Hipótese de forçar novo referendo na Irlanda ganha força

Um dia depois da bomba lançada sobre a União Europeia pela vitória do “não” no referendo irlandês ao Tratado de Lisboa, os líderes europeus não parecem dispostos a abandonar o documento que acordaram em Outubro passado e são cada vez mais os que admitem a hipótese de convencer Dublin a repetir a consulta.

Aliás deveria ser essa a regra: no início de um qualquer processo eleitoral ou referendário explicava-se aos eleitores os resultados desejáveis de maneira a eles acertarem logo no resultado pretendido. Assim se evitavam resultados desfavoráveis em referendos ou maiorias imperfeitas nas eleições para os Parlamentos.

É que neste caso da Irlanda está a usar-se um argumento vergonhosamente mistificador para encobrir o essencial. Não é um Estado que está a travar os outros 26. É apenas o único Estado que decidiu consultar os seus eleitores que se pronunciou contra e nenhum se pronunciou a favor.

Quem tem coragem e acredita no projecto europeu deveria querer defendê-lo publicamente e fazer valer a sua razão. Em Portugal se os partidos defensores do Sim representam cerca de 70 a 80% dos eleitores, porque receiam a consulta popular? Que se descubra que o país é formado por mais de 50% de «neoliberais, comunistas e neonazis» como alguns querem fazer crer que são os europeus que estão contra o Tratado?