A propósito da notícia “Proposta foi feita à Comissão da Liberdade Religiosa pelo patriarca de Lisboa e pela maçonaria” onde se lê:
“Apesar de Portugal ser um país de maioria católica, há uma enorme ignorância dos portugueses em relação às questões religiosas, incluindo da própria religião católica”, afirmou recentemente Mário Soares, antigo Presidente da República e actual presidente da Comissão de Liberdade Religiosa, para sustentar a necessidade da introdução de uma disciplina de História das Religiões no nosso ensino oficial.
Cabe perguntar: Portugal será realmente um país de maioria católica? Haverá mesmo necessidade de uma tal disciplina?
José Policarpo, cardeal patriarca de Lisboa, e António Reis, grão-mestre da Maçonaria portuguesa, vieram, por sua vez, corroborar a mesma tese. Não é de estranhar que o cardeal o faça, mas será que António Reis pode falar como falou em nome de todos os mações portugueses?
Partindo do princípio de que existe em Portugal uma grande ignorância em relação às questões religiosas, em meu entender será de questionar se esse facto é, na verdade, um facto negativo? E, se assim for, será ainda de perguntar qual o grau de importância que isso terá, comparado com a enorme ignorância que existe, em Portugal, em muitas outras matérias, designadamente no campo da História?
Saberão, por acaso aqueles importantes Senhores, que no 3º Ciclo do Ensino Básico a disciplina de História, apesar de reduzida a uns escassos 90 minutos semanais, já terá necessariamente de abordar o essencial da dimensão histórica da questão religiosa?
Independentemente dessas perguntas, choca-me a leviandade e consequente a falta de respeito com que a Escola Pública está a ser, uma vez mais, tratada e constato aqui que foi o acumular de muitas leviandades deste género que fez com que, na nossa Escola Pública, se chegasse ao estado em que as coisas estão hoje.
De acordo com os jornais, o Ministério considera a ideia interessante. Espero bem que a proposta em causa não se venha a concretizar mas, se tal vier a acontecer, fica o aviso: quando se tornar patente o disparate de mais esta inovação, não voltem novamente a lançar culpas sobre os professores.
Isabel Guerreiro
Julho 4, 2008 at 4:03 pm
e os professores de moral, nomeados pela igreja, que foram reconvertidos à pressão em professores de educação cívica quando há milhares de licenciados em filosofia no desemprego?
http://criticademusica.blogspot.com/
Julho 4, 2008 at 5:16 pm
E a seguir, porque não também uma disciplina da História da Maçonaria? Ou será que vão considerar a maçomaria como uma religião? Mas que promiscuidades são estas? Estou enojado.
Julho 4, 2008 at 5:21 pm
E se alguma figura proeminente da arquitectura ou das artes plásticas também vier reivindicar a pouca importância dada à
História da Arte? E, já agora, se algum “chef de cuisine” credenciado salientar publicamente a importância da História da Gastronomia?
Nesse caso, o melhor será acabar de vez com os cursos de Teologia, Belas-Artes, Culinária, etc., e reduzir drasticamente a carga horária de disciplinas já tão mal-tratadas.
Julho 4, 2008 at 5:44 pm
Sobre esta questão, que é uma questão interessante, há que meditar no seguinte:
1. Como é produzido o currículo nacional? Ele resultada, mais ou menos, de pulsões ad-hoc, as leviandades referidas no texto. Não é a introdução da história das religiões que é problemática e leviana. É toda a estrutura curricular.
2. Isto mostra a inexistência de um pensamento curricular institucional. O Estado tem o dever, em nome da comunidade, de determinar o que é essencial transmitir nas escolas às novas gerações, mas não possui nenhum instituto que produza um saber sistemático e cumulativo sobre o assunto.
3. Este procedimento conduz às aberrações que se encontram no currículo do ensino básico, por exemplo. Um caso extraordinário é o Estudo Acompanhado. Não seria mais interessante reservar dentro de cada disciplina um certo número de horas para os professores gerirem as práticas de estudo dos alunos na sua disciplina? Estudar História não é a mesma coisa do que estudar Matemática ou Física.
