Even middle-class children are suffering from neglect
Rachel Johnson says that working mothers, divorce, Polish nannies and an obsession with extra-curricular activities mean that our children are seeingless of their parents than at any time in the last 100 years
And when did you last see your children? Before you both left at the crack for the office? When they were already in bed? Or do you only see them — let’s be brutally realistic here, given our divorce rate — at alternate weekends?
So we don’t need to ask any more who tucks them up at night, takes them to school, listens to their Homeric summaries of Harry Potter books, buys them Start-rites, takes them to the dentist, finds out they’re upset, do we?
E quem discorda deste estado de coisas é porque é conservador, atávico, não percebe o progresso, etc, etc. Por cá, algumas «famílias» em vez de reivindicarem melhores condições laborais exigem mais AEC para a sua prole, para manter a criançada o mais tempo fora de casa que é possível. Em contrapartida, quem quer regressar a casa mais cedo pelas razões contrárias cada vez tem maiores dificuldades.

Junho 16, 2008 at 11:27 am
É o absurdo disseminado quase à escala global. As crianças entregues a estranhos, por muito bons que estes sejam, quase 24 horas por dia.
Cada vez se ouve mais dos alunos “O meu pai? Assinar isto? Mas só vou estar com ele no Domingo, aliás, daqui a duas semanas, aliás, acho que depois vai para fora uns dias, para descansar e fico com a minha avó… talvez esteja com os meus pais no meu dia de anos, mas se calhar vão para o Algarve/a quinta/Marbella (… ) (preencher o espaço em branco)e talvez eu fique com uma tia, porque tenho de estudar…”.
Quando as pessoas resolvessem ter filhos, deviam assinar algum termo de responsabilidade, assumindo-os para o resto da vida, ou pelo menos até à maioridade daqueles. Mas não, todos querem passar pela experiência da maternidade ou da paternidade, assim como quem “experimenta” salto de elástico ou uma bebida exótica, mas depois, se essa “experiência” se prolongar pela primeira infância, já é uma sorte para os rebentos.
Irritam-me aquelas reportagens tipo TVI sempre que há qualquer pausa de Páscoa ou Carnaval : “Os filhos sem aulas são o início de uma dor de cabeça para os pais,pois não sabem o que fazer com eles ,bláblá “.
Por outro lado, a maioria dos pais realmente responsáveis e comprometidos vão tendo, esses sim , uma dor de cabeça, de cada vez que tentam que o patrão os deixe sair mais cedo para participar numa reunião da escola do filho, ou quando pretendem ter pelo menos os fins-de semana ou finais do dia para dedicar à sua família.
Tanto se fala em modernidade, mas cada vez mais se clama que o país vai enriquecer apenas se passar a não ter feriados ou horários de 12 horas laborais.
Em Portugal, não se sabe organizar a sociedade como um todo. Não abrimos os olhos (ou não o queremos) para o facto de as crianças alienadas e quase abandonadas de hoje virem a ser os delinquentes ou os pobres de amanhã.
Já que há tanta tendência para se citar os países escandinavos, porque não se olha realmente para a estruturação social que eles têm obtido, quase obrigando os pais a passar mais tempo com os filhos recém-nascidos, estabelecendo horários até ao meio da tarde para o restante do dia ser dedicado à vida familiar, incentivando as férias em família (por exemplo, com pousadas receptivas aos casais com filhos e para eles preparadas), etc.
Para quando pensar-se Portugal para uma vida comum honrada, embora modesta, equilibrada mas verdadeiramente feliz ?! Para quando a inteligência independente a orientar-nos ?
Junho 16, 2008 at 11:34 am
No post anterior, queria dizer “apenas se passar a não ter feriados ou SE PASSAR A TER horários DIÁRIOS de 12 horas”.
Junho 16, 2008 at 12:30 pm
Quantos pais compreenderão que são insubstituíveis na formação dos filhos? Muitos encaram com desagrado, em tempos de alta tecnologia, a escravização a horários laborais absurdos. Outros, se tivessem a possibilidade de começar muito cedo o dia de trabalho para se encontrarem libertos, a fim de usufruirem de tempo de qualidade com a miudagem, talvez continuassem a pensar que compete a terceiros a tarefa global de acompanhamento… e o mais preocupante é que tudo parece, cada vez mais, estruturado de forma a criar esta ideia.
Sabemos que há países onde existe a possibilidade de começar às 7h da manhã a trabalhar e onde as escolas, por esse motivo, encerram às 16 horas.
