Sexta-feira passada, dia 20, participei numa fraude, uma fraude monumental. Como professor de letras, fui escalado para vigilante do Exame Nacional de Matemática, do 9.º Ano de Escolaridade.
Quando olhei para a prova não tive qualquer surpresa. Há muitos meses que previra a realidade que se me antolhava naquele momento. Quem percebeu quem é José Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues só podia esperar esta fraude nos exames. As suas políticas de “faz de conta”, de demagogia e de mentira já faziam prever o que se viria a passar. Talvez não se esperasse uma fraude tão colossal, mas parece não haver limites para estes (ir)responsáveis governamentais. Não lhes interessa o País nem o futuro dos alunos. Interessa-lhes apenas o poder, que os cega nesta política de mentira e de demagogia.
Para não causar problemas à escola onde lecciono e não perturbar a concentração dos alunos, não abandonei a sala. Vigiei a prova até ao seu termo, sujeitando-me à indignidade de colaborar nesta fraude intolerável. Aquele exame, com um grau de facilidade descomunal, pedagogicamente foi uma autêntica fraude. Os seus autores morais e materiais não são penalmente puníveis, mas à face das mais elementares regras da ética e da moral cometeram um crime hediondo. Com esta política educativa de mentira e de sucesso puramente estatístico, estão a assassinar gerações sucessivas de jovens e a aniquilar o futuro do País.
Não há nenhum dever institucional que obrigue um professor a silenciar estes crimes. Os alunos e Portugal são bem mais importantes do que o emprego ou a avaliação de um docente. O Ministério da Educação, com José Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues, está a cometer um verdadeiro crime de lesa-pátria que nenhum professor honesto e digno pode silenciar. Pelos alunos, pelos seus pais e por Portugal, impõe-se denunciar esta fraude, mesmo conhecendo-se as práticas persecutórias deste Governo. Quem tem como única política a defesa de Portugal e dos seus jovens, não pode temer retaliações, mesmo quando vários factos parecem indiciar que estamos perante políticos sem escrúpulos e de duvidosa hombridade…
Mário Rodrigues
Junho 24, 2008 at 10:35 pm
http://livresco.wordpress.com/2008/06/22/somos-uns-craques-em-matematica-so-nos-falta-saber-fazer-contas/
Junho 24, 2008 at 10:35 pm
http://livresco.wordpress.com/2008/06/24/duvida-inaceitavel-queremos-melhores-estudantes-ou-um-melhor-ranking/
Junho 24, 2008 at 10:36 pm
http://livresco.wordpress.com/2008/06/23/o-pais-do-faz-de-conta/
Junho 24, 2008 at 10:40 pm
já os devo eram premonitórios qaunto ao futuro desta naçom…
http://br.youtube.com/watch?v=3EClPICcI9k&feature=related
Junho 24, 2008 at 10:42 pm
È o que temos, não o que queremos.
Com o clima de intimidação criado nas escolas… comentários para quê?
Junho 24, 2008 at 10:43 pm
http://livresco.wordpress.com/2008/06/24/mario-pina-o-suave-milagre-ii/
Junho 24, 2008 at 10:44 pm
Parabéns pelo texto Mário Rodrigues. Mange-o para o Sócrates, MLR e companhia, MCSocial para verem que não andamos a dormir…ou será que andamos????
Junho 24, 2008 at 10:45 pm
http://br.youtube.com/watch?v=__GK9srwQcQ&NR=1
Está tudo bem pessoal´! É SÓ FUMAÇA.
Junho 24, 2008 at 10:48 pm
O país vai pagar isto bem caro!
Junho 24, 2008 at 11:06 pm
Espero que este blog funcione como um arquivo de denúncias do que vai sendo feito em termos de (des)educação em Portugal. Para memória futura… para que não digam que, como os macaquinhos, não vimos, não ouvimos e não falámos.
Junho 24, 2008 at 11:26 pm
Ainda não perceberam?
O objectivo é criar atractividade para investimento chinês!
