Existem vários outros aspectos interessantes acerca do estudo de João Freire para o Ministério da Educação para a reorganização da carreira docente, mas como esta série de posts até já vai longa, vou parar, por agora, com a referência à bibliografia do estudo, que ocupa as páginas 107 a 111.
Cinco páginas, eu sei, parece suficiente fundamentação, pelo menos em quantidade.
O problema é que quatro dessa páginas são ocupadas com a enumeração da legislação consultada e consultável (108-111), enquanto a primeira delas (de que se apresenta imagem) contém menos de 20 referências, mais de metade delas sendo relatórios oficiais do ME, bases de dados ou publicações estatísticas da OCDE, uma revista sindical e 4 (!!!) obras ensaísticas vagamente relacionadas com o tema.
A pobreza, em quantidade e qualidade, é confrangedora a este nível. Não se encontra qualquer estudo comparativo com as carreiras em outros países, obras actuais de enquadramento teórico sobre o assunto (uma delas é dos anos 60 e a outra tem edição original do início da década seguinte) ou qualquer tipo de análise da realidade específica de outros países.
A falta de tempo para o estudo não pode justificar tudo isto, quando existem bibliotecas universitárias com óptimos espólios, assim como a Amazon nos coloca em poucos dias quase tudo o que queremos em casa ou é possível aceder a centenas e milhares de artigos de revistas especializadas online.
O que significa que este foi um trabalho feito com escassa fundamentação teórica ou comparativa, não passando de um instrumento ao serviço de uma política pré-definida que deveria validar.
Mas disso ninguém já duvidava, pois não?
Julho 9, 2008 at 9:35 am
Interessante, sem dúvida. Especialmente a Lista de Antiguidades dos Oficiais do Exército. Foi daqui a inspiração para a famosa frase “nem todos podem chegar a generais…”???. Pois eu acrescento (a pensar nas iluminárias que fazem estudos destes e nos desgovernam): Tanto general que não devia ter passado de soldado raso – sem desprimor para os soldados.
Julho 9, 2008 at 11:12 am
Estas criaturas que executam “estudos” por encomenda oficial não são investigadores e muito menos intelectuais académicos livres e responsáveis, mas quanto muito burocratas ao serviço da Nomenklatura europeia.
Os seus horizontes académicos confundem-se com as organizações transnacionais do FMI, Banco Mundial e OCDE, os seus interesses confinam-se à carreira e ao clientelismo tutelado pelo poder.
Sabem ler, escrever, manipular estatísticas, fazer cópias, executar recados e pouco mais.
São os bastardos da Nação.
Julho 9, 2008 at 3:03 pm
Esta Arqueologia do Estatuto da Carreira Docente é o que acontece com outros estudos encomendados pelo Governo a algumas Universidades Portuguesas, onde, infelizmente existem alguns professores/investigadores que se “vendem”, desprestigiando-se a si próprios e às universidades onde exercem funções, a troco de alguns “tostões” ou promoções políticas.
É total falta de escrúpulos e decência que começa a fazer escola na nossa democracia.
Veja-se como exemplo os pareceres jurídicos e os estudos económicos de algumas instituições, que salvo, honrosas excepções, fornecem pareceres a fim legitimar opções políticas
Quando a elite dá maus exemplos, depois queixem-se que o “povão” é mal comportado.
Julho 9, 2008 at 3:28 pm
[...] A Arqueologia Do Estatuto Da Carreira Docente – 7 Paulo Guinote, A Educação do meu Umbigo [...]
Julho 9, 2008 at 5:25 pm
Sinto-me insultada, por este indivíduo, na minha inteligência e na minha dignidade profissional.
Julho 9, 2008 at 5:47 pm
Quem é que disse uma vez que “se a universidade portuguesa desaparecesse, a Europa culta não daria por nada”?
E Agustina pôs na boca de um personagem (em Fanny Owen?) que ia a passar perto de Coimbra: “Se fosse tonto aspiraria a ser lente da Universidade”. Ah grande AGUSTINA!!!
Julho 9, 2008 at 7:02 pm
Um amigo meu, professor do ensino superior, segredou-me há algum tempo que o que mais abominava no E.S. era ter que realizar provas de “doutoramento”, e tentava por todos os meios não o realizar. Tinha receio de “ficar idiota” como os “outros”.
