O artigo é de Bárbara Wong no Público (sem link permanente):
São muitos os professores que só preparam os alunos para fazerem exames
Alguns especialistas alertam para “efeitos perversos” das provas nacionais. Outros defendem a sua importância e criticam o facilitismo
Elaborar testes semelhantes aos exames nacionais dos anos anteriores, ensinar melhor as matérias com mais probabilidade de sair nas provas, fazer exercícios como os que aparecem nos enunciados… Estas são algumas das técnicas usadas pelos professores para preparar os alunos para responder aos exames nacionais. Esta preparação, que pode ter começado no princípio do ano e foi intensificada nas últimas semanas, tem “efeitos perversos”, constatam os professores e investigadores ouvidos pelo PÚBLICO, se bem que esta opinião não seja unânime. Esta semana começam os exames nacionais para os alunos de 9.º, 11.º e 12.º anos. A primeira fase termina no dia 23.
O alegado “efeito perverso” dos exames é os professores trabalharem para este teste final, que vale 30 por cento na nota dos alunos, esquecendo outras matérias e competências que deviam ter sido ensinadas, alerta Paulo Feytor Pinto, da Associação de Professores de Português. A Confederação Nacional das Associações de Pais concorda e está preocupada com as consequências futuras dos alunos não terem aprendido a estudar.
O artigo continua analisando vantagens e desvantagens dos exames na perspectiva da metodologia de trabalho dos docentes ao longo do ano lectivo:
Professores e alunos reconhecem que trabalham para o exame, sobretudo os estudantes que querem obter melhores resultados para entrarem nos cursos onde as notas de admissão são mais altas. Num grupo de seis jovens, à porta da Escola Secundária de Luís de Camões, em Lisboa, Joana é a porta-voz: “Não me interessa saber matéria que não vai sair, preciso de me concentrar naquilo que me podem pedir nas provas”. Rita Bastos, professora e presidente da Associação de Professores de Matemática, admite que sente essa pressão por parte dos alunos, que lhe dizem “abertamente” que não querem aprender determinada matéria e que “não querem compreender, mas só saber como se faz”. “É a inversão completa dos valores”, refere.
Helena é professora de Biologia e Geologia e desde o 10.º ano que está a preparar os alunos para os exames nacionais. “Não há prova publicada que eles não tenham feito”, orgulha-se. A docente explica que o seu esforço é para que os estudantes tenham “os melhores resultados”. “Para eles, as notas são a passagem para o ensino superior, mas também contam para a minha avaliação e para um bom posicionamento da escola no ranking [ordenação das escolas que a comunicação social faz anualmente com base nos resultados dos alunos]“, explica esta professora de Lisboa.
Contudo, há quem considere que se os exames servem para “controlar todas as facetas da actividade docente”, o professor deixa de ser um intelectual para ser um funcionário, o que “vai sair caro ao país”, como nos disse Vítor Teodoro, professor da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e membro da Sociedade Portuguesa de Física. “Antes deste processo de proletarização da função docente, os professores tinham mais autonomia; hoje são cada vez mais controlados, o que vai ter efeitos muito graves, mais tarde ou mais cedo”, alerta.
Eu consigo compreender as várias perspectivas em confronto, mas confesso não entender como se quer conciliar um sistema de controlo da qualidade do desempenho do sistema educativo e o permanente discurso sobre o stress provocado pelos exames.
Porque acho que a existência desse stress e dessa pressão sobre não é algo necessariamente mau nem para professores nem para alunos. Pelo contrário, desde que não amplificado por estridências externas (das famílias, da comunicação social, de alguns «especialistas») essa pressão pode ser benéfica para uma maior responsabilização dos alunos pelo seu desempenho escolar. Acho que é consensual – mesmo se só é admitido de forma selectiva – que a excelência não se consegue só com palmadinhas nas costas.
Quanto aos efeitos perversos da existência de exames na metodologia do trabalho docente, não é possível afirmar que não existem mas julgo que são causados por aquilo que consideraria uma espécie de «excesso de zelo» por parte de quem subordina excessivamente o seu trabalho a uma preparação que pode ser feita, até com ganhos de eficiência, no último mês de aulas.
Mas para além disso é paradoxal que por um lado se endeusem as escolas com melhores desempenhos nos exames e que ficam no topo dos rankings, apresentando-as como as melhores, mas depois se critique o tipo de trabalho desenvolvido para alcançar estes lugares.
Isto para não falar do aparente contra-senso que é afirmar que obter bons resultados nos exames não corresponde a ser bom aluno ou que pode acontecer (sem ser de forma excepcional) a quem nem sequer leu as obras de leitura obrigatória em Português.
Isso é, na prática, afirmar que os exames entre nós são mal feitos e estão desadequados relativamente aos programas das disciplinas cujo conhecimento deveriam «examinar». Se fossem bem feitos como se compreenderia que pudessem ter boas classificações quem não cumpriu as tarefas mínimas exigidas?
