Julho 2008


Street Kids, Propaganda (adequado ao momento, desde que esqueçamos o som de batatas fritas no início e a má qualidade da imagem, som e inspiração)

Aqui d’el-Rock, Há que Violentar o Sistema (ou como em Portugal até o punk foi bem educado e receou a f-word)

Portuguesa inventa um soutien em forma de mãos

E ainda bem que não foi um sutiã.

Bah, bah e bah…

Bem me parecia que era o Estatuto dos Açores…

Porque, claro, o novo Estatuto toca numas prerrogativas do Presidente da República e depois isso pode ser complicado para o futuro. Eu percebo. Mas é assunto para tanto secretismo e pré-alarido?

Pois, pois, pois. Amendoins..

Fiquei a pensar se não teríamos maior ganho, em plena silly season, em saber se já conseguiram convencer a Lili Caneças a não posar nua, seja por que causa for, em especial se for uma boa causa. Para não lhe dar má fama.

Isso é que seria uma notícia de vulto, para abrir um telejornal, porque evitaria uma catástrofe de consequências imprevisíveis, equivalentes às de um tsunami.

Cavaco Silva interrompe as férias para falar hoje à noite ao país pela televisão

A decisão é inédita no mandato de Cavaco Silva: o Presidente da República vai hoje falar ao país, pelas 20h, através de uma comunicação oficial feita a partir de Belém a ser transmitida pelas televisões.
O motivo da comunicação não foi ontem assumido, mas um assessor do Presidente garantiu ao PÚBLICO que só uma razão verdadeiramente importante levaria o Presidente a interromper as suas férias e, sobretudo, a usar a televisão para falar ao país.
A última comunicação televisionada foi o discurso de Ano Novo, em que criticou os excessivos ordenados dos gestores e manifestou preocupações com a situação económica do país.
De acordo com as conversas tidas pelo PÚBLICO, a comunicação de hoje poderá referir-se à situação geral do país, mas deverá ter um motivo concreto de importância nacional. Cavaco seguirá depois para o Campo Pequeno, onde intervirá cerca das 21h10 na gala Star Tracking – A Odisseia do Talento, destinada a reunir centenas de talentos portugueses de todas as gerações e áreas.

Há qualquer coisa de estranho de tudo nisto. As razões para uma intervenção deste tipo são poucas, se são para levar a sério os critérios enunciados pela própria Presidência.

  • Se é para dizer que estamos em crise e precisamos de coiso e tal, inovar, ter esperança e mais o habitual, já todos sabemos, já ouvimos e acho que a esta altura do campeonato até já chateia ouvir, em especial se nos lembrarmos da não sei quê estratégica da Presidência com o Governo.
  • Se é para dizer que as coisas estão maravilhosas, que até temos transístores de papel, um contrato com a Embraer e computadores para as criancinhas, a máquina comunicacional do PS/Governo não precisa de ajuda e já chegaram os telejornais dos últimos dias.
  • Se é para outra coisa… aí é que fico sem saber bem o que pensar… será então algo mesmo importante?

(Por favor, que não seja sobre o Estatuto dos Açores, que não há pachorra…)

Faites vos jeux e quem ganhar paga uns caracóis e umas mines.

Visão, 31 de Julho de 2008.

O Pedro Silva Pereira surge em 251º lugar…

Classmate PC – The classmate PC powered by Intel for emerging markets worldwide

The World Ahead Program from Intel Corporation aims to enhance lives by accelerating access to uncompromised technology for everyone, anywhere in the world. Focused on people in the world’s developing communities, it integrates and extends Intel’s efforts to advance progress in four areas: accessibility, connectivity, education, and content.

Intel has a long history of working to improve education worldwide and our ongoing programs prepare teachers and students for success in the global economy.

The Intel-based classmate PC is a small, mobile educational solution that Intel has developed specifically for students.

In the past twenty-five years, the popularization of personal computers (PCs) together with access to the Internet has had a profound effect on peoples’ lives. However, only roughly 10 percent of current households in the emerging markets of Africa, SE Asia, Latin America, India, China and Russia currently have PCs.

