Os conteúdos das comunicações do Encontro Temático sobre Educação especial já estão online no site da DGIDC.
Destaco, em particular a de Luís Capucha na qual se procura explicar como até agora todos temos estado errados e que agora com a CIF é que vamos finalmente ficar a perceber que as NEE são uma coisa completamente diferente do que pensávamos.
Não sendo especialista na área apenas me choca um bocadito que se confundam ou equiparem necessidades educativas com estados de saúde (física ou mental), mas que sei eu do assunto?




Junho 16, 2008 at 8:31 pm
A mim parece-me que é o paradigma das nee explicado aos LERDINHAS (que somos nós, claro).
Andamos à meses, desde que saiu o 3/2008 às voltas com a CIF, e ninguém se entende.
Quando pedimos relatórios por referência à cif, os médicos dizem-nos que não é da sua competência ou então não sabem do que falamos, psicólogos não há no agrupamento, a formação prometida foi um logro,…Mas a lei é para cumprir, dizem-nos da DREN!
Um bando de bestas.
Espero que isto seja um “ar” que passe na próxima legislatura. Entretanto brincam connosco e com os alunos.
Junho 16, 2008 at 9:19 pm
Mas o Luís Capucha é colega da sinistra no departamento de Sociologia do ISCTE e foi colocado na DGIDC pela própria. Esperava-se o quê (?)
Consultem, p.f.,
iscte.pt/departamento/11/3.jsp
Junho 16, 2008 at 9:26 pm
Vale a pena reler o que Luís Capucha referiu e que quando se perguntou o que era isso dos “1,8%”, a resposta que ao que parece era para dar ás escolas, era a de que se tratavam de “critérios políticos” (logo não “critérios técnicos”). Esclarecidos para que serve o cif-lava-tudo (!)
Mais “um investigador do ISCTE”!!!!
“Educação especial: Cerca de 24 mil alunos vão receber apoio
Cerca de 24 mil alunos do ensino básico e secundário com necessidades educativas especiais vão receber apoio especializado este ano lectivo, o que corresponde a 1,8% do total de alunos, segundo dados do Ministério da Educação.
Em declarações à agência Lusa, o director da Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular (DGIDC), Luís Capucha, adiantou que no passado ano lectivo eram 60 mil os alunos que beneficiavam de apoio ao abrigo da educação especial, um número que integrava, no entanto, casos de insucesso escolar não decorrentes de qualquer doença ou deficiência.
«O conceito de necessidades educativas especiais (NEE) começou a ser desvirtuado e até este ano aplicou-se também a alunos com problemas de insucesso escolar que não decorriam de qualquer deficiência e que precisavam de ser atacados com outro tipo de medidas», explicou o responsável.
Com a generalização do conceito, adiantou, o número de alunos com NEE estava a crescer a um ritmo de 10 mil por ano, o que causava fragilidades no sistema.
Para apurar o número de crianças com efectivas necessidades educativas especiais, a DGIDC procedeu em Junho e Julho a um levantamento junto de todas as escolas básicas e secundárias, a partir do qual identificou os cerca de 24 mil alunos que vão este ano beneficiar de apoio.
«Fizemos um levantamento exaustivo e estamos em condições de garantir que nenhum aluno com necessidades educativas especiais de carácter permanente vai ficar sem apoio. No ano passado era muito mais difícil garantir isso, porque o conceito não estava clarificado», assegurou Luís Capucha.
No âmbito da reforma que está a desenvolver nesta área, o Ministério da Educação alterou este ano as regras de colocação de professores de educação especial, que deixaram de ser destacados anualmente para passarem a ocupar vagas de quadro próprias, criadas nas escolas.
A tutela abriu 2.155 vagas para estes docentes, tendo sido posteriormente destacados outros dois mil, na fase de apuramento das necessidades residuais das escolas, «o que permite um rácio de menos de seis alunos por cada professor».
Um documento da DGIDC divulgado esta semana na Internet, com base num levantamento realizado no ano passado, aponta fragilidades no sistema de educação especial, nomeadamente «dificuldades nos processos de sinalização e avaliação das crianças com necessidades educativas especiais».
«Não podemos deixar de notar que as práticas (…) têm-se vindo a mostrar por vezes ineficazes. Esta situação teve consequências que consideramos graves, quer no que diz respeito ao atendimento dos alunos com necessidades educativas especiais, quer no que toca à organização geral da escola», refere o relatório.”
