Democracia sem povo
Um dos argumentos (parafraseando o taoísta, como não sei o seu nome chamo-lhe argumento) contra a submissão a referendo do Tratado de Lisboa, brandido por luminárias como Vital Moreira, é que ele é complexo de mais para o povo o perceber.
A maioria dos 27 optou, assim, pela ratificação parlamentar. Toda a gente se recorda ainda do complexo debate cívico que a ratificação suscitou no nosso Parlamento, onde têm poiso 230 sobredotados capazes de, ao contrário do povo, perceber perfeitamente complexidades. E não é que os irlandeses estragaram tudo, votando “não” quando deveriam ter votado “sim”? “Contrariado” com isso, Cavaco Silva sugeriu ao Governo irlandês que encontre “uma solução”. Só faltou acrescentar, como nas soluções para emagrecer, “pergunte-me como”. Sarkozy, por sua vez, quer que o referendo seja repetido até dar “sim”. E Berlusconi que as ratificações prossigam e se mande bugiar os irlandeses. Para alguns, a democracia é assunto complexo de mais para ser deixado ao povo. O ideal era uma democracia sem povo. O povo, quando vota (a democrata Mugabe que o diga), só atrapalha.
Junho 17, 2008
Opiniões – Manuel António Pina
Posted by Paulo Guinote under Democracia, Europa, Referendo[15] Comments
Junho 17, 2008 at 7:18 pm
Inteiramente de acordo com a análise! Por estes lados já se refinou no nível de democracia: não vota o povo mas os parlamentos!
Junho 17, 2008 at 7:29 pm
O povo só estorva.
Junho 17, 2008 at 8:01 pm
Também acho. O povo é chato.
A democracia não é um sistema perfeito, mas é o melhor que temos, dizia o outro.
Eu acrescentaria que a democracia é perfeita, mas sem o povo.
O povo estraga tudo, caramba!
Abaixo o povo!
Viva a democracia em potência!
Referende-se o povo no Parlamento!
O último estádio da democracia é a abolição do povo!
Elabore-se um livro branco com raça sobre a melga do povo!
Viva a democracia!
Viva a democracia!
Abaixo o povo!
Junho 17, 2008 at 8:08 pm
A cruz no boletim serve para (se) governarem á custa do povo. Para os modernaços, isso é que é a Democracia.
Quando a cruz no boletim não lhes é favorável deve-se aboli-la, simplesmente, porque o povo não compreende tanta “complexidade”.
É só rir, é só rir.
Junho 17, 2008 at 10:44 pm
Resta-nos esperar que o povo não tenha memória curta…
Junho 17, 2008 at 10:48 pm
Vão esperando por mim nas eleições para o Parlamento Europeu e vejam se eu estou lá!
Esta “corja” de intelectuais doutrinários desta “Europa imbecil” feita a martelo, acho que perderam a noção do ridículo!!!
Vão esperando!
Eu continuo a questionar para quem me quiser responder: para além da perda da soberania e da alma, formatada tecnocraticamente por uma estirpe de “euroburros”, o que é que Portugal ganhou com a entrada na UE (antiga CEE)? Continuamos tão pobres e aconomicamente tão atrasados como no dia em que para lá entrámos! Sim ou não?
Para além da “mama” dos subsidíos completamente desbaratados qual “ouro do Brasil” de barriga ao sol, para além do “tachismo” europeu que deu “emprego” a uma quantidade de políticos e de burocratas acantonados em Bruxelas e Estrasburgo, para além do imbecil e contra natura “federalismo”, o que resta?
Junho 17, 2008 at 11:05 pm
Como vêem, a única solução é constituir-se um partido cujo programa de governação, uma vez eleito, seja a instauração da democracia directa, a exemplo da Suíça.
Não vejo outra maneira de devolver aos cidadãos o poder de decidir e, especialmente, de nos vermos livres dos melgas, parasitas,… estes, estes…
anacolutos, anacoretas, anticristos, antropófagos, antropóides, antropopitecos, arlequins, autocratas, autodidatas, bandoleiros, baqui-buzuques, barbeiros, beberrões, belzebus, bexiguentos, boçais, braquicéfalos, brutos, bugres, cachalotes, canalhas, canibais, carniceiros, carrascos, carunchos, cataplasmas, centopéias, chimpanzés, coleópteros, contrabandistas, corsários, covardes, crocodilos, diplococus, dromedários, ectoplasmas, embusteiros, emplastros, esquizofrênicos, filhos do diabo, flibusteiros, heréticos, hipocampos, hipopótamos, iconoclastas, impostores, infames, insetos, invertebrados, judas, lepidópteros, libertinos, macacos, macrocéfalos, mamelucos, marinheiros de água doce, mazorqueiros, megalómanos, mercenários, miseráveis, moleirões, nefelibatas, nematóides, ornitorrincos, pamonhas, papuas, paranóicos, parasitas, paspalhões, patagões, patifes, paus-d’água, pedaços de analfabeto, pinguços, piratas de carnaval, piromaníacos, polígrafos, poltrões, quadrúpedes, ratazana, raquítico, renegado, rizópodo, saguis, salteadores, saltimbancos, sátrapas, selenitas, selvagens, traiçoeiros, traidores, troca-tintas, trogloditas, vampiros, vegetarianos, velhacos, vermes, visigodos, zuavos, zulus… que ocupam os lugares do poder.
Nota: Sim, sim, também leio o TinTim.
Junho 17, 2008 at 11:07 pm
Paulo, já lhe disse que não simpatizo com este boneco que me calha sempre? Já? Então digo outra vez!
Junho 17, 2008 at 11:17 pm
Ó Zé de Portugal parecias o capitão Haddock.
Junho 17, 2008 at 11:29 pm
Junho 18, 2008 at 12:29 am
A Democracia Suíça: chocolates, medicamentos, canivetes, bancos, relógios, diamantes, clínicas, desportos de inverno e frio de rachar. Portugal é bem mais saudável!
Junho 18, 2008 at 12:55 am
É, sim senhor.
Ao menos não engordamos com chocolates. Comemos bolacha Maria, óptimas para o trânsito intestinal e intelectual.
Junho 18, 2008 at 12:58 am
E diamantes também temos. Estão é em estado bruto.
O sol é a nossa mais-valia.
É pena é o cancro de pele estar a aumentar.
Tirando tudo o resto, somos efectivamente bem mais saudáveis.
Junho 18, 2008 at 1:43 am
Sinceramente, espero que não deixemos que os votos da Irlanda sejam ignorados.
Aquele milhão de votos representa muitos milhões pela Europa fora.
Ri-me com a Fernanda 1. Bom sentido de humor! (Já me vai faltando nestes dias…)
Junho 18, 2008 at 8:39 am
E continuem a votar neles. Porque da outra vez que o inginheiro ganhou foram os espanhóis que cá vieram votar. Porque ninguém votou neles!!!