Tem finalmente forma de Decreto-Lei (o 104/2008 de 24 de Junho) o novo concurso para professor titular que o ME tinha prometido para o ano lectivo que já acabou.
O procedimento é algo kafkiano pois, embora eu concorde com a modalidade, a verdade é que a aprovação na prova pública apenas permite aceder ao concurso propriamente dito. E para além disso, a aprovação exige classificação superior a catorze valores e eu tenho muito sérias dúvidas sobre alguns dos procedimentos envolvidos, em especial a sua exequibilidade no caso da constituição dos júris.
Acho interessante que o júri (artigo 7º) seja composto pelo director do centro de formação que nada exige que seja professor titular (no meu caso até é, mas nada implica isso…), assim como por «uma ou duas personalidades de reconhecido mérito» na área da Educação, preferencialmente com o grau de doutor.
Num mecanismo de valor jurídico mais do que questionável, os candidatos podem recorrer para o presidente do mesmo júri que os classificou (artigo 10º), chegando-se mesmo à falta de cuidado de referir que será o «júri» (e não seu presidente) que apreciará o recurso da sua própria decisão.
Lá temos aqui mais material para recursos em Tribunal.
Se for ultrapassada esta primeira fase, temos então o concurso propriamente dito, em que existe novamente um júri e em que o procedimento passa por uma análise curricular. E por mais um emaranhado burocrático que agora não me apetece detalhar muito, que o dia esteve quente.
E no fim (artigo 30º) lá vem o prometido concurso extraordinário para os docentes do antigo 10º escalão (índice 340) que foram vítimas da inconstitucionalidade detectada no primeiro concurso. Que realmente é um concurso extraordinário, mas no sentido de ser uma coisa espantosa. Agora já chegam 75 pontos.
Sobre tudo isto gostava ainda de saber se algo foi negociado com os sindicatos ou se apenas foi legislado ad hoc pelo Ministério sem consultar nenhum dos parceiros do entendimento.
Porque há que dizê-lo com frontalidade: todo este procedimento faz parecer simplex o processo de avaliação do desempenho e não serão poucos os que desistirão de concorrer a professor-titular porque, para o fazerem, terão de deslocar muito do tempo e energia actualmente gastos com as funções lectivas.
E cada vez as forças começam a ser menos para resistir a este disparate.
Junho 24, 2008 at 9:19 pm
“E cada vez as forças começam a ser menos para resistir a este disparate.”
Eu nem sequer vou ler. Não tenho paciência.
Junho 24, 2008 at 9:21 pm
E depois há ainda a questão das vagas, a decidir pela tutela e tendo em conta a “ponderação” da avaliação externa.
E há ainda aquela inenarrável questão dos prazos, 3 meses para isto, 6 meses para aquilo…..
Junho 24, 2008 at 9:29 pm
Eu não disse (até pareço um político) que o governo iria fazer uma autêntica “blitzkrieg” de legislação durante este Verão?
Cuidado pois com os panzers…,pois eles vão entrar em acção.
Nós parecemos os Franceses em fuga desordenada, com as raras excepções deste e outros blogs que tentam remar contra esta guerra relâmpago.
Junho 24, 2008 at 9:30 pm
Paulo, thanks!
Junho 24, 2008 at 9:34 pm
Já fui tentada a levar a tribunal a o ME por toda a trapaça contida no primeiro concurso e já na altura não tive força nem vontade.
Pensei “que se lixe, também me vou livrar de muitas chatices”. Ironia do destino – sou coordenadora por delegação de poderes. Tenho cá um azar!!
Mas acho engraçado a lógica de tudo isto, na altura, não atribuíram vaga à minha escola, mas quando faltou um coordenador eu já servi.
Mas muitas vezes me dá uma gana de não ceder…
Tenho tantas colegas com 15 e 25 pontos a menos que eu que são agora titulares.
Junho 24, 2008 at 9:36 pm
é desta que o mário nogueira vai a titular!
Junho 24, 2008 at 9:55 pm
Pedro Castro,
Se me permites, os professores já passaram a fase da “santa ingenuidade”, ou não!?
Agora a fase (já) é de ataque-defesa do M.E; defesa-ataque dos professores. Guerra aberta. E total.
Deveria ser Democratas v.s. Não-Democratas.
Artilharia. Fogo.
Junho 24, 2008 at 10:01 pm
like a rolling stone,
Professor do 10º escalão, não provido em titular.
Com 92 pontos. COMO!? Também gostava de saber, como? É (só) fazermos (bem) as contitas.
E aquela do ponto “x” da ordem de trabalhos da “negociata ME-sindicatos”!? É que com os tais 8 pontitos ele safa-se.
Até poderá vir a ser contemplado no 11º escalão.