Quando se apregoa uma maior participação dos pais na vida escolar, como poderá ser isso levado à prática na nossa realidade? Os directores de turma não duvidam que alguns encarregados de educação não têm mesmo possibilidade de se deslocarem regularmente à escola para se inteirarem acerca do desempenho dos seus filhos pois, por muito que flexibilizem os seus horários de atendimento, não conseguem a presença dos EEs. Não acredito que seja mera desresponsabilização devendo-se, a maior parte das situações, a este “admirável mundo novo”… o problema da ausência parental já se começa a sentir nos jardins de infância- em pedagógico tenho assistido a relatos da representante deste nível de ensino e não deixo de ficar preocupada com o quadro.
Junho 16, 2008 at 12:46 pm
Como é que este e outros posts do Paulo continuam a assinalar que não têm comentários (No Comments)? Agora já não somos gente ?
Junho 16, 2008 at 1:06 pm
grelhada
De vez em quando é necessário fazer o “refrescamento” (refresh) da página. Ainda assim não está garantido que apareça logo o comentário, porque há máquinas pelo caminho que armazenam temporariamente (cache) a página já desactualizada e, quando recebem novo pedido para a mesma página (identificada pelo URL, http://educar.wordpress.com, por exemplo), limitam-se a despachar a página que já têm em memória sem reencaminharem o pedido para o servido original.
Junho 16, 2008 at 1:17 pm
A entrega dos filhos a cargo de especialistas do Estado é sempre uma tentação para quem tem da vida uma visão programada e dependente de um plano.
Daí até considerar os filhos como um “bem público” e as famílias como um prolongamento do Estado, vai um pequeno passo ideológico, alimentado pela Nomenklatura jacobina.
Quando as regras do mercado se conjugam com o autoritarismo do Estado, estamos no mundo da burocracia europeia e no reino terapêutico de controlo e alienação dos produtores-consumidores ao serviço da acumulação capitalista.
Toda a política de controlo e “planeamento familiar”, associada à estratégia da “escola inclusica a tempo inteiro”, aposta naquilo que alguns socioburocratas e psicocomissários chamam de “projecto de vida”.
A planificação integral da vida, do nascimento ao caixão, faz parte de um projecto global de domesticação e ligação de envólucros humanos ao mercado do Capital.
A alma e o espírito (termos românticos para a liberdade individual de pensamento), quando não podem ser canalizadas para o lucro e a alienação, devem de ser erradicadas da espécie humana, porque são o último garante da Liberdade e da luta contra a submissão aos imperativos da exploração, da humilhação e da perversão.
Daí a grande contradição que se observa na Educação. Por um lado quer-se preservar a “escola pública” enquanto parque zoológico de formatação das crianças para o mercado capitalista; por outro lado requer-se uma armada de pastores e evangelistas rendidos aos encantos da tecno-burocracia capitalista, quer do lado dos docentes que devem inculcar as competências para se ser um bom cidadão europeu, quer do lado das famílias que devem aceitar que os seus filhos sejam contabilizados como “bens públicos” ao serviço da exploração e alienação mercantil.
Daí o engodo da “escola inclusiva”, qualquer coisa de inquietante para quem defende a liberdade de ensinar e aprender, mas adequadamente camuflado sob o manto diáfano do “igualitarismo” cristão e da “solidariedade” das seitas, ou seja, uma outra forma de difundir a ideologia dos escravos na Comunidade Europeia da Nomenklatura.
Junho 16, 2008 at 1:46 pm
Não é a família que é um prolongamento do Estado mas o Estado que pode ser, no melhor dos casos, uma associação de reforço da família. Se esta inversão não for reconhecida e dela se retirarem todas as ilações, não será possível fugir às piores consequências. Porém, isso é um acto da vontade e responsabilidade de cada um. Quem se deixa embalar nos cantos de sereia, não tente descobrir culpados para além do próprio.
Junho 16, 2008 at 1:53 pm
Um dia destes, vão ser os paizinhos a ir parar ao hospital com um
pontapé e um murro das criancinhas no olho esquerdo
Criancinhas
A criancinha quer Playstation. A gente dá.
A criancinha quer estrangular o gato. A gente deixa.
A criancinha berra porque não quer comer a sopa. A gente elimina-a da ementa e acaba tudo em
festim de chocolate.
A criancinha quer bife e batatas fritas. Hambúrgueres muitos. Pizzas, umas tantas. Coca-Colas, às
litradas. A gente olha para o lado e ela incha.
A criancinha quer camisola adidas e ténis nike. A gente dá porque a criancinha tem tanto direito
como os colegas da escola e é perigoso ser diferente.
A criancinha quer ficar a ver televisão até tarde. A gente senta-a ao nosso lado no sofá e passa-lhe
o comando.
A criancinha desata num berreiro no restaurante. A gente faz de conta e o berreiro continua.
Entretanto, a criancinha cresce. Faz-se projecto de homem ou mulher.
Desperta.
É então que a criancinha, já mais crescida, começa a pedir mesada, semanada, diária. E gasta
metade do orçamento familiar em saídas, roupa da moda, jantares e bares.
