Post de Rui Baptista no De Rerum Natura:
O Prestígio Perdido dos Professores
Embora concordando, em traços gerais, com a análise da situação da docência, em particular da sua heterogeneidade, cada vez mais acho que o «prestígio», apesar de atacado e de alguma erosão, resiste melhor do que se suporia. Aliás, acho mesmo que se consegue fortalecer tanto mais quanto forem injustificados e descabelados os ataques que lhe são movidos.
Se é verdade que, como grupo ou individualmente, atravessamos um período de maior desânimo, o que não nos consegue matar acaba por nos fortalecer.
Junho 12, 2008 at 3:00 pm
Os professores mantêm-se diariamente “direitinhos” a trabalhar com os seus alunos. Essa é a razão de ser da sua profissão.
Querem entrar pelas escolas dentro para espatifarem tudo!? Basta os professores se darem ao trabalho de informarem os pais dos seus alunos. E a população em geral.
(Muito pior) que os camionistas e do que os pescadores… porque são os filhos deles, netos deles, sobrinhos deles, que estão em causa.
Junho 12, 2008 at 3:01 pm
Subscrevo. O que não nos mata fortalece-nos.
Junho 12, 2008 at 3:06 pm
Não me revejo no texto…concordei e concordo com a carreira única dos professores do Ensino Básico e Secundário. Obviamente.
Essa foi a posição da fenprof que não aprovou a carreira única dos professores, na medida que historicamente foi fundada por professores do ensino secundário, aos quais reconhecia um estatuto “superior” simplesmente porque trabalhavam com alunos de idade mais velhos…Etc.
Junho 12, 2008 at 3:46 pm
Ao longo de uma carreira, sempre verifiquei que profs de outros graus de ensino nunca reconheceram os profs do 1.º CEB como colegas, chegando ao ponto de ficarem ofendidos se tal era referido. Era uma questão de estatuto, mesmo que houvessem colegas a leccionar no Secundário com apenas o antigo 5.º Ano das antigas Escolas Comerciais.
Hoje devido à existencia de Agrupamentos, este problema parece estar resolvido, mas não. Está apenas difarçado.
Enquanto não reconhecermos entre pares o valor e importância de cada grau de ensino na escala das aprendizagens, algo vai mal!
Junho 12, 2008 at 5:39 pm
Concordo com o aumento da resistência. Ainda hoje se comentava entre colegas que acreditamos em futuras mobilizações (originadas unicamente pelo espírito de “cidadania XXI”, a tal do sofá ) caso se continue a assistir a novas “investidas” ilógicas… a propósito das “ditas”: já chegou ao conhecimento dos CPs e departamentos o teor da reunião de 2 dias da passada semana e da qual fizeram parte o “adjunto do adjunto” cujo nome desconheço e os CEs da grande Lisboa? Parece que alguns dos temas abordados pelo jurista convidado foram “processos disciplinares” e “poderes plenos do director”. Sem ironias, gostaria de deixar uma questão:será constitucional e ético serem docentes os instrutores dos processos dos seus pares? (Parece que vamos ganhar mais uma valência além da de psicólogos, pais, assistentes sociais, etc… esta, a meu ver, para lá do indigesto)
Junho 12, 2008 at 5:41 pm
“quase metade dos professores não voltarem a escolher esta profissão pela falta de prestígio e reconhecimento social”
Fantástico. Afinal quanto valerá em Euros o prestígio social? Se calhar este é um activo intangível que não tem sido convenientemente avaliado…
Eu avalio o meu prestígio social em 500 EUR/mês, livres de impostos. Por essa verba eu renunciava ao meu e negociava com alguém que o quisesse comprar.
Junho 12, 2008 at 5:56 pm
Manyfaces, ainda fazemos negócio se for mesmo livre de impostos.