Eu até posso concordar que isso e passa em alguns casos, mas então era bom que, de uma vez, as Associações de Professores de X e Y (seja Português, Matemática, História, Inglês ou Modas e Bordados) conseguissem fazer valer a sua voz na produção dos exames das respectivas disciplinas. E, já agora, que essas mesmas Associações e os seus porta-vozes e especialistas fossem, por seu lado, efectivamente conhecedores da realidade sobre a qual opinam.
Quanto a uma eventual «formatação» do ensino de acordo com os exames e o «formato» das provas de aferição, confesso também desentender certo tipo de declarações como as seguintes:
A preocupação dos docentes em preparar os alunos para os exames é “legítima”, diz João Filipe Matos, coordenador do doutoramento em Educação da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, porque o professor “também é estratificado em relação aos resultados dos alunos. Por isso, defende-se profissionalmente e, em vez de fazer actividades exploratórias, vai preparar os alunos para o exame final”. Mas há quem considere que, para os estudantes, esta “formatação” é empobrecedora, pois de fora fica muita matéria que deveria ser aprendida, como refere Maria Elisa Sousa, professora da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto. Na sua opinião , com a existência das provas de aferição no 4.º e 6.º anos, “a tendência é para os professores investirem num ensino formatado” desde muito cedo.
Rita Bastos e João Filipe Matos defendem que a escola serve sobretudo para formar os alunos. Por isso entendem que é preciso questionar estas provas nacionais.
Não sei bem o que estes «especialistas» entendem por «formatação», a menos que seja, no caso da Língua Portuguesa, a obrigatoriedade imposta pelo ME de eu reservar todas as semanas aulas para o PNL, para isto e para aquilo, sem ter quase margem de autonomia para o que possa querer explorar. Quanto à preparação para as provas de aferição do 6º ano, é como com o estudo dos alunos, decorre naturalmente do trabalho de todo o ano. Se for bem feito, a preparação específica resume-se a 2-3 semanas de treino e pouco mais. Na próxima semana já saberei se, mesmo com uma turma de PCA como no ano passado, este método resulta ou não.
Junho 15, 2008 at 2:31 pm
Paulo isso pode ser tudo verdade mas vai dizer aos japoneses que teem a mais alta taxa de suicidio-ver último caso do japonês que matou sete á facada, não entro na faculdade)-escolar, além de ter muitos que se fecham anos em casa no seu quarto…e os coreanos e chineses para lá caminham..Singapura idem..E.U:A idemm.aí é pior matam-se dentro das escolas..
Junho 15, 2008 at 2:32 pm
Bem vou procurar os meus óculos antes que passe por disléxico ou doente disortográfico…
Junho 15, 2008 at 2:34 pm
OS IDIOTAS FELIZES..
Não se espante, por conseguinte, o leitor de que um qualquer idiota possa, ao mesmo tempo, ser feliz. É, até, assaz corrente. Há idiotas que se consideram inteligentíssimos, o que é uma forma muito comum de idiotia, e extraem dessa certeza alguma felicidade, aquela maneira de felicidade que consiste em uma pessoa se julgar muito superior às que a rodeiam.
O leitor gostaria de ser ministro ou secretário de Estado? Pois fique sabendo que há quem goste, embora – será justo dizê-lo – também há quem o seja a contra-gosto, por dever partidário ou patriótico.
Os idiotas, de modo geral, não fazem um mal por aí além, mas, se detêm poder e chegam a ser felizes em demasia podem tornar-se perigosos. É que um idiota, ainda por cima feliz, ainda por cima como poder, é, quase sempre, um perigo.
Oremos.
Oremos para que o idiota só muito raramente se sinta feliz. Também, coitado, há-de ter, volta e meia, que sentir-se qualquer coisa.
Junho 15, 2008 at 2:48 pm
Mas uma coisa é a obsessão com os exames, outra é lidar com eles de forma natural.
Os japoneses suicidam-se porque têm uma ética de responsabilidade muito exigente.
Não é por causa dos exames.
Os exames são apenas uma consequência.
Por cá, só se a malta se suicidasse devido à consciência da desresponsabilização.
Junho 15, 2008 at 2:56 pm
Na minha perpectiva os exames são só para encher baldes..se é por causa da universidade porque não fazer entervistas ou exames na mesma para valizar as capacidades dos ditos alunos?
Junho 15, 2008 at 2:56 pm
..entrevistas..validar..
Junho 15, 2008 at 2:57 pm
Desta forma seria a faculdade a escolher os alunos e não os alunos a escolher a faculdade…
Junho 15, 2008 at 3:04 pm
Reforçar o ensino da moral e das ciências
O Ministério da Educação japonês tem apresentando nos últimos meses as novas directrizes que, de acordo com a revisão da Lei Fundamental da Educação, aprovada em finais de 2006, tentam reforçar a educação moral nos jovens estudantes, recomendar os deveres de cidadania e promover o patriotismo e o respeito pela tradição e a cultura. Procura também travar o declínio dos conhecimentos dos alunos.
Assinado por Antonio Mélich
Data: 7 Junho 2008
Apesar de se terem verificado, nas últimas décadas, várias reformas nos planos de estudo, esta é a primeira vez que se aprova uma mudança radical da Lei Fundamental da Educação de 1947, adoptada durante a ocupação americana, para criar um sistema educativo menos elitista e mais adequado ao tipo de sociedade de massas que se ia desenvolvendo no país.
