Há assuntos que são recorrentes em muitos dos meus posts, mas verdade se diga que isso apenas retrata o que se vai passando em matéria de Educação Não-Superior e do funcionamento das Escolas.
Se estiver sol durante semanas, o boletim meteorológico não vai dizer que choveu, só para não ser monótono.
Passa-se um pouco o mesmo com a questão da retórica da autonomia tão usada pelo ME sempre que convém enunciá-la, mas que depois nunca coloca em prática. Ou com a utilidade das ACND.
Hoje saiu em DR o despacho (que ganhou o n« 19308/2008) já aqui tratado por duas vezes sobre a organização e gestão do currículo no Ensino Básico, em especial no 2º CEB. Um dos pretextos é uma maior regulamentação das Áreas Curriculares Não Disciplinares, embora no intróioto se afirme o contrário:
A verdade é que, pouco depois, o despacho passa a enumerar os temas que devem ser tratados nas ACND, como isso deve ser feito, quem deve ser envolvido, a quem devem ser atribuídas as ditas ACND, etc, etc.
Não interessa que se proclame que as ACND «constituem espaços de autonomia curricular da escola e dos professores» no 3º parágrafo do diploma ou, mais abaixo, que os «conselhos executivos» (esqueceram-se da figura do «director»?) devem ter um papel preponderante na sua organização. O que interessa é esvaziar em seguida toda essa autonomia, preenchendo todos os espacinhos possíveis e imaginários das ditas ACND com programas informais e recomendações sobre quem deve leccioná-las e como.
No fundo, pretende-se que as ACND – e por uma vez – se tornem uma espécie de tempo escolares que servem para apoiar as disciplinas, mas não são disciplinas. Que são destinadas a melhorar a aprendizagem, mas cuja avaliação quase nada contribui para a avaliação final dos alunos. Enfim, que servem para ocupar o tempo dos alunos na escola, mas sem verdadeiramente os ocupar de forma muito responsável.
Na prática o que o ME pretenderia era transformar o currículo numa imensa sucessão de Áreas Curriculares Não Disciplinares. Por obrigação dos testes internacionais, manter-se-iam as disciplinas de Língua portuguesa e Matemática, talvez Inglês porque serv para atender melhor os camones nas esplanadas do All-garve e tudo o resto seria uma imensa extensão de ACND, sem avaliação formal consequente, com um programa cheio de coisas politicamente correctas, em suma, uma espécie de recreio disfarçado de sala de aula, com muitas actividades criativas.
Como projecto para ATL é interessante. Para melhorar as aprendizagens no estado de (escassa) consolidação da evolução do nosso sistema educativo é de uma enorme falta de sentido.
Mas, verdade se diga, Valter Lemos é coerente há 20 anos nesta sua forma de ver a infantilização e o esvaziamento curricular como único caminho para a fabricação do sucesso educativo.
Que o deixem despachar à vontade, é toda uma outra discussão.

Julho 21, 2008 at 12:46 pm
Será que ainda ninguém deu conta com o que se passou com o exame de Biologia e Geologia da 2ª fase deste ano? Há duas escolhas múltiplas que estão a causar muita polémica, para além dos critérios das respostas abertas. O tema já está a ser discutido há uma semana no seguinte fórum: http://www.exames.org/forum/viewtopic.php?f=1&t=21111&st=0&sk=t&sd=a&start=1320 e os senhores do GAVE continuam cegos e surdos. Por favor visitem e denunciem, porque os alunos estão a ser prejudicados.
Julho 21, 2008 at 1:17 pm
Paulo, subscrevo tudo o que disse.Se a educação é apenas para o faz de conta estatístico, fechem-se as escolas de vez, bem como o Ministério. Aí é que poupavam dinheiro.
Mas segundo as novas “filosofias” para tótós que hoje imperam, o que é preciso é anunciar ao mundo que se equipou TODAS as salas de aula com quadros interactivos, por exemplo, o que é mais um rico negócio para alguns. Os Oliveiras de Figueiras da nossa praça sempre conseguem sobreviver , mesmo no meio das crises,–infelizmente sempre deixadas à gestão por papalvos — nem que seja a conseguir vender pentes a carecas. Os quadros interactivos são mais um lote desses “pentes”.
Assim, instala-se o quadro, arranca-se o quadro “negro/verde” que dantes ocupava essa parede e pronto. O quadro interactivo só é usado, praticamente,pelos profs. de Matemática, e a mais das vezes esporadicamente, e todas as restantes disciplinas ficam sujeitas a escrever a marcador num minúsculo quadro branco (outro material “baratíssimo”!), a apagá-lo constantemente, pois o seu espaço permite a escrita do sumário e pouco mais, e depois, pode ser que apareça um qualquer governante a posar para a fotografia e a oferecer mais uns quilos de portáteis. Porque nunca ofereceram, sequer, os lápis para as primárias, ou o material de desenho para E.V. tendo as/os profs. respectivos de recorrer a “cooperativas” e outras estratégias ?
Assim vai a boa gestão de recursos no Portugalito.
Julho 21, 2008 at 1:21 pm
Digo que o quadro interactivo é sobretudo usado em Matemática, não porque os restantes professores não queiram usá-lo também,mas porque os próprios vendedores/instaladores de quadros apenas dão cursos de utilização para docentes daquela disciplina, acabando por confessar que o benefício do uso deste milagroso quadro é sobretudo para a Matemática…
Julho 21, 2008 at 2:11 pm
A ideia, apesar de estar algo camuflada, parece ser essa: O desejo que a maioria das áreas disciplinares sejam substituídas pelas ACND, à excepção de Português e Matemática.