Junho 12, 2008 at 6:32 pm
Pois acho que pelos resultados do tal estudo haveria boa gente que comprava mesmo, com impostos e tudo…
Este é um mercado com um potencial ainda por explorar. Criar uma bolsa de prestígio, com cotação em bolsa dos principais títulos de prestígio social…
Junho 12, 2008 at 6:44 pm
Maria A (5),
Pelos vistos os “métodos” da “engenharia ou reengenharia social” prosseguem a bom ritmo!
http://educar.wordpress.com/2008/06/10/reengenharias/
Junho 12, 2008 at 9:21 pm
É verdade, anahenriques, e há sempre quem se prontifique a zelar pela concretização de tais métodos… será que os apelos do poder são assim tão fortes? Haverá “incentivos” de peso mesmo que muito aquém de um ordenadito de qualquer treinador de um clube britânico ou tratar-se-á aqui da mera “glória de mandar?”…
Junho 12, 2008 at 9:22 pm
A propósito, ainda hoje ouvia no “Opinião Pública” da SIC, uma senhora protestar relativamente ao debate mensal na Assembleia da República que os senhores deputados tinham chegado ao hemiciclo com 20 minutos de atraso. Lembrei-me logo dos desgraçados dos “priviligiados” dos professor que com 2 a 5 minutos de atraso levam logo falta…
Claro que assim também acontece em muitas outras profissões: a pontualidade é coisa para os outros!
“Bela vida”!
Junho 12, 2008 at 10:16 pm
Nunca concordei, nunca concordarei com a carreira única. Aconteceram situações extraordinárias. E os prejudicados foram sempre aqueles que frequentaram formações iniciais mais extensas e com maior complexidade.
Junho 12, 2008 at 10:58 pm
É evidente que a carreira única é um dos maiores atentados que fizeram aos professores!
Como pode alguém defender de forma séria que o trabalho de um educador de infância tem as mesmas características de um professor de Matemática do 12º ano! Estamos a brincar ou quê?
Sei perfeitamente que nós portugueses temos imensa dificuldade em sair da nostalgia romântica do Maio de 68 em que imaginamos que um neurocirurgião deve ter a mesma carreira e o mesmo salário de um enfermeiro, porque os dois trabalhos são muito dignos e que trabalham com os mesmos doentes e blá, blá, blá……..
Por essa lógica, quem quereria ser neurocirurgião? Se para o conseguir ser é necessário TRABALHAR e ESTUDAR muito mais? E a responsabilidade será igual?
Não venham dizer que um professor do 1º Ciclo tem que actualizar os seus conhecimentos científicos e técnicos o mesmo número de vezes que um professor de Biologia do 12º ano! Não me venham dizer que um professor de Educação Física do 2º Ciclo tem a mesma responsabilidade de um professor de Matemática do 12º ano!
Enfim, depois queixam-se de serem motivo de chacota! Estavam à espera de quê? De reconhecimento? A isto chama-se CORPORATIVISMO.
Vão para o mercado e verão a diferença salarial entre estes professores.
Sim, é apenas a minha opinião
Junho 12, 2008 at 11:20 pm
Joaquim (13) de acordo.
Junho 13, 2008 at 12:38 am
Joaquim
Viessem provas (incluindo de conhecimentos) como critério de colocação de profs e veria quem ficaria a perder, se profs do 12.º Ano, se profs do 1.º CEB. e talvez ficasse surpreendido!
Junho 13, 2008 at 12:43 am
Joaquim, não estou de acordo. Não sei se é professor, mas os seus argumentos são uma soma de alhos com bogalhos.
Sim, tb é apenas a minha opinião.
Junho 13, 2008 at 1:29 am
Maria Ferreira (12), Joaquim (13), James (14),
Considero que as pessoas antes de emitirem opinião devem estar minimamente seguras do que estão a dizer.
O significado de carreira única, significa que independentemente do nível de ensino em que se trabalha, é garantido ao docente a mesma carreira com a correspondente retribuição monetária.
