendo em conta a enorme dificuldade que muitos professores têm em impor a disciplina, mesmo em turmas normais, 1-2 alunos indisciplinados conseguem estragar uma turma.
Segundo esse raciocínio, quem é que consegue lidar com uma turma só de alunos indisciplinados? Que problemas é que isto cria para os professores dessas turmas?…
3)Todos os anos no 5.º ano, miúdos que até aí tinham um percurso escolar normal, são puxados para a indisciplina/marginalidade pelo grupo de repetentes e pelo mini-gang das escolas EB23.
Sinceramente julgo que isso é muito relativo e depende de variadíssimos factores.
——
De uma forma geral, o que eu penso em relação a este assunto, é que seleccionar os bons e com os que sobram fazer outras turmas não é mais do que fazer turmas de restos (desculpem-me a expressão, mas é a única que encontro para designar a formação de turmas por este modo).
Fazer este tipo de selecção contribui, do meu ponto de vista, para marginalizar ainda mais aqueles que já se sentem marginalizados e se encontram em desvantagem social em relação aos restantes.
É pegar nos alunos com dificuldades e indisciplinados e perpetuar essa situação. Porque se para algumas pessoas alguns maus estragam alguns bons, também não é menos verdade que há maus que se tornam melhores alunos quando em contacto com os bons.
O que me parece é que esta teoria das turmas de nível só serve para favorecer os bons alunos, porque os outros, sinceramente, não ficam favorecidos com a criação de turmas de sobras.
Mais, acho que só faz bem aos bons alunos terem contacto com os restantes, quanto mais não seja para terem conhecimento duma realidade diferente da sua. Da realidade que é a realidade do país.
Enquanto aluna estive em turmas com alunos indisciplinados. Não morri por causa disso, não me tornei pior aluna por causa disso e não comecei a ter os mesmos comportamentos que eles só porque era da mesma turma.
Agosto 24, 2008 at 11:00 pm
DA, a classe média-alta da zona onde lecciono é demasiado magra para alimentar uma grande oferta privada.
Já para as zonas mais próximas de onde moro, os estabelecimentos privados estão a nascer que nem cogumelos.
Mas não será a criação de turmas de nível a resolver isso.
O problema passa principalmente por questões de segurança nos espaços envolventes ou mesmo no interior das escolas.
Agosto 24, 2008 at 11:12 pm
Paulo, também moro e lecciono na margem sul do Tejo e deparo-me todos os dias com problemas de indisciplina, e mesmo insegurança. É com tristeza que lhe digo que a milha filha de 10 anos frequenta um estabelecimento privado. Se o fiz foi pela sua segurança, não pela qualidade de ensino dos privados. Também me debato com o problema da falta de ATLs. Tenho uma amiga que mora próximo de mim e tem a filha no ensino público mas paga cerca de 300 euros mensais pelo ATL num privado (inclui almoço). As condições por aqui não são as melhores e muitos pais (muitos deles nossos colegas) fazem “das tripas coração” para proporcionarem algum clima de “segurança” aos seus filhos.
Agosto 24, 2008 at 11:13 pm
É como escreve o António Duarte, a constituição de turmas de nível em certas zonas do país, grandes cidades e cidades médias, é a forma das escolas públicas atraírem a classe média-alta.
Outro Assunto:
Se o ME sabe todos estes dados dos alunos, https://amadeu.essr.net/~jafundo/questionario_misi_2008_2009.pdf
, por altura dos rankings devia divulgá-los , para permitir uma melhor contextualização dos resultados das escolas.
Agosto 24, 2008 at 11:15 pm
LBF, eu sei o que isso é e sempre disse que se um dia viesse a optar pelo privado seria por questões de segurança e não de qualidade pedagógica.
Esta eu posso complementar em casa, caso escasseie, aquela não tenho hipótese de controlar.
A minha ainda vai para a pré, para o ensino público.