Junho 24, 2008 at 10:26 pm
Já leram bem o documento ? Nãao é uma simples prova como fazem os inspectores de Finanças para mudarem de escalão .É uma complicação que acabamos por não saber afinal como seremos avaliados .Mais uma deste governo ! Agora percebo porque andaram a distribuir cargos aos amigos não titulares ,já sabiam que iriam ser necessário !
Junho 24, 2008 at 10:29 pm
O M Nogueira não vai a titular, para isso tinha que ir dar aulas, se já fosse estava safo!(Ainda não tem idade nem maturidade) ahahahahah
Esta legislação parece feita por um humorista, mas como à partida são inteligentes é um paradoxo!Não foi.
Já não falava assim desde o antigo 7º ano do ensino complementar dos liceus (1972).
Tsssssssssssssss!
Junho 24, 2008 at 10:50 pm
O ECD determina que o cargo de director do centro de formação só pode ser desempenhado por professor titular.
Junho 24, 2008 at 10:54 pm
HV, admito que possa ter-me enganado nessa passagem…
Junho 24, 2008 at 11:00 pm
O Director de Escola e, por conseguinte, Presidente do Pedagógico é que pode não ser Titular, penso eu de que…
Junho 24, 2008 at 11:02 pm
Certo. Basta ser QE e ter cinco anos de serviço.
Junho 24, 2008 at 11:37 pm
E atenção ao concursinho! É que, pelo que eu pude ver no meu papel para mudança de escalão (saído da boca do lobo, perdão de uma aplicação informática que os serviços administrativos usaram para calcular a data da mudança), quem não concorrer não sobe mesmo.
Junho 24, 2008 at 11:46 pm
A não ser que vá para a cama com a lurdinhas e faça serviço completo…pensando bem antes ficar no 7º escalão para sempre do que sofrer de sifilis e ter pesadelos para o resto da vida
Junho 24, 2008 at 11:49 pm
Herr Macintosch,
Acha que vale a pena dar-se a todo o trabalho de concorrer a quem está no índice 299 de vencimento?
Junho 25, 2008 at 12:05 am
Estou com o bigbrother! Ficar eternamente no 7º escalão e não ler mais nenhuma legislação!
Junho 25, 2008 at 12:17 am
prof.198,
eu também estou no índice 299. Não estou interessado em ter as chatices que vêm com o título de titular e ainda não sei se farei alguma coisa mas está em jogo algum dinheiro (mesmo que não entremos para titular ficamos num escalão intermédio). De qualquer forma, como só mudo lá para 2013 logo se vê…
Entretanto, o que eu acho extraordinário é que tenhamos de fazer uma prova não para um lugar mas para a possibilidade de nos candidatarmos a um lugar. A malta do ME anda a tomar uns produtos estranhos.
Junho 25, 2008 at 1:35 am
… e pobres dos entalados do 9º escalão: no concurso, perdão, sorteio para titular do ano passado, viram-se ultrapassados por muitos colegas do 8º escalão que foram postos em pé de igualdade; na réplica que se anuncia, vêem-se excluídos.
Claro que o mundo não é perfeito nem se pode imaginar qualquer modelo justo enxertado neste ECD e emanado dos iluminados da 5 de Outubro. Mas, caramba, poderiam fingir que se preocupavam minimamente com a coisa.
Junho 25, 2008 at 3:56 am
Estou no sexto. Lá por 2012 passarei para o sétimo. Quando me reformar, for despedido (ou for ter com S. Pedro), alegremente estarei no sétimo escalão.
Não há pachorra – nem tempo – para elaborar mini-teses de mestrado sobre coisa nenhuma. Se vivi com o salário actual até este dia, também viverei até ao fim dos meus dias.
Aliás, a minha tese é simples: se apenas a minoria dos adesivos participasse nesta tramóia, tudo caía pela base. Como não é assim…
Junho 25, 2008 at 3:58 am
Topo da carreira de Professor igual a Topo da Carreira de um Cabo da Guarda Nacional Republicana.
“E para mal dos meus pecados ao consultar o DR de hoje dou de caras com o Dec-Lei nº 104/2008 que regulamenta a prova pública e os concursos de acesso a professor-titular.
A carreira de um professor, o topo, termina no ex-7º escalão, o que equivale a uns 1300/1400 Euros.
Actuamente, claro!”
“1400 euros no final da carreira! É o que ganha um cabo da GNR em final de carreira.”
In,
http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3200789965596288971&postID=7326165132457342721
Ora tomem lá, professorzecos. A Fenprof (desculpem PCP) de filosofia “do descontentamento se implanta a ditadura do proletariado” deve estar muito contente. Está verdadeiramente a cumprir o (seu) ideal (ou quase). Digo “quase” porque os professores (ainda) não são “soldados-rasos” como é digno da “revolução do proletariado” em marcha.