4. De facto, não é tanto a história das religiões que faz falta, mas o conhecimento efectivo do impacto das religiões na cultura que molda a sociedade em que se vive. Por exemplo e de forma provocatória, o comunismo é incompreensível sem uma percepção dos valores que o cristianismo trouxe. Outro exemplo: a compreensão do homem e do indivíduo, para nós ocidentais, terá de considerar muito do que S. Paulo escreveu nas epístolas. Isto para não falar já na célebre tese de Weber sobre a relação do protestantismo com o espírito do capitalismo. Há uma clara lacuna na formação das novas gerações ligada ao impacto do religioso nas concepções pessoais e sociais, mesmo de agnósticos e ateus.
5. Esta lacuna é,de facto, negativa. Deixa na obscuridade um conjunto de valores práticos, mas também cognitivos e até estéticos que condicionam a nossa existência, mas que são mantidos numa certa obscuridade, como se tivéssemos vergonha da cultura que nos fez ser aquilo que somos, para o bem e para o mal.
6. Há uma coisa que não gosto no texto e que é a seguinte expressão: «Saberão, por acaso aqueles importantes Senhores…». Aqueles senhores têm não só o direito como o dever de exprimir as suas opiniões, aliás como os que não são importantes, sobre o currículo. Não são especialistas nem de organização curricular nem de ensino. Mas o currículo deve ser preocupação de toda a sociedade, pois são os melhores valores desta que deverão ser transmitidos às novas gerações. Nós, professores, nunca o devemos esquecer. O problema não está nas opiniões dos «senhores importantes», mas ao nível político na demissão perante a necessidade de um pensamento sistemático e institucional sobre o currículo. Aliás, uma coisa que nunca passou pela cabeça dos nossos estimado e foto-engalarados ministros da educação.
Julho 4, 2008 at 5:49 pm
neste blogue andam a fumar-se coisas estranhas; então os comentadores de pacotilha, nem se fala!
Julho 4, 2008 at 6:00 pm
Diz bem JCM mas suponho que, para além do assunto fazer parte da História, também noutras disciplinas, caso do Português, é abordado sempre que há referências nos textos trabalhados ou em resposta a dúvidas dos alunos que não entenderam esta ou aquela notícia.
Julho 4, 2008 at 6:41 pm
Sou católico, mas acho um disparate. Qualquer problema que surja (sinistralidade rodoviária, obesidade, alcoolismo, toxicodependência, anorexia, etc., etc., etc.) leva a que um iluminado se lembre: a Escola tem de abordar este problema e blá, blá, blá… Por outro lado, donde vão sair horas para a História Não-Sei-De-Quê? Talvez acabando com o Inglês, ou a História… E para quê a Geografia? E a Filosofia? Ou então, imitando o que o ME fez com os profs., aumentar a carga horária dos alunos. As escolas abrem às oito da manhã e fecham às oito da noite. Prontos!!!
Julho 4, 2008 at 6:43 pm
Como diz o Miguel Pinto:
- Ambrósio, apetece-me algo.
- Uma nova disciplina, senhora?
http://olhardomiguel.blogspot.com/2008/06/disciplinas-la-carte.html
Julho 4, 2008 at 7:27 pm
Já se quis inventar uma disciplina para ensinar aos meninos para que serve o pirilau e às meninas para que serve o bibi; já se quis inventar uma disciplina para ensinar o código da estrada; já se quis inventar uma disciplina para ensinar desenvolvimento pessoal e social; já se inventaram áreas curriculares não disciplinares para ensinar formação cívica, estudo acompanhado e projecto que parecem a contragosto de muitos; já existiu uma área-escola que ia ser um must, mas em pouco tempo foi deixada cair; já se… Agora, mais uma vez, não se fala de uma área temática, mas de uma disciplina. Realmente é essa a DISCIPLINA que faltava!
Mas, à cautela, é melhor fazer um concurso de ideias ou uma espécie de brainstorming!
Julho 4, 2008 at 7:32 pm
Bom, o meio ambiente também anda um pouco descurado e por isso vamos já integrar uma disciplina de ecologia (não digam que não é importante). E já agora uma disciplina de SMS (que pode ir desde Introdução ao SMS até SMS Avançado). Os alunos já têm uma resma de disciplinas? Não faz mal, ficam com uma resma e mais um coche.