Agosto 24, 2008 at 11:25 pm
Paulo, é muito bom sairmos para o nosso local de trabalho e deixarmos os nosssos filhos em local(supostamente)seguro. Enquanto eles estão na pré, as coisas ainda não são problemáticas pois os miídos são muito controlados pelas educadoras, no 1.º ciclo é que são elas…
Agosto 24, 2008 at 11:26 pm
Jurema:
A estratégia de juntar os “bons” com os “maus” na expectativa de que estes progridam é eficaz se os “maus” não forem muitos e tiverem, apesar das dificuldades, vontade de aprender. Também necessita, para ter êxito, que os “bons” e respectivos pais alinhem nesta situação. O problema é quando os “maus” são muitos e indisciplinados: os “bons” vão-se mesmo embora…
Agosto 24, 2008 at 11:27 pm
“miúdos”
Agosto 24, 2008 at 11:32 pm
O problema passa principalmente por questões de segurança nos espaços envolventes ou mesmo no interior das escolas.
Também é. Mas para muitos Orgãos de Gestão não é uma prioridade.
Vigilâncias de recreios porque é que não são regra nas nossas escolas, sobretudo nas básicas e controlo de entradas?
Na EB1 dos meus filhos, uma escola tranquila e com um Coordenador relativamente competente, as 4 auxiliares nos intervalos permanecem na entrada principal não circulam pelo recreio, já falei várias vezes sobre a falta de vigilância com o Coordenador, não faz nada. Vá lá que há um porteiro a controlar as entradas.
Mas conheço escolas do 1.º ciclo com jardim de infância (das secundárias nem se fala) onde o portão está permanentemente aberto, sem qualquer controlo.
LBF,
Mas nós não satirizamos a Escola a Tempo Inteiro(expressão péssima criada pela propaganda socretina)?
300 euros por um ATL?
Tão caro…
Até 2007 os meus filhos que estão no 1.ºciclo andaram num ATL(agora ficam no prolongamento da escola), pelos dois pagava 140 euros.
Aí para baixo, em Lisboa, Cascais, Oeiras, Amadora, etc., a maioria das escolas do 1.º ciclo tem ATL/CAF(componente de apoio à família) até bem tarde.
Agosto 24, 2008 at 11:33 pm
ADuarte,
Só que há quem não tenha para onde ir.
E é óbvio que aqui se fala mais em questões de aprendizagem do que em indisciplina.
Agosto 24, 2008 at 11:38 pm
Bom, eu estava a falar de uma forma geral, como julguei que estivessem.
É óbvio que se puserem a questão em termos de segurança o caso muda de figura. Mas aí já não entra a história das turmas de nível mas sim dos privados, como referiram. E penso que só em determinadas zonas é que isso faz realmente sentido.
Em relação ao comentário do António, eu julgo que isso só se verifica em zonas onde os pais dos bons alunos têm efectivamente capacidade financeira para decidirem, no momento, colocar os filhos numa privada.
Isto é uma situação algo complexa.
Agosto 24, 2008 at 11:45 pm
Por aqui nem todas têm ATL, e os 300 euros a minha amiga paga é num privado. Por pouco mais que essa quantia tenho a minha filha no ensino privado(a 6 km de casa). É óbvio que está a ser explorada…
Agosto 24, 2008 at 11:48 pm
Jurema, a minha argumentação só tem a ver com a segurança, nada mais. Mas tem razão quando diz que isto é uma situação algo complexa.
Agosto 24, 2008 at 11:50 pm
300-400 euros mensais é a tabela da opção pelo privado por estas zonas.
No meu caso, a ver vamos…
Mas se eu sobrevivi em meados de 70 por estas bandas…
Verdade se diga que muitas vezes o maior problema – aqui que ninguém nos ouve – é alguma miudagem ser o fiel espelho de…
Agosto 24, 2008 at 11:56 pm
Ui, como isso é verdade…
(LBF, eu percebi.)
Agosto 25, 2008 at 12:01 am
Pois.
Bom, vou deitar a miúdagem… Até logo ou até amanhã.
Agosto 25, 2008 at 12:04 am
Eu cá vou já…
Boa noite a todos!
Agosto 25, 2008 at 12:11 am
Infelizmente, a questão das turmas de nível não se pode separar de outras questões tão ou mais complexas: Para termos turmas heterogéneas precisamos de alunos de todas as condições sociais. Mas se nos impõem, como faz o actual governo, que conservemos todo o tipo de alunos nas escolas públicas, podemos criar nelas um ambiente de “tá-se bem” onde se sentirão bem os alunos que já desistiram de aprender, mas que afasta os que querem ser realmente bons alunos.
