O tema não é novo e já motivou prosas em diversos espaços de debate sobre Educação, nomeadamente no Inquietações Pedagógicas e no ProfAvaliação do Ramiro Marques, tendo estes textos depois sido citados em outros blogues.
Trata-se do estudo coordenado por João Freire para o Ministério da Educação, concluído em Dezembro de 2005, sobre a desejada reorganização da carreira docente. Apesar de algumas promessas de divulgação e mesmo publicação, a boa verdade é que pouca gente ainda o terá visto, excepto alguns afortunados e, a pouco e pouco, alguns amigos (e amigos de amigos) desses afortunados.
Finalmente, após o conhecimento parcial de alguns excertos, vou ter finalmente acesso a um exemplar inteirinho desse estudo que Maria de Lurdes Rodrigues diligentemente encomendou ao seu antigo mentor e orientador de tese de mestrado.
O estudo é tanto mais interessante quanto, para além do que lá se escreve e revela sobre a arqueologia do novo ECD, significa de cambalhota ideológica do seu autor e da autora da encomenda. Claro que só os burros não mudam de ideias, mas também diz a sabedoria popular que asno não muito jovem tem dificuldade em assimilar novas linguagens, pelo que…
O assunto, até pelo seu particular interesse, merecerá a devida atenção durante a próxima semana.

Junho 28, 2008 at 9:58 pm
Vertigem Civilizacional Desumana (outro título que podia ter esse estudo sobre a carreira docente inspirado em mein kampf)
O homem não pode manter-se humano a esta velocidade, se viver como um autómato será aniquilado. A serenidade, uma certa lentidão, é tão inseparável da vida do homem como a sucessão das estações é inseparável das plantas, ou do nascimento das crianças. Estamos no caminho mas não a caminhar, estamos num veículo sobre o qual nos movemos incessantemente, como uma grande jangada ou como essas cidades satélites que dizem que haverá. E ninguém anda a passo de homem, por acaso algum de nós caminha devagar? Mas a vertigem não está só no exterior, assimilá-mo-la na nossa mente que não pára de emitir imagens, como se também fizesse zapping; talvez a aceleração tenha chegado ao coração que já lateja num compasso de urgência para que tudo passe rapidamente e não permaneça. Este destino comum é a grande oportunidade, mas quem se atreve a saltar para fora? Já nem sequer sabemos rezar porque perdemos o silêncio e também o grito.
Na vertigem tudo é temível e desaparece o diálogo entre as pessoas. O que nos dizemos são mais números do que palavras, contém mais informação do que novidade. A perda do diálogo afoga o compromisso que nasce entre as pessoas e que pode fazer do próprio medo um dinamismo que o vença e que lhes outurgue uma maior liberdade. Mas o grave problema é que nesta civilização doente não há só exploração e miséria, mas também uma correlativa miséria espiritual. A grande maioria não quer a liberdade, teme-a. O medo é um sintoma do nosso tempo. A tal extremo que, se rasparmos um pouco a superfície, poderemos verificar o pânico que está subjacente nas pessoas que vivem sob a exigência do trabalho nas grandes cidades. A exigência é tal que se vive automaticamente sem que um sim ou um não tenha precedido os actos.
Ernesto Sábato, in ‘Resistir’
Junho 28, 2008 at 10:31 pm
Achei interessante o ” Sexa “
Junho 28, 2008 at 11:42 pm
Eu achei interessante a “Tábua de Matérias” e o “enlace”.
Mas prefiro mesmo a da Tábua.
E em época de balanços, vou começar a usar a Tábua de Matérias leccionadas ou não leccionadas nos relatórios e actas.
Junho 28, 2008 at 11:47 pm
Também gosto da Missão.