Já o disse aqui uma vez: os crânios cá do burgo têm, definitivamente, de deixar de mandar umas postas de pescada sobre a educação. Vamos lá sentarmo-nos todos e decidir um currículo nacional coerente e não acrescentar mais um retalho à manta que já existe. Não é que eu acredite que este ME e os políticos que aí andam fossem capazes sequer de pensar na utilidade de tal coisa, mas podemos sempre sonhar (além de que o Pai Natal pode sempre dar uma ajudinha, né – afinal até vem lá da Finlândia… ).
Julho 4, 2008 at 7:42 pm
Há uma distinção muito elementar que, apesar de elementar, não é feita nunca em Portugal, o que reflecte desde logo que nestas coisas ainda vivemos em cima das árvores: essa distinção é entre ética e religião. Por terras lusas, patuscamente ainda pensamos que a ética é uma espécie de departamento da religião católica o que nos fica muito mal. E não deixo de ficar impressionado do poder que os padres tem em matéria de ensino e nas escolas, apesar de hoje em dia se falar da escola multicultural. A ética e moral são matérias que não constituem património das religiões, mas, como nos mostraram os filósofos gregos e o mostram os filósofos contemporâneos (inclusivé os filósofos católicos) a moral e a ética são categorias racionais, pelo que à razão e à verdade pertencem. O predominio da religião em matéria moral nota-se no peso que a religião tem quando se argumentam questões da ética aplicada como aborto. Curiosamente a religião no nosso país também é facilmente confundida com ignorância e é pena para os crentes. Não para mim que sou ateu.
abraços
Julho 4, 2008 at 7:48 pm
O fulcro da questão não está em novas ou velhas disciplinas. Está em não haver ciência por cada regime político valorizar mais o contexto do que a infraestrutura, especialmente quando pretende eliminar esta. Acabará por parir um verme.
Julho 4, 2008 at 7:51 pm
«A ética e moral são matérias que não constituem património das religiões, mas, como nos mostraram os filósofos gregos e o mostram os filósofos contemporâneos (inclusivé os filósofos católicos) a moral e a ética são categorias racionais, pelo que à razão e à verdade pertencem».
Há quem pense que as éticas dos filósofos gregos, nomeadamente de Platão Aristóteles, são racionalizações de preceitos decorrentes das religiões, nomeadamente dos mistérios. As coisas não são assim tão simples. Por outro lado, as concepções morais veiculadas pelas religiões sempre tiveram um impacto bastante mais acentuado na sociedade do que as concepções morais de proveniência estritamente filosófica.
Julho 4, 2008 at 8:01 pm
Caro JCM,
A filosofia, tanto de Platão como de Aristóteles, ainda que tenham elementos religiosos, é sempre uma forma de combater mitos e não de fazer a sua apologia. Repare na definição tradicional de Platão para conhecimento_:conhecimento é Crença Verdadeira Justificada. É claro que os deuses são crença, mas não sabemos se verdadeira e muito menos justificada, pelo que não constituem conhecimento. Compreendo aquilo que diz: é precisamente pelo espanto que se procuram explicações, como as religiosas. Mas é pela insatisfação das explicações religiosas que a filosofia nasce e se desenvolve enquanto capacidade crítica de argumentação e contra argumentação racional. De um ponto de vista popular também tem razão ao afirmar que as religiões tem tido mais impacto. Do ponto de vista da ciência, do saber e do conhecimento essa afirmação é falsa.Bem e resta saber que o impaco do conhecimento é sempre maior em termos de progresso que o impacto da crença religiosa que, em muitas circunstâncias, mais que as desejáveis, foi obstáculo ao progresso do conhecimento. Qualquer período da história com um pouco de abertura política e religiosa fez a ciência avançar de um modo impressionante.
Julho 4, 2008 at 8:09 pm
Hum!, agora argumenta-se filosofia, que sempre foi a coisa da qual e pela qual o Homem tem ficado tal e qual. Ainda, é claro, não definiram coisa, quanto mais…
Julho 4, 2008 at 8:13 pm
A Lurdinha está na RTP1 no telejornal a dar tanga: incrível!
Julho 4, 2008 at 8:14 pm
“Trouxemos as explicações para dentro da escola”
Incrível!