Agosto 25, 2008 at 12:58 am
Constato que este post do Paulo gerou muita discussão e com muito interesse.
Como me atrasei um pouco, e o tinto era bom, espero que os meus colegas me desculpem qualquer coisita não (!)(?).
No Sistema Nacional de Educação do Ensino Básico e Secundário coexistem 3 valências: O sector privado, o sector cooperativo e o sector público.
Os sectores privados e cooperativos são, como todos o sabemos, mais ou menos intervencionados por dinheiros do sector público. Isto é, o “dinheiro do contribuinte” paga para a sobrevivência dos sectores ditos privados e cooperativos. Se de todo directamente, transferência directas, fá-lo por outras vias que são (bem) conhecidas dos esclarecidos ou de quem procure esclarecimento. Este facto radica numa História, baseada na História, de que nunca existiu em Portugal uma classe média forte que tal possibilite do ponto de vista económico. A subsdiodependência do Estado, dinheiro para o desenvolvimento do sector estatal/público, é desviada, por meios indirectos para o chamado privado e cooperativo. Dou um exemplo, na actualidade. No Agrupamento de escolas onde lecciono, actualmente, estão colocadas por convite e durante três anos, educadoras de infância da rede pública, que trabalham em colégios privados no âmbito da Intervenção Precoce (Educação Especial). O número destes profissionais,pagos pelo sector público, mas intervir no privado (etc), é o mesmo do número de professores de Educação Especial, que cobrem a intervenção numa rede de escolas imensa do pré ao 9º ano. Informo que o Agrupamento, sem dar resposta mínima ao número de alunos com NEE, tinha, antes deste concurso 2006-2009, 14 professores. Neste momento tem 4. Existe um desvio de 3 para o “pré/privado” e de outros 3 professores para “bolsa de professores para as substituições de professores nas escolas do 1º ciclo”. Informo que tal foi uma imposição da própria DRE, nunca visto. Nas faltas dos professores das escolas do 1º ciclo, em vez de colocarem outros professores, recorrem aos 3 professores que têm alunos individualmente para prestar apoio da rede pública.
Outra questão sobre a qual pretendo opinar é sobre a tal de qualidade pedagógica “privado/público”. Todos o sabemos que, com raríssimas excepções, o chamado sector privado valida, na prática, um conjunto de opções dos progenitores dos alunos, sempre no limite ligados ou associadas a determinados esteriotipos sociais. Portugal é um país feudal, ou semi-feudal de “senhores e serviçais”, pelo que, quase a totalidade das motivações dos pais, muito embora as explicações sejam de outra natureza (política, religiosa, etc) radicam numa sociedade emque os seus membros acreditam que só existe dois grupos de cidadãos: os senhores e os serviçais.
Neste momento de total clivagem ideológica, muito mais “de facto” do que de aparência e não de “pareces”, torna-se consciente aquilo que sempre prespassou o tecido social e de o actual “pêsse” é o exemplo, com as modernices & Cª.
A opção pela destruição do sector público de Educação subjaz toda a actuação governativa do actual PS. Pela mentira consciente fraudulenta. Profere-se via orgãos de comunicação social uma certa ideia. Na prática, pragmatiza-se exactamente o contrário. A opção é ideológica. Opta-se por uma escola para todos, sem turmas de nível, “inclusiva”. Na pragmatização destas medidas dão-se ares de retórica que assim é mas, num olhar um pouco mais atento e esclarecido, percebe-se que a Mentira é total. Fraude.
Neste momento está em marcha uma mudança radical de acesso aos bens de toda uma sociedade. Sócios. A mudança é radical. A diabolização dos professores esconde uma estratégia muito refinada de desafectação dos recursos públicos para alguns sectores da sociedade ditos “proximos dos políticos poderzinhos”, que não têm o mínimo de pejo de “venda do Portugalmente a seus interesses estrangeirados”. Aliás, é uma réplica das histórias de que a História de Portugal fede.
