Já por aqui passaram, em diferentes momentos, algumas das medidas que por França estão a tentar ser implementadas por Xavier Darcos na área da Educação.

A polémica tem sido enorme e, lá como cá, multiplicaram-se os focos de contestação espontânea com vigílias nas escolas, reunindo professores e docentes que têm apelando á desobediência cívica.

O assunto ganhou enorme destaque na imprensa, ao ponto de até uma publicação essencialmente sarcástica e humorística como a Charlie Hebdo ter feito uma entrevista de dupla página a Plilippe Meirieu sobre o assunto. (nº 835, 18 de Junho de 2008, pp 8-9) Toda a entrevista é excelente, mas só me é possível neste momento digitalizar a parte inicial e deixar-vos com uma ou outra passagem mais interessante como esta sobre a forma como se está a tentar implementar no sistema francês um modelo de obediência hierárquica semelhante ao decorrente no novo modelo de gestão legislado por cá:

Assistimos desde há vários anos, e agora de forma acelerada, à ascensão do autoritarismo dos pequenos chefes, apoiados pelos grandes chefes, eles mesmos apoiados pelos grandes, grandes chefes.

De que chefes fala?

Os corpos de inspecção, as inspecções, os reitores… Esta hierarquia intermédia, encarregue de fazer aplicar as reformas, nunca esteve assim tão militarizada [caporalisé]. E os docentes que fogem à norma nunca estiveram assim vigiados. Fazem face a uma administração muito meticulosa. Esta chama à ordem, bloqueia as iniciativas. É preciso pedir autorizações sem fim. A Educação torna-se uma fábrica que nenhuma pessoa compreende bem.