A reforma procura travar também o comprovado declínio das competências académicas dos estudantes japoneses. Os novos esquemas supõem, por sua vez, uma evidente revisão da política educativa mais negligente que teve início há seis anos, cujo propósito era favorecer a autonomia do aluno e o esforço individual.
Dar importância à ética
O novo plano procura reforçar a educação moral, se bem que não chega a introduzir a ética como disciplina obrigatória, como tinha sido recomendado pelo Education Rebuilding Council – um grupo que assessora o governo – no final do passado mês de Janeiro.
A tentativa generalizada de fortalecer a educação moral – inquéritos nacionais mostram que dois terços da população aprovam a nova Lei Fundamental de Educação – é o ponto prioritário da revisão dos planos de estudo, se bem que também procura reforçar, em todas as vertentes, a educação nas áreas da língua, tradição e cultura. Apesar de ter havido muitas opiniões, quer a favor quer contra a revisão da Lei Fundamental da Educação, o certo é que se notava a necessidade de uma séria reformulação moral e de um retorno às virtudes tradicionais, que tão grande influência tiveram no ressurgimento do país depois da grande guerra.
Para além da crise no sistema educativo, tem influência a desintegração da família e a mudança de mentalidade dos jovens, desde os que preferem saborear a vida, aos que não querem trabalhar, até aos que rompem com o mundo exterior (os chamados hikikomori – reclusos no seu quarto – ver Aceprensa 123/01, 51/04 e 25/05, na versão impressa).
Um dos pontos mais controversos da nova Lei é o facto de, numa das suas cláusulas, estabelecer o fomento do sentido de patriotismo, como um dos fins da educação. Enquanto uns aprovam esta medida, como algo natural para uma nação, outros preocupam-se com a ideia de que possa dar origem à propagação do nacionalismo.
Há ainda os que dizem que o Japão está a deslizar para o sinistro militarismo dos anos 30, coisa impensável na sociedade japonesa de hoje. Naqueles tempos, a despesa militar representava a taxa mais alta do orçamento nacional, enquanto que agora não atinge 1% do PIB. Ao contrário de então, nem a economia japonesa se adapta às necessidades das forças armadas, nem estas se encontram fora do controlo político. Mais: o povo é absolutamente resistente a qualquer coisa que se aproxime, mesmo vagamente, a manipulação militarista.
Quando falha a educação em casa
A nova lei dá ênfase ao culto da disciplina e da moral familiar. Assim, por exemplo, assinala a responsabilidade que os pais têm de educar os seus filhos, para que adquiram bons hábitos, que lhes permitam chegar a ser independentes e actuar de forma responsável.
Num inquérito nacional, realizado pelo diário Yomiuri Shimbun, nos finais de Novembro de 2006, quando estava no auge o debate sobre a aprovação da nova lei, a maioria dos inquiridos disse que a causa principal do desmoronamento do ensino era o facto de os pais não educarem bem os seus filhos na regras de convívio social. Outras respostas referiam-se à crescente falta de comunicação entre os jovens (55%), ao facto de que muitos pais não se apercebam do stress e sofrimento mental dos seus filhos, à insuficiente capacidade dos professores (48%) e a que as escolas fogem da sua responsabilidade no que diz respeito à pressão escolar (45%). Os resultados indicam, sem margem para dúvidas, a importância da educação no lar.
Problemas da conduta escolar
Depois da II Guerra Mundial, o Japão adoptou uma política educativa de igualdade de oportunidades e elevou a qualidade do ensino, conseguindo o impulso necessário para um surpreendente desenvolvimento económico. O actual estado do ensino revela, no entanto, uma série de problemas que motivaram a desconfiança do público.
Verificam-se problemas educacionais: a pressão escolar – até ao extremo de ser, nalgumas ocasiões, causa de suicídio de adolescentes – o absentismo, a violência nas escola, a indisciplina e problemas de comportamento nas aulas. Não é exagerado, portanto, sublinhar que a educação pública não funciona bem.
Tudo isto foi a causa de que, em 2002, se pusesse em prática uma reestruturação do ensino (ver Aceprensa 142/01, na versão impressa). Começou-se por suprimir 30% dos conteúdos do currículo anterior no ensino primário e secundário obrigatórios e reduzir a semana lectiva para cinco dias, com menos horas de aulas, nos nove anos de escolaridade obrigatória. Este novo sistema apostava num ambiente escolar menos tenso e mais criativo, com menos memorização de dados e mais reflexão. Foi até criado um slogan: yutori kyoiku, ou educação sem pressões: com amplitude e flexibilidade.
Uma das questões mais polémicas sobre estas directrizes do Ministério era saber-se se as metas propostas para a reforma educativa – manter altos níveis académicos e criar um ambiente educacional mais distendido – seriam ou não compatíveis. Passados seis anos, os resultados parecem indicar que não foram. Assim, a nova reforma volta a impor uma maior pressão.
O novo plano de estudos proposto manterá o período lectivo de cinco dias por semana, iniciado em 2002, mas as horas lectivas aumentarão aproximadamente 10% no total. No entanto, o tempo dedicado às matérias científicas crescerá 33% e o dedicado à matemática, 22%.
