Já por aqui passaram, em diferentes momentos, algumas das medidas que por França estão a tentar ser implementadas por Xavier Darcos na área da Educação.
A polémica tem sido enorme e, lá como cá, multiplicaram-se os focos de contestação espontânea com vigílias nas escolas, reunindo professores e docentes que têm apelando á desobediência cívica.
O assunto ganhou enorme destaque na imprensa, ao ponto de até uma publicação essencialmente sarcástica e humorística como a Charlie Hebdo ter feito uma entrevista de dupla página a Plilippe Meirieu sobre o assunto. (nº 835, 18 de Junho de 2008, pp 8-9) Toda a entrevista é excelente, mas só me é possível neste momento digitalizar a parte inicial e deixar-vos com uma ou outra passagem mais interessante como esta sobre a forma como se está a tentar implementar no sistema francês um modelo de obediência hierárquica semelhante ao decorrente no novo modelo de gestão legislado por cá:
Assistimos desde há vários anos, e agora de forma acelerada, à ascensão do autoritarismo dos pequenos chefes, apoiados pelos grandes chefes, eles mesmos apoiados pelos grandes, grandes chefes.
De que chefes fala?
Os corpos de inspecção, as inspecções, os reitores… Esta hierarquia intermédia, encarregue de fazer aplicar as reformas, nunca esteve assim tão militarizada [caporalisé]. E os docentes que fogem à norma nunca estiveram assim vigiados. Fazem face a uma administração muito meticulosa. Esta chama à ordem, bloqueia as iniciativas. É preciso pedir autorizações sem fim. A Educação torna-se uma fábrica que nenhuma pessoa compreende bem.

Junho 23, 2008 at 10:10 pm
Pois é… a senhora ministra tem familiares próximos que exercem a função docente em escolas de Viana do Castelo!
Junho 23, 2008 at 10:45 pm
Nos últimos dias temos sido bombardeados pelos media com reportagens sobre os alunos de leste. Parafraseando a A.D., até apetece dizer: os alunos portugueses são tão bons como os melhores.
Junho 23, 2008 at 10:50 pm
maria,
E em Valença.
Junho 24, 2008 at 9:24 am
Alguém me poderá explicar a relação entre os familiares da Ministra e a entrevista do Meirieu? Escapa-me…
Por outro lado: falando de diferenciação pedagógica, um dos compos de batalha do Meirieu desde sempre, uma possível «iniciativa» tão necessária no Primeiro Ciclo, nem imaginam os colegas como é necessária…: eu não consigo perceber como é que um professor que, isoladamente ou em conjunto queira fomentá-la, possa ter problemas com a gestão. No caso da minha escola não teria de certeza.
É claro que não conheço o contexto francês. Conheço o que penso ser o último livro do Meirieu, de 2007, Pédagogie – Le Devoir de Résister, mas a resistência de que ele fala é contra os que atacam as ciências da educação e gostariam – tb. em França – de regressar ao magister dixit – tu calas – e eu falo, modelo bem desenhado entre nós no livro A Pedagogia da Avestruz.
Enfim, vou ver se consigo ler a totalidade da entrevista, bem gostava.
Junho 24, 2008 at 9:30 am
Ora lá estive no Ch. Hebdo, ri-me um bocado, mas não vi sinais da entrevista. De modo que peço ao Dr. Paulo Guinote o favor de colocar aqui o link respectivo, o que desde já agradeço.
Junho 24, 2008 at 9:34 am
Gomes (#4), o comentário em causa deve estar no local errado.
Gomes (#5), a entrevista ocupa duas páginas, daquelas largas, da Charlie Hebdo, de que tenho edição em papel. Só que o meu multifunções, está cada vez menos multi e agora não me permite digitalizar mais do que um A5.
Junho 24, 2008 at 11:47 am
Obrigado. Também não se consegue ampliar a imagem do jornal.