Digam-me lá se o “Entendimento” não é bom!?
O Barroso agradece.
Junho 25, 2008 at 6:03 am
O que mais me dá no goto são aquelas 15 vagas a decidir pelo ministério para quem reunir 75 pontos. Os do 340 têm de ter 95. A quem se destinam as 15 vagas? Alguém fez contas…
Penso ter lido bem, se assim não tiver sido, corrijam-me por favor.
Quanto ao facto de, como diz o Dr. P. Guinote, isto já vir atrasado, presumo que seja por causa das eleições. Vamos ver se o resultado do concurso para o 340 – que vai levar muita gente a titular – não vai coincidir com a aproximação das eleições.
Haja memória…
Junho 25, 2008 at 11:09 am
António (21),
Um abraço solidário!
Junho 25, 2008 at 12:17 pm
Ó colega Herr Macintosh, já leu bem o Artigo 29º? Percebi mal ou isto quer dizer que quem está nos antigos 8ºe 9º escalões candidata-se nos mesmos moldes do primeiro concurso de 2007, portanto sem a dita prova? Leia com atenção s.f.f e diga-me alguma coisa.
Junho 25, 2008 at 2:44 pm
Paulo
Agradeço a simpatia em ter-me enviado o despacho. Há aqui uma pessoa em casa que ficou com a cabeça toda emaranhada… do emaranhado do dito… ainda não nos vimos livres da papelada de final de ano, já não agoiram boa coisa para o próximo! … sobretudo a nível das relações humanas… já andam alguns a olhar de lado para uns e outros… A ver vamos…
Junho 25, 2008 at 2:56 pm
(25)manuel,
Pelo que julgo ter percebido, o artº 29 destina-se aos docentes que não puderam concorrer no ano anterior por estarem sujeitos ao disposto na alínea c) do artº 15º do DL 15/2007 que diz que para serem opositores ao concurso “não estejam na situação de dispensa total ou parcial da componente lectiva”. (penso que este concurso especial é para esses casos, quer para os professores que estavam no índice 340, 245 e 299, respectivamente 10º, 8º e 9º escalões).
Junho 25, 2008 at 3:08 pm
Exacto Fernanda1.
É a tal questão que foi declarada inconstitucional.
Junho 25, 2008 at 3:14 pm
Sendo assim, deve ser revisto a referida alínea do ECD por ter sido declarada inconstitucional.
Primeiro esta alínea e depois todo o ECD.
Junho 25, 2008 at 3:39 pm
Obrigado colegas pelo esclarecimento. Isso quer dizer que para esses docentes o concurso obedece aos moldes do de 2007, (candidatura online) e não é necessário defenderem prova pública?
Junho 25, 2008 at 3:39 pm
Manuel,
certo! Mas o que é que isso tem a ver com o que eu disse anteriormente?
De qualquer maneira, a forma como eu leio o artigo 29º é uma afronta: eu tinha as condições para ser opositor, não tive foi lugar (bom, vendo bem até não foi mau…) e agora não poderei concorrer nesta modalidade porque já fui opositor, arriscando-me a ser ultrapassado. Por favor digam-me o que é que a gentalha do ME anda a tomar porque eu também quero!
Junho 25, 2008 at 3:42 pm
Fernanda1,
o artigo 29º, fala nos “(…) docentes que não puderam ser opositores ao primeiro concurso para lugares da categoria de professor titular (…)”. Pela lógica (que neste Ministério é inexistente, é verdade) quem foi opositor está fora, podendo vir a ser ultrapassado por outro professor que, no concurso anterior, estava a trás de si.
Junho 25, 2008 at 3:49 pm
Caro Herr Macintosh, talvez não seja assim. Como todos os dias as regras do jogo estão a mudar (e no concurso do ano passado foi o que se viu)parece-me que estes dois concursos (especial e extraordinário) serão uma forma de o ME tentar corrigir os disparates do último concurso e apaziguar as hostes (abrindo mais vagas para os que ficaram de fora) para evitar mais manifestações no próximo ano lectivo, véspera de eleições… Posso estar enganado…
Junho 25, 2008 at 3:59 pm
Mas o mais engraçado é que houve casos em que colegas foram opositores ao concurso anterior, mesmo estando na situação de dispensa total ou parcial da componente lectiva.Penso que dependeu da leitura que cada escola fez.Já não me lembro bem em que legislação se basearam.