A descer no relatório PISA
Segundo o último relatório PISA 2006, o rendimento escolar dos jovens japoneses continua a descer no ranking internacional. Quando estas provas internacionais para alunos de 15 anos começaram, no ano 2000, o Japão era o primeiro em ciências, o segundo em matemática e o oitavo em leitura.
Desde então, a competência académica dos estudantes japoneses foi descendo progressivamente de nível. Em 2003, desceram para décimo quarto lugar em leitura, para sexto em matemática e para segundo em ciências. Na avaliação de 2006, ficaram em décimo quinto lugar em leitura, em décimo em matemática e em sexto em ciências.
Este programa da OCDE está desenhado para avaliar a capacidade dos alunos em aplicar os seus conhecimentos e pensar logicamente, em vez de avaliar simplesmente o número de conhecimentos acumulados.
” O inquietante acerca dos resultados dos alunos japoneses – diz Masahiko Ishizuka, professor da Waseda University, num artigo publicado no The Nikkei Weekly – é que lhes falta sobretudo capacidade de discernimento em relação a problemas e de entendimento das peculiaridades da investigação científica, mesmo quando conseguem obter conhecimentos, interpretar provas, tirar consequências e reconhecer as razões subjacentes. Resumindo: os alunos japoneses são relativamente bons em acumular conhecimentos, mas não em utilizá-los.”
O mais preocupante, no entanto, é que o relatório PISA conclui que os alunos japoneses estão menos motivados para o estudo de temas na área das ciências, estão menos optimistas acerca das saídas que um curso de ciências lhes pode oferecer e menos seguros das suas capacidades neste campo. Só 8% dos estudantes japoneses pensam que, quando chegarem aos 30 anos, virão a trabalhar nesta área, em comparação com uma percentagem de 25% noutros países da OCDE.
E isto não é tudo, já que a débil motivação, a falta de vontade e a atitude pessimista em relação ao trabalho prevalecem na vida de muitos jovens de hoje, tanto na escola como em casa.
Como continua Ishizuka: “O estado dos jovens é, em conclusão, um reflexo da sociedade dos adultos. Assim, alterar o modo de vida de hoje, talvez possa ser, em última instância, a única maneira de preparar as mentes de amanhã”.
Bushido: a alma do Japão
É interessante comprovar a nova popularidade do famoso livro de Inazo Nitobe (1862 – 1933) Bushido: The Soul of Japan (bushi = samurai; do = caminho). Escrito em inglês e publicado nos Estados Unidos, em 1905, o livro de Nitobe descreve o código de conduta contido no documento que, na época feudal, governava a vida dos nobres do Japão: as virtudes e estilo de vida do guerreiro samurai.
O livro foi escrito para responder, definitivamente, às perguntas da esposa e amigos não japoneses acerca do modo como se ensinavam, no seu país, a educação moral e as virtudes. Nitobe, cuja efígie aparecia nas antigas notas de 5.000 ienes, foi um desses homens de grande carácter que deixam marca: cristão, escritor prolífero, educador, diplomata e político. Soube explicar os conceitos de rectidão, coragem, benevolência, cortesia, veracidade, honra e lealdade, de tal forma que cativou e continua a cativar não só estrangeiros, mas também os seus compatriotas. Desde a sua publicação, teve numerosas reedições e ultimamente desempenhou um papel essencial nas discussões acerca da nova Lei Fundamental da Educação.
Como se explica este êxito de um livro publicado há mais de cem anos, desaparecida já a classe dos samurai, a que se refere? A chave está, provavelmente, no facto de que Nitobe, com base na sua formação cristã, interpreta o espírito do bushido na sua forma mais pura e original, sem as brutais tendências que lhe podem ser associadas. Esta pureza pode muito bem explicar a popularidade do livro nos dias de hoje. Como diz Masahiro Sato, emérito professor de filosofia na Osaka City University, tradutor de Bushido para japonês: “Para Nitobe a desaparição do bushido não constitui nenhum problema; ele apenas quis que as pessoas pensassem no modo como desenvolver as virtudes que defendia”.
De vez em quando, aparecem diferentes factores que ajudam a manter o livro vivo na consciência nacional. Em 2003, por exemplo, o filme O último samurai, cuja publicidade chamava a atenção para a actualidade do tema bushido, rendeu 115 milhões de dólares no Japão; e um dos livros mais vendidos nos últimos anos, Kokka no Hinkaku (The Dignity of a State), de Masahiko Fujiwara, representa um lamento pelos valores perdidos do bushido que, segundo o autor, se encontram nas estranhas do carácter japonês.
É também curioso o facto de que, apesar dos males que afectam a sociedade actual, esse espírito parece estar no sangue do japonês médio. Referindo-se ao êxito do referido filme, William Ireton, chefe da Warner Japan, resume-o do seguinte modo: “Apesar de os jovens não saberem muito acerca do bushido, foi como que um apelo ao ADN nacional!”.