The classmate PC is a revolutionary new device targeted at providing one computing solution per student, taking advantage of the education focus to deliver a product that provides great student education in a rugged industrial design intended for children.

* Designed for education
* Durable rugged design for children’s day-to-day use
* Small, kid friendly, form factor for classroom use
* Easy to carry and light-weight
* Education-specific features
* Integrated software and hardware solution
* Learning through fun, collaboration and interaction
* Easy to deploy
* IA-based, runs on already available content, applications and operating systems with full compatibility to standard PC ecosystem

For more information on the Intel-based classmate PC, please visit www.classmatepc.com.

Quanto ao site oficial do bichinho, a mim tem dado erro ao carregar. Acho que deve ser do excesso de afluência tuga.

FENPROF admite convocar manifestação de professores na altura das eleições de 2009

A Federação Nacional dos Professores (FENPROF) admitiu hoje repetir no próximo ano, por altura das eleições legislativas, a grande manifestação de docentes de Maio passado, prometendo apresentar uma «carta reivindicativa» aos partidos políticos candidatos.

Eu percebo a jogada da Fenprof a esta altura do campeonato.

É uma jogada em grande parte inteligente a dois níveis:

  • Como forma de se anunciar como grupo de pressão sobre o poder políticos e os partidos em disputa eleitoral, algo que eu acho perfeitamente legítimo, ao contrário de alguns mais puristas ou ortodoxos. Lembremo-nos que, historicamente, os sindicatos estiveram na origem de movimentos e partidos políticos, como é o caso do Partido Trabalhista inglês, condicionando a sua linha de acção política. Nada de novo, portanto, a esse nível e muito menos quanto aos sindicatos funcionarem como lobby de interesses profissionais específicos. Acho mesmo que é essa parte da sua função mais importante. Quem critica isso, deve achar que os sindicatos são associações recreativas.
  • Por ouro lado, a Fenprof quer colocar-se na linha da frente da contestação que se adivinha ir recrudescer no próximo ano lectivo e marcar a agenda. Portanto, deixa já na mesa o anúncio de que «admite» convocar nova manifestação de docentes, antecipando-se aparentemente à «concorrência» que fica na situação de aderir à «luta» anunciada ou passar por adesiva.

O problema é que, se tiverem atenção, a jogada tem as suas vantagens, mas os seus riscos, porque os 100.000 não foram colocados na rua apenas pela Fenprof. E foi preciso muito trabalho, muita maturação da insatisfação, muito moer de paciência, para que tantos viessem para a a rua. Não foi por mera convocatória… não se iludam com isso.

Claro que (quase) todos queremos que aquilo se repita. Mas também é claro que aquilo só é repetível se for feito por todos em conjunto, sem ânsias de protagonismos ou de marcação da agenda. Os interesses devem ser comuns, por isso é errado alguém querer comandar o barco desde a partida até ao final.

Porque se formos fazer a contabilidade, eu dou de barato que a Fenprof colocou 50% dos manifestantes de 8 de Março na rua. Até acredito que, em circunstâncias ideais se teria chegado aos 70.000 que os optimistas previam nos seus sonhos mais movimentados.

Mas apareceram muitos mais.

Muitos que nem esperavam aparecer e que provavelmente nem eram esperados.

E esses devem ser estimados, acarinhados e não afastados de modo algum.

Isso significa que há muito trabalho por fazer, por detrás das cortinas e longe dos anúncios mediáticos.

Por favor, não se esqueçam disso. O que se pretende não é uma vitória da Fenprof ou mesmo dos sindicatos, mas sim de toda a classe docente.

Para isso é preciso unir.

E unir significa, em alguns momentos, abdicar de comparar o tamanho das pilinhas, if you pardon my french…

Parece que o intelectual vital ficou electrizado com os 400 milhões para a Educação. Pelos vistos já atirou os cuidados com as contas públicas (que tanto usou nos últimos anos) para as urtigas em nome da luta política pré-eleitoral.

A coerência quando nasce não é para todos (os dias) … em especial quando as eleições estão ao virar da esquina.

Publicidade enganosa

O balanço do ano lectivo feito pela Fenprof e retomado aqui no Sol.

