A peça, irónica q.b. e a merecer leitura completa é de Leonor Paiva Watson no Jornal de Notícias:
“Não somos burocratas”, diz o presidente do GAVE
Pinto Ferreita é professor universitário no Instituto Superior Técnico. O seu doutoramanto versa a inteligência artificial. Preside ainda ao gabinete responsável pela avaliação educacional do país.
Em plena maré de provas de aferição e exames nacionais, envoltos na polémica do ser ou não ser tudo demasiado fácil, Pinto Ferreira aceitou falar sobre o GAVE. Basicamente, garante, o GAVE sai à rua, vai às escolas, ouve, não é “um grupo de burocratas sem alma”.
Vou directa ao assunto. Há ou não há tendência para combater os maus resultados escolares com a redução do nível de exigência?
Não, não há e até fico muito magoado com a ligeireza com que se dizem essas coisas. Nós somos muito rigorosos. Relativamente às provas de aferição, por exemplo, posso dizer que são elaboradas por um coordenador e um conjunto de autores. Essas provas passam por auditores que verificam se aquelas estão de acordo com os programas. Depois são aplicadas a um conjunto de alunos nos Açores (aquele arquipelago tem outra avaliação) com a idade e o ano escolar apropriado. Posteriormente, é feita uma análise para determinar o grau de complexidade de cada questão. As mesmas são comparadas com as do ano anterior e é feita, ainda, uma auditoria final. Devo dizer que o tempo de resolução não se alterou em nada. É rigorosamente o mesmo.Já relativamente aos outros exames…
Relativamente aos outros exames a preocupação não é de aferição, mas de avaliação. São provas que decidem vidas e a pior razão para se reprovar um aluno é ele não ter tido tempo para raciocinar. No ano passado verificamos que o tempo dos exames era insuficiente, assim, optamos por dar meia hora de tolerância. Para demonstrar competência é preciso tempo.
Estas passagens e outras da curta entrevista que é transcrita para além de me fazerem ficar particularmente divertido, convencem-me que o entrevistado é efectivamente especialista em inteligência artificial.
Extraordinária é ainda a parte em que alguns alunos açorianos são usados como cobaias para as provas de aferição…
Deve ser uma herança dos tempos em que para lá eram mandados degredados…
Junho 22, 2008 at 11:23 pm
Pinóóóóóóóóquioooo….!!!! Isso é muito feio, com quem é que aprendesta a fazer isso???
Junho 22, 2008 at 11:28 pm
“Para demonstrar competência é preciso tempo.”
Quanto? Meia hora.
Junho 22, 2008 at 11:30 pm
Já os tenho visto…a apanhar cartões.
Junho 22, 2008 at 11:44 pm
O que acho mais estranho é que com tanta “aferição” tenham aparecido, ainda assim, tantos erros em provas de exame de anos anteriores… isto se todos os anos é feita esta maratona descrita com tanta minúcia.
Junho 23, 2008 at 12:06 am
Carlos Fiolhais ao Público no dia 20 de Junho passado:
…toda a gente, excepto o GAVE, percebe que os exames estão, em geral, cada vez mais fáceis..
Junho 23, 2008 at 1:05 am
Tanto e tão árduo trabalho! 16 testes num conjunto de disciplinas… só na minha (que é uma) num período fiz o dobro, mais um batalhão de fichas de trabalho (minhas) e muito trabalho árduo com os alunos (aula após aula, após aula…)… mas, infelizmente, a AULA – ENSINAR e APRENDER, é o que menos interessa.
Junho 23, 2008 at 1:06 am
Mais: no contexto actual, nem vale a pena o esforço de trabalhar e aprender!
Junho 23, 2008 at 1:14 am
Eu, PROF., sou (por imposição e nunca por opção ou formação) cada vez mais, uma burocrata! Este é, enquanto profissional, o meu drama, a minha mágoa e a minha desilusão!
Junho 23, 2008 at 1:25 am
“Estas passagens e outras da curta entrevista que é transcrita para além de me fazerem ficar particularmente divertido, convencem-me que o entrevistado é efectivamente especialista
em inteligência artificial.”!!!!!!!!
Ahahahahahahahahah!!!!!!!!!!
Junho 23, 2008 at 1:36 am
ALGUMAS VEZES A VELOCIDADE NÃO É TUDO:
At Leningrad University, which Perelman entered in 1982, at the age of sixteen, he took advanced classes in geometry and solved a problem posed by Yuri Burago, a mathematician at the Steklov Institute, who later became his Ph.D. adviser. “There are a lot of students of high ability who speak before thinking,” Burago said. “Grisha was different. He thought deeply. His answers were always correct. He always checked very, very carefully.” Burago added, “He was not fast. Speed means nothing. Math doesn’t depend on speed. It is about deep.”
http://kapslock.multiply.com/journal
Com isto NÃO estou a apoiar ou a desapoiar, neste contexto, a frase “Para demonstrar competência é preciso tempo“
Junho 23, 2008 at 6:48 am
Este tipo do gave: lacaio é o que ele é. Não passa de um lacaio e sabujo da M.
Junho 23, 2008 at 7:12 am
Caro Gomes
Se é para mim, tenho que lhe perguntar qual é a base com que faz essa afirmação e utiliza essa linguagem. Nunca fui lacaio de ninguém. Que sabe de mim?
NÃO VOLTO A COMENTAR, para não provocar este tipo de reacção – descabida – na minha opinião.
Devo dizer, no entanto, que aprendi sempre que visitei este blog, por isso, continuarei a visitá-lo.
Continuo a apreciar o trabalho dos professores, que vejo que não é nada fácil, aqui e agora.
Quando estudei, a escola era muito valorizada e respeitada, só isso já era toda uma diferença.
Junho 23, 2008 at 7:17 am
Caro Gomes!
DESCULPE COM AS LETRAS TODAS! NÃO ERA PARA MIM!
O MEU LAPSO FOI LAMENTÁVEL, devo reconhecer.
MAIS UMA VEZ, ACEITE AS MINHAS DESCULPAS.
Junho 23, 2008 at 7:44 am
Se Pinto Ferreita, director do GAVE, é especialista em Inteligência Artificial, desconheço. Mas que é especialista em Artifícios de Inteligência, isso é certo. Veja-se como o método que descreveu torna fácil aferir – no sentido rigoroso – a perigosidade de determinadas perguntas que, embora perfeitamente abrangidas pelo programa, logo legítimas, poderiam desviar os resultados dos objectivos estatísticos que o ME definiu antecipadamente para este ano. Com o requinte de deixar uma perguntinha que garantisse 5% de excelentes, o único argumento usado pela ministra para se defender da acusação de facilitismo.
Junho 23, 2008 at 6:32 pm
E diz o Director do GAVE: “Uma prova de aferição bem feita deve ter questões de vasta gama. Umas muito fáceis, cuja probabilidade de acertar será de 95%; e outras muito difíceis cuja probabilidade de acertar será de 5%”.
E pergunto eu, professor de Matemática e, logo, burocrata sem alma, quantas de cada? E se os nossos alunos são (os números t~em-no mostrado) bastante fracos, haver uma probabilidade de acerto numa questão de 5% significa mesmo que ela é muito difícil? Qual seria a probabilidade de acerto na mesma questão se fosse colocada a alunos Finlandeses ou Coreanos? Seja como for, bem que eu gostava que o sr. Director do GAVE me explicasse quais são as questões das provas de aferição correspondentes aos tais 5%. As outras, as fáceis e muito fáceis, consigo encontrar sem problemas e sem óculos.