(aliás, na minha escola, enquanto que os horários para as outras disciplinas vão progressivamente encolhendo, as horas para Matemática e Português vão proporcionalmente alargando).
E também parece que as acções de formação são em muito maior nº para Matemática. De tal modo que numa curta acção na escola, o PCE ter pedido ao “formador” que exemplificasse com outras áreas disciplinares, para além da Matemática.
Julho 21, 2008 at 2:13 pm
As acções de formação para o uso dos quadros interactivos, bem entendido.
Julho 21, 2008 at 2:23 pm
A autonomia das escolas é uma miragem. Para quê tantos PCE´S ou Directores?
Já agoram poupem umas verbas.
Temos assim:
GRANDE AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DO MINHO AO ALGARVE:
Director: MLR
Directores adjuntos: VL E JP
Assessores: Diectores Regionais
Julho 21, 2008 at 2:33 pm
Ainda o Daniel Sampaio, na revista do DN de ontem, chamava a atenção para a importância de outras disciplinas, dando o exemplo concreto de Filosofia.
Disciplina algo “perigosa”, esta, quando os professores põem os jovens a pensar……
Foi a disciplina que mais gostei quando era aluna do “liceu”. Abre “janelas de oportunidades”. E quando a paisagem lá fora não é assim tão previsível, pode ter efeitos indesejáveis para o “mainstream”.
Julho 21, 2008 at 2:42 pm
Para estes senhores do ME seria necessário Manifesto Anti-Dantas, digo Anti-Mé
MORRA O MÉ, MORRA! PIM!
UMA GERAÇÃO COM UM MÉ A CAVALO É UM BURRO IMPOTENTE!
Continuem recorendo à V/ imaginação.
Julho 21, 2008 at 4:00 pm
Daniel Sampaio serve-se da “filosofia” como anteriormente Guterres se servia do “diálogo” ou Vital Moreira se socorre do “interesse geral”.
Trata-se apenas de retórica doutrinal, onde o que conta é a “reflexão acompanhada”, tipo terapia de grupo ou decisão consensual do comité central.
A Filosofia é uma disciplina de desenvolvimento do pensamento e da razão, que pouco ou nada tem a ver com “conversas em família” ou “empowerment” social, tal como Daniel Sampaio e outros anestesio-terapeutas a entendem.
A Filosofia exige muita disciplina mental e esforço solitário, tanto ao nível hermenêutico como ao nível da lógica analítica e da arqueologia da linguagem.
Dar opiniões e falar em grupo é uma outra coisa, que nada tem a ver com a filosofia ou com a cultura da razão autónoma.
Julho 21, 2008 at 4:06 pm
Eu ainda hoje postarei a prosa do DSampaio, assim consiga que o meu scanner colabore…
Parece que tb ele precisa de repouso…
Julho 21, 2008 at 6:38 pm
Mas ainda há quem veja utilidade nessa ACND a não ser “desenrascar” o professor de História que está um bocado para o atrasado, ou o de Matemática, ou ajudar a professora de C.N.Isto no que respeita ao Estudo Acompanhado?! No que respeita à Área de Projecto mais umas tantas árvores abaixo por causa dumas tantas cartolinas… Mas isto é sério? E tem alguma coisa a ver com metodologia de projecto!? Naaaa! Na Formação Cí(n)vica dirimem-se conflitos e acalmam-se as hostes… Isto no 2º ciclo porque no 3º…oh la la o caso fia mais fino. E a matéria, os conteúdos, as competências, ou que raio? Ad Calendam!
Julho 21, 2008 at 7:03 pm
Mas então que tal darem o raio das horas aos profes com falta delas?
É que nunca percebi a lógica de eu andar a dar fichas e exercícios de Inglês e Ciências e os docentes dessas disciplinas sem tempo para isso.
Julho 21, 2008 at 7:58 pm
Relatavimente aos profes com falta de horas não há volta a dar. Acabei de saber há coisa de 1 hora que já não terei EFA no próximo pois parece que houve confusão com a legislação do Lemos (é sempre assim, a escola é que não a leu bem). Bom, mas vamos ao que interessa, agora serei obrigada a “desalojar” uma colega de QZP. Pois, é assim que se fazem as coisas. O Valter cada vez vomita mais porcarias, digo, portarias, e os profes é que se …
Já tenho o dia estragado e outra colega estará ainda pior.
Julho 21, 2008 at 8:03 pm
o QUE VAI VALENDO É O PESSOAL QUE JÁ NÃO AGUENTA ISTO E VAI DAR DE FROSQUES! MOI MÊME!!!
Julho 22, 2008 at 12:45 am
expliquem me por favor essa história do qzp, é surreal!
e inventa-se tudo para se não assumir que estas horas não estão lá a fazer nada.
de qualquer modo a lei é preocupante porque tem aspectos preocupantes.
e depois uma série de coisas que ficam por esclarecer, do tipo se se definem os programas no EA, como é que se faz? continuamos a ser de uma área e agora dá-se outra conforme as necessidades, como ficamos?
e tamb+em me quer parecer que se criarão outras grelhas para responder ao sr luis capucha, pois eu sempre gostava de saber para que preceisa destes dados infidáveis e para que servirão os relatórios das DRES…enfim.