No sentido que, na escola, os jovens ensaiam o que um dia serão como adultos-cidadãos, a opção real e verdadeira pelas chamadas turmas de nível é, no SNE português, algo que define um professor que, no (ainda) momento histórico de desenvolvimento cultural-social-económico, define a opção de um querer bem a todos os alunos, independentemente das suas origens de raça, credo, condição social, económica ou cultural. E é a herança do Portugal pequenino mas Universal. De pessoa.
O elencar de argumentos técnicos precisos, na senda do post do Paulo, fica para mais tarde.
Agosto 25, 2008 at 1:30 am
Vejam
http://www.youtube.com/marjardel
Agosto 25, 2008 at 1:36 am
Vejam
http://www.profblog.org/2008/08/alta-criminalidade-em-agosto-portugal.html
Agosto 25, 2008 at 1:56 am
Correcção de comentário 30
“No sentido que, na escola, os jovens ensaiam o que um dia serão como adultos-cidadãos, a opção real e verdadeira pelas chamadas turmas heterogéneas é, no SNE português, algo que define um professor que, no (ainda) momento histórico de desenvolvimento cultural-social-económico, define a opção de um querer bem a todos os alunos, independentemente das suas origens de raça, credo, condição social, económica ou cultural. E é a herança do Portugal pequeno geograficamente mas de alma Universal. De Pessoa.”
A opção pelas turmas heterogéneas na Escola do trio maravilha, é, na prática, a maior das mentiras. Retiram á Escola todos os meios para a sua viabilidade e desviam-nos para outros fins.
Os CEF/s e outras (des)soluções do trio maravilha constituirão, a breve trecho, um outro grave problema social de consequências (ainda) não “visíveis” a olho nú mas que inevitavelmente vão surgir.
Agosto 25, 2008 at 3:31 am
Uma boa questão esta das turmas de nível. rtesolve muitos problemas. Aliás, basta pensar que a ideia é mais uma do ME. Estou de acordo, mas com uma condição: primeiro tratamos da avaliação dos professores desses alunos, depois distribuímos as turmas dos “coitadinhos” pelos professores “excelente” e “muito bom”, e as dos “eleitos” pelos professores “satisfaz”.
Assim, os melhores professores iriam ter ocasião de fazer bons alunos… Daqui a poucos anos só teríamos bons alunos…
Agosto 25, 2008 at 4:26 am
Eu sou, ou era, já nem sei,contra as turmas de nível. Na minha escola essa discussão é recorrente mas a ideia nunca passou. Os argumentos são aqueles que têm sido, aqui, apresentados pelos defensores do não. Acontece que também não deixo de ser sensível aos argumentos dos que defendem a sua criação. Diria até, que estou tão sensivel, tão sensível, que quase estou tentada a passar para esse lado.
Na escola onde trabalho, onde por norma não se escolhe nada,os sétimos anos que este ano me calharam em sorte, conseguiram abalar uma série de convicções. Uma delas foi esta que está em discussão.
Começo a estar cansada de ser políticamente correcta e apetece-me começar a dizer a verdade toda, por muito cruel que possa parecer.
Há alunos que não sabem nada, não querem saber e têm raiva de quem sabe.Há alunos que odeiam a escola,as aulas, os professores, os colegas e o mundo em geral. Há alunos que acumulam um insucesso tal que em turmas normais, de 28 alunos, como acontece na minha escola, não têm como recuperar, ora isso tem que acarretar uma enorme frustração. Esses alunos não se empenham, não trabalham, nem deixam trabalhar. Não creio que estivessem pior em turmas de nível.Os outros, que não têm culpa de nada, estariam seguramente muito melhor. Eu, que não escolho nada, trabalharia com a turma que me calhasse, mas de uma maneira diferente tendo em atenção os diferentes públicos.
Isto sou eu a pensar em voz alta. Nada, a este respeito, é suficientemente claro para eu defender, com convicção, um dos pontos de vista.
Agosto 25, 2008 at 9:39 am
Laranjalima, mas para esses há CEF, Novas Oportunidades e tudo isso que são “excelentes” medidas para o ensino profissionalizante.
Agosto 25, 2008 at 11:33 am
Completamente a favor das turmas de nível.
E completamente disponível para ficar sempre com as dos coitadinhos.