A criancinha já estuda. Às vezes passa de ano, outras nem por isso. Mas não se pode pressioná-la
porque ela já tem uma vida stressante, de convívio em convívio e de noitada em noitada.
A criancinha cresce a ver Morangos com Açúcar, cheia de pinta e tal, e torna-se mais exigente com
os papás. Agora, já não lhe basta que eles estejam por perto. Convém que se comecem a chegar à
frente na mota, no popó e numas férias à maneira.
A DEVIDA COMÉDIA
Miguel Carvalho
A criancinha, entregue aos seus desejos e sem referências, inicia o processo de independência
meramente informal. A rebeldia é de trazer por casa. Responde torto aos papás, põe a avó em
sentido, suja e não lava, come e não limpa, desarruma e não arruma, as tarefas domésticas são
«uma seca».
Um dia, na escola, o professor dá-lhe um berro, tenta em cinco minutos pôr nos eixos a criancinha
que os papás abandonaram à sua sorte, mimo e umbiguismo. A criancinha, já crescidinha, fica
traumatizada. Sente-se vítima de violência verbal e etc e tal.
Em casa, faz queixinhas, lamenta-se, chora. Os papás, arrepiados com a violência sobre as
criancinhas de que a televisão fala e na dúvida entre a conta de um eventual psiquiatra e o derreter
do ordenado em folias de hipermercado, correm para a escola e espetam duas bofetadas bem
dadas no professor «que não tem nada que se armar em paizinho, pois quem sabe do meu filho
sou eu».
A criancinha cresce. Cresce e cresce. Aos 30 anos, ainda será criancinha, continuará a viver na
casa dos papás, a levar a gorda fatia do salário deles. Provavelmente, não terá um emprego. «Mas
ao menos não anda para aí a fazer porcarias».
Não é este um fiel retrato da realidade dos bairros sociais, das escolas em zonas problemáticas,
das famílias no fio da navalha?
Pois não, bem sei. Estou apenas a antecipar-me. Um dia destes, vão ser os paizinhos a ir parar ao
hospital com um pontapé e um murro das criancinhas no olho esquerdo. E então teremos muitos
congressos e debates para nos entretermos.
A devida Comédia
Artigo publicado na revista VISÂO online
por Miguel Carvalho
por
Junho 16, 2008 at 1:56 pm
Assim está mais correcto:
Um dia destes, vão ser os paizinhos a ir parar ao hospital com um
pontapé e um murro das criancinhas no olho esquerdo
Criancinhas
A criancinha quer Playstation. A gente dá.
A criancinha quer estrangular o gato. A gente deixa.
A criancinha berra porque não quer comer a sopa. A gente elimina-a da ementa e acaba tudo em
festim de chocolate.
A criancinha quer bife e batatas fritas. Hambúrgueres muitos. Pizzas, umas tantas. Coca-Colas, às
litradas. A gente olha para o lado e ela incha.
A criancinha quer camisola adidas e ténis nike. A gente dá porque a criancinha tem tanto direito
como os colegas da escola e é perigoso ser diferente.
A criancinha quer ficar a ver televisão até tarde. A gente senta-a ao nosso lado no sofá e passa-lhe
o comando.
A criancinha desata num berreiro no restaurante. A gente faz de conta e o berreiro continua.
Entretanto, a criancinha cresce. Faz-se projecto de homem ou mulher.
Desperta.
É então que a criancinha, já mais crescida, começa a pedir mesada, semanada, diária. E gasta
metade do orçamento familiar em saídas, roupa da moda, jantares e bares.
A criancinha já estuda. Às vezes passa de ano, outras nem por isso. Mas não se pode pressioná-la
porque ela já tem uma vida stressante, de convívio em convívio e de noitada em noitada.
A criancinha cresce a ver Morangos com Açúcar, cheia de pinta e tal, e torna-se mais exigente com
os papás. Agora, já não lhe basta que eles estejam por perto. Convém que se comecem a chegar à
frente na mota, no popó e numas férias à maneira.
A DEVIDA COMÉDIA
Miguel Carvalho
A criancinha, entregue aos seus desejos e sem referências, inicia o processo de independência
meramente informal. A rebeldia é de trazer por casa. Responde torto aos papás, põe a avó em
sentido, suja e não lava, come e não limpa, desarruma e não arruma, as tarefas domésticas são
«uma seca».
Um dia, na escola, o professor dá-lhe um berro, tenta em cinco minutos pôr nos eixos a criancinha
que os papás abandonaram à sua sorte, mimo e umbiguismo. A criancinha, já crescidinha, fica
traumatizada. Sente-se vítima de violência verbal e etc e tal.