Junho 25, 2008 at 2:24 am
mg tem toda a razão!!! já inseridos no mercado europeu terão ao seu dispôr: mão-de-obra barata, não reivindicativa, não organizada, com poucas regalias sociais, reduzidas expectativas, assalariada, precária e pronta a trabalhar até às 60 horas, fins-de-semana/feríados e férias, por “tuta e meia” – maior vantagem comparativa que esta?
Junho 25, 2008 at 10:22 am
http://ferrao.org/2008/06/carlos-fiolhais-versus-maria-de-lurdes.html
Junho 25, 2008 at 11:47 am
Facilitaram os exames para que daqui a uns meses possam divulgar estatíticas fantásticas sobre a forma como os resultados escolares dos alunos comprovam o quão “fantástico” é o sistema educativo de Mª Lurdes Rodrigues… essa maçon gananciosa e sem escrupulos.
Junho 25, 2008 at 2:17 pm
O Mário Rodrigues deves ser um professor muito (in)competente…
Conversa de comuna!
Devido ao “Umbigo” ter passado a publicar este tipo de desabafos (que depois mais tarde pedem desculpa) de gente frustrada que retratam nos governantes a sua incompetência, é que ele está a perder a credibilidade! Se é que alguma vez a teve, e não passou de uma ilusão circunstancial?
Junho 25, 2008 at 5:04 pm
Eu proponho que se comecem a organizar movimentos de pais e alunos (e professores), que venham para a rua denunciar esta pouca vergonha e exigir um ensino de qualidade e de rigor, porque só assim eles, os pequenos, poderão ser pessoas diferentes do 1ºministro e restante pandilha!!!
Junho 25, 2008 at 7:20 pm
O PAÍS DO FAZ-DE-CONTA
Esta foi uma semana de exames dos ensinos básico e secundário. Mas foi uma semana onde vimos a ministra da Educação congratular-se com os magníficos resultados que os alunos obtiveram nas provas de aferição. De acordo com a ministra Maria de Lurdes Rodrigues esses resultados mostram um progresso assinalável na capacidade de aprendizagem dos nossos jovens.
Mas vejamos os números. Houve, em matemática por exemplo, 8,8% de reprovações no 4º ano e 18,3% no 6º ano. Mas, se olharmos os números do ano passado, veremos que a taxa de reprovações foi mais do dobro (19,7% no 4º ano e 41% no 6º). O que significa isto? Que os nossos alunos progrediram assim tanto, de um ano para o outro, ou que os exames foram simplificados? Cada um retirará as suas conclusões.
Vejamos, entretanto, o que dizem os estudantes no final dos exames que esta semana decorreram: de um modo geral que foram fáceis. Não haverá aqui uma estranha unanimidade? E o que dizem as associações como a dos professores de Português ou a Sociedade de Matemática? Que há facilidade excessiva! E o que dizem os especialistas e os professores? Mais ou menos o mesmo.
Acresce que nos exames actuais os alunos podem ter negativas sem ficarem chumbados. Além de que existem inúmeras facilidades que não existiam, em termos de apoios (v.g. máquinas de calcular, acesso a fórmulas, etc.).
Ora isto, além de pouco resolver do ponto de vista do conhecimento, nada contribui para a motivação dos professores, atrapalha a autoridade das famílias (é muito difícil mandar uma criança estudar quando o sistema lhe diz que não é assim tão importante) e prepara os jovens para um mundo inexistente, um país do faz-de-conta.
Porque nada na vida real é assim tão simples.
http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/349404
Junho 25, 2008 at 8:56 pm
Oh Albino Mau
Eu faço já aqui o meu arrependimento público.
Acordei de manhã e pareceu-me que os exames tinham sido muito fáceis.
Mas agora, vendo melhor, e depois da sua intimidante prosa, até acho que a prova foi medianamente difícil, ou melhor, acho que foi muito difícil, ou talvez mesmo muitíssimo difícil. A minha sobrinha que anda na quarta classe talvez conseguisse fazer a prova. Mas tentei com o cão, com o gato e com o periquito e só acertaram uma ou duas perguntas. Assim sendo, eu nunca vi nenhuma prova mais difícil.