Junho 25, 2008 at 4:14 pm
parece-me que estes dois concursos (especial e extraordinário) serão uma forma de o ME tentar corrigir os disparates do último concurso e apaziguar as hostes (abrindo mais vagas para os que ficaram de fora) para evitar mais manifestações no próximo ano lectivo, véspera de eleições…
Eu duvido muito, mas se for assim cá estarei para fazer o meu acto de contrição e penitência
. No meu departamento entravam, pelo menos, mais duas pessoas, o que significa mais despesa, ora a gentalha do ME agora é da raça do Tio Patinhas/Scrooge com uma boa percentagem genética da raça sovina (é mesmo sovina, não suína).
Junho 25, 2008 at 4:23 pm
Herr Macintosh, (32),
Se for ultrapassado, o que pode acontecer, é porque se chegou à conclusão que a tal alínea c) era inconstitucional, pelo que muitos colegas não puderam concorrer.
No entanto, esses colegas, aos quais é aplicado o DL 200/2007, não poderão contabilizar o tempo de serviço completo, pelo que vão perder pontos nesse item. Acho eu….
Junho 25, 2008 at 4:25 pm
Cara 35: a imensa maioria dos colegas que irão agora a titulares é do 340: não dão despesa nenhuma. Na minha escola são mais de 15 do 340 que agora irão. Por isso ninguém percebeu porque é que os não deixaram ir no primeiro concurso. Agora reparam a situação. Esta reparação deverá coincidar aproximadamente com as eleições de 2009. Veremos…
Junho 25, 2008 at 4:28 pm
35./
É verdade.
Mas não se podem dar ao luxo de mais manifestações de 100.000… entre eles socialistas… Agora com o PSD no caminho a coisa pia mais fino…
É preciso trabalhar para a imagem: aguentar a Milú no pelouro e fazer de conta que a avaliação de professores é um sucesso, pela primeira vez na vida de Portugal (mesmo se a fingir, como já se viu com os exames nacionais e provas de aferição…)
E depois, a verdade é que os do 8º, 9º e 10º escalão não mudam logo de índice, ficam no mesmo, pelo que não traz mais despesa, para já. Na legislatura seguinte volta-se a apertar o cinto… É que agora é necessário alargar, fazer mais uns furos, para ganhar eleições…
Junho 25, 2008 at 4:29 pm
Embora concorde com a análise que é feita, permita-me que corrija algo: de acordo com o Regime Jurídico da Formação Contínua, só pode ser Director de um centro de formação um profesor titular.
Junho 25, 2008 at 4:38 pm
Mais uma correcção ao seu comentário: este Decreto, na sua forma de projecto de decreto, já tinha sido “oferecido para negociação” aos sindicatos, na mesma altura em que foram entregues as propostas de diplomas para a regulamentação da avaliação do desempenho, dos períodos de formação, da definição de cargos técnico-pedagógicos e de outros 2 ou 3 de que não me recordo. E isto foi em finais de Agosto ou início de Setembro do ano passado e estiveram disponíveis quer na página do ME, quer nas páginas de alguns sindicatos. Provavelmente, foi deixado no esquecimento até agora ter sido finalmente publicado.
Junho 25, 2008 at 4:41 pm
O artigo 29º bem reparar aquilo que eu já tinha afirmado em post muito anterior.
Tendo sido declarado inconstitucional a impossibilidade de alguns docentes poderem concorrer só havia uma solução que era a de criar um concurso especial com as vagas ocupadas a não serem contabilizadas e a extinguir quando vagar.
Junho 25, 2008 at 4:58 pm
Fernanda1 (36),
eu até não sou prejudicado porque no meu departamento não houve ninguém impedido de concorrer, mas que isso pode acontecer, acho que sim. E aí a única forma de resolver a trapalhada (mais uma) é os tribunais.
Manuel (38),
é verdade! Eu só mudo de escalão lá para as calendas (por enquanto ainda não são as gregas) de 2012 ou 2013…
Junho 25, 2008 at 5:09 pm
38
Não sou tão optimista como o amigo… foi esta avozinha que a educação começou a ser vista como poço de despesas a cortar, cortar, cortar. A vovó detesta-nos… sempre fez tudo para nos prejudicar o mais possível.
Junho 25, 2008 at 5:20 pm
43/
É verdade, mas lembra-se como baixou a tola quando o Pinto de Sousa lhe puxou as orelhas e arranjou aquele “entendimento” com o Carvalho da Silva para o governo salvar a face? É que a Milú e os seus valetes já fizeram estragos demais à imagem… Agora é segurá-los enquanto der e trabalhar para a imagem que a campanha já começou…
Junho 25, 2008 at 6:27 pm
Eu penso é que o Pinto de Sousa, a Milu e os seus esbirros já fizeram o trabalho sujo que ela queria fazer e não teve coragem. Agora, como sempre, é mais difícil voltar a trás do que não deixar ir em frente. Nós acordámos tarde, a manifestação dos 100 000 deveria ter sido logo antes da implementação do estatuto da Carreira Docente.