Diário Digital / Lusa
06-09-2006 13:59:00
Junho 16, 2008 at 9:33 pm
Mas o Luìs Capucha não tinha um filho doente mental?(vulgo mongo)
E a avó dele não sofria de alzheimer?
A mulher não tinha parkinson?
E o próprio Luís não é esquizofrénico e disléxico?
Junho 16, 2008 at 10:03 pm
Só tenho pena de não ter gravado o dia em que copiei este artigo, mas é de este ano de 2008:
(…)
No encontro com os jornalistas, o mesmo responsável rejeitou as críticas à utilização da Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF) na sinalização de crianças com necessidades educativas especiais.
«Muitos têm mentido a respeito da utilização da CIF. Essa classificação não pode ser utilizada em termos educativos. Andam a promover um terrorismo ideológico contra o ME e a escola inclusiva. É falso que haja um desinvestimento do Governo na Educação Especial» , concluiu Luís Capucha. Lusa/SOL
Não têm vergonha
Junho 16, 2008 at 10:11 pm
Ainda há pouco ouvi na TV um responsável eudativo finlandês (creio) dizer textualmente que uma das medidas prioritárias do sistema de ensino é o trabalho de um corpo de professores altamente especializado, sem turma, que trabalha com alunos com dificuldades logo á entrada do sistema educativo!!!!!!!
Já sabíamos que este número de professores, sem turmas,(claro) é mais ou menos nos primeiros anos igual ao dos professores que estão com turmas!!!!!!!!!!!!
Em Portugal (quase) não existiam. Agora “acabaram”. Fim.
Junho 16, 2008 at 10:19 pm
Descubra as diferenças
No último relatório da OCDE sobre o desempenho dos alunos com 15 anos, a Finlândia atingiu (pela segunda vez) o primeiro lugar global, liderando nas Ciências e ocupando as segundas posições na Matemática e Conhecimento da língua materna. Na mesma listagem, Portugal ocupou, respectivamente, os 38.º, 31.º e 38.º lugares entre 57 países.
E as desigualdades entre os dois países vão muito além do que um relatório baseado numa prova, feita por alguns milhares de alunos, pode ajudar a pôr a nú.
No ensino básico, onde Portugal mantém uma taxa de reprovação ou desistência anual de 10%, correspondentes a 115 mil retenções, a Finlândia tem casos residuais. E enquanto apenas 6% dos finlandeses não prosseguem estudos (em cursos gerais ou profissionais) após a escolaridade obrigatória, só 49,6% dos portugueses com idades entre os 20 e os 24 anos (dados de 2006) têm o secundário completo e a taxa de retenção neste ciclo atinge os 24,6% anuais, correspondentes a mais de 80 mil alunos.
Uma escola inclusiva
O que distingue uma educação valorizada mundialmente pela sua “excelência” de um País que tenta recuperar de um crónico atraso em relação aos seus parceiros na União Europeia?
Os meios não chegam para explicar a diferença. Em termos de percentagem do PIB gasto na educação, existe uma diferença de meio ponto percentual, inflacionada pelo facto de o PIB finlandês ser bastante superior ao nacional, mas que ainda assim não envergonha Portugal na comparação com outros países da OCDE. E ao nível do vencimento, se um professor finlandês ganha mais sete mil euros do que um português no início da carreira, ao longo da vida profissional um docente nacional acaba por atingir 40 mil euros/ano, inacessíveis aos colegas nórdicos.
Poderia supôr-se um maior controlo da qualidade do trabalho docente. Mas a verdade é que a progressão na carreira baseada na avaliação dos professores, que tanta polémica tem causado em Portugal, ainda não chegou à Finlândia, onde os sucessos e fracassos costumam ser analisados, escola a escola, em reuniões.
E também não se pode falar em mais carga horária, já que os alunos do ensino básico portugueses passam bastante mais horas na escola do que os finlandeses – que vão para casa às três da tarde -, além de começarem a escola um ano mais cedo, aos seis anos, e terem mais disciplinas.
As maiores diferenças entre os modelos poderão assentar na filosofia educativa. Na Finlândia, o estudante pode passar todo o ensino obrigatório na mesma escola, já que há um único ciclo do básico. Os professores conhecem-no e intervêm precocemente quando há problemas. Em Portugal, a reprovação continua a ser a “solução” para muitos alunos com dificuldades, e é precisamente nas transições de ciclo que os números do insucesso se agravam.
