Existem vários outros aspectos interessantes acerca do estudo de João Freire para o Ministério da Educação para a reorganização da carreira docente, mas como esta série de posts até já vai longa, vou parar, por agora, com a referência à bibliografia do estudo, que ocupa as páginas 107 a 111.

Cinco páginas, eu sei, parece suficiente fundamentação, pelo menos em quantidade.

O problema é que quatro dessa páginas são ocupadas com a enumeração da legislação consultada e consultável (108-111), enquanto a primeira delas (de que se apresenta imagem) contém menos de 20 referências, mais de metade delas sendo relatórios oficiais do ME, bases de dados ou publicações estatísticas da OCDE, uma revista sindical e 4 (!!!) obras ensaísticas vagamente relacionadas com o tema.

A pobreza, em quantidade e qualidade, é confrangedora a este nível. Não se encontra qualquer estudo comparativo com as carreiras em outros países, obras actuais de enquadramento teórico sobre o assunto (uma delas é dos anos 60 e a outra tem edição original do início da década seguinte) ou qualquer tipo de análise da realidade específica de outros países.

A falta de tempo para o estudo não pode justificar tudo isto, quando existem bibliotecas universitárias com óptimos espólios, assim como a Amazon nos coloca em poucos dias quase tudo o que queremos em casa ou é possível aceder a centenas e milhares de artigos de revistas especializadas online.

O que significa que este foi um trabalho feito com escassa fundamentação teórica ou comparativa, não passando de um instrumento ao serviço de uma política pré-definida que deveria validar.

Mas disso ninguém já duvidava, pois não?