A propósito da notícia “Proposta foi feita à Comissão da Liberdade Religiosa pelo patriarca de Lisboa e pela maçonaria” onde se lê:
“Apesar de Portugal ser um país de maioria católica, há uma enorme ignorância dos portugueses em relação às questões religiosas, incluindo da própria religião católica”, afirmou recentemente Mário Soares, antigo Presidente da República e actual presidente da Comissão de Liberdade Religiosa, para sustentar a necessidade da introdução de uma disciplina de História das Religiões no nosso ensino oficial.

Cabe perguntar: Portugal será realmente um país de maioria católica? Haverá mesmo necessidade de uma tal disciplina?

José Policarpo, cardeal patriarca de Lisboa, e António Reis, grão-mestre da Maçonaria portuguesa, vieram, por sua vez, corroborar a mesma tese. Não é de estranhar que o cardeal o faça, mas será que António Reis pode falar como falou em nome de todos os mações portugueses?

Partindo do princípio de que existe em Portugal uma grande ignorância em relação às questões religiosas, em meu entender será de questionar se esse facto é, na verdade, um facto negativo? E, se assim for, será ainda de perguntar qual o grau de importância que isso terá, comparado com a enorme ignorância que existe, em Portugal, em muitas outras matérias, designadamente no campo da História?

Saberão, por acaso aqueles importantes Senhores, que no 3º Ciclo do Ensino Básico a disciplina de História, apesar de reduzida a uns escassos 90 minutos semanais, já terá necessariamente de abordar o essencial da dimensão histórica da questão religiosa?

Independentemente dessas perguntas, choca-me a leviandade e consequente a falta de respeito com que a Escola Pública está a ser, uma vez mais, tratada e constato aqui que foi o acumular de muitas leviandades deste género que fez com que, na nossa Escola Pública, se chegasse ao estado em que as coisas estão hoje.

De acordo com os jornais, o Ministério considera a ideia interessante. Espero bem que a proposta em causa não se venha a concretizar mas, se tal vier a acontecer, fica o aviso: quando se tornar patente o disparate de mais esta inovação, não voltem novamente a lançar culpas sobre os professores.

Isabel Guerreiro