Educação: mais alterações no concurso de professores

O ministério da Educação (ME) anunciou que os candidatos no próximo concurso de professores vão integrar os quadros dos Agrupamentos em que forem colocados, uma medida que pretende estabilizar os docentes na mesma escola, informa a agência Lusa.
E conferência de imprensa, o secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, realçou que o diploma que estabelece as regras do próximo concurso de professores, que fixa os docentes à mesma escola durante quatro anos, a partir do próximo mês de Janeiro, «prevê a possibilidade de os professores dos Quadros de Zona Pedagógica (QZP) integrarem os quadros de agrupamentos onde estão colocados».
Valter Lemos destacou que «a tendência é para o desaparecimento dos quadros zona e vincular os professores às escolas onde estão colocados».Actualmente são cerca de 33 mil os professores que estão nos Quadros de Zona Pedagógica.
«Os QZP manter-se-ão para aqueles professores que não obtenham logo colocação, até à sua integração completa nos agrupamentos», disse, salientando que «enquanto não obtiverem lugar manterão os direitos que tinham no QZP».
O governante adiantou que a expectativa do ministério «é que mais de 2/3 ou ¿ dos professores venham a obter lugar nos quadros de agrupamento» já nesta fase.
«Pela primeira vez os lugares que vão a concurso correspondem com rigor com àquelas que são as vagas de horários efectivos no agrupamentos escolares», encerrando «tanto quanto possível o ciclo de contratados adicionais pelas escolas», salientou.

Ora coloquemos lá um par de dúvidas:

  • Se ainda está em decurso o concurso para o ano lectivo de 2008/09, qual a pressa em anunciar as regras do concurso de 2009/10? Porque será que, em cima de um concurso a decorrer e em que muitos professores de QZP andam por estes dias a saber se têm horário nas escolas onde deveriam estar por 3 anos, se anuncia a estabilidade para 2009/10, o ano mágico?
  • Se os docentes de QZP ficarão vinculados por quatro anos a um agrupamento em vez dos três anos actuais, esse é um ganho mínimo, já que em termos práticos o vínculo é o mesmo, apenas ficando mais vulneráveis alguns aspectos das condições de trabalho, visto que docentes de uma Escola 2/3 passam a contar como recursos para as restantes escolas do agrupamento. O que, cruzando isto com o novo modelo de gestão e a intromissão das autarquias, pode acabar em situações bem estranhas. Assim como o corpo docente do 1º ciclo pode, em vez de maior estabilidade, ganhar o contrário, podendo ser rearrumado pelas escolas dos agrupamentos, sem respeito pelo lugar de origem.