Afinal os professores não tiveram quota para o Excelente, a Fenprof não se auto-avaliou e este balanço peca um pouco por tardio e redundante na linguagem, mesmo se investiu um pouco na forma.

Propaganda, Dream Within a Dream

Para fazer uma revolução há duas coisas indispensáveis: alguém ou alguma coisa contra que se revoltar e alguém que vá para a frente e o faça. A indumentária é geralmente informal e ambas as partes podem mostrar-se flexíveis em relação à hora e ao local, mas se uma das facções não comparecer é provável que todo o empreendimento fracasse. Na Revolução Chinesa de 1650 não compareceu nenhuma das partes, o que causou a perda do depósito feito.

As pessoas ou partidos contra os quais a revolução é feita denominam-se «opressores» e reconhecem-se facilmente por parecerem os únicos que se divertem. Geralmente, os «opressores» vestem fatos, possuem terras e põem os rádios muito alto até ás tantas da noite sem que os insultem. A tarefa deles é manter o status quo, uma situação em que tudo permanece na mesma, ainda que tenham vontade de pintar de dois em dois anos. (…)

Os que se revoltam são conhecidos por «oprimidos» e geralmente podem ser vistos movendo-se em grupos, a resmungarem ou a queixarem-se de dores de cabeça. (Há que assinalar que os opressores nunca se revoltam ou tentam transformar-se em oprimidos, porque isso acarretaria mudarem de roupa interior.)

(Woody Allen, Sem Penas, pp 91-92)

Esta brilhante frase, capaz de merecer um prémio Nobel só por si, (ou)vi eu ontem à noite sair da boca de José Sócrates, num programa da RTP2 conduzido por Sérgio Figueiredo, que também tinha a presença de um muito transpirado Presidente Lula da Silva.

A entrevista decorria numa sala do CCB e ao que parece falavam da existência de um cluster de indústria aeronáutica em Portugal, por causa daquele acordo com a Embraer.

Claro que o mesmo se poderia dizer de qualquer outra indústria, como por exemplo a de rolhas de cortiça em que já fomos líderes e agora acho que já não somos.

Eu sei que estou a exagerar um bocadinho mas ouçam (se percebem alemão) ou leiam (se percebem inglês) o segundo e terceiro excertos desta compilação de faladuras do Goebbels e tentem não sorrir, em especial com a teorização da relação entre governação e propaganda.

Ou se calhar é melhor não sorrir…

O nosso primeiro estava electrizado e electrizante.
Nota-se o entusiasmo por sentir que poderá ter aqui um ovo de Colombo (mau…) para tentar demonstrar como é um apaixonado pela Educação. E assim tentar desarmadilhar parte da confusão que se adivinha…

O problema é que me parece ter ouvido falar em prazos e números e outras coisas prometidas muito concretas.

Eu vou já rascunhar a check-list para daqui a 7 meses que, se não me falham as contas, ora bem, hoje é 30 de Julho de 2008, mais sete meses (Agosto, Setembro, Outubro, Novembro, Dezembro, Janeiro… Fevereiro!!!) cai no dia 30 de Fevereiro de 2009.

Que é uma data apropriada para verificar o cumprimento de promessas…

Pronto, 1 ou 2 de Março de 2009 e não falamos mais nisso.

E olhem que a Intel, através do seu xérmene, também assinou um Memorando de Entendimento com o Governo Português.

Operadores e Governo criam programa e-escolinha com portáteis de muito baixo custo

Depois do e-escola, o Governo e os operadores de telecomunicações apresentam agora o programa e-escolinha, uma iniciativa que terá por base o futuro notebook Magalhães, produzido pelo consórcio YOUTSU, e assentará num modelo de distribuição que oferece computadores a um preço máximo de 50 euros. o modelo de acesso à Internet ainda está a ser definido com os operadores móveis, que também assinaram hoje um protocolo com o Governo neste sentido.

Os notebooks e-escolinha vão estar disponíveis em três escalões de preço: a zero euros para as famílias abrangidas pela acção social escolar, por 20 euros para as famílias abrangidas pelo Escalão B e a 50 euros para as restantes. Não se sabe ainda se será obrigatória a ligação de Internet móvel e quanto tempo será exigido de fidelização, como acontece no programa e-escolas onde os alunos têm de subscrever um plano que pode ir até 36 meses e ter um custo mensal até 17,5 euros.