Junho 29, 2008 at 12:12 am
o director da Direcção Regional de Educação de Lisboa (DREL), José Maria de Almeida
(como eles amanham o terreno)
antes:
“O director-regional afirma que “todos são cidadãos de primeira” e, por isso, a DREL quer “eliminar as assimetrias entre os alunos do meio rural e os alunos dos meios urbanos”.”
http://www.setubalnarede.pt/content/index.php?action=articlesDetailFo&rec=88
e depois:
“José Almeida, supervisor pedagógico do grupo [GPS], acrescentou que a Escola Internacional [Covilhã] «não vem ocupar o lugar de ninguém, nem está contra ninguém», sendo um projecto com «lugar próprio para ser um pólo de desenvolvimento». De resto, trata-se de uma escola «diferente» que vem dar «respostas várias que ninguém dá neste momento», salientou.
Esclareceu também que esta «não é uma escola elitista», mas depende antes da «opção dos pais», havendo já «largas de dezenas de alunos inscritos». As mensalidades vão desde os 295 euros no pré-escolar e 1.º ciclo até aos 390 euros no Secundário, valores «adaptados à realidade da região»”
http://sic.aeiou.pt/online/noticias/pais/regional/Covilha.htm
Junho 29, 2008 at 12:20 am
Citizen,
Ex-DREL.
O dono do “famoso e qualificado” Ribadouro, no Porto, também foi DREN-Adjunto nessa altura.
É o centrão de interesses!
Vamos ver se a Quinta das Palmeiras, http://www.who-knows.pt/wk_esqp_mainsite/noticias/index.php?idp=46 ,lhes dará hipóteses.
Junho 29, 2008 at 12:25 am
Não perceberam. Aquilo é desenvolvido com soluções contrastantes sobre substractos celulósicos, vulgo escrito, por sociólogos.
Junho 29, 2008 at 12:38 am
…His efforts, combined with the efforts of the infuriated witch Margarita, yielded great results…
Mikhail Bulgakov. The Master and Margarita (1997)
Junho 29, 2008 at 1:35 am
Um País tão pequenino e com tantos interesses em jogo. É um País extraordinário!
Junho 29, 2008 at 2:22 am
Seria extraordinário se houvesse interesses ou, no mínimo, um jogo. Mas não, há apenas idiotas que é necessário exterminar antes que alastre.
Quer uns, quer outros, evidentemente esqueceram-se de quem são. Por consequência, estão misturados.
Ambos estão condenados.
Junho 29, 2008 at 9:48 am
O Fafe mudou de registo ou será do calor?
parece agora um indefectível da MFLeite….
Junho 29, 2008 at 12:16 pm
“Para compreender o que nos está a acontecer
Após três décadas de democracia, estamos a assistir a uma reconfiguração do poder
político. Essa reconfiguração assenta em dois pilares: o actual PS e a ala cavaquista doPSD. Incapazes de segurarem este arremedo de estado social, essas duas facções do podertecnoburocrático uniram-se para procederem à maior transferência de riqueza de que hámemória nas últimas três décadas. Essa transferência de riqueza é absolutamente crucialpara a manutenção dos privilégios dos oligarcas. Os professores, por serem 140000 e por estarem sistematicamente divididos enquanto grupo profissional, foram os escolhidos para
a a realização desse processo de transferência de riqueza. Dentro de meia dúzia de anos,dois terços dos professores não passarão do meio da carreira e estarão condenados atrabalharem até aos 65 anos (ou mais) com um salário inferior ao de um sargento. Para queessa transferência de riqueza se realize sem sobressaltos para os oligarcas, é necessárioque o poder político limite ou anule a liberdade de expressão nos espaços e organismos públicos. A escola públicatem sido um espaço de eleição para o exercício das liberdades. Com ameaças de processosdisciplinares, exacerbação dos conflitos entre professores titulares e não titulares euma política oficiosa de guardar segredo sobre tudo o que se passa nas escolas, o poderpolítico foi criando as condições ideológicas e repressivas para que essa transferênciade riqueza se continue a fazer de forma doce. O objectivo é fazer parecer essatransferência como natural, de modo a que as próprias vítimas do processo de pauperizaçãoe proletarização a aceitem como inevitável.
Se lerem A Política de Aristóteles, está lá tudo o que é preciso saber sobre o processo
de perversão da democracia e a sua tranformação em oligarquia. Em Portugal, esse processo
está em marcha (…)”
Ramiro Marques
http://www.professoresramiromarques.blogspot.com/
Junho 29, 2008 at 1:08 pm
Quando quero ler Ramiro Marques vou ao Ramiro Marques. Quando não quero, leio aqui.