Junho 15, 2008 at 3:05 pm
As universidades japonesas competem para atrair alunos
Opções de artigo
Enviar a alguém
Imprimir
Dê-nos a sua opinião
Partilhe?
Autor Aceprensa
Tradicionalmente os estudantes japoneses tinham que demonstrar as suas aptidões para poder entrar numa boa universidade. Mas agora a tendência mudou: pela lei da oferta e da procura, são as universidades que têm de convencer os alunos para que peçam lugar. Esta mudança deve-se à diminuição da natalidade, que já obrigou a fechar escolas e agora se nota no reduzido número de jovens em idade de começar a carreira.
Assinado por Aceprensa
Data: 4 Fevereiro 2008
Segundo os últimos dados de um inquérito, a população japonesa de 18 anos passou de 2,05 milhões em 1992 para 1,3 milhões em 2007. Uma con-sequência é que diminuiu o número de alunos a entrar de novo na universi-dade. Este ano quase um terço das 707 universidades do país não puderam preencher as vagas que ofereciam. Além disso, nos últimos três anos, três universidades fecharam por falta de alunos.
A escassez de estudantes está a dar lugar a uma crescente competitividade entre as universidades para os atrair. Apesar das reservas iniciais, muitas universidades de prestígio decidiram oferecer novos anúncios publicitários que têm pouco a ver com a excelência académica. Os estudantes que decidam entrar nessas instituições poderão desfrutar de luxuosos apartamentos, saunas privadas, balneários e karaokes.
Alguns peritos criticaram estas medidas, pois no seu parecer corre-se o ris-co de baixar o nível académico. Contudo, os responsáveis das universida-des crêem que acontecerá justamente o contrário: a competência – dizem – é benéfica para o sistema educativo, pois agora as universidades têm que melhorar à força se não querem desaparecer.
Fonte: The New York Times
Junho 15, 2008 at 3:06 pm
Tóquio, 27 Mai (Lusa) – Jovens japoneses estão a ficar tão viciados nos telemóveis com ligação à Internet que o Governo deu início a um programa a avisar os pais e as escolas para que limitem o seu uso.
O Governo japonês está preocupado com o facto de jovens do ensino básico e secundário estarem a ser arrastados para crimes do ciberespaço, perderem longas horas a trocar e-mails por telemóvel e sofrerem outros efeitos negativos do excesso de utilização de telemóveis, disse hoje Masahuru Kuba, o responsável governamental que dirige o programa de prevenção.
“Os pais japoneses estão a dar telemóveis aos seus filhos sem lhes dar pensamento suficiente”, disse. “No Japão, os telemóveis tornaram-se um brinquedo caro.”
As recomendações foram apresentadas por uma comissão de reforma educativa ao Governo do primeiro-ministro Yasuo Fukuda e foram aprovadas esta semana.
A comissão pede, entre outras coisas, que os fabricantes japoneses de telemóveis produzam aparelhos apenas com a função de conversação e GPS (Global Positioning System, sistema de localização global), que pode aumentar a segurança das crianças.
Cerca de um terço dos estudantes japoneses do sexto ano tem telemóvel e 60 por cento no nono ano, indica o Ministério da Educação.
Muitos dos telemóveis no Japão são aparelhos sofisticados que oferecem acesso em grande velocidade à Internet, chamado 3G, terceira geração.
A comissão, no entanto, reclama melhores filtros para evitar que crianças e jovens acedam a “sites” perigosos.
Alguns jovens passam horas de noite a enviar e-mails para os amigos. A moda do momento é a “regra dos 30 minutos”, segundo a qual, se uma criança não responde a um e-mail em menos de meia hora, torna-se alvo de “ataque” pelos colegas.
Outros jovens tornaram-se vítimas de crimes, ao enviarem fotografias de si próprios, acabando por ser alvo de chantagem
Junho 15, 2008 at 3:09 pm
O Homem não é Mais do que a sua Imagem
E nós hoje só quase trabalhamos para a imagem..
O homem não é mais do que a sua imagem. Os filósofos bem podem explicar-nos que a opinião do mundo pouco conta e que só importa aquilo que somos. Mas os filósofos não percebem nada. Enquanto vivermos entre os seres humanos, seremos aquilo que os seres humanos considerarem que somos. Passamos por velhacos ou manhosos quando não paramos de perguntar a nós próprios como nos vêem os outros, quando nos esforçamos por ser o mais simpáticos possível. Mas entre o meu eu e o do outro, existirá algum contacto directo, sem a mediação dos olhos? Será pensável o amor sem uma perseguição angustiada da nossa própria imagem no pensamento da pessoa amada? Quando deixamos de nos preocupar com a maneira como o outro nos vê, deixamos de o amar.
Milan Kundera
Junho 15, 2008 at 3:25 pm
Este artigo dá “pano para mangas”.
Concordo com muito do que está escrito. E o título é muito verdadeiro.Conheço muitos colegas que vivem em stress permanente com os seus alunos do 12º ano. E já ouvi várias vezes: Ah, pois é, mas este e mais aquele não têm exames e vocês até que podem fazer outras coisas nas aulas….