E agora depois do seu atestado de (in)competência passei a achar que Portugal tem o melhor sistema educativo do mundo e que não tarda estaremos no primeiro ou segundo lugar do PISA.
O artigo que hoje saiu no Público a denunciar a Ministra e o GAVE também são alarmistas. O seu autor também deve ter acordado mal disposto. Mas se amanhã mandarem lá algum polícia ou capanga a casa, talvez ele também passe a achar que a Ministra esteve bem e o director do GAVE ainda melhor…
Junho 25, 2008 at 9:41 pm
Eu não compreendo como é que se publica uma coisa destas. Mas afinal os senhores professores estão todos a compactuar com esta tonta Ministra que detestam. Como é???
E depois lamentam-se, para quê? Os senhores professores ainda não perceberam, que com a senhora ministra de educação, que têm a faca e o queijo na mão!
Lembrem-se dos camionistas, então!
É que ainda por cima têm este blogue e a imensa blogosfera, como é ???
Desculpem lá, este meu jeito de muito aborrecida, não pretendo aqui ofender ninguém, mas mãos à obra, que se faz tarde, se eu fosse professora era o que faria…
É que bastava que no dia dos exames esse senhor professor dissesse, NÂO ! E saísse porta-fora! E depois viria aqui e muito bem, falar de sua justiça. Podem crer que aí com certeza que muitos mais se juntariam! Sei que é difícil, é o medo de represálias, etc e tal…
Agora continuarem a aceitar é que não…
E como aqui é dito e bem dito, o Ministério da Educação mais parece uma nova e conveniente fabrica de mão-de-obra barata.
Junho 25, 2008 at 9:51 pm
A resposta ao Mário Rodrigues está aqui: http://antifalsospedagogos.wordpress.com/
em que o autor publicou aqui:
http://pensamentodomeiodia.blogspot.com/2008/06/o-discurso-do-facilitismo-ou-o-ataque.html
Junho 25, 2008 at 10:38 pm
Ainda para o Albino Mau
Além de Professor, sou jurista. E os juristas sabem melhor do que ninguém como por trás de cada palavra, por mais singela que seja, existe um corpo interminável de factologia, de leis, de doutrina e de jurispridência.
Por trás de cada palavra que empreguei no meu modesto texto – que não passa de um desabafo de quem não condescende com a mentira e com a imoralidade – há hum substracto riquíssimo, pronto a ser usado onde e quando for necessário, seja para defender seja para atacar.
É certo que os responsáveis pela fraude dos exames estão a coberto da lei penal e da lei da responsabilidade dos detentores dos cargos políticos. Se assim não fosse outros galos cantariam.
Mas num Estado de Direito supostamente democrático há outros meios que a CRP e a lei conferem a um simples cidadão para agir em defesa de direitos e de interesses legalmente tutelados.
Pais, professores e alunos – os que não querem ser prejudicados por estes presentes envenenados – não deveriam ficar quietos e calados, mesmo que a experiência dos últimos anos em matéria de tutela de direitos, liberdades e garantias faça lembrar outras épocas e outros lugares…
Não será por acaso que há tanto silêncio público da parte dos professores, mas tanta indignação misturada com estupefacção, risos e gargalhadas em privado.
Há que zelar pelos interesses do emprego e da família, em tempos em que a economia mundial e a política caseira sugerem silêncios e cumplicidades…
Junho 25, 2008 at 11:09 pm
Aplaudo de pé este texto, como mãe e cidadã solidária com a classe docente.
Junho 26, 2008 at 1:41 am
Mário Rodrigues,
Tem TODA a razão. Como mãe e como professora lamento e temo pelo rumo que a educação está a tomar… Queria que o meu filho não sofresse mais tarde as consequências de tão monumental palhaçada… Só estatística para Inglês (=Europa=Resto do mundo) ver…
Junho 26, 2008 at 2:03 am
GMaciel Diz:
“Aplaudo de pé este texto, como mãe e cidadã solidária com a classe docente.”
