Hipótese de forçar novo referendo na Irlanda ganha força
Um dia depois da bomba lançada sobre a União Europeia pela vitória do “não” no referendo irlandês ao Tratado de Lisboa, os líderes europeus não parecem dispostos a abandonar o documento que acordaram em Outubro passado e são cada vez mais os que admitem a hipótese de convencer Dublin a repetir a consulta.
Aliás deveria ser essa a regra: no início de um qualquer processo eleitoral ou referendário explicava-se aos eleitores os resultados desejáveis de maneira a eles acertarem logo no resultado pretendido. Assim se evitavam resultados desfavoráveis em referendos ou maiorias imperfeitas nas eleições para os Parlamentos.
É que neste caso da Irlanda está a usar-se um argumento vergonhosamente mistificador para encobrir o essencial. Não é um Estado que está a travar os outros 26. É apenas o único Estado que decidiu consultar os seus eleitores que se pronunciou contra e nenhum se pronunciou a favor.
Quem tem coragem e acredita no projecto europeu deveria querer defendê-lo publicamente e fazer valer a sua razão. Em Portugal se os partidos defensores do Sim representam cerca de 70 a 80% dos eleitores, porque receiam a consulta popular? Que se descubra que o país é formado por mais de 50% de «neoliberais, comunistas e neonazis» como alguns querem fazer crer que são os europeus que estão contra o Tratado?
Junho 15, 2008 at 10:43 pm
Paulo assino por baixo – viva o voto!
Junho 15, 2008 at 11:03 pm
Mais APAS e AECs para a Irlanda.
Junho 15, 2008 at 11:05 pm
O que mais dói a estes burocratas do no politics é que a legitimidade democrática da decisão irlandesa é irrepreensível, e tudo o resto são cozinhados planeados para sobrepor-se à vontade popular. Só que agora está tudo à vista, escancarado, e os sentimentos de milhões de cidadãos que se sentem ludibriados por estas manobras de gabinete está do lado dos irlandeses e contra a Comissão Europeia. Andaram a esticar a corda demasiado e só conseguiram que os apetites de participação democrática crescesse por todo o lado. Está claro que andam nervosos: o Rei vai nú.
Junho 15, 2008 at 11:22 pm
… lema sem novidade, caro Paulo: por cá aplicou-se à consulta sobre a liberalização do aborto sem grande pudores.
Junho 15, 2008 at 11:29 pm
Foram necessários quase 3 anos para “reciclar” a constituição europeia, tornando-a mais complexa no texto, impossível de ser interpretada pelos eleitores iletrados que somos todos nós e (re)baptizando-a com o nome da nossa cidade. Nessa altura, ainda foi referendado o tratado para a constituição (e viu-se…), não seria, pois, “conveniente”, incorrer no mesmo “erro” (ou será “risco”?).
A nova votação a levar a cabo na Irlanda, faz-nos lembrar outras realidades…já percebi de onde veio a ideia “o chumbo faz mal”.
Junho 16, 2008 at 12:02 am
Com a cretinice a reinar, lá (Europa) como cá, estamos à espera de quê, milagres?… Para isso tínhamos de recuar a 1917…
Junho 16, 2008 at 5:02 am
Quem disse isso dos 70% a 80% por cento anda na lua, no mínimo. Os burocratas europeus hão-de levar-nos todos para a rua… Aquilo é uma corte de Versalhes, pensam que andamos todos a brioches…
Junho 16, 2008 at 11:14 am
O jacobinismo militante da Comissão Europeia está bem patente na apetência vanguardista da Nomenklatura que domina a política e os media em França:
“Pour sortir de ce cercle vicieux, il n’y a qu’une possibilité : créer, à côté de l’Union européenne actuelle, une avant-garde composée de pays prêts à accepter la règle de la majorité qualifiée pour approfondir l’intégration. L’idée n’est pas nouvelle, mais elle n’a jamais été mise en oeuvre. Elle suppose des dirigeants convaincus que l’unité européenne est une ambition nécessaire”.
http://www.lemonde.fr/europe/article/2008/06/14/une-chance-pour-l-europe_1058157_3214.html
Mas a paranóia do modelo terapêutico de controlo da cidadania faz escola em outros meios, nomeadamente os desportivos, na medida em que se quer impôr a censura das imagens televisivas em relação aos eventos da UEFA, da mesma forma que em portugal já se pratica a censura na forma como se escolhe o que pode ser transmitido do espectáculo da Assembleia da República.
Ou seja, os eventos públicos e políticos são cada vez mais controlados e censurados, com reserva de imagem e exposição, enquanto se esventra cada vez mais o lado privado ou semi-privado das relações interpessoais, nomeadamente com o convite às denúncias dos comportamentos individuais de cada uma, seja na sala de aula, seja no domicílio familiar.
Esta completa inversão de valores é uma perigosa deriva do pesadelo burocrático que começa a tomar conta da vida de todos nós, pela mão de medíocres estalinistas e maoístas agora instalados nos aparelhos político-mafiosos que controlam a Europa.
Os irlandeses devem ser castigados. Como não se podem arrasar os campos com napalm nem destruir as cidades com bombas, resta a punição exemplar de exclusão da Irlanda do grupo da vanguarda europeia. Qualquer coisa como a passagem a país com Necessidades Educativas Especiais, com vista a poder usufruir um currículo político adequado ao seu perfil de empata-negócios-vantajosos-para-a-Nomenklatura.
Junho 16, 2008 at 1:48 pm
Ora nem mais… explicava-se : nós queremos que votem sim e acabou-se… e depois não esqueçam também de votar neste, naquele ou naqueloutro em situações x, y ou z… ou antes , olhem , nem precisam de votar, nós cá decidimos em Bruxelas e pronto! que referendos e eleições custam muito dinheiro e estamos em crise… e Estava feito…
Junho 16, 2008 at 2:21 pm
Deve ser até obterem o resultado desejado.
Mas para isso escusavam de gastar dinheiro
com estas coisas. Isto parece quase Portugal, em que até parece que, pelo menos em alguns assuntos, temos voto na matéria.