Um disparate vulgarmente corrente é a afirmação que as habilitações dos educadores e professores do 1º CEB são inferiores aos dos outros graus de ensino básico e do ensino secundário. Ora isso é completamente errado. Todos os professores do 1º ciclo e educadores de infância têm formação académica e habilitação coisa que a muitos professores dos outros graus e do Ensino secundário não tinham, antes. Muitos teriam, como se sabe, o antigo 5º ano (actual 9º ano)antes da revisão do estatuto e da consagração do princípio da carreira única. Portanto logo aqui há uma grande diferença: no pré-escolar e no 1º ciclo NINGUÉM poderia dar aulas sem no mínimo dos mínimos possuir um curso tido como médio e hoje designado de “politécnico”.
Por outro lado, as escolas de formação de educadores e professores (hoje designadas de ESES), são reestruturadas no ano de 75/76 passando a habilitação académica/profissional para 3 anos, com entradas com o correspondente aos 12 º ano de escolaridade actual. Ao contrário de muitos outros professores do ensino básico e secundário, todos os professores do 1º ciclo e educadores desde essa data que possuem “bacharelato”. Com a possibilidade que foi dada a todos os professores, alguns destes professores e educadores completaram as suas habilitações, e foi-lhes reconecida licenciatura. De bachareis a licenciados. Quem desejou estudar mais. Normal.
Outro aspecto interessante é que muitíssimos professores do 1º ciclo (interessante que parece que poucos educadores) tiraram, apos 79/80, licencituras de raiz nas Universidades portuguesas e mesmo alguns prosseguiram estudos (mestrados e doutoramentos), mantendo-se na carreira do 1º ciclo. Era pois absolutamente escandaloso que professores com qualificações académicas e profissionais ganhassem muito menos do que os seus colegas com qualificações inferiores ou mesmo bastante inferiores, sómente porque o seu trabalho é com alunos com menos idade. Aliás os professores do 1º ciclo e educadores eram os únicos que ha partida tinham qualificações de facto pedagógicas. Os outros só adquiriam em estágios já em exercício de funções docentes.
Quanto actividade profissional propriamente dita não sei o que requer maior formação especializada: se o trabalho de um professor de Educação Física de 5º ano; se um professor do 1º ciclo com uma turma do 1º ano na introdução á aprendizagem da leitura; se um professor de Língua Portuguesa do 10º ano; se um professor de Matemática do 8º ano; se um professor de História do 6º ano; se um educador de infância com um grupo de 5 anos a trabalhar os pré-requisitos para o acesso á abstração e á entrada na escola. Francamente, há gostos para tudo. Mas “gostos” é uma coisa. Especializações são outra. E hierarquia de representações sociais são outra.
Nessa linha de ideias os professores do ensino superior são todos muito mais importantes. Eu (cá) não o considero. De todo.
Junho 13, 2008 at 1:38 am
Nessa linha de ideias os professores do ensino superior são todos muito mais importantes. Eu (cá) não o considero. De todo.
Essa é a linha de pensamento dos sinistros que estão a (des)governar o país e a governa-(se) e aos amigos. Arrogam-se de investigadores, de catedráticos e outros títulos e não passam duns idiotas que nem dos assuntos que dizem ter estudado toda uma vida dominam.
Junho 13, 2008 at 1:48 am
Um prof do secundário de biologia ou matemática de 12.º Ano, que até completou a licenciatura no Instituto Piaget em Animação Sócio-Cultural em nove meses, deverá sempre atingir um nível salarial mais elevado que um colega do 1.º Ciclo, ainda que este tenha habilitações académicas mais elevadas, é ainda a opinião de muitos.
Talvez devido aos preconceitos existentes, é que MLR esconde que foi prof. do 1.ºCiclo. São atingidos os que, por motivos vários, preferiram continuar a trabalhar neste grau de ensino!
Junho 13, 2008 at 12:58 pm
Um cirurgião ganha em geral mais que um enfermeiro porque é um recurso mais escasso, não porque estudou mais. E, no entanto, o papel dos enfermeiros – colectivamente considerados – é tremenda mente mais importante que o dos cirurgiões. Mas ainda mais importante é o do pessoal da recolha dos lixos. Eu preferia viver num pais sem cirurgiões que num país sem pessoal de recolha do lixo. Há aspectos paradoxais nestas conversas.