Sendo o ensino individualizado perfeitamente utópico nas presentes condições de trabalho, resta-nos fazer pontaria à média e tentar não perder os que estão acima e os que estão abaixo.
E, pelo andar da carroça, quem vai perder cada vez mais são os bons, porque os que têm dificuldades são muito mais time consuming. Que nós, secretamente, também trabalhamos para o sucesso e a estatística, e empenhamo-nos muito mais na recuperação de um 2 para um 3 do que na de um 4 para um 5. Acabamos por confiar na autosuficiência dos melhores.
Ninguém ganha grande coisa.
Agosto 25, 2008 at 1:31 pm
Há um projecto “Turma Mais” em Beja, não tem a ver com níveis. Os resultados têm sido excelentes.
Agosto 25, 2008 at 2:03 pm
Acho que já ouvi falar disso…
Mas a Swan Princess diz uma coisa que eu não encaixo:
(… ) empenhamo-nos muito mais na recuperação de um 2 para um 3 do que na de um 4 para um 5.
Quem tem um 4 precisa de recuperação? Quando muito quer melhorar para o 5, agora recuperar…
_
Eu já afirmei a minha posição em relação às turmas de nível, mas até percebo o que a laranjalima quer dizer. Há alunos com quem de facto é muito complicado trabalhar, não só porque não querem saber da escola para nada como ainda fazem por estragar o ambiente de sala de aula.
Mas antes que o sentimento de revolta contra estas situações abra o caminho para a tentação das turmas de nível, será talvez necessário pensar primeiro que, com essa estratégia, estar-se-á a juntar todos esses casos numa turma só. E aí o problema ainda se complica mais. Pois se já é difícil a um professor lidar com alguns desses alunos, imaginem lá o que não deve ser lidar com uma turma inteira assim.
Eu julgo é que deve-se pensar também nas condições de trabalho dos professores e não piorar a situação. Porque com turmas de nível há quem fique com a vida muito complicada!
Mas eu penso assim porque para mim a solução desses casos mais extremos deveria passar mais por outras questões, que não a elaboração de turmas de nível.
Isto é um bico d’obra…
Agosto 25, 2008 at 2:17 pm
Swan Princess,
Que nós, secretamente, também trabalhamos para o sucesso e a estatística, e empenhamo-nos muito mais na recuperação de um 2 para um 3 do que na de um 4 para um 5.
É verdade.
Mas muitas escolas já se começam a preocupar com a qualidade do sucesso, que é a distribuição do sucesso por níveis.
Fafe,
Há um projecto “Turma Mais” em Beja, não tem a ver com níveis. Os resultados têm sido excelentes.
Como funciona?
Agosto 25, 2008 at 2:22 pm
jurema
Penso mesmo que quem tem um 4 sem fazer grande coisa por isso precisa de tanta “recuperação” como quem tem um 2 apesar do seu empenho. E 4s destes é o que não falta por aí, que a miudagem não é burra e o sistema até ajuda. Acho até que há mais destes do que dos outros.
É assim que se fica com uma geração de miúdos com capacidades intelectuais apreciáveis que não são exploradas ao máximo por falta de motivação para o trabalho.
Reduzimos todos à mediania.
Há muito desperdício.
Agosto 25, 2008 at 2:23 pm
Eu como nunca dei nenhum 4 ao nível de um 2…
Agosto 25, 2008 at 2:38 pm
jurema
Julgo que, em consciência, nenhum de nós dá 4s, ou mesmo 3s, ao nível de um 2.
Não falo de excesso de indulgência e inflacção das classificações.
Apenas que não é preciso ser particularmente iluminado para se tirar um 4, dado o actual grau de exigência do sistema.
Aflige-me alguma coisa que tantos miúdos façam o básico com uma perna às costas, e com boas classificações, sem terem de facto sido motivados a fazer melhor.
Puxamos tanto pelos 2 mas deixamos os 3s e, principalmente, os 4s, mais ou menos confortáveis na sua posição.
Faz falta um espírito mais olímpico. Mais alto, mais longe, … e tal.