Eu também aplaudo o texto, mas não de pé. Trata-se de um texto sem camiões, que interessa o texto?
Junho 26, 2008 at 2:33 am
E assim vai (Des)mocracia!!!
“No início do mês de Março de 2008, tive conhecimento, por via formal, tal como todos os restantes professores a trabalharem em escolas do âmbito da Direcção Regional de Educação do Algarve, do documento de tês páginas que segue em anexo na forma integral.
Tendo assistido ao programa “Prós e Contras” em causa, e à intervenção do meu colega professor Manuel Cardoso, estava obviamente por dentro do assunto abordado no teor da informação veiculada por uma “entidade” designada de Gabinete Comunicação (Ministério da Educação). Percebi de imediato que o colega professor, talvez por inexperiência, terá proferido uma frase infeliz e, nos dias que correm, também “muito politicamente incorrecta”. Ultimamente, como é público, os professores comentam em surdina muita coisa, ouvem muita coisa, sabem muita coisa, vêem muita coisa, mas raramente têm meios de prova e, se os têm, receiam pela sua vida profissional e não os tornam públicos.
Se o Sr. Inspector terá ou não proferido o que o professor disse na RTP1 é-me indiferente. Os inspectores da Educação são, regra geral, pessoas de muito bem e gostam de dar conselhos, sobretudo aos professores mais jovens e inexperientes.
A leitura do documento, apesar de constantemente estar(mos) a receber instruções / ordens / directrizes / repreensões nas escolas, sabe-se lá via quem, chocou-me totalmente.
O conteúdo da “informação” emanada de uma tal entidade “Gabinete Comunicação” cheira a pidesco. Não traz assinatura. É enviado num sábado. A sua divulgação por todas as escolas/professores do País, com o teor documentado, mais parece ser uma forma de intimidação de todos os professores, atitude não aceitável em Democracia!
O estranho, ainda, é que esta “entidade” tem o poder de fazer com que o Director Regional (no caso Adjunto) envie a “informação” a todas as escolas e professores do âmbito de uma Direcção Regional. Segundo as regras processuais e de funcionamento do M.E., os Directores Regionais reportam hierarquicamente aos Secretários de Estado e Ministra da Educação e não a um “Gabinete de Comunicação”.
Como são raras as formas de prova e de defesa ao dispor dos professores, no contexto actual da vida nas escolas portuguesas, em que um simples site sem qualquer assinatura interpela e interpreta a Lei emanada do próprio Ministério – contrária à própria Lei – e são estas instruções dos tais sites que prevalecem, ou que um telefonema qualquer faz “lei “contra a própria Lei, quero tornar público o documento.
Contudo, ressalvo que tanto o Director Regional como o Presidente do C.E. estão a cumprir ordens. Resta saber se se questionam ou não, como eu.
Como se trata de um documento, de conteúdo e forma, que interpela o próprio regime democrático, agradeço o envio do documento na forma integral para os órgãos do poder político – Presidente da República, Presidente da Assembleia da República, Deputados de todas as bancadas do Parlamento (o maior número possível) e também ao Sr. Procurador Geral da República.
Anónimo
Documentos anexos (3 pág.s): ”
In,
queixasdeprofessores.blogspot.com/
Julho 14, 2008 at 1:26 pm
Juventude avaliada
Por tudo e por nada
Um exame é sempre uma fachada
Que diz pouco ou nada
Considero apropriada a ideia de dar boas notas, toda a gente fica feliz. Este tipo de notas (notas de exame) não provoca aumento da inflação.
Há que aproveitar enquanto é o governo português a dar as notas, porque as outras já são dadas pelo “bundas banco” gerido pelos nossos mentores os “ hermanos germanos”
Servem as estatísticas
Para produzir verdades politicas
Não vale a pena perder tempo
Com tretas analíticas
Fácil ou difícil?
Faz falta, um referencial
Que não existe em Portugal