Eu estou disposto a discutir tudo e mais alguma coisa, incluindo a evolução da ideia e configuração organizacional da Escola desde o tempo dos neandertais, acaso os neandertais tivessem deixado umas «papeladas» sobre o assunto.

Só que neste momento já passou demasiado tempo para nos estarmos a prender com esse tipo de questões.

Já sabemos que Escola te(re)mos nos próximos anos e difícil é fugir-lhe: um espaço onde depositar crianças e jovens o máximo de tempo possível e se possível, também, ensinando-lhes alguma coisa, mas sem lhes provocar danos irremediáveis à auto-estima e sem os esforçar muito.

Podemos não estar de acordo, podemos invocar coisas mais ou menos eruditas e clássicas, podemos insurgir-nos mas, pelo menos por uns anos, não haverá volta a dar a esta configuração actual da Escola.

Podemos é torná-la mais suportável e proveitosa para todos. Para alunos, famílias, docentes e todos os outros profissionais que por lá andam e mais uns quantos que deviam andar, mas custam dinheiro e agora é que ninguém vai querer contratá-los que as câmaras andam de finanças curtas.

Para isso é necessário ter ideias e não apenas resistir. Resistir sim, mas não jogando para apenas o empate, que é como quem diz, deixa lá isto cair e depois logo se vê.

Concordo que isto pode e deve cair, mas já agora preparemos o que pode ser o dia seguinte.

No debate de ontem houve quem – aparentemente a sério – se tenha orgulhado da «resistência dos professores» ter feito cair o anterior modelo de avaliação do desempenho docente. Pois, cair, caiu, mas como essa queda caímos todos da frigideira no fogo e ninguém se lembrou que isso poderia acontecer.

Resistência não pode significar inércia.

Resistir é também agir e não apenas por omissão.

Assim como reflectir não pode ser – desculpem-me lá os filósofos mais militantes presentes na ocasião – questionar o Pecado Original e a Queda do Homem.

Vivemos neste momento, e sendo peixinhos dentro do aquário ou fora dele, devemos criar uma alternativa ao aquário, para usar ainda a mesma metáfora.

A luta contra o aquário, porque é mau, só tem interesse se, depois de se partir o aquário, existir uma alternativa, caso contrário os peixinhos morrem todos…

Adenda: Claro que este é um post mais compreensível para as dezenas de presentes ontem no debate, mas acho a ideia geral é válida para mais leitores.