Em casa, faz queixinhas, lamenta-se, chora. Os papás, arrepiados com a violência sobre as
criancinhas de que a televisão fala e na dúvida entre a conta de um eventual psiquiatra e o derreter
do ordenado em folias de hipermercado, correm para a escola e espetam duas bofetadas bem
dadas no professor «que não tem nada que se armar em paizinho, pois quem sabe do meu filho
sou eu».
A criancinha cresce. Cresce e cresce. Aos 30 anos, ainda será criancinha, continuará a viver na
casa dos papás, a levar a gorda fatia do salário deles. Provavelmente, não terá um emprego. «Mas
ao menos não anda para aí a fazer porcarias».
Não é este um fiel retrato da realidade dos bairros sociais, das escolas em zonas problemáticas,
das famílias no fio da navalha?
Pois não, bem sei. Estou apenas a antecipar-me. Um dia destes, vão ser os paizinhos a ir parar ao
hospital com um pontapé e um murro das criancinhas no olho esquerdo. E então teremos muitos
congressos e debates para nos entretermos.
Artigo publicado na revista VISÂO online
por Miguel Carvalho
Junho 16, 2008 at 2:17 pm
Triste verdade, sem dúvida. A isto chegámos. Há não muito tempo li esta coisa espantosa na sequência do caso McCann: na Inglaterra os fabricantes de mesas para salas de jantar já não as conseguem vender! De facto, parece que as famílias inglesas conseguiam comer juntas ao Domingo e para isso servia a mesa. Agora, como não vendem mesas, conclui-se que nem ao Domingo!
Junho 16, 2008 at 2:20 pm
Só mais uma coisa sobre sofrer por causa do «neglect»: é ler nas extraordinárias memórias de Doris Lessing as páginas sobre isso. Também parece que esta é uma coisa very british… E vem de longe… O pior é que se espalha…
Junho 16, 2008 at 2:23 pm
Ainda outra: analisando as parangonas do Spectator aquilo está profundamente errado: não se deve perguntar aos filhos quando viram pela última vez os pais mas aos camelos dos pais quando viram pela última vez os filhos. Camelos – sem ofensa aos bichos, muito pelo contrário – porque sei de pais entre nós que não ligam nenhuma aos filhos, têm tempo e possibilidades e não o fazem. Camelos.
Junho 16, 2008 at 2:55 pm
Mais escola a tempo inteiro:
http://www.correiodabeiraserra.com/index.php?option=com_content&task=view&id=899&Itemid=93
Junho 16, 2008 at 6:16 pm
Nesta questão da perda de laços familiares, mas também noutros problemas da chamada “vida moderna” nas grandes cidades (trânsito engarrafado, prédios e urbanismo sem qualidade, desrespeito pelos espaços públicos, e um largo etc) uma coisa que sempre me surpreendeu e entristeceu, é o espírito acrítico com que esses males são encarados, a ideia de inevitabilidade, em alguns até um certo prazer em viver nessas condições que eles identificam com o progresso. Não imaginam que uma grande cidade possa ser calma, com excelentes espaços públicos, árvores frondosas e melros e outras aves…
Entre os lisboetas, em particular, existe muito esse equívoco de identificarem o progresso com poluição, maus transportes e barulho. Identificam o sossego a vegetação e os passarinhos com a pasmaceira da santa terrinha que abandonaram para nunca mais voltar. Recusam o campo e abraçam toda a porcaria que lhes atiram para cima, como sendo o progresso. Uma espécie de fatalismo pacóvio.
Depois quando viajam é que começam a abrir os olhos quando vêem os jardins em Londres, os mercados agrícolas no coração de Manhattan, a largura dos passeios nas cidades decentes…
Aceitam tudo como carneiros e não se organizam para protestarem. No Porto ainda vão surgindo movimentos cívicos de protesto para defenderem salas de espectáculo.
Junho 16, 2008 at 6:37 pm
Há anos houve manifestações na linha de Sintra, com cortes da linha por populares que protestavam contra os atrazos e o mau serviço. O protesto tinha sido iniciado por uma cidadã inglesa que utilizava diariamente aquele (mau) serviço…
Junho 16, 2008 at 7:38 pm
15,
Faço também a minha autocrítica:
Na pequena aldeia da zona de Sintra onde decidimos morar por opção, trazendo qualidade de vida à descendência, o abaixo-assinado que por cá circulou a fim de serem colocados semáforos na óptima estrada na qual os carros circulavam em excesso de velocidade- a população é maioritariamente idosa e chegou a haver um atropelamento fatal com fuga- foi redigido por uma cidadã que cresceu e estudou na Alemanha. É certo que todos assinámos, mas a iniciativa partiu de uma (quase) estrangeira.
Durante alguns anos nada foi feito, mas finalmente existem os limitadores de velocidade.
Junho 18, 2008 at 9:40 am
http://livresco.wordpress.com/2008/06/18/trabalhar-ate-cair/