Junho 25, 2008 at 6:41 pm
O que é certo é que praticamente TUDO continua como antes dos 100000. O que ganhámos?
ECD – igual, avaliação de desempenho, apenas uma versão soft este ano porque o próprio ME se apercebeu que não tinha condições para implementar a versão complex este ano. Para o ano, aí está tudo como previsto peleo ME.Concurso Professor Titular, prova pública, tudo como eles quiseram que fosse. Agora estamos todos cansados, desejosos de férias, nem nos apercebemos do que aí vem para o ano e depois pode já ser tarde. Uma pena termos desistido da luta. Como tenho dito “Tivemos o pássaro na mão e deixámo-lo fugir” É pena.:)
Junho 25, 2008 at 6:45 pm
Claro que devia, mas estavam todos no remanso do costume. Muitos ainda se devem admirar por terem ido à dos 100.000 pois até ali nunca tinham tido consciência de classe. De nada. Lá diz o poema do Mário Henriques Letria tão bem dito pelo Mário Viegas: uma nêspera estava muito quietinha na sua nespereira passou uma velha e disse olha uma nespera muito quietinha e zás comeu-a. É o que acontece às nêsperas, etc.
Eu nem sou praticamente afectado, mas é revoltante ter lido aqui que dois terços dos colegas nunca ganharão mais do que um cabo da GNR! Foi no que deu a mentalidade do remanso, que na verdade, ainda impera.
Junho 25, 2008 at 6:53 pm
é o meu caso. Como concorri no anterior e não fui provido por falta de vaga, vejo-me na circunstância de ver colegas do 8º escalão que me ultrapassam, sem terem, como eu terei, de fazer prova pública, porque em 2007 não cumpriam os requisitos que eu cumpria. Isto nem lembra ao diabo. lembro agora que expus o meu caso, por escrito, a um sindicato… nem me respondeu!
Junho 25, 2008 at 7:09 pm
É, normalmente os sindicatos não respondem aos mails, aliás parece-me não responderem a coisa nenhuma. Como tal a sua sobrevivência corre perigo e, por isso querem pôr-nos todos a pagar quotas… Acham normal???
Junho 25, 2008 at 7:10 pm
http://apede.pt/joomlasite/
Junho 25, 2008 at 7:16 pm
Huumm! não tive tempo para ler, mas dei uma volta e agradou-me mais que muitos sindicatos… O que não é difícil…
Junho 25, 2008 at 7:19 pm
Eu não percebo o que aconteceu aos 100000 que estiveram em Lisboa em 8 de Março?
Morreram ou “adesivaram”?
Os homens da recolha de lixo de Lisboa, os pilotos da aviação, os pescadores, os camionistas lutaram e venceram.
Agora serão os agricultores, os taxistas e os polícias, tendo a certeza que irão vencer uma vez que este governo é fraco com os fortes (corajosos e duros) e forte com os fracos.
Julgariam, porventura que sem uma greve de muita longa duração o governo iria ceder?
Eles (governo) estão-se nas tintas para as manifestações de 100000, 200000 , mas tenho a certeza que bastaria 4 a 5 dias de paragem dos professores e lá iria ECD, avaliação, gestão e titulares para o “galheiro”
Numa democracia, a força de um determinado grupo depende de 2 coisas: mercado (falta de mão-de-obra) e FORÇA REINVINDICATIVA.
Quando um professor diz-me que não faz greve por motivos económicos e depois descubro que vai de férias para as Maldivas, está tudo dito!
É certo que os sindicatos estão paralisados e sob controlo partidário, mas se houvesse uma greve por tempo ilimitado, gostaria de saber quantos alinhariam?
Caros colegas, basta um e um só sindicato apelar a uma greve! Gostaria era de ver a coragem dos professores e assumirem-se definitivamente como uma classe unida.
Desculpem a provocação, mas existe muita lamúria, discussões por vezes estéreis, mas muita pouca união e pior, muito pouca solidariedade.
Junho 25, 2008 at 7:33 pm
Olá quink..o concurso não interessa para nada…o que realmente interessa são as vagas que não existem ou sõ abrem por obra e graça do espirito santo..amen..e mssmo que abram alguém no seu juizo perfeito vai sair da escola ao pé de casa para concorrer para arranhais de cima?
Não esquecer que os pretendentes a estes lugares teem todos mais de 35 anos com familia e filhos…portanto a não ser ás lésbicas,gays(e mesmo estes sem parceiro prefeencialmenmte)feios e feias como um bode e que estão sózinhos..ou ainda aqueles que escolhem o celibato por opção é que este concurso unteressa..