Junho 29, 2008 at 1:23 pm
inevitabilidade
eu já não tenho essa opção; quer queira, quer não queira, tenho que o ler aqui.
Junho 29, 2008 at 1:49 pm
adivinhem quem escreveu isto
” (… ) A mais instante tarefa nacional consiste em suprir o criminoso défice de investimento na qualidade do ensino público, em todos os seus aspectos (professores, instalações, equipamentos, cantinas, meios técnicos, etc.), bem como na autonomia e responsabilidade das escolas e na competição entre elas. O que não é admissível é que, havendo falta de dinheiro para investir na escola pública, o Estado desperdice tanto dinheiro com a manutenção abusiva de “contratos de associação” e com a elevadíssima “despesa fiscal” que representam as benefícios fiscais relativos às despesas com o ensino privado,.
O Estado deve, por isso, proceder a uma revisão de todos os “contratos de associação”, eliminando os que já não encontram justificação na carência de escolas públicas, bem como dos referidos benefícios fiscais, que só beneficiam os titulares de mais altos rendimentos, contribuindo para reduzir a progressividade fiscal do IRS.”
(Público, 3ª feira, 30 de Outubro de 2007)
Junho 29, 2008 at 1:55 pm
O FAFE…
Junho 29, 2008 at 1:56 pm
O ETERNO DILEMA HOJE MAIS DO QUE NUNCA NA ORDEM DO DIA..
Decisão, Desejo e Acção
A decisão é, na verdade, o que de mais próprio concerne a excelência e é melhor do que as próprias acções no que respeita à avaliação dos carácteres humanos. A decisão parece, pois, ser voluntária. Decidir e agir voluntariamente não é, contudo, a mesma coisa, pois, a acção voluntária é um fenómeno mais abrangente. É por essa razão que ainda que tanto as crianças como os outros seres vivos possam participar na acção voluntária, não podem, contudo, participar na decisão. Também dizemos que as acções voluntárias dão-se subitamente, mas não assim de acordo com uma decisão.
Os que dizem que a decisão é um desejo, ou uma afecção, ou anseio, ou uma certa opinião, não parecem dizê-lo correctamente, porque os animais irracionais não tomam parte nela. Por outro lado, quem não tem autodomínio age cedendo ao desejo, e, desse modo, não age de acordo com uma decisão. Finalmente, quem tem autodomínio age, ao tomar uma decisão, mas não age, ao sentir um desejo.
Um desejo pode opor-se a uma decisão, mas já não poderá opor-se a um outro desejo. O desejo tem em vista o que é agradável e o que é desagradável. A decisão, contudo, não é feita em vista do desagradável nem do agradável.
Aristóteles
Junho 29, 2008 at 2:04 pm
o Fafe é o Senhor Professor Doutor Vital Moreira?
http://aba-da-causa.blogspot.com/2007/11/o-direito-escola-pblica.html
Junho 29, 2008 at 2:22 pm
Cruzes!
Junho 29, 2008 at 2:35 pm
Eu continuo a gostar muito da ideia das Tábuas.
Junho 29, 2008 at 4:36 pm
Eu gostei muito das “tábuas”, fiquei logo a pensar numa boa tábua de queijos ou de presunto… … para acompanhar um bom vinho… ou vice-versa… “missão” bem mais interessante e inteligente que qualquer resultado do estudo destes srs…
Junho 29, 2008 at 11:01 pm
O anterior ECD entrou em vigor em 1998, com o anterior governo do PS. Para que foi, então, pedido “urgente revisão do ECD em 2005″ pelo actual governo do PS? Sete anos…
Nenhuma outra estrutura de carreira foi alterada, não é verdade? A dos professores do ensino universitário e politecnico; dos médicos; dos magistrados; etc estão exactamente na mesma. E têm retribuições salariais que nada tinham a ver com a dos professores do E. Básico E Secundário.
Julho 3, 2008 at 11:50 am
[...] . Margarita e o Mestre [...]