Felizmente, parece, que há casos de excepção.
A Maria Filomena Mónica, decerto, vai ficar “estarrecida” quando alguém lhe fizer chegar “esta obra-primata sobre reestruturação da carreira doente” ás mãos.
Já agora. Alguém se oferece para…?
Julho 9, 2008 at 7:33 pm
QUEIXA: CONCURSO PARA TITULAR FOI ILEGAL
Um frémito indómito de alucinação fez com que a ministra da Educação encomendasse um estudo (secreto, até há pouco) feito à pressa para alterar (para pior) o rumo da Educação em Portugal.
Feito o estudo, começaram as afrontas que culminaram com a cisão da classe docente a partir do Concurso para Professor Titular, baseado em critérios aleatórios, aberrantes e injustos.
Tudo foi ilegal. Constou que, inclusive, os directores regionais foram, nesta questão, verdadeiramente apanhados de surpresa.
Sobre este assunto, apresentamos, no nosso blog QUEIXAS DE PROFESSORES, uma queixa, devidamente documentada, que nos foi enviada por uma colega.
http://www.mobilizacaoeunidadedosprofessores.blogspot.com/
Julho 9, 2008 at 9:49 pm
http://www.professoresramiromarques.blogspot.com/2008/06/estudo-sobre-reorganizao-da-carreira.html
Julho 10, 2008 at 12:31 am
Estes ditos estudos conferem um ar “credível” às decisões, mas destinam-se, isso sim, a reforçar a estratégia de manipulação nº 7: «Manter o público na ignorância e no disparate»
Julho 10, 2008 at 2:26 am
“Síntese Problemática da situação presente
- Diagnóstico
À partida, pareceu que a situação actual de organização e funcionamento da carreira docente podia ser descrita sinteticamente da forma seguinte:
- Fraco rendimento do sistema, medido pela isuficiente qualidade dos “formados”.(…)”
(J. Freire)
wwww.educar.files.wordpress.com/2008/06/freire12.jpg
(P. Guinote)
Logo,
- Grande rendimento do sistema, medido pela suficiente qualidade dos “formados”
Confirmam que o “problema” estava, de facto, na “organização e funcionamento da carreira docente”
Moral da hitória: “Quanto mais me bates mais eu gosto de ti”
Conclusão: O estudo freiriano, de reestruturação da carreira dos professores dos Ensino Básico e Secundário, deu bons resultados práticos.
O povo português já começou a perceber, que os resultados para os “formados”, vão ser a curto/médio/longo prazo óptimos, como prescrito por Freire! E também já começou a desconfiar muito dos métodos “infalíveis” de comprovação do “modelo”.
Em face dos bons resultados do modelo, aconselha-se a sua imediata aplicação a todo o Ensino, com efeitos retroactivos ao genial percursor do modelo, o próprio Freire.
Julho 10, 2008 at 12:57 pm
O REI E A RAINHA VÃO NUS
Desde que foi desmascarado, o Estudo sobre a Reorganização da Carreira Docente do Ministério da Educação, coordenado por João Freire, tem vindo a ser objecto de algumas reflexões e comentários nos blogs de educação.
. Solicita-se uma ampla divulgação deste estudo e das reflexões sobre ele, para que todos os professores (e todos os cidadãos em geral) possam, definitivamente, perceber as trampolinices dos nossos responsáveis ministeriais e afins que, através do seu enfezamento, vão tornando o País mais mesquinho e vil.
. Parte deste estudo pode consultá-lo neste blog em ESTUDO QUASE SECRETO.
. Reflexões e comentários
Paulo Guinote:
. Margarita e o Mestre
. A Arqueologia do Estatuto da Carreira Docente
. A Arqueologia do Estatuto da Carreira Docente-2
. A Arqueologia do Estatuto da Carreira Docente-3
. A Arqueologia do Estatuto da Carreira Docente-4
. A Arqueologia do Estatuto da Carreira Docente-5
. A Arqueologia do Estatuto da Carreira Docente-6
. A Arqueologia do Estatuto da Carreira Docente-7
In,
http://www.mobilizacaoeunidadedosprofessores.blogspot.com/2008/07/rei-e-rainha-vo-nus.html