Junho 16, 2008 at 10:22 pm
Mais do mesmo
Quem entra numa escola na Finlândia se espanta com a simplicidade das instalações. Era de esperar que o sistema educacional considerado o melhor do mundo surpreendesse também pela exuberância do equipamento didático. Na verdade, na escola Meilahden Yläaste, em Helsinque, igual a centenas de outras do país, as salas de aula são convencionais, com quadro-negro e, às vezes, um par de computadores. Apesar do despojamento, as escolas finlandesas lideram o ranking do Pisa, a mais abrangente avaliação internacional de educação, feita pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O último teste, em 2006, foi aplicado em 400.000 alunos de 57 países. O Brasil disputa as últimas posições com países como Tunísia e Indonésia. O segredo da boa educação finlandesa realmente não está na parafernália tecnológica, mas numa aposta nas duas bases de qualquer sistema educacional.
A primeira é o currículo amplo, que inclui o ensino de música, arte e pelo menos duas línguas estrangeiras. A segunda é a formação de professores. O título de mestrado é exigido até para os educadores do ensino básico. Dar ênfase à qualidade dos professores foi um dos primeiros passos da reforma educacional que o país implementou a partir dos anos 70, e é nesse quesito que a Finlândia mais tem a ensinar ao Brasil. Quarenta anos atrás, metade da população finlandesa vivia na zona rural. A economia era dependente das flutuações do preço da madeira, já que 55% das exportações vinham da indústria florestal. Além dos bosques que cobrem 75% do território, o país só tinha a oferecer sua mão-de-obra barata. Os finlandeses emigravam em massa para vizinhos ricos, como a Suécia, em busca de melhores condições de vida. Preocupados com amá qualidade das escolas públicas, os pais estavam transferindo os filhos para instituições privadas de ensino. Em alguns desses aspectos, a Finlândia se parecia com o Brasil. A reforma educacional colocou a qualificação dos professores a cargo das universidades, com duração de cinco anos. Hoje, a profissão é disputadíssima (só 10% dos candidatos são aprovados) e usufrui grande prestígio social (é a carreira mais desejada pelos estudantes do ensino médio).
O segundo passo da reforma, em 1985, foi descentralizar o sistema de ensino. Por esse conceito, o professor é o principal responsável pelo desempenho de seus alunos: é ele quem
avalia os estudantes, identifica os problemas, busca soluções e analisa os resultados. O Ministério da Educação dá apenas as linhas gerais do conteúdo a ser lecionado. “Isso só é possívelporque os professores recebem um treinamento prático específico para saber lidar com tanta independência”, disse a VEJA Hannele Niemi, vice-reitora da Universidade de Helsinque, que trabalha com a formação de professores há três décadas. O currículo escolar também é flexível, decidido em conjunto entre professores, administradores, pais e representantes dos alunos. A cada três anos, as metas da escola são negociadas com o Conselho Nacional de Educação, órgão responsável por aplicar as políticas do ministério. “Queremos que os professores e os diretores, que conhecem o dia-a-dia da escola, sejam responsáveis pela educação”, diz Reijo Laukkanen, um dos membros mais antigos do Conselho Nacional de Educação.
O governo finlandês faz anualmente um teste com todas as escolas do país e o resultado é entregue ao diretor da instituição, comparando o desempenho de seus alunos com a média nacional. Cabe aos diretores e aos professores decidir como resolver seus fracassos. Esse sistema tem o mérito de fazer com que os professores se sintam motivados para trabalhar. A reforma educacional finlandesa levou três décadas para se consolidar. Pouco a pouco, as crianças voltaram a ser matriculadas nas escolas públicas e as instituições privadas foram incorporadas ao sistema do estado. Hoje, 99% das escolas são públicas e o aluno conta com material escolar, refeições e transporte gratuitos. Cerca de 20% dos estudantes recebem algum tipo de reforço escolar, índice acima da média internacional, de 6%. “Quando um aluno repete, perde toda sua motivação, torna-se amargo e pode até apresentar resultados piores que na primeira tentativa”, diz Eeva Penttilä, do departamento de educação da cidade de Helsinque.
O sucesso da educação fi nlandesa é, em parte, fruto das características únicas do país. A população, de 5,2 milhões de habitantes, é relativamente pequena e homogênea
Junho 16, 2008 at 10:45 pm
E muito frio, de rachar! Os intelektuais da 24 de Julho às vêses eskessem o klima!
