Por mero acaso, já que a ARTV está lá para o meu canal 30 e tal e eu dou pouco uso acima do 20, dei com uma espécie de debate hoje na Assembleia da República sobre Educação, com as honras da defesa do Governo a caberem á deputada Manuela de Melo do PS.
Qual não é o meu espanto quando boa parte da sua intervenção se sustenta no facto de hoje, no Público, o SE Lemos aparecer com uma setinha para cima.
A razão, para a seta e para o entusiasmo, parece ser o facto de o dito SE ter assinado um despacho onde manda fazer aquilo que já é, na larga maioria das situações, feito nas escolas com 2º CEB, ou seja, a acumulação das disciplinas de LP/HGP e Ciências/Matemática pelos professores dos respectivos grupos de recrutamento, eventualmente acumulando o estudo Acompanhado e a Formação Cívica, no caso do(a)s Directore(a)s de Turma.
A notícia (sem link para não assinantes), começa assim:
ME quer menos professores por turma no ensino básico
O Ministério da Educação quer reduzir o número de professores por turma no 5.º e 6.º ano, de forma a diminuir o impacto da transição do 1.º ciclo do básico, onde as crianças contactam com apenas um ou dois docentes, para o 2.º ciclo, onde podem ter de lidar com uma dezena.
O busílis da questão é que, mesmo que não necessariamente universal, esta é uma prática tendencial já com bastantes anos e nada existe de particularmente novo. Lembro-me que isto resultou, em grande parte, de recomendações de há uma boa meia dúzia de anos e mesmo antes disso já era algo que acontecia com alguma frequência. Há 2 anos o meu horário era, por exemplo, totalmente ocupado com 2 únicas turmas, leccionando, respectivamente, 11 e 10 horas a cada uma delas. E antes disso e do aparecimento das ACND já era habitual ter apenas 3 turmas, acumulando as horas de LP (5) com as de HGP (3).
Só que agora se quer fazer passar a ideia que é uma novidade, o que não é.
Já por aqui escrevi há uns belos meses que é um absoluto disparate apontar ao 2º CEB a existência de Conselhos de Turma com uma dezena de docentes, mesmo contabilizando o par pedagógico de EVT. A realidade é uma média de 7 docentes por turma, 8 com a Educação Moral e Religiosa.
Só que ao Ministério interessou fazer passar uma ideia diferente para justificar a criação dos «professores generalistas». E transferiu para o 2º CEB práticas do 3ºCEB e Secundário e inventou um drama na transição do 1º CEB que nenhum dados confirmam, nem mesmo as estatísticas do (in)sucesso escolar.
Pena é que o Público atribua a tal setinha para cima por algo que, em boa verdade, nada tem de novo e assim permita à entusiasmada deputada Manuela de Melo embandeirar em arco de forma ridícula e com um pretexto anedótico.
Para a próxima é melhor deixar a setinha, quanto muito, na horizontal, que não há razão para a posição mais erecta.
Julho 17, 2008 at 4:24 pm
Cá está: Lemos, Melos, Público, tudo irmanado, tudo pasquim, tudo pronto para a reciclagem…
Julho 17, 2008 at 4:41 pm
Paulo,
na minha escola há imenso tempo que se procura juntar HGP com LP e Matemática com CN. Os pares de AE são sempre dos grupos 200/210/220 e 230 e em AP um dos professores é de EVT/EM. Mas o ME, sendo muito lá prá frentex resolveu tornar novidade o que já se faz – é assim uma espécie de plágio…
Quanto à dúzia de professores no 2º Ciclo temos de compreender que a Matemática não é o forte da maralha do ME e, por isso, se perguntássemos ao SE quantos professores tem normalmente um conselho de turma ele diria (com um revirar dos olhos pensativamente): “Pr’aí uma dúzia de sete ou oito!”
Julho 17, 2008 at 4:47 pm
Decreto-Lei 666/2009 (a publicar no póximo dia 20 de Julho)
O Governo da República investido do poder que lhe adveio do voto popular e da Bula Manifestis Probatum decreta que, a partir do próximo dia 21 de Julho, a língua portuguesa passa a ser a língua oficial da República. Todos os documentos oficiais deixarão de ser redigidos em latim.
Julho 17, 2008 at 5:11 pm
Cá está Aldou Huxley…fazer do antigo novo atrvés da propaganda…brainwashing total..qualquer dia sai a noticía de que o ministério vai acabar com as ecolas eb23S criando as EBi….ou que as turmas mistas de rapazes e raparigas vão ser a norma geral a partir de agora..
Julho 17, 2008 at 5:26 pm
Infelizmente, e apesar de todas as incongruências que já conseguiram detectar, os OCS continuam a tomar como dito “ex catedra” tudo o que o ME veícula.
Já tiveram provas mais do que suficientes de que os professores têm razão na maioria dos assuntos que “estão na mesa” mas mesmo assim não aprendem. Preferem continuar o trabalho mais fácil – desinformar através das palavras ministeriais, do que optar pelo trabalho que dá trabalho – pesquisar e com conhecimento de causa informar a população de que o ME (e não só…) continua a brincar com o povo deste país
Julho 17, 2008 at 7:25 pm
Paulo diz:
“Pena é que o Público atribua a tal setinha para cima por algo que, em boa verdade, nada tem de novo e assim permita à entusiasmada deputada Manuela de Melo embandeirar em arco de forma ridícula e com um pretexto anedótico.”
Lamento que o jornalismo de investigação esteja a desaparecer nos nossos meios de informação. A ignorância abunda cada vez mais nas redacções dos nossos jornais.
Este é um exemplo de uma nova precipitação do “Público” que alinhou na central de propaganda do governo.
