Depois do epitáfio do Vasco Pulido Valente é a vez de José Carlos Vasconcelos na Visão que saiu hoje começar a teorizar sobre a forma do PS actual sair do cubículo em que se encerrou, fruto de uma conjugação letal de arrogância na postura e impotência prática em termos de governação para além da espuma dos efeitos comunicacionais ou dos apertos localizados a estratos bem definidos da classe média.
A visão de filas e filas de carros, hoje, junto aos postos de abastecimento de combustível e a audição das conversas de café ou transportes públicos sobre o assunto é algo que vale por mil sondagens encomendadas. O engenheiro falhou em toda a escala, mesmo com uma maioria absoluta que pretendeu triturar tudo e todos.
Resta saber se percebe que errou se apenas vai fingir perceber ter errado, para ter nova hipótese de errar. Para Bilderberg parece que já convidaram o seu suplente.

Junho 11, 2008 at 7:21 pm
E quando não houver combustível para irmos trabalhar?
Hoje estive quase 1 hora na fila das bombas de gasolina e pensei na forma como irão justificar os professores estas faltas à escola…
Junho 11, 2008 at 7:52 pm
Sim. Acabou. Mas n se deveu nem aos Profs nem aos Sindicatos nem às Centrais sindicais.
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“V. tem notado que essas sobretudo os professores e os pescadores têm uma vida extraordinária e desafogada ?” in blasfemias.net
DEVO CONFESSAR QUE FACE À INÉRCIA D@S PROFESSOR@S PENSARIA O MESMO.
Junho 11, 2008 at 8:50 pm
Acabar é melhor que ficar congelado.
Junho 11, 2008 at 9:26 pm
Só espero que os camionistas levem ao extremo a sua manifestação de desagrado..eu quero ver os portuguesinhos a andar de carro sem gasolina.
Junho 11, 2008 at 9:48 pm
O Pessoa já via muito longe…
Se, por um daqueles artifícios cómodos, pelos quais simplificamos a realidade com o fito de a compreender, quisermos resumir num síndroma o mal superior português, diremos que esse mal consiste no provincianismo. O facto é triste, mas não nos é peculiar. De igual doença enfermam muitos outros países, que se consideram civilizantes com orgulho e erro.
O provincianismo consiste em pertencer a uma civilização sem tomar parte no desenvolvimento superior dela — em segui-la pois mimeticamente, com uma subordinação inconsciente e feliz. O síndroma provinciano compreende, pelo menos, três sintomas flagrantes: o entusiasmo e admiração pelos grandes meios e pelas grandes cidades; o entusiasmo e admiração pelo progresso e pela modernidade; e, na esfera mental superior, a incapacidade de ironia.
Se há característico que imediatamente distinga o provinciano, é a admiração pelos grandes meios. Um parisiense não admira Paris; gosta de Paris. Como há-de admirar aquilo que é parte dele? Ninguém se admira a si mesmo, salvo um paranóico com o delírio das grandezas. Recordo-me de que uma vez, nos tempos do “Orpheu”, disse a Mário de Sá-Carneiro: “V. é europeu e civilizado, salvo em uma coisa, e nessa V. é vítima da educação portuguesa. V. admira Paris, admira as grandes cidades. Se V. tivesse sido educado no estrangeiro, e sob o influxo de uma grande cultura europeia, como eu, não daria pelas grandes cidades. Estavam todas dentro de si”.
Fernando Pessoa
Junho 11, 2008 at 10:23 pm
E perante uma crise gravíssima Sócrates eclipsou-se! Tal com escrevia um colega nosso, ficou mudo e quedo, “pois só sabe gritar com os fracos, com aqueles que não representam uma verdadeira ameaça!”
Sócrates, tal como o seu partido demonstram a inércia perante a força. Demonstram que afinal o país estará entregue a “tigres de papel” e à prosápia derivada da arrogância.
Junho 11, 2008 at 10:58 pm
Pois é, Lula no Brasil. Agora diz-se que o Brasil cresce como nunca. Dirão alguns que crescer é fácil quando se tem tantas riquezas. Mas o Brasil já tinha essas riquezas e não crescia. O que lhe faltava eram um governo que distribuísse um pouco mais. Dirão alguns que é um acaso feliz. Mas não é, enquanto o mundo aperta o cinto