Junho 16, 2008 at 10:46 pm
eheheh…eu fui uma da “tancinhas” que se deslocou a Lisboa! Santa ignorância……pensava eu aprender alguma coisa! Fiquei esclarecida com tanta pobreza de espírito. Não há mesmo nada a fazer porque as limitações são mesmo muito acentuadas!Importante para este ministério é: bem ou mal avaliar de acordo com a CIF. Sinto-me uma “barata tonta” sem saber muito bem o k devo fazer – preencher papelada inútil ou preparar a rapaziada para os exames k começam já amanhã?
Junho 16, 2008 at 11:03 pm
A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde [CIF] baseia-se num modelo conceptual transdisciplinar que prevê a articulação entre os serviços de saúde, segurança social, educação…, portanto, com a constituição de equipas multidisciplinares. O problema é que a grande maioria das escolas conta, somente, com os professores e os professores de educação especial não podem substituir os psicólogos, os médicos, os terapeutas, os técnicos da sgurança social. Enfim, um faz de conta com aos “roteiros de avaliação” dos alunos com NEE, melhor dizendo, das crianças e jovens com deficiência ou incapacidade.
Junho 16, 2008 at 11:36 pm
Paula, a CIF é da Saúde. Nós trabalhamos na Educação, daí o conceito central de Necessidades EDUCATIVAS Especiais.
No caso da Saúde pode-se utilizar o conceito de Necessidades Médicas Especiais, por exemplo.
Mas mesmo os médicos especializados que trabalham na Saúde consideram a tal de cif-lava-melhor obsoleta e estão a recusar-se liminarmente a tentar preencher seja o que for. Entretanto, já ouvi falar, que as “altas entidades saloias educativas portuganhesas” lançaram instruções para os professores não chatearem “os doutores”. Eles fazem (ou não) os relatórios que sempre fizeram os os professorzecos que os interpretem e prrencham a tal “coisa”.
Lindoooooooooooo (des)país.
Junho 17, 2008 at 12:19 am
A demagogia do “modelo relacional” de Capucha e Cia é o de fingir que a modificação das condições ambientais permite ultrapassar as incapacidades individuais e tornar todos “iguais”.
Como se fosse possível colocar em condições de igualdade um tetraplégico com o Cristiano Ronaldo, desde que se preencha a CIF e se actue correctamente de forma a serem criadas as “oportunidades” necessárias.
A isto chama-se charlatanismo de/para mongolóides licenciados.
Junho 17, 2008 at 2:11 am
Afinal o que é, será ou foi, um paradigma?
Junho 17, 2008 at 2:21 am
Anda tudo louco nas escolas a “cifar” os alunos com nee. As ordens superiores é que tudo tem que ficar concluído até terminarem as aulas. A pressão é enorme.
E cá andamos nós, a fazer o que os médicos se recusam ou então preenchem como lhes apetece (sei de um pediatra conceituado que assinalou quase todas as categorias da checklist das funções do corpo)e que sabemos não serve rigorosamente para nada. O gasto de papel, tonner e tempo é completamente inútil. Mas lá vamos obedecendo como carneirinhos.
Quanto à formação do ME nesta área foi para esquecer,devido à fraca qualidade da maioria dos formadores.
No entanto, um dia destes, ainda vão considerar especializados os docentes do ensino privado que a frequentaram, mas não sabem como foram seleccionados. Eles lá sabem o que fazem.
Junho 17, 2008 at 2:55 am
M.J.P., Maria João Pires, a arte feita CD, MP3 ou LP, onde está?