Eu por mim, penso que todas as disciplinas deviam ser sujeitas a exame (mas não me admiro nada que possa mudar de opinião quanto a exames, aviso já). E desde cedo, para desdramatizar. Por outro lado, e pelo que temos visto, as provas de exame nem sempre têm a ver com os conteúdos das várias disciplinas.Depois, é natural que este “stress” cada vez se sinta mais. É que ele vai estar ligado à avaliação dos docentes.E cada vez mais, o ME envia em cima da hora instruções e mais legislações sobre os mesmos. Assim não dá.
Isto é complicado, muito complicado. Sinceramente, já nem sei o que pensar. Especialmente hoje que acordei mal disposta.
Fujam, e não me digam nada.
Junho 15, 2008 at 3:34 pm
Mas que “outras matérias e competências que não foram ensinadas”?Gostava que me demonstrassem isso! Cada vez temos menos autonomia. Os programas expressamente indicam que não se devem abordar ou enfatizar determinados conteúdos (e depois,subrepticiamente, alguns desses, lá aparecem nos exames)! O que se deve fazer?Claro que preparei os meus alunos para o exame. Não fiz disso uma obsessão mas, e se não os tivesse orientado para o exame?É realmente paradoxal, é “preso por ter cão e preso por não ter”. Não têm mais nada para dabater? Cá pra mim os “Doutores” do Superior é que estão bem formatados, na arte de divagar
Junho 15, 2008 at 3:39 pm
“debater”
E, já agora, com que intenção se criaram os Testes Intermédios?
Junho 15, 2008 at 3:40 pm
E já agora, pelo que me disseram já há tempos,e que aqui já referi, o programa de Matemática do secundário foi sendo encurtado, encurtado. Era de uma extensão enorme, é verdade. Mas, ao que parece, foi sendo cortado em pontos fundamentais que depois se espera que os alunos dominem na entrada em cursos universitários onde a Matemática é fundamental.
É normal alunos universitários terem explicações a preços altíssimos? (Confesso, do alto da minha ignorância que desconhecia esta realidade) É normal, numa turma de Cálculo II, a fazer exame, só lá fiquem 3 a acabar? E que, mesmo assim, muitos desses, espalhados por outras salas, tenham classificações de 3 e 4 valores?
É normal que no 3º ciclo, os alunos tenham só 1 bloco de FQ? E ao escolherem esta disciplina no sec. tenham dificuldades imensas e os profs tenham de “dar a matéria a correr” e andem que nem loucos a dar aulas extra antes dos exames, para cumprirem programas?
Isto é normal?
Ou estou a ver mal a coisa?
E para finalizar, também é normal, alunos do secundário, por exemplo, precisarem de explicações a Matemática, FQ e até a Inglês?
Mas afinal o que é isto?
Junho 15, 2008 at 3:41 pm
Vou tomar 1 café a ver se me acalmo.
Junho 15, 2008 at 3:46 pm
E ainda, que culpa tenho eu que continuem os “desencontros” de conceitos entre Química e Biologia, por exemplo? Quando falamos de moléculas orgânicas no décimo, só no 12º em química é que se dá química orgânica!
Junho 15, 2008 at 3:49 pm
Mas antes…
Ainda na semana passada, depois de terminadas as aulas do 12º ano, um colega de GDescritiva me dizia que só naquele dia tinha tido conhecimento de alterações na estrutura do respectivo exame.
Ao contrário do que aqui se escreveu há uns dias, na minha escola os professores de Artes são uma das mais-valias da escola. Óptimos profissionais. Pessoas cultas e bem formadas. Daqueles professores que nós gostávamos que os nossos filhos tivessem.
Mas, voltando ao ponto de partida, acham estas alterações em cima da hora normais?
Junho 15, 2008 at 3:59 pm
E vamos agora imagina este notícia mas no mundo do futebol:
“são muios os treinadores que preparam os jogadores só para os jogos do campeonato e competições europeias”
Sim, e daí? pergunto eu?
qual é o problema?
Junho 15, 2008 at 4:13 pm
Rolando Almeida:
Há-de reconhecer que não é bem a mesma coisa…
Os objectivos, num lado e no outro, são muito diferentes.
Uma coisa é o desporto de alta competição (e todo o negócio que dele decorre).
Outra é um sistema educativo destinado a transmitir conhecimentos e desenvolver competências de TODOS os cidadãos.
Junho 15, 2008 at 4:19 pm
Vejam este tratado sociológico de como é o Portugal real. Vejam a necessidade de educação. Vejam como as massas são fáceis de controlar através de uma coisas simples e contagiosa como o futebol.
PORTUGALISMOS – (história de um rapto) CONTAMINAÇÃO DO FUTEBOL ou APARECEU O MENINO ou SANTA RITA ou FERRABIA TODA COM OS MEUS DENTES
http://pormenor-da-tangente.blogspot.com/
Junho 15, 2008 at 4:51 pm
(19)
Não estou a ver a semelhança. Em nenhum aspecto, sinceramente.
