Antes de mais este post é motivado pela necessidade aparente de, nos dias que correm, escrever camionistas, Euro 2008, golos, Cristiano Ronaldo ou gasolina para dar nas vistas.

Em seguida, a outra razão é mais substancial, ou seja, os governos deste país, se pudessem, tinham euros e mundiais de futebol de 3 em 3 meses desde que tivessem garantido que o Scolari ressuscitava sempre o Deco, que fazia o Pepe descobrir que teve ascendentes nas Batalhas de São Mamede, Aljubarrota e das Linhas de Torres, que percebia que o Moutinho é mesmo o 10 que fazia falta e que convencia o Cristiano Ronaldo a não estar sempre a olhar para o ecrã gidante dos estádios como no último Mundial.

Se a selecção calha ter feito dois maus resultados na abertura do Euro tenho a quase certeza que as filas para abastecer o depósito do gasóleo e gasolina que só faltaram exactamente por causa dessa ânsia de abastecimento seriam bem menos pacíficas. Ou mesmo os próprios piquetes de greve eram capazes de estar mais carrancudos e as forças policiais menos contemplativas.

Assim fica toda a gente, de sorriso nos lábios, a comentar o futebol e quase nos faz retroceder a anos como 1984 em que o Euro de França, mais os golos do Jordão e as fintas do Chalana, quase iam fazendo esquecer a governação do Bloco Central, ou a 2004 quando o Euro cá no burgo fez esticar a tanga que o José Barroso nos fez vestir.

O problema vai ser a ressaca, mesmo se o verão vai estar à porta. Nem que sejamos campeões da Europa isso vai fazer com que o Setembro seja mais apetecível, porque então já o opiáceo estará quase sem fazer efeito.

Cartoon de Baptistão