Agosto 25, 2008 at 2:44 pm
E, penso eu, as turmas de nível permitem fazer isso muito melhor. Puxar todos os miúdos da turma para o nível seguinte, de uma forma muito mais coordenada e consistente, sem tentar acudir a todos os fogos ao mesmo tempo e a não apagar nenhum.
Agosto 25, 2008 at 2:50 pm
Huumm…
Mas sinceramente eu julgo que isso depende também da exigência de cada professor. Agora, é verdade que muitas vezes os 4s dados na mesma turma nas diversas disciplinas não são todos ao mesmo nível…
Há quem inflaccione tudo e mais alguma coisa e esses é que estragam isto tudo.
Mas também não é menos verdade que os alunos e os próprios pais percebem, perante o trabalho que cada professor faz e exige dos seus alunos, a exigência do 4 de cada disciplina (isto, obviamente, quando é o caso de haver alguém no conselho de turma que inflacciona as notas só para não dar negativas e não ter trabalho com isso).
Agosto 25, 2008 at 2:53 pm
Já não concordo com essa teoria de tentar acudir a todos os fogos ao mesmo tempo e a não apagar nenhum.
Mais uma vez, eu julgo que isso depende em muito do tipo de trabalho que o professor faz na sala de aula. São poucos os que fazem um verdadeiro trabalho diferenciado dentro da sala de aula, porque isso, obviamente, dá mais trabalho.
Agosto 25, 2008 at 3:49 pm
Paulo diz:
“Mas também sei que as chamadas «turmas de nível» podem transformar-se simplesmente numa guetização inter-turmas, beneficiando alguns alunos em detrimento de outros e desistindo de estratégias de trabalho cooperativo em que os melhores alunos ajudam os que têm maiores dificuldades, o que é muito importante para a sua formação pessoal”
Meu comentário:
A minha escola em 1994/95 introduziu grupos de nível a Matemática, Língua Estrangeira e a Português no 7º ano de escolaridade que se estendeu ao 8º ano e 9º anos de escolaridades respectivamente nos anos lectivos 95/96 e 96/97 com dois professores diferentes por cada grupo de nível na mesma disciplina. O plano que teve carácter experimental, com autorização da DREN foi aplicado durante esse triénio e verificou-se uma baixa mobilidade entre os diversos grupos de nível. A mobilidade entre o grupo de nível com programas adaptados e o grupo de nível com programas normais não ultrapassou a percentagem de 10%. Estabeleceu-se uma “guetização” entre os diversos grupos de nível. Ou seja, em vez de se tornar uma sistema dinâmico em que os alunos com programa adaptado (recuperação) transitassem para o grupo de nível adequado, assistiu-se à formação de grupos estáticos que perduraram ao longo de um ciclo.
Diz o Paulo:
“Até que ponto é justo usar a mesma escala de avaliação para turmas com perfis de aprendizagem completamente diversos? Até que ponto é justo que um aluno bom numa turma XPTO tenha nível 4, enquanto um aluno que lhe seria inferior, em confronto directo, pode tirar esse mesmo nível 4 ou mais só porque está numa turma sobre a qual as expectativas são menores?”
Meu comentário:
Como a DREN não permitiu a introdução de níveis máximos (classificação) para o grupo de nível adaptado, quando se concluiu a experiência chegou-se ao absurdo de alunos concluirem, por exemplo, Matemática com nível 5 com o programa normal e outros atingirem o mesmo nível 5 com o programa adaptado. Ora nos certificados de habilitação não distinguem grupos de nível, pelo que se criou uma situação de injustiça em relação aos melhores alunos.
O Paulo pergunta:
“onde se traça a fronteira para dividir as águas?”
Meu comentário:
Do relatório da experiência foi realçado o facto de em situações limites terem existidos algumas injustiças, as quais perduraram ao longo do ciclo, pois como já referi o sistema funcionou de forma muito estática. Após concluirem o 9º ano verificou-se que alguns alunos do grupo de nível com programa normal que concluiram com 3 tiveram insucesso no 10 º ano, enquanto que alguns alunos que concluiram com nível 3, num grupo de nível adaptado, tiveram sucesso no ano lectivo seguinte. Porém os alunos que frequentaram o 9º ano em nível de programa adaptado e que obtiveram 3 no final do 3º ciclo e que depois tiveram sucesso no ensino secundário lhes foi cometida uma injustiça: não lhes foi leccionado o programa normal que a que legitimamente tinham direito.
