A peça, irónica q.b. e a merecer leitura completa é de Leonor Paiva Watson no Jornal de Notícias:

“Não somos burocratas”, diz o presidente do GAVE

Pinto Ferreita é professor universitário no Instituto Superior Técnico. O seu doutoramanto versa a inteligência artificial. Preside ainda ao gabinete responsável pela avaliação educacional do país.

Em plena maré de provas de aferição e exames nacionais, envoltos na polémica do ser ou não ser tudo demasiado fácil, Pinto Ferreira aceitou falar sobre o GAVE. Basicamente, garante, o GAVE sai à rua, vai às escolas, ouve, não é “um grupo de burocratas sem alma”.

Vou directa ao assunto. Há ou não há tendência para combater os maus resultados escolares com a redução do nível de exigência?
Não, não há e até fico muito magoado com a ligeireza com que se dizem essas coisas. Nós somos muito rigorosos. Relativamente às provas de aferição, por exemplo, posso dizer que são elaboradas por um coordenador e um conjunto de autores. Essas provas passam por auditores que verificam se aquelas estão de acordo com os programas. Depois são aplicadas a um conjunto de alunos nos Açores (aquele arquipelago tem outra avaliação) com a idade e o ano escolar apropriado. Posteriormente, é feita uma análise para determinar o grau de complexidade de cada questão. As mesmas são comparadas com as do ano anterior e é feita, ainda, uma auditoria final. Devo dizer que o tempo de resolução não se alterou em nada. É rigorosamente o mesmo.

Já relativamente aos outros exames…

Relativamente aos outros exames a preocupação não é de aferição, mas de avaliação. São provas que decidem vidas e a pior razão para se reprovar um aluno é ele não ter tido tempo para raciocinar. No ano passado verificamos que o tempo dos exames era insuficiente, assim, optamos por dar meia hora de tolerância. Para demonstrar competência é preciso tempo.

Estas passagens e outras da curta entrevista que é transcrita para além de me fazerem ficar particularmente divertido, convencem-me que o entrevistado é efectivamente especialista em inteligência artificial.

Extraordinária é ainda a parte em que alguns alunos açorianos são usados como cobaias para as provas de aferição…

Deve ser uma herança dos tempos em que para lá eram mandados degredados…