Depois aos poucos vêm fazer mea culpa, desculpando-se com a manipulação do governo, mas na realidade estamos perante mau jornalismo acrítico e que não tem a mínima preocupação de ouvir o contraditório.
Julho 17, 2008 at 7:38 pm
O meu filho mais velho completou este ano o 5º ano de escolaridade. Teve 9 professores diferentes contando o par pedagógico de EVT. Passar de um regime de monodocência no 1º ciclo, embora actualmente menos marcado do que sucedia antigamente por causa das AEC, para um regime com este número de professores parece-me um perfeito disparate. Ainda por cima, como recentemente me fez notar um amigo meu que é professor, a LBSE estipula que no 2º ciclo, o ensino se deve organizar por áreas interdisciplinares de formação básica e desenvolver predominantemente em regime de professor por área.
Quanto às estatísticas do insucesso escolar tenho ideia de que estas são mais elevadas nas transições de ciclo. Não é assim?
Julho 17, 2008 at 8:20 pm
É só imaginar, a partir desta e doutras notícias, a péssima informação que nos deve chegar das mais variadas áreas.
O problema é que só damos por ela em relação àquilo que conhecemos. Para o resto, começa seriamente a ficar a dúvida se será bem assim…
E dá que pensar… Será que se pode confiar nas notícias que nos chegam?
Em relação à setinha, eu acho que é mais a indicar a subida no horóscopo da semana. Pode ser da lua cheia…
Julho 17, 2008 at 8:47 pm
cara Rita,
o insucesso que refere não se verifica do 1º para o segundo ciclos, mas sim do 2º para o terceiro e deste para o secundário.
Julho 17, 2008 at 8:51 pm
As redomas e as “filosofias do coitadinho” nunca contribuiram para o sucesso dos alunos, muito pelo contrário. A diversidade e multiplicidade de “leituras do mundo” sempre enriqueceram e ajudaram a crescer. provavelmente, dever-se-ia pensar em acabar de vez com a monodocência no 1º CEB e não arrastá-la até ao 2º.
Julho 17, 2008 at 8:54 pm
E já agora, repensar a desorgqanização curricular, desculpem, organização curricular do 3º CEB? Não seria necessário? E no sundário, haveria necessidade de sobrecarregar os garotos com Área de Projecto???
Julho 17, 2008 at 9:49 pm
Este bocadinho é lindo, a estética legislativa associada ao poder do verbo:
“Assim, tendo presente o disposto nos artigos 7º e 8º da Lei nº 46/86, de 14 de Outubro, com as alterações introduzidas pela Lei nº 115/97, de 19 de Setembro e pela Lei nº 49/2005, de 30 de Agosto e, bem assim, o que se encontra contemplado em matéria de organização e gestão do currículo nacional no Decreto-Lei nº 6/2001, de 18 de Janeiro, com a redacção introduzida pelo Decreto-Lei nº 209/2002, de 17 de Outubro, determino o seguinte:”
Julho 17, 2008 at 9:52 pm
arghhhh..burps..bah…pfff..
Julho 18, 2008 at 12:45 am
Naturalmente que já se fazia essa concentração mas agora caiu-se no absurdo. Professores que nunca ou há muitos anos não lecionam português (sobretudo alguns colegas de história)e não gostam nem se sentem preparados para o fazer, têm agora nos seus horários a disciplina. E como prática já antiga, continua a reforçar-se a contratação de professores de história e de inglês. Os das linguísticas e literaturas românicas ficam fora. Não tarda adotaremos aquele euroinglês que o Paulo divulgou.
Mas não é tudo faz de conta?
Julho 18, 2008 at 12:51 am
“Os das linguísticas e literaturas românicas ficam fora.”
Os únicos formados de raiz para ensinar Português, terão cada vez menos horas. Uma solução seria fundir o grupo 210(Português/Françês) com o 200, possibilitando aos professores com formação em Língua Portuguesa/Língua Francesa leccionar História e Geografia de Portugal.
Julho 18, 2008 at 1:44 am
O Paulo tem razão. Embora não “plasmado” na forma legislada, sobretudo após a “reforma curricular”, todas as instruções dadas ás escolas foram no sentido de reduzir, se possível, o número de professores por conselho de turma do 2º ciclo. É prática comum. Mas como o trio maravilha levou para dentro do M.E. tipos que nada sabem do sector da Educação (e nem estão interessados em saber), mal ouvem uma cena qualquer da boca dum “adesivo” que quer ficar nas boas graças do regime, aconselham (logo) o trio maravilha a “plasmar” para “burro comer palha”.
A bimba “Melo”, com 30 ou mais professores “deputedos” na sua “banqueda”, devia ter-lhes perguntado primeiro. Os modernaços adoram circo, o “circo das setas” – verticais e horizontais – etcccc.
Julho 18, 2008 at 2:26 am
(15) Aí está uma boa ideia, DA, mas penso que não colherá muitos apoiantes.
É a concorrência de crise.
Julho 18, 2008 at 9:41 am
Outra p(l)asmação do rapaz dos caracóis…
A DREL É NOTÍCIA. SERÁ DIFÍCIL ADIVINHAR PORQUÊ?
DREL quer retirar menina da unidade de ensino especial que frequenta no Vale de Santarém
Criança deficiente mental sem qualquer autonomia mandada para o ensino regular
Família revoltada com decisão que considera absurda e resultante de algum equívoco.
http://www.mobilizacaoeunidadedosprofessores.blogspot.com/
Julho 18, 2008 at 3:02 pm
Da 15/:
“Francês” com cedilha?!!
É alguma nova do Acordo Ortográfico?
Tenham dó…
Julho 18, 2008 at 11:44 pm
Cá temos um caçador de erros ortográficos!
E se se dedicasse às ideias?