Mas também aí, poderia dizer que, a nível desportivo, pretende-se, por razões óbvias, ganhar campeonatos e competições. Mas, a nível de preparação física,deixam muito a desejar. Daí as grandes lesões a que estão sujeitos.Não é raro verem-se grandes craques.Mas, embora as coisas estejam a mudar, ainda se relega para um lugar secundário uma boa preparação física fundamental para a prática de qualquer modalidade desportiva. Olhem para mim a falar em desporto e futebol……
Mas tenho cá em casa uns exemplos. Flexibilidade? Zero! Alongamentos? Talvez melhor. Equilíbrio? Pouco.
Junho 15, 2008 at 5:24 pm
“Nouvelle initiative gouvernementale autour de l’enseignement de l’histoire à l’école. À l’occasion du 90e anniversaire de l’armistice du 11 novembre 1918, les ministères de l’Éducation nationale et de la Défense «proposent aux enseignants de faire travailler les élèves sur la vie d’un ou plusieurs combattants de leur commune à partir du monument aux morts ou en utilisant la base de données en ligne “Mémoires des hommes”», peut-on lire dans le bulletin officiel de l’Éducation nationale daté d’hier.”
…
“Après les directives de Nicolas Sarkozy sur la lecture par les élèves de la lettre de Guy Môquet, sur l’étude du parcours d’un enfant juif déporté, ou encore sur l’enseignement de l’histoire de l’esclavage à l’école primaire, cette nouvelle idée va-t-elle susciter l’ire des syndicats enseignants, qui ont déjà critiqué par le passé ce qu’ils estiment être des intrusions du gouvernement dans leurs actions pédagogiques ? A priori, le contexte est différent. Selon Jean-Louis Nembrini, directeur général de l’enseignement scolaire, «il n’y a aucune obligation, ce texte constitue une ressource pédagogique, c’est notre métier». Les déclarations précédentes autour de l’enseignement de l’histoire avaient été vécues comme trop directives par la communauté éducative. À tel point que l’idée que «chaque élève de CM2 se voie confier la mémoire d’un enfant victime de la Shoah» est d’ailleurs devenue une piste parmi d’autres. Certains enseignants trouveront peut-être que cette suggestion est superflue, tant les initiatives personnelles des enseignants en matière d’enseignement de l’histoire sont diverses.”
http://tinyurl.com/3q6845
Junho 15, 2008 at 5:28 pm
Guinote, obrigada por, no geral deste post, conseguir transmitir aquele que também é o meu sentimento em relação aos exames. Também me fez reflectir sobre a minha prática como docente do 3º ciclo e chego à conclusão de que dou aos exames apenas a importância que penso que eles devem ter, sem descurar outras áreas.
Junho 15, 2008 at 5:42 pm
Qualquer dia ainda alguém vai descobrir que as escolas e colégios que obtêm os melhores resultados dos rankings osconseguem por três razões básicas: o estrato social dos seus alunos, a preparação com vista aos exames e a quantidade de explicações que os alunos frequentam.
Deixo aqui esta dica para que alguns estudiosos e alguma comunicação social possam um dia, daqui a dez ou vinte anos, depois de muita investigação, análises, sínteses e conclusões erradas, chegar a estas conclusões!
Junho 15, 2008 at 6:09 pm
Eu gostava de tornar a realçar o aumento da instabilidade/irritabilidade nas escolas a propósito dos exames nacionais, especialmente os do 12º e 11º anos, nas disciplinas sujeitas a exames finais.
Muitos professores serão avaliados pelo sucesso dos seus alunos nestes exames e ainda pela diferença entre CIF e CFE.
E ainda, como já aqui referi, há uns anos, 1 aluno (do 11º ou 12º, já não me recordo bem) enviou 1 queixa para o ME sobre a docente de Matemática. O problema é que a colega tinha de cumprir o programa e para isso tinha de andar a um ritmo mais “rápido”.
Moral da história? O inspector disse à colega que ela não estava ali para cumprir programas, mas para, com metodologias diferenciadas, conseguir que todos os alunos aprendessem. Eu até que estou de acordo. Mas, e se o programa não é cumprido?
Não bate a bota com a perdigota, pois não?
Junho 15, 2008 at 9:28 pm
In Temp oral,
“Qualquer dia ainda alguém vai descobrir que as escolas e colégios que obtêm os melhores resultados dos rankings osconseguem por três razões básicas: o estrato social dos seus alunos, a preparação com vista aos exames e a quantidade de explicações que os alunos frequentam.”
ÓBVIO!
Junho 15, 2008 at 10:16 pm
O problema ficará resolvido quando se começar a incorporar um chip na cabeça de cada aluno à entrada para a escola (ou até na altura do parto). Depois é só fazer o upgrade em cada ano, de acordo com a lei da oferta e da procura do mercado (da educação) capitalista.
Porque a lógica da educação enquanto serviço ao utente, assente nas últimas descobertas da ciência, não difere, em género, do campo de intervençâo da biotecnomedicina invasiva.
Ao se quebrar o laço de significado entre o educador e o educando, ao se confundir saber/cultura com “respostas de sucesso a determinadas provas”, estamos no caminho da perversão e da batota que leva a que os atletas realizem transfusões de sangue e se encharquem em drogas para poderem vencer de qualquer maneira.