Não há uma relação universal entre estudar mais e ganhar mais: todos os multimilionários de hoje seriam génios em qualquer área; ou todos os cientistas e artistas talentosos seriam multimilionários. Duas falsidades.
Não vejo porque um professor do ensino básico tenha que ganhar menos que os restantes por definição: afinal, ele carrega a máxima responsabilidade pela sequência completa da vida escolar dos seus alunos. Dá o impulso inicial. É ali que se concentra a máxima potência para o vôo. Métodos pedagógicos inadequados neste nível significam desastres quase irreparáveis. Novamente, seremos bem mais tolerantes às falhas de competência em qualquer disciplina Universitária que no ensino das primeiras letras. E se exigimos mais…
Junho 13, 2008 at 1:22 pm
Concordo inteiramente com António Ferrão. Uma constatação interessante faz-se nas escolas secundárias com 3º ciclo, onde tenho trabalhado nos últimos anos: os professores mais “graduados” na carreira tendem a preferir as turmas do ensino secundário, deixando o 3º ciclo para os colegas mais jovens. Se tantos professores que o podem fazer “fogem” das turmas complicadas do ensino básico, a haver diferenciação de carreiras, teria toda a lógica pagar mais aos professores do ensino básico.
Junho 13, 2008 at 5:00 pm
Depois de ter lido os comentários fiquei esclarecido, há muita gente que está muito mais próxima da ideologia dominante emanada desde a 5 de Outubro do que poderia imaginar.
Imagine-se chegarem a argumentar que os multimilionários nem sempre são aqueles que estudaram mais…! Fantástico. Será que jogaram no totoloto?
Não estudaram mais de forma formal, mas meus caros tomara a maioria de nós ter estudado um centésimo daquilo que estudou Bill Gates ou aquilo que têm estudado os fundadores da Google.
Acho que alguns dos comentadores de tão habituados ao papelinho que certifica aquilo que sabem, não percebem que para alguém chegar longe tem que estudar MUITO, mesmo MUITO. A diferença é que não tem nenhum papelinho a certificar aquilo que muito estudou e que domina perto da perfeição.
Acho que ainda há muita gente que ainda não percebeu o que se está a passar, vivemos numa economia do conhecimento, só ganhará dinheiro aquele que tiver conhecimentos acima da média numa área onde possa aplicar esses mesmos conhecimentos.
Outro aspecto deveras interessante é colocar lado a lado quem recolhe o lixo e quem trata de pessoas com cancro. É deveras curioso. Veremos qual das duas profissões terminará primeiro. Veremos durante quanto mais tempo existirão caixas de supermercado, veremos quanto mais tempo diremos bons dias a quem trabalha nas secretarias, etc!
A pensar dessa forma tão pós-moderna arrisco a considerar que os responsáveis por terem enviado a Phoenix a Marte deveriam ter os meus salários que os excelentíssimos educadores de infância, enfim…!
Fico estarrecido, como podem comparar o trabalho de um docente universitário com o vosso. Não há qualquer comparação, o professor universitário tem como missão INVESTIGAR, enquanto que vocês têm como missão ENSINAR.
É por estas e por outras que pouca gente percebe os problemas REAIS dos professores.