Junho 25, 2008 at 7:33 pm
Leia o post Uma nova semana no meu bloge… “O que se vai passar? Depende. Se forem fraquinhos e não levantarem muito cabelo levam na tromba, e o governo virá vangloriar-se da sua implacabilidade; se forem um pouco mais fortes, isto é, daquela malta que tem bigode, arrota alto, deve cheirar mal e não sabe falar muito bem, então, o mesmo governo, reunirá com eles e abre a dita perninha, pagando todos nós, após os vermos vangloriarem-se de que dialogaram… Mais, quem irá pagar serão Instituições Públicas Sem Fins Lucrativos (como a Brisa…) sei lá: A Associação das Velhinhas Utentes dos Táxis, A Associação dos Empresários com Bigodes, A Associação dos Sócretinos Compulsivos, etc…”
Junho 25, 2008 at 7:36 pm
Então quink e se formos como as alternadeiras? Fazemos o serviçinho completo de uma forma discreta e limpinha e o governo talvez nos recompense..eheeheh…
Junho 25, 2008 at 7:38 pm
Mal saiu o dec-lei 104/2008, sabem que já existem professores que estão preparar a “tal tese” para a prova pública. Compraram uns livros de didáctica e ciências da educação, depois vão inventar o historias daquilo que fizeram e do que não fizeram e até ao fim deste ano vão já requerer a tal prova pública.
Com pessoas a actuar assim chegaremos a algum lado?
Disse-me há dias, um deputado do PS: “Vocês são as vítimas, porque há partida nós já sabíamos que a v/ força reinvindicativa é nula”.
Vejam este pragmatismo “socretino”: Não berras não comes.
Junho 25, 2008 at 7:42 pm
[em 56] estórias em vez de histórias.
Junho 25, 2008 at 7:46 pm
55
Temos é que começar a cheirar mal, arrotar e bloquear gasolineiras… como alternadeiras o homem parece que não gosta muito disso…
Junho 25, 2008 at 7:47 pm
56
Acredito piamente… há gente para tudo…
Junho 25, 2008 at 7:56 pm
Nesse caso vai a sangue frio e com gritos estridentes…
Junho 25, 2008 at 7:58 pm
Um abraço quink do mariense forever..ao menos naquele arquipelago o sindicato tem força..
Junho 25, 2008 at 8:00 pm
Olhem, acabo de saber agora que os taxistas já conseguiram que o governo abrisse a perninha… Vejam no Público on line, últimas…
Junho 25, 2008 at 8:09 pm
Pedro Castro
Disse há dias que a sua escola já tinha estratégias para dar a volta às grelhas. Não quer partilhar? Há muita gente que o faria , mas não vemos como!
Junho 25, 2008 at 8:12 pm
A Nossa Crise Mental
Que pensa da nossa crise? Dos seus aspectos — político, moral e intelectual?
A nossa crise provém, essencialmente, do excesso de civilização dos incivilizáveis. Esta frase, como todas que envolvem uma contradição, não envolve contradição nenhuma. Eu explico. Todo o povo se compõe de uma aristocracia e de ele mesmo. Como o povo é um, esta aristocracia e este ele mesmo têm uma substância idêntica; manifestam-se, porém, diferentemente. A aristocracia manifesta-se como indivíduos, incluindo alguns indivíduos amadores; o povo revela-se como todo ele um indivíduo só. Só colectivamente é que o povo não é colectivo.
O povo português é, essencialmente, cosmopolita. Nunca um verdadeiro português foi português: foi sempre tudo. Ora ser tudo em um indivíduo é ser tudo; ser tudo em uma colectividade é cada um dos indivíduos não ser nada. Quando a atmosfera da civilização é cosmopolita, como na Renascença, o português pode ser português, pode portanto ser indivíduo, pode portanto ter aristocracia. Quando a atmosfera da civilização não é cosmopolita — como no tempo entre o fim da Renascença e o princípio, em que estamos, de uma Renascença nova — o português deixa de poder respirar individualmente. Passa a ser só portugueses. Passa a não poder ter aristocracia. Passa a não passar. (Garanto-lhe que estas frases têm uma matemática íntima).
Ora um povo sem aristocracia não pode ser civilizado. A civilização, porém, não perdoa. Por isso esse povo civiliza-se com o que pode arranjar, que é o seu conjunto. E como o seu conjunto é individualmente nada, passa a ser tradicionalista e a imitar o estrangeiro, que são as duas maneiras de não ser nada. É claro que o português, com a sua tendência para ser tudo, forçosamente havia de ser nada de todas as maneiras possíveis. Foi neste vácuo de si-próprio que o português abusou de civilizar-se. Está nisto, como lhe disse, a essência da nossa crise.
fernando Pessoa
Junho 25, 2008 at 8:51 pm
quink,
O Governo chega a acordo com os taxistas, mas quem sentirá no bolso são os utentes dos taxis.