Das conclusões dessa experiência extrairam-se os seguintes pontos:
1 – qua a separação dos alunos prejudica os mais fracos já que muitas vezes os melhores alunos podem alavancar a aprendizagem dos alunos com menos aptidões à partida.
2 – Os melhores alunos tornam-se mais egoistas e menos dotados para trabalharem em equipa.
Da experiência que decorreu na minha Escola o único conselho que posso dar é: MUITO CUIDADO COM A FORMAÇÂO DE GRUPOS DE NÍVEL.
Agosto 25, 2008 at 4:17 pm
Pois é Pedro, todas as consequências práticas devem ser bem ponderadas, por os tais «efeitos perversos» podem ser mais que muitos.
Agosto 25, 2008 at 4:19 pm
Excelente comentário Pedro Castro!
Agosto 25, 2008 at 9:42 pm
Sou totalmente a favor de turmas de nível. Estudei neste sistema até ao 9º ano (Canadá)e garanto que os alunos trabalham muito para pertencer ao nível superior (num total de 4). Quem decide se o aluno tem capacidades para o prosseguimento de estudos são os professores. Os níveis em que o aluno é inserido no secundário em cada disciplina são definidos pelos professores. E quem não atingir 12 valores é encaminhado para cursos profissionais à sua escolha.
Acho que se fala muito em “TURMA” e pouco em aprendizagem. Porque é que tem de haver turmas? Porque não níveis para cada ano de escolaridade? E porque não responsabilizar um pouco os jovens?
Agosto 25, 2008 at 9:49 pm
Excelente apresentação, Pedro. É por tudo isso que não concordo com a formação de turmas de nível. Para os casos “difíceis” há os CEF.
Agosto 26, 2008 at 1:23 am
Não concordo com turmas de nível como aqui se descrevem: as turmas dos bons e as turmas dos maus. Esta divisão não contribui para fazer os piores melhores nem os melhores ainda melhores.
No entanto, concordo com o sistema de turmas de nível por disciplina, onde os alunos são agrupados de formas diversas. Este sistema pode ser dinâmico e permitir que um aluno frequente niveis diferentes de acordo com a sua progressão. Permite que alunos que são medianos a muitas disciplinas mas bons a uma ou duas se sintam valorizados e que outros possam ultrapassar o estigma do “nunca fui bom a …” porque um nivel acertado no momento adequado permite que os alunos rendam no futuro sem conhecimentos deficientes a condicionarem a aprendizagem.
As turmas de nível permitem devolver a aprendizagem aos alunos, centrando as actividades apenas em trabalho a realizar por eles, porque não é preciso contemplar diferentes ritmos de trabalho nas fichas.
Os alunos mal comportados empenham-se quando as tarefas estão ao seu alcance sem serem repetitivas, diz a experiência de turmas fracas. Os que não andam na escola a fazer nada, nunca chegarão a esse estado se forem “apanhados” a tempo.
Agosto 26, 2008 at 1:38 am
Eu concordo em, teoria, com os argumentos que o Paulo começou por apresentar. Muitos deles pesam tanto que, como sabemos, as turmas de nível não têm colhido aprovação na maioria das escolas.Eu fui sempre contra a sua criação. Essas turmas carecem, aliás, de aprovação superior e não me parece que fossem autorizadas.
Agora, a verdade é que a minha escola sempre se teve uma enorme preocupação em recuperar e integrar os alunos. Temos tentado tudo.Temos avaliado esses apoios e reflectido sobre eles. Os resultados são sempre pouco animadores. Já tentamos pôr em prática a experiência descrita pelo Pedro Castro, mas não foi possivel por falta de espaço. Tentamos, então, fazê-lo com apoio coadjuvado (dois professores na sala de aula). Também não obteve grandes resultados.
Já li sobre a experiência de Beja. É a experiencia descrita pelo Pedro Castro mas quem saí da turma são os alunos bons. Não são turmas de nível, são grupos de nível.