Volto a dizer que se trata apenas e só de uma opinião
Junho 13, 2008 at 11:11 pm
… pensando bem, se calhar o nosso prestígio não é tão pequeno quanto parece…desde sempre muitos amigos me acharam tolo por enveredar profissionalmente pelo ensino, e diziam que “na privada” ganharia o dobro, tinha carro, ia ao estrangeiro, etc,etc,etc, …no fundo aquilo que constituiu um chamariz para outros, não o foi para mim, nem para muitos cuja companhia me honra… se agora tantos nos agridem do modo como o fazem , só pode ser por, passe a expressão, “dor de corno” ,… eu sei falta-lhes a “pujança” e sentem-se frustrados com os seus amores, eu não tenho a culpa, e podiam deixar em paz os que acertaram no “amor da sua vida”… eu e muitos , não quisémos nem dinheiro nem falsos prestígios, deslocámo-nos para o serviço no comboio, ou no carro da gama baixa, passámos se calhar trinta e tal anos, com alguns desagrados, mas sem subserviências, não tivémos que “sorrir amarelo” todas as manhãs para quem nos arranjou o emprego, nem “para a puta que os há-de parir”… a empresa onde trabalhamos, a nossa escola, tem como veículo de serviço um carro de mão que o jardineiro empurra alegre e calmamente, pelo jardim… a minha empresa não acena com mordomias aos seus funcionários… eu sei, não transmitimos aos nossos alunos ideias de ambição, e isso, dizem eles, é essencial para o “progresso”… de facto muitos que com as minhas qualificações entraram no ensino, como profissão, sairam dele, na porta próxima que a cunha lhes abriu, mas não me chateiem, estou farto deles e sou sério…alguns da minha área de formação (Eng) terão deixado de lidar com a sua formação específica para serem gestores, ou simples guardadores de homens, e isso realizou-os…depois frustrou-os… por isso muitos invejam “a nossa arte”, e não sendo claramente pelas benesses, só pode ser pelo prestígio… tenho dito …e asseguro-vos, embora isso não preocupe ninguém, que estou lúcido… e essa, passe a “presunção”, devia ser uma exigência para se ser professor, lucidez… é que esta sociedade corre o risco de colapsar porque muitos dos que entusiasticamente fizeram da lucidez o seu exercício de juventude estão a ficar “pedrados” com a droga liberal que lhes impingem os “drealers” da modernidade…
Junho 13, 2008 at 11:41 pm
leia-se “dealers”
Junho 13, 2008 at 11:55 pm
Joaquim
O Império de Bill Gates deve mais ao seu departamento jurídico que à excelência do software da microsoft. Inicialmente, ainda na década de 80, esteve bem, embora tenha aproveitado trabalho fundamental desenvolvido em universidades inglesas (primórdios de sistema operativos para pequenas máquinas). Há milhares de cientistas de computadores e programação muitíssimo mais capazes que Bill Gates, e também muitíssimo mais mal pagos. Reconhecer isto não implica qualquer posicionamneto ideológico. Há que não simplificar.
Junho 14, 2008 at 12:01 am
Joaquim
Disse e repito. Muito mais importante para a saude pública num país é a recolha dos lixos das ruas que os actos cirúrgicos. Não coloquei lado a lado ninguém. Novamente, reconhecer isto não é uma questão de posicionamento ideológico, mas de identificar epidemias graves de cólera ou outras doenças.
Junho 14, 2008 at 12:21 am
Acho que ainda há muita gente que ainda não percebeu o que se está a passar, vivemos numa economia do conhecimento, só ganhará dinheiro aquele que tiver conhecimentos acima da média numa área onde possa aplicar esses mesmos conhecimentos.
É difícil contestar generalidades que têm uma aparência de boa fundamentação, mas que não são aplicadas na prática.
A pensar dessa forma tão pós-moderna arrisco a considerar que os responsáveis por terem enviado a Phoenix a Marte deveriam ter os meus salários que os excelentíssimos educadores de infância, enfim…!
Opinião singular de quem a subcreve.
Professores universitários e investigadores. Por acaso, o dinamizador deste blog é professor do básico e investigador. Poderei dar-lhe outros exemplos. Novamente uma simplificação. Enfim.