Com tantas cedências o Sócrates já perdeu parte do eleitorado de centro-direito que não se revia no PSD.
Tenho a impressão que a Manuela Ferreira Leite vai conseguir chegar a 1.ª ministra.
Junho 25, 2008 at 8:58 pm
O que para nós, segundo as afirmmações da senhora, ainda vai ser pior do que já é.
Junho 25, 2008 at 9:19 pm
Pior é possível, Maia?????
Junho 25, 2008 at 9:20 pm
Pior é possível, Maria?????
Junho 25, 2008 at 9:42 pm
Sempre que oiço falar do sorteio do ano anterior, fico possessa. Sou do 8 ºescalão, não tive vaga.Sou titular em comissão em comissão de serviço, coordenadora de departamento, presidente do conselho pedagógico e directora de turma. Devido ao novo decreto da educação especial, o número de turmas vai diminuir drasticamente. Vivo no interior esquecido, deprimido e envelhecido. Um destes dias a minha escola fecha, tal a diminuição de turmas do 3º ciclo. Estou afogada de trabalho. Nunca mais chegamos a 2009 e lá chegando o futuro é uma enorme incógnita.Precisava de um pouco de optimismo que me permitisse encarar de outro modo uma profissão que escolhi por vocação.
Junho 25, 2008 at 10:04 pm
65
Mas é para isso que eu tenho chamado à atenção…
Junho 25, 2008 at 10:09 pm
Mas nós não temos os tomates dos taxistas e dos caministas somos todos uma cambada de eunucos…nem que sodomizassem os nosssos parentes nós reagimos!
Junho 25, 2008 at 10:10 pm
camionistas…
Junho 25, 2008 at 10:10 pm
reagiriamos..
Junho 25, 2008 at 10:24 pm
Então, até os ossos nos vão comer…
Junho 25, 2008 at 10:30 pm
Maria Ferreira, se a sua escola fosse da área da DREN, é muito provável que já tivesse sido encerrada. Suponho que não seja.
Repare no que a DREN fez o ano passado:
http://educar.wordpress.com/2007/05/18/fatia-a-fatia-parte-2/
O mais provável é ser integrada num agrupamento de maiores dimensões, os mega-agrupamentos, artigo 7 do novo regime de gestão.
Mas eles só farão nova reorganização depois das eleições, já estamos em pré-campanha.
Junho 25, 2008 at 10:44 pm
Sem a menor dúvida quink..eu fiz até hoje cerca de 17 dias de greve…ouço sempre o mesmo: os meninos coitadinhos..a opinião pública…greves são para os comunistas..etc..as pessoas esquecem-se de que para terem as regalias sociais que hoje usufruem foi preciso muita luta …com greves, manisfestações e até vários milhares de mortos…como disse e muito bem Vicente jorge Silva, esta é a geração rasca…e mais á rasca vão ficar quando virem que não teem emprego, não podem consumir,vão ficar frustados, irados e aí simvão vir para a rua e partirr trudo..mas já será tarde demais
Junho 25, 2008 at 10:45 pm
O Dilema do Conhecimento Aldous huxley
Como todos sabemos, aprender pouco é algo perigoso. Mas o excesso de aprendizado altamente especializado também é uma coisa perigosa, e por vezes pode ser ainda mais perigoso do que aprender só um pouco. Um dos principais problemas da educação superior agora é conciliar as exigências da muita aprendizagem, que é essencialmente uma aprendizagem especializada, com as exigências da pouca aprendizagem, que é a abordagem mais ampla, mas menos profunda, dos problemas humanos em geral.
(…) O que precisamos fazer é arranjar casamentos, ou melhor, trazer de volta ao seu estado original de casados os diversos departamentos do conhecimento e das emoções, que foram arbitrariamente separados e levados a viver em isolamento nas suas celas monásticas. Podemos parodiar a Bíblia e dizer: “Que o homem não separe o que a natureza juntou”; não permitamos que a arbitrária divisão académica em disciplinas rompa a teia densa da realidade, transformando-a em absurdo.
Mas aqui deparamo-nos com um problema muito grave: qualquer forma de conhecimento superior exige especialização. Precisamos de nos especializar para entrar mais profundamente em certos aspectos separados da realidade. Mas se a especialização é absolutamente necessária, pode ser absolutamente fatal, se levada longe demais. Por isso, precisamos de descobrir algum meio de tirar o maior proveito de ambos os mundos – aquele mundo altamente especializado da observação objectiva e da abstração intelectual, e aquele que podemos chamar o mundo casado da experiência imediata, no qual nada pode ser apartado. Somos as duas coisas, intelecto e paixão, as nossas mentes têm conhecimento objetivo do mundo exterior e da experiência subjetiva. Descobrir métodos para unir esses mundos separados, mostrar a relação entre eles, é, penso eu, a mais importante tarefa da educação moderna.