Julho 4, 2008 at 8:15 pm
Mudei para a TVI – já não há paciência…
Julho 4, 2008 at 8:18 pm
Hum!, o “GAVE é uma entidade independente”. Substituem-se assim as anedotas do samora machel.
Julho 4, 2008 at 8:19 pm
A “coisa” daqui a bocado vai ameaçar que se vai embora.
Julho 4, 2008 at 8:22 pm
já há resultados de exames? públicos? onde?
Julho 4, 2008 at 8:22 pm
Surpresa no Correio da Manhã.
Há menos negativas a matemática no 12º ano:)
Julho 4, 2008 at 8:23 pm
Faz que diz que fica, está orgulhosa com o espelho.
Julho 4, 2008 at 8:25 pm
Estão a ver no que dá…. a ministra conseguiu estragar uma conversa agradável e construtiva.
abraço
Julho 4, 2008 at 8:26 pm
Quase 4 valores a mais a MATEMÁTICA…é obra…deve-se ao trabalho dos Professores e aos exercícios do GAVE..MUUUUUUUUITOS! A Sociedade Portuguesa de Matemática não sabe nada…
Isto vai dar que falar…
Julho 4, 2008 at 8:27 pm
«Bem e resta saber que o impaco do conhecimento é sempre maior em termos de progresso que o impacto da crença religiosa que, em muitas circunstâncias, mais que as desejáveis, foi obstáculo ao progresso do conhecimento.»
O progresso refere-se àquelas bombas muito científicas que desabaram na cabeça dos japoneses, em Hiroshima e Nagasáqui?
Não conhece os contra-exemplos à ideia de conhecimento como creança verdadeira justificada?
Sobre o combate aos mitos em Platão e Aristóteles: Quantos mitos inventou Platão para auxiliar a sua argumentação? E do que trata a Metafísica de Aristóteles? Não será, também, de teologia?
Nada tenho contra a ciência nem a favor da religião, mas falecem-me as certezas sobre a bondade de uma ou a maldade de outra e vice-versa.
Julho 4, 2008 at 8:28 pm
Na minha escola houve 4 VINTES! em 50 alunos que fizeram exame..até hoje nunca tinha havido nenhum…
Julho 4, 2008 at 8:29 pm
Os resultados de Matemática A e B são de ir as lágrimas. Milagre, milagre. Parece que estão já a organizar excursões para ir a Fátima agradecer os resultados e almoçar na Tia Alice.
Julho 4, 2008 at 8:39 pm
Aqui estão resultados dos exames:
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1334510&idCanal=58
e aqui o meu comentários aos exames de matemática:
http://averomundo-jcm.blogspot.com/2008/07/exames-de-matemtica.html
Atenção professores de Português: para o ano vai haver plano do Português (ih! ih! ih!)
Julho 4, 2008 at 8:40 pm
Caro JCM,
os contra exemplos à CVJ de Gettier não anularam a tese entral do teeteto. Só revelaram que a CVJ ainda não é condição necessária e suficiente para que exista conhecimento. A tese ainda mais consensual é a de Platão, da CVJ.
Em relação ao uso que podemos fazer da ciência: imagine lá uma situação;sou cientista e descubro a cura para o cancro e consigo tirar milhares de pessoas do sofrimento. Mas o JCM pega na minha investigação e, a partir dela faz uma bomba. O mal não está na ciência e na minha descoberta, mas no que o JCM fez com ela. É inegável que existem coisas más na ciência, como nas religiões. E existem coisas boas na ciência e nas religiões, sem dúvida, se é aí que quer chegar. E ainda bem que alertou para o problema, pois um mau uso da ciência é tão mau como um mau uso da religião. De acordo. Daí não se segue, com efeito, que as religiões possibilitem a mesma liberdade que a ciência. Mas de acordo que isto é outra discussão e de acordo que é algo complexo.
obrigado pelos seus comentários
Julho 4, 2008 at 8:42 pm
Já agora JCM, fui ao seu blog e inscrevi-o nos meus feeds. Gostei do seu trabalho. Abraço
Julho 4, 2008 at 8:51 pm
Rolando Almeida,
Não partilho da sua ideia sobre a relação entre ciência e liberdade. Os campos de concentração nazi eram bastante científicos na produção da morte e na gestãodo encarceramento. A destruição da liberdade de ensinar está ser feita em Portugal de uma forma muito científica.