As primeiras entregas estão já prometidas para o próximo mês de Setembro, altura em que se dará início ao ano lectivo 2008/2009. José Sócrates avançou hoje que o Governo pretende distribuir 500 mil destes notebooks, um número equivalente ao inicialmente previsto para o e-escolas.

“São 400 milhões de euros que vamos investir nas escolas portuguesas”, afirmou José Sócrates, durante a cerimónia de apresentação do “Computador Magalhães”, o primeiro computador portátil com acesso à Internet que será fabricado em Portugal.

Um dos projectos, adiantou, visa a instalação de Internet em todas as salas de aula.

“Queremos que em todas as salas de aula haja Internet”, sublinhou.

Além disso, irá ser aumentada a velocidade da banda larga nas escolas para um mínimo de 48 megabites por segundo.

“É um computador de última geração tecnológica, pensado para as crianças, para resistir melhor ao choque e aos líquidos“, acrescentou.

Além disso, continuou, é também um computador com “tudo o que de mais moderno existe”, nomeadamente o último micro-processador da Intel.

No fundo, é um computador para as crianças e para todos, é para ser utilizado dos sete aos 77 anos“, sublinhou.

José Sócrates revelou ainda que os primeiros computadores Magalhães deverão ser entregues nas escolas já em Setembro.

No final da cerimónia, a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, explicou que serão as escolas a tomar a iniciativa de identificar os alunos interessados em aderir ao programa e.escolinhas.

Vão ser as escolas a organizar a identificação dos alunos“, disse.

Sou só eu a não ficar demasiado atarantado com todo este chinfrim, para achar que isto não vai passar de uma enorme máquina propagandistica destinada a martelar todo o país durante o período pré-eleitoral?

A sério que quero perceber no que o Magalhães é um computador da «última geração tecnológica» que ultrapassa os do Noddy que há nos supermercados e como é que vai resistir aos choques.

E depois as escolas vão «organizar a identificação dos alunos»?

O que quer isto dizer?

Agora, desculpem-me, mas vou ver se consigo arranjar o vídeo como o José Sócrates absolutamente electrizado a anunciar a descoberta da circum-navegação. A partir do site da RTP o Vodpod não está a dar resultado…

Alguém o informa que o pobre do Fernão morreu durante a viagem?

Não sei se repararam mas andamos a entrar no tempos dos prés (dos prefixos, não do estipêndio outrora adiantado à soldadesca), depois de terem sido moda os pós (já tivemos o pós-modernismo, o pós-marxismo, o pós-liberalismo, o pós-feminismo, etc, etc, etc)..

Agora retrocedemos e passámos a ter antecâmaras para tudo.

Antes existiam inscrições, agora temos pré-inscrições.
Antes existiam candidaturas, agora temos pré-candidaturas.

Há pouco, ao espreitar um blogue em crescimento até dei com um simpático bloguista que afirma ter uma pré-especialização em Xpto, o que fará dele um… pré-especializado.

Pré-especializado? O que quer dizer isso?

Pré-especializados somos todos nós em tudo! Eu sou pré-especializado em neuro-cirurgia. Só me falta mesmo é especializar-me E sou pré-especializado em macramé. E em olaria artística, e por aí fora.

A verdade é que fomos inundados por uma enxame de pré-qualquer coisa.

Normalmente o pré significa que vamos pagar qualquer coisa. Pagamos a pré-inscrição e depois a inscrição.

Ou então significa que temos a esperança de algo que não se concretiza. Fazemos a pré-candidatura, mas depois falha a candidatura ou, fazendo-a, depois não há vaga.

Isto deixa-me pré-aborrecido. Não fico propriamente aborrecido, mas quase. Fico assim como que um passo antes do aborrecimento.

Também eu gosto de aderir ao Zeitgeist. Sem Angst.

Memórias de, respectivamente, 1985, 1986 e 1987.
Embora, curiosamente, todas me pareçam agora músicas de Inverno.

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