Junho 25, 2008 at 10:48 pm
Este já a cinquenta anos ia muito á frente do seu tempo..
A Sugestibilidade Humana
Os ideais da democracia e da liberdade chocam com o facto brutal da sugestibilidade humana. Um quinto de todos os eleitores pode ser hipnotizado quase num abrir e fechar de olhos, um sétimo pode ser aliviado das suas dores mediante injecções de água, um quarto responderá de modo pronto e entusiástico à hipnopédia. A todas estas minorias demasiado dispostas a cooperar, devemos adicionar as maiorias de reacções menos rápidas, cuja sugestibilidade mais moderada pode ser explorada por não importa que manipulador ciente do seu ofício, pronto a consagrar a isso o tempo e os esforços necessários.
É a liberdade individual compatível com um alto grau de sugestibilidade individual? Podem as instituições democráticas sobreviver à subversão exercida do interior por especialistas hábeis na ciência e na arte de explorar a sugestibilidade dos indivíduos e da multidão? Até que ponto pode ser neutralizada pela educação, para bem do próprio indivíduo ou para bem de uma sociedade democrática, a tendência inata a ser demasiado sugestionável? Até que ponto pode ser controlada pela lei a exploração da sugestibilidade extrema, por parte de homens de negócios e de eclesiásticos, por políticos no e fora do poder?
Aldous Huxley, in ‘Regresso ao Admirável Mundo Novo’
Junho 25, 2008 at 10:59 pm
[63]Mariaprofessora na minha escola procedeu-se da seguinte forma:
1 – Antes de se iniciar a elaborar os descritores, definir os objectivos e remodelar o Porjecto Educativo começou-se por questionar a DGRHE sobre qualquer MÍNIMA DÚVIDA em termos de legislação.
2- Para cada dúvida de interpretação da legislação, ou por qualquer ilegalidade detectada o Conselho Pedagógico pedia esclarecimentos à DREN e DGRHE.
3- Após cada resposta de cada uma dessas entidades, mais outro pedido de esclarecimento até que…
4 – Presentemente não existe nada, ou quase nada preparado para que no próximo ano arranque a avaliação na minha Escola…
5 – Mais não digo, porque é pouco coveniente.
PS: O mais importante é o facto de haver um clima de bom-senso.
Junho 25, 2008 at 11:01 pm
em [79] conveniente em vez de coveniente.
Junho 25, 2008 at 11:02 pm
e também em [79] já agora projecto em vez de porjecto
Junho 25, 2008 at 11:15 pm
bigbrother [77]
O problema, aliás muito interessante, que transcreveu de Aldous Huxley remete para a necessidade da Filosofia na vida de todos. Se é suprimida do Ensino regular, resta aproveitar as outras formas de divulgação: os livros e os círculos de estudo, por vezes dinamizados pelas universidades. Quanto mais alto o edifício, mais profundas têm que ser as fundações – sob risco de desabar. Nesta metáfora, por desabar entenda-se tornarmo-nos peças inertes para a resolução dos nossos pr+oprios problemas individuais, mais ainda para os problemas de família, grupo profissional ou sociedade em geral.
Junho 26, 2008 at 12:44 am
Li todos os comentários e tirei a mesma conclusão de sempre: não se discute praticamente como acabar com esta treta; discute-se quem foi titular, quem não foi, quem virá a ser, etc., etc., etc. Por isso é que o tal deputado do PS disse o que disse. E com toda a razão.
Junho 26, 2008 at 12:01 pm
É como diz, António 83.
Tacitamente aceite o ECD (com a devida vénia ao marasmo dos sindicatos) legitimou-se tudo aquilo que de há um ano para cá nos molesta (… e divide, sem ganho para ninguém, muito menos para o ensino) e dele decorre naturalmente.
Julho 20, 2008 at 4:51 pm
No ano passado concorri a professora titular,com os pontos necessários,10º escalão, mas devido a um engano meu no preenchimento que não foi detectado pela comissão de verificação (!)não fui provida.Fiz recurso que foi rejeitado porque a culpa foi minha.Será que agora não posso concorrer? Não me interessa o título mas sabe-se lá o que pode vir a seguir.
Julho 20, 2008 at 4:56 pm
Maria,
Claro que pode concorrer.
Julho 23, 2008 at 5:40 pm
Obrigada,Da!