Historicamente não foi a ciência que possibilitou a liberdade, foi a religião cristã, nomeadamente a partir da teoria do livre-arbítrio de Agostinho de Hipona. A ciência é um produto da liberdade humana.
Agradeço as suas palavras sobre o blogue. Julgo, porém, que os feeds têm uma avaria que eu não sei consertar.
Abraço
Julho 4, 2008 at 9:22 pm
Esta estória do ambrozio no seu melhor.
ambrózio, gostas…
Julho 4, 2008 at 9:26 pm
Ateu, graças a deus (dizia a Zélia Gattai?)
A pressão da Icar, pessoalmente não me incomoda.Piores são os «progresistas» do Rato ( 0u rôto) que sempre se bateram pela democracia sem pão…
Julho 4, 2008 at 9:56 pm
Hum!!! Eu, como mulher, tenho muito a agradecer à religião cristã..e às outras também. Estou mesmo em crer que lhes devo muito. Têm sido excelente exemplo no reconhecimento da igualdade de géneros…de democracia…de tolerância e respeito pelas diferenças…Estou quase a (re)converter-me.
História das Religiões na escola? Já existe. Querem mais? Reforcem o currículo da disciplina de História. Mais disciplinas? Não!
Julho 4, 2008 at 10:07 pm
Reforcem o currículo da disciplina de História
Mas isso depois podia ser perigoso. O melhor mesmo é a malta ter muitas disciplinas e coisas não disciplinares e outras coisas e tal em que é suposto falar-se de umas coizecas mas sem grande importância porque o verdadeiramente importante é a malta estar na Escola (ou não) uma data de horas.
Julho 4, 2008 at 10:19 pm
Aliás esta disciplina é muito, muito perigosa. Demasiado aberta… sempre se podem fazer uns debates, aconselhar umas leituras, ver uns filmes…hum!!!não sei se não será melhor acabar com ela.
Julho 4, 2008 at 10:54 pm
Desta vez tenho que concordar, esta é das poucas coisas neste pais de bosta em que a ignorância traz a bênção divina. Eu não quero fanatismo religiosos como nos estados unidos, já não basta a cena dos pobres querem tb vencer no fanatismos ficando em primeiro lugar em tudo que é negativo? Esta gente esta é doida para alem de ser inconstitucional.
Artigo 43.º
2. O Estado não pode programar a educação e a cultura segundo quaisquer directrizes filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas.
Vão mas é para o cu de judas e não metam a pata no que ainda funciona.
Julho 5, 2008 at 12:02 am
Infelizmente, quer o texto de Isabel Guerreiro quer a generalidade dos comentários seriam motivo suficiente para justificar a proposta…
Dificilmente se encontra uma sociedade como a nossa onde conhecimento sobre o religioso se confunde com profissão/confissão religiosa ou onde impere tanta ignorância sobre questões, textos, metáforas, símbolos religiosos.
Não, não é só no PIB, nas provas de matemática, de ciências e de língua materna que seguramos a lanterna vermelha.
Julho 5, 2008 at 12:13 am
Caro JCM
os campos de conentração nada tem a ver com o que fala. aliás o que diz é intrujice idiológia.
Julho 5, 2008 at 7:50 pm
Caro Rolando Almeida,
É claro que os campos de concentração têm relação com o que falo. Todo o nazismo tem. O nazismo é incompreensível sem a crença no cientismo. Os campos de concentração visavam um extermínio racionalizado e científico dos judeus. Dei o exemplo para refutar a ideia contida nesta sua proposição: «Daí não se segue, com efeito, que as religiões possibilitem a mesma liberdade que a ciência».
Não é a ciência que possibilita a liberdade, mas esta que possibilita a ciência e os seus usos. Não por acaso falei do livre-arbítrio e de S. Agostinho. Ora o pensamento de Agostinho não é mais do que a meditação filosófica da liberdade trazida pelo cristianismo. Não pertenço à Igreja e os meus comentários são feitos apenas por fidelidade à verdade histórica.