O problema não reside, portanto, na origem social dos alunos (a “solução” é a entrega dos filhos ao Estado), nem nas explicações ou na preparação para os exames, mas antes no rumo tecnoburocrático e desumanizante que a educação está a tomar e no abandono irresponsável da educação familiar por parte dos pais alienados.
Os “estudos” em forma de derrames cerebrais como os relatados acima, revelam apenas a total rendição dos docentes e estudiosos à lógica do mercado capitalista, a transformação das universidades em dependências da Nomenklatura do FMI, do Banco Mundial e da OCDE com molho à bolonhesa.
A resposta adequada tem de ser no campo da denúncia vigorosa do espírito de aviário capitalista com que se aborda actualmente a educação.
Junho 15, 2008 at 10:50 pm
A todos os opinadores, digo: deixem-nos trabalhar! O que interessa agora isto? Há exames, então, como diz a Luísa, devemos prepará-los para tal! Ao logo de um ano lectivo passam-se tantas coisas. Continua a haver as opiniões, mais opiniões, mais opiniões… Sinceramente, estou farto! Nós, que lidamos no dia-a-dia é que sabemos o que fazemos e como devemos fazer. O papel fundamental a desempenhar é nosso e dos alunos. Os ditos especialistas que se remetam a dar as suas aulas de Power Point. Há exames? Então os professores devem preparar os alunos! Qual é o problema? A formatação? A formatação não existe nas escolas, mas nos mass media, nos fazedores de opinião. Isso é que é formatar! Um aluno que se prepare para um exame está também a exercitar determinados recursos lógicos. Quando resolvemos um problema matemático, quando argumentamos, estamos a deduzir. Além disso, o percurso de uma aluno é de 12 anos, com as mais variadas disciplinas. Parece-me haver percursos variados onde se poderão exercitar múltiplas competências e funcionalidades. Desculpem utilizar um pouco de senso comum, mas é o que apetece face à orgia de informação relativamente à educação. Mas que se está a levantar uma onda no sentido de não haver exames, parece-me ser evidente
PS: Tinham que falar com a verborreia do sr. Albino no fim do artigo. Aliás, mais alguém tem o dom da ubiquidade?
Junho 15, 2008 at 11:03 pm
Fernanda 1 (26)
O caso que referiu mostra que a bota de agora não bate com a perdigota de há uns anos. Eu lembro-me de ser anátema, ser forte motivo de censura, um professor afirmar, ou dar apenas a entender, que estava preocupado com o cumprimento do programa. Uma preocupação dessas era conotada com o antigamente, com o tempo da outra senhora. Era urgente seguir em frente para uma escola lúdica, modernaça, no fundo a escola da treta que tem produzido tantas luminárias.
Junho 15, 2008 at 11:58 pm
… para os “legalistas” apetece-me dizer que a preparação específica para os exames devia ser tida como ilegal. Vejamos : a lei consagra duas avaliações, uma que decorre da prossecução dos objectivos, ao longo do ano e se sintetiza numa classificação atribuída no terceiro período ( passe a caracterização sumária), e outra pontual, uma “foto” feita no final do ano, por uma máquina e uma encenação, segundo um determinado modelo previamente divulgado.
A lei diz que a primeira vale 70% e a segunda 30%. O erro, ou ilegalidade primeira resulta do facto de uma boa parte das pessoas, por pragmatismo imediato, dirigirem o processo da primeira para “ganhar” a segunda. O segundo erro, ou ilegalidade é a valorização do preconceito, de que a segunda é mais fiel e rigorosa, quanto à medição, e essa não é a letra nem o espírito da lei, que as valoriza exactamente ao contrário, mais a primeira (70), menos a segunda (30.
O terceiro erro ou ilegalidade é a batota, ao estar-se consciente e objectivamente a “fintar o instrumento de medida”, não o deixando actuar com independência sobre os avaliados… em termos de equidade entre alunos era mais justo, então, que o exame fosse feito num modelo perfeitamente desconhecido para todos.
O quatro erro consiste no facto de muita gente “assobiar para o lado” e fingir que não sabem que existe o fenómeno de que que In Temp Oral fala no comentário 25… alguém ouviu alguma coisa sobre isso nalgum debate sobre rankings,avaliação de professores, etc… ?…
Junho 16, 2008 at 12:11 am
Se os mus alunos vão fazer um exame eu tenho OBRIGAÇÂO de os preparar para o dito, ou não?
É evidente que a preparação para exame implica um tipo de “treino” para um determinado tipo de questões e isso implica opções estratégias por parte do professor. Os alunos vão ser avaliados, têm o seu futuro condicionado por esses exames, os professores verão a sua avaliação condicionada por esses resultados… E é errado os alunos serem especialmente preparados para isso? Expliquem-me … de forma a que eu perceba
Junho 16, 2008 at 1:07 am
Agora é fazer os exames. Depois é bom começarmos a pensar que espírito inteligente decidiu aplicar só MAT e LPO aos alunos do 9º, e porquê.
Não pode haver 3 critérios: ou há exames ou não há. Se os houver, tem de ser a todas as disciplinas. Aliás, uma modalidade que nem precisa de ser inventada, uma vez que já foi praticada durante muitos anos, como é sabido.