Os CEFs, de que falava o Paulo em resposta ao meu comentário, quando funcionam nas escolas não são mais do que turmas de nível (em termos de guetização), só que é uma solução que chega muito tarde. Ainda por cima, é necessário a autorização dos pais o que muitas vezes não acontece.
Este assunto é muito complexo, não é nada fácil decidir. Mas uma coisa é certa:se as escolas forem “forçadas” a melhorar os seus desempenhos não estou a ver outra solução.
O comentário 50 deve ser lido com atenção, porque deve fazer toda a diferença, para alguns alunos e principalmente pais, pertencer à turma X ou Y e se calhar resulta como estimulo.Há, aliás, vários países na Europa com esta prática.
Agosto 26, 2008 at 1:39 am
RF diz:
Acho que se fala muito em “TURMA” e pouco em aprendizagem. Porque é que tem de haver turmas? Porque não níveis para cada ano de escolaridade?
Isso já um estádio bem mais avançado… E em que a escola se teria que organizar de outro modo.
Da maneira como as coisas andam, esta questão, no terreno, vai dar ser à elaboração de turmas de nível. Quando digo bons ou maus (não quer dizer que concorde com isso), refiro apenas aquilo que me parece que está na mente de muitos quando pensam em fazer turmas deste tipo. Por vezes tenho a sensação que a preocupação parece que é salvar os melhores alunos dos que não sabem e não querem aprender.
Mas não discordo do conceito apresentado. Digamos que é outro modo de pensar a Escola…
Agosto 26, 2008 at 1:41 am
“(… ) dos que não sabem e/ou não querem aprender.”
Agosto 26, 2008 at 2:06 am
No meu comentário dei a entender defender as turmas dos bons e dos maus. Mas o que eu defendo aproxima-se do que a MJP expôs.
Agosto 26, 2008 at 2:12 am
Essas turmas carecem, aliás, de aprovação superior e não me parece que fossem autorizadas.
Existem turmas de nível encapotado, conheço várias assim.
Na EB23, que é escola-sede do Agrupamento dos meus filhos, nos 5.º e 6.º anos, existem sempre 2 ou 3 turmas muito boas, outras 2 ou 3 razoáveis, e uma onde se concentram os alunos com baixo aproveitamento escolar/indisciplinados.
Agosto 26, 2008 at 2:14 am
Existem turmas de nível encapotadas, conheço várias assim.
Agosto 26, 2008 at 9:04 am
Porque não tentam estabelecer uma correlação entre as turmas de nível e os critérios [pseudo]pedagógicos de distribuição dos horários dos docentes?
Agosto 26, 2008 at 12:27 pm
Ó Bárbara, esses caminhos são muito torturosos… e perigosos.
Acha que os colegas titulares (altamente qualificados) ficariam com as turmas de nível mais baixo? Na minha escola passa-se o contrário: os titulares ficam com as melhores e com os anos mais avançados, e as piores ficam para os professores do quadro e para os contratados. Tout court!
Agosto 26, 2008 at 1:16 pm
E porque será? …
Agosto 26, 2008 at 2:03 pm
Com os directores em funções as actuais lógicas de distribuição do serviço docente vão passar à história.
Agosto 26, 2008 at 10:48 pm
Uma radiografia de competências naturais, ouso observar.
Agosto 26, 2008 at 11:07 pm
Sim, DA, as actuais lógicas vão passar à história. Entrará em vigor, a 100%, a lógica do lambe-botas, do adesivo, do graxista e do amiguinho.
Agosto 26, 2008 at 11:17 pm
#40
“Fafe,
Há um projecto “Turma Mais” em Beja, não tem a ver com níveis. Os resultados têm sido excelentes.
Como funciona?”
É fácil, utilizando o gerúndio, uma actividade proibida pelo idiota do Arruda.
Agosto 26, 2008 at 11:52 pm
Funcionando?
Agosto 27, 2008 at 12:20 am
Sim, já há muito que não via professores a sério, independentes de números sobrevoados nem de outras estéticas de deslumbramento. Gostei imediatamente, é trabalho de sapa.
Agosto 27, 2008 at 12:21 am
Mas eu também conheço…
Felizmente.
Depois há quem venha a seguir e estrague, mas são coisas que acontecem.