Junho 14, 2008 at 1:02 am
É curioso. Sou sócio da Association for the Computer Machinary (ACM) desde há dezs anos. Embora a Microsoft, tal como a IBM, a Google, e tantas outras empresas sejam membros institucionais da ACM e embora eu receba via email destaques das novidades mundiais neste mundo da informática todos os dias – certa vez Paulo Guinote reflectiu isso no Umbigo com a colocação on-line dos documentos dos cursos do MIT – devo confessar que nunca consegui ler nada assinado por Bill Gates, ambora já tenha lido de outros autores da Microsoft. Ora, software é o negócio desse homem. Se fosse tão brilhante na sua área, se tivesse estudado tanto, alguma coisa de interessante já teria tido oportunidade de dizer…
Há uma questão que convém levantar. As empresas estão cheias de gestores que não fazem a mínima ideia de todas as condicionantes, mesmo financeiras, associadas a determinadas opções técnicas. Por exmeplo, em Portugal, sobrepôr duas rêdes de telefonia móvel (2G e 3G) ou criar a segunda de forma independente. Isso, em si, nem seria grande mail, se tivessem a humildade de indagar à área tecnica que se pronunciasse. No entanto, comunicação é está muito contaminada por exibições gratuitas de poder. O caso da queda da ponte de Entre-os-Rios é também paradigmático desta guerra surda entre gestores incompetentes e os técnicos. Afirmar-se, neste contexto, que estamos numa era de prevalência do conhecimento, só mesmo se estivermos bastante distraidos.
Junho 14, 2008 at 1:30 am
Depois de ter lido os comentários fiquei esclarecido, há muita gente que está muito mais próxima da ideologia dominante emanada desde a 5 de Outubro do que poderia imaginar.
Caro amigo Joaquim: as suas palavras ilustram magnificamente esta afirmação.
Por falar em conhecimento, assim, na forma mais geral como gosta de usar: nunca tente colocar na boca de quem discorda palavras que não escutou.
Junho 14, 2008 at 1:41 am
…só ganhará dinheiro aquele que tiver conhecimentos acima da média numa área onde possa aplicar esses mesmos conhecimentos.
Se a distribuição dos conhecimentos seguir a curva de Gauss – tanto do agrado dos maximamente desconhecedores (a curva de Gauss é a que reflete o máximo desconhecimento sobre a população, uma vez fixada a média e a variância); ou então, se seguir, pelo menos qualquer outro modelo simétrico em relação à média, que fazer da metade da população que não ganha dinheiro (segundo o princípio estipulado bpor Joaquim)? Morre à fome? Ou não é seu problema? Ou não é um problema económico? ou não é um problema social? Ou não é um problema do Conhecimento?
Junho 14, 2008 at 9:50 am
António Ferrão:
Tudo aquilo que referiu nos últimos comentários é apenas uma mistura para depois dar de novo. Diz verdades, mistura essas mesmas verdades e chega a conclusões absurdas. São absurdas porque representam a excepção e não a regra.
Repare que foi capaz de misturar informática com entre-os-rios e até conhecimento com curva de gauss.
Peço imensa desculpa, mas do meu comentário não pode tirar as conclusões que tirou, até porque são claramente abusivas
Junho 14, 2008 at 2:05 pm
Joaquim
A relação entre informação (uma forma de conhecimento) e a curva de Gauss está descrita aqui.
Que deveriam viver sem dinheiro todos os membros da sociedade cujos conhecimentos não alcançassem a média da população, não foi uma conclusão minha. Apenas indaguei como. Poderá ignorar a questão, mas nesse caso não colhe o argumento de que privilegia o conhecimento.
A queda da ponte de Entre-os-Rios é ainda uma ocorrência excepcional, porém, se a palavra informada dos técnicos continuar a ser preterida em favor de outros valores, poderá transformar-se em regra. De qualquer forma, o primado do conhecimento já foi afectado, com consequências bem amargas para alguns.
Junho 18, 2008 at 8:15 pm
Pelos comentários, se verifica que o tema do meu post estava longe de ser consensual.Já o esperava. Aliás, como o Paulo avisou, tratava-se de um texto “para acender a discussão”. Missão cumprida. Pena foi que, por vezes, o coração falasse mais alto que a razão. E com isso se estabelecessem igualdades de direitos sem correspondência de deveres. Enfim…