Já sendo possível ler todo o estudo feito por João Freire para o Ministério da Educação sobre a reorganização da carreira docente, destacam-se com clareza alguns aspectos que antes se adivinhavam, mas que por mais que se enunciassem e se afirmassem ser verdadeiros, careciam de demonstração para convencer os que insitem em manter-se cépticos.
Por outro lado, e aqui podem acusar-me de alguma obsessão, é para mim particularmente interessante reparar como as pessoas são capazes de moldar-se às situações e transformar antigas (?) convicções em novos credos.
As duas passagens que adiante se inserem, das páginas 12 e 13 do dito estudo são sintomáticas destas duas situações.
Na primeira, um histórico (ex?) anarquista de longo historial considera que a estrutura da carreira docente «única», criada pelo estatuto dos anos 90, apesar de «interessante», abriu portas a «ilusões igualitárias».
Na segunda é admitido que o principal problema dessa estrutura era o facto de os 3 últimos escalões da carreira representarem um encargo anual de 63% das despesas com o pessoal, facto que é considerado indesejável, em primeiro lugar, «para a despesa pública paga pelo contribuinte». O que explica desde logo o porquê da localização do garrote na progressão do antigo 7º para o 8º escalão.
(…)
Perante isto, resta saber se ainda alguém considera que a revisão do Estatuto da Carreira Docente teve algumas preocupações de revalorização da dita carreira, da promoção do mérito ou mesmo de qualquer esforço por equipará-la a outras carreiras públicas nacionais ou a carreiras docentes além-fronteiras. É que para desmentir isso eu tenho já preparadas outras passagens do dito estudo.



Junho 30, 2008 at 6:11 pm
É pena que não se possa ler a continuação da alínea c e toda a alínea d.
Por outro lado, há um conjunto de afirmações mas que valem tanto como uma conversa de café. Onde está o suporte empírico que fundamenta as teses do sociólogo? Parece tudo uma colagem de “a prioris”, de preconceitos, clichés e ideias feitas. O cúmulo da qualidade científica é a utilização do conceito «interessante». Espantoso!
Junho 30, 2008 at 6:43 pm
O «estudo» é o que é, foi encomendado, etc. e tal. Tudo isso está claro há muito tempo. A questão é esta: o que vamos nós fazer para acabar com a aberração? Ou será que já nada há a fazer depois de Maio/Junho de 2008 e do famoso «entendimento»? Parece-me bem que sim.
Junho 30, 2008 at 6:58 pm
Pena que este estudo não tivesse sido divulgado há mais tempo. Bem sei que a “opinião pública” não lhe daria muita importância. No entanto, se alguém o tivesse analisado bem, chegaria sem esforço à conclusão de que tudo mais se tratou, e trata, de poupar dinheiro. E pelo que aqui me foi dado ler, o estudo nem o esconde.
Mérito? Meritocracia? Boas práticas?
Dói, esta hipocrisia.
Junho 30, 2008 at 7:13 pm
mobilizacaoeunidadedosprofessores.blogspot.com/2008/06/para-uma-alternativa-ao-estatuto-da.html
Junho 30, 2008 at 7:22 pm
Todo o Grande Homem é Céptico
Todo o grande homem é, necessariamente, céptico, ainda que possa não o mostrar: pelo menos se a grandeza dele consistir em querer uma coisa grande e grandes meios para realizá-la. A liberdade em relação a todas as convicções faz parte da sua vontade: o que está em conformidade com o “despotismo esclarecido” que todas as grandes paixões exercem. Uma paixão dessa espécie põe o intelecto ao seu serviço e tem a coragem de fazer uso até de certos meios proibidos – dos quais se serve, mas aos quais não se submete.
A necessidade de crer, a necessidade de um sim e de um não absolutos é sinal de fraqueza, e toda a fraqueza é uma fraqueza da vontade. O homem de fé, o crente é, necessariamente, de uma espécie inferior; disso resulta a liberdade de espírito, ou seja, a descrença instintiva: uma condição de grandeza.
Friedrich Nietzsche,
Palavras para quê..
Junho 30, 2008 at 7:25 pm
Porque nós vivemos na ilusão e a VIDA..
(…) A vida humana é apenas uma ilusão perpétua; o que fazemos é enganar-nos e iludir-nos mutuamente. Ninguém fala de nós na nossa presença como na nossa ausência. A união que existe entre os homens é fundada sobre este mútuo embuste; e poucas amizades subsistiriam se cada um soubesse o que o seu amigo diz dele quando não está presente, ainda que ele fale então sinceramente e sem paixão.
O homem é apenas disfarce, engano e hipocrisia em si mesmo e para com os outros. Não quer que lhe digam a verdade e evita dizê-la aos outros; e todas estas disposições tão afastadas da justiça e da razão têm uma raiz natural no seu coração.
Blaise Pascal,
Junho 30, 2008 at 7:31 pm
“e todas estas disposições tão afastadas da justiça e da razão têm uma raiz natural no seu coração.”
Foi por essas e por outras que inventaram a cardiologia: técnica especial que devolve ao coração inclinado a rectidão e o aprumo.
Junho 30, 2008 at 9:33 pm
Mesmo sem termos tido acesso ao estudo, o objectivo de poupança era claro. Só não viu quem não quis ver. Há quem goste de fazer como o macaco – tapar os olhos, os ouvidos, a boca…
E já tinha havido uma tentativa na imposição do exame de passagem ao 8º escalão nos anos 90.
Veio mais dinheiro e a coisa foi posta de lado. Ressuscitou agora porque o dinheiro sumiu.
Junho 30, 2008 at 11:33 pm
Para mim o limite de 1/3 de acesso aos últimos escalões, é o principal problema do ECD, o resto são tretas: avaliação, horários, etc.
Junho 30, 2008 at 11:35 pm
Money..money..money..faz girar o mundo ..mas também vai ser aquilo que o vai afundar de vez..olhem que o Polo Norte tem 50 por cento de hipóteses de derreter este ano..
Julho 1, 2008 at 12:39 am
Claro DA, que a avaliação é faz de conta, é para pôr o pessoal à briga, arranjar uns penachos e uns tachos. As vagazitas é que contam e serão à continha.
Os horários, se fossem cumpridos nos termos do ECD, seriam normais. Aí entram as tutelinhas a dar mostras dos seus “poderes”. Fazem o papel de spins – distraem do principal sobrecarregando quase todos.
A questão é que o barco está a ir ao fundo e está tudo à nora.
Julho 2, 2008 at 1:27 am
Permito-me hoje recordar a estratégia de manipulação nº 3:«A estratégia do esbatimento».
Não sabeis o que diz? Informai-vos.
Julho 4, 2008 at 6:12 pm
[...] como o Paulo igualmente denunciou, é a seguir que irrompe a passagem mais significativa, aquela que, em filigrana, comanda todo o [...]