Junho 17, 2008 at 2:55 am
“Com conteúdos e qualidade muito diversos, as medidas de política educativa do actual
Governo manifestam, em qualquer caso, um princípio unificador bastante preciso: retirar direitos (”privilégios”, no entendimento dos responsáveis governamentais), poder e auto-estima aos professores dos ensinos básico e secundário. Intrigado com esta estranha
coerência, terminava José Gil a sua coluna na Visão de 21 de Fevereiro com a seguinte
interrogação: “Nisto tudo, porquê tanto ódio, tanto desprezo, tanto ressentimento contra a figura do professor?” Procurando contribuir para responder à pergunta, direi que a atitude governamental em causa, para se poder apresentar com tanta convicção e
coerência, teve de basear-se em alguns equívocos, que passo a tentar enunciar. Um
primeiro equívoco consiste em admitir que a sociedade portuguesa oferece aos jovens
condições homogeneamente favoráveis de acesso e de relacionamento com a escola, tornando por isso fácil e padronizável a acção pedagógica. Partindo deste equívoco, o corolário político extraído pela actual equipa ministerial foi o de que os alegados maus resultados obtidos no sistema educativo português são directamente imputáveis aos seus protagonistas maissalientes: os professores e os órgãos de gestão dasescolas.A verdade é
que, para sustentar tal posição, é precisoacreditar que: a sociedade portuguêsa não é marcada por fortes desigualdades económico-sociais; é estatisticamente irrelevante a
proporção de crianças e jovens a viverem em situação de pobreza ou em famílias com
horizontes de emprego precários; não há défices de instrução e de literacia muito
elevados entre a população adulta, portanto entre os pais de muitos alunos que hoje
frequentam a escola; não há falta de tempo nem de preparação de muitos encarregados de
educação para o acompanhamento escolar dos filhos; não há espaços residenciais
estigmatizados nem formas de socialização desviantes a eles associadas; não há diluição de factores de motivação para o trabalhoescolar induzidos pelo consumismo e por ilusões de ascensão social difundidas no campo dos media e dasindústrias culturais e de lazer; não há carências nem falta de coordenação entre instituições de apoio social às populações e grupos escolares mais desfavorecidos; não há desmotivação dos jovens para o
prosseguimento de estudos por falta de perspectivas profissionais valorizadoras das aprendizagens escolares; não há pressão para a saída precoce da escola em direcção a postos de trabalho precários e muito pouco qualificados (em Portugal ou até emEspanha); etc.O segundo equívoco é, em grande medida, uma projecção do primeiro no modo de conceber o quotidiano concreto das escolas e desdobra-se, também ele, em múltiplas crenças: os equipamentos escolares têm sempre grande qualidade; as turmas reais têm a dimensão que lhes atribuem as “médias” oficiais; é estável, transparente e coerente a
malha de regulamentação das actividades lectivas de iniciativa governamental (raramente avaliadas, aliás) a que os professores têm de se adaptar; não há alunos com dificuldades acumuladas nas turmas; há acompanhamento permanente a esses alunos por parte de equipas
pluridisciplinares devidamente preparadas e estáveis; há muito tempo disponível no
horário dos professores para se relacionarem com os colegas, para prepararem conscienciosamente as aulas e para se encontrarem consigo próprios no quadro de estratégias de autoformação consistentes e estimulantes; a sala de aula é um espaço de transmissão da mensagem pedagógica sem resistências nem dissidências por parte dos
receptores, e onde a indisciplina é pontual epassageira; não há sofrimento nem forte
incidência deburnout entre os docentes; etc. Assumidas estas ficções sobre a sociedade portuguesa e as suas escolas concretas, basta que se assuma também o pressuposto (individualista/subjectivista) segundo oqual a acção dos professores depende exclusivamente de qualidades e intenções que lhes são “próprias”, e não sobretudo, como acontece na prática social em geral, da estrutura de limitações e oportunidades com que se confrontam – basta que se assumam aquelas ficções eeste pressuposto para se começar a
acreditar, e depoisa jurar, que os problemas da escola portuguesa começam e acabam na
inabilidade, preguiça,”corporativismo”, desleixo, desinteresse dos professores,
responsabilizando-os publicamente por isso. Foi esta a armadilha intelectual em que se
deixou caira equipa ministerial, quase desde o momento em que iniciou funções. Daí à hostilização sistemática dos professores, habilmente mediada pelo ataque às suas
estruturas sindicais, não foi senão um passo. (…)Numa altura em que os teóricos da organização e gestão empresarial defendem cada vez mais a importância do envolvimento e participação criativa dos trabalhadores (encarados como actores “reflexivos”), desconfiando dos que teimam em racionalizar e controlar os comportamentos no espaço do trabalho sem ter em conta a pluralidade e riqueza das suas dimensões humanas, a obsessão “gestionária”do Governo no modo de conceber a actividade docente (actividade relacional por excelência) tem o seu quê de anacrónico – e pode vir a ter consequências muito negativas, se não forem revistas alguns dos seus fundamentos e modos de concretização.”
José Madureira Pinto; Sociólogo; professor da Universidade do Porto
(edição de Domingo, 9 de Março de 2008, no Público)
Junho 17, 2008 at 3:06 am
Talvez MJP esteja em Saragoza, a interpretar Grieg na Expo. Estas coisas da Kultura nunca se sabem.
Junho 17, 2008 at 3:23 am
Afinal Zaragoza estava aqui, com php e tudo, ao alcance de um dedo. MJP onde está?
http://www.expozaragoza2008.es/
Junho 17, 2008 at 9:27 am
De acordo com esta nova legislação, a minha filha de 12 anos, com Trissomia 21, não tem necessidade de apoio. Vou ter que voltar ao médico e pedir-lhe que «estique» um bocadinho a verdade…
Como já tenho que a levar à junta médica de 5 em 5 anos para obter os (escassos) benefícios fiscais a que tem direito – talvez haja a esperança de que a cada 5 anos a Trissomia 21 se cure, aliás, um dos membros da última junta perguntou-me se o problema da criança era de nascença! – já estou habituada ao surrealismo desta terra onde vivemos…
Junho 17, 2008 at 10:28 am
anahenriques, 12, o meu agrupamento recebeu ordens” da dren para os professores preencherem a cheklist das funções do corpo caso os médicos não o façam, foi dito que a responsabilidade de ter os processos em ordem é nossa – escola.
Nós não preenchemos, mas há colegas em agrupamentos de Guimarães que o executivo as mandaram para as salas de espera dos centros de saúde para falar com os médicos, para clínicas, falar com psicólogas, etc. Sem ajudas de custo. é evidente.
É um salve-se quem puder!!
Junho 17, 2008 at 10:57 am
Considero esta iniciativa óptima, para se dizer a “verdade” e não sermos penalizados por isso(profissional/pessoalmente).
As pessoas nem sonham…
Aqui,
queixasdeprofessores.blogspot.com/
Junho 17, 2008 at 11:20 am
BigBrother:
os seus comentários, dada a sua grande qualidade, vão para o meu blog.
Junho 17, 2008 at 12:47 pm
Reina a confusão total.
Pelo facto de não ser autista, multideficiente ou cego-surdo, isso não exclui automaticamente nenhum aluno da referenciação de NEE de carácter permanente ou de outras medidas de apoio.
Creio que se o ME pretende reduzir as despesas com os apoios educativos, restringindo ao máximo a categoria de NEE, também não é menos verdade que havia muitas escolas que inflacionavam de forma aberrante o número de alunos NEE.
Não vou entrar em pormenores, pois efectivamente até conheço vários casos de abusos nas sinalizações e mesmo de “incúria pedagógica”, mas seria bom que pelo menos em relação aos pais os docentes não fizessem um contra-jogo sujo, do mesmo tipo que o Ministério exerce.
Em relação ao processo CIF, acho esclarecedor que o mecanismo de construção e aplicação do mesmo nas escolas não tenha um responsável nominal a quem possa ser assacada, em última instância, a condução e conclusão dos diferentes passos. A quem interessa esta confusão e ambiguidade ? Talvez a ideia seja a do desenrascanço e a do faz-de-conta. Mais uma indicação de que todo o processo irá ser um enorme equívoco sem qualquer utilidade para os alunos e para qualidade dos apoios.
Mas então assuma-se a rejeição frontal da CIF.
Junho 17, 2008 at 8:32 pm
“O CNE vai encontrar a chave. Há que esperar pelo parecer…
Finlândia, Irlanda e Espanha são casos de sucesso na Educação e exemplos a seguir por Portugal. É a opinião do Conselho Nacional de Educação que convidou especialistas dos países a contarem o segredo educativo.
A Finlândia tem muitas horas de aprendizagem dentro da sala de aula, mas a chave do sucesso é mesmo a aposta em professores de apoio nos primeiros quatro anos de escolaridade.(…)
Tudo, exactamente, ao contrário da Finlândia tão falada pelos modernaços : em Portugal não existem professores de apoio aos alunos em dificuldades!!!!
Zero. ZERO. ZERO.
Junho 17, 2008 at 11:51 pm
Segundo o Director Geral da DGIDC, Luís Capucha, nenhum aluno fica de fora, as dificuldades de aprendizagem são atendidas no âmbito das medidas previstas no Despacho Normativo nº 50/2005, no Despacho nº 453/2004 e no Despacho nº1/2006.
Trabalho com alunos com dificudades de aprendizagem específicas e que necessitam de um apoio individualizado que não pode ser dado por professores de educação especial. Quem os irá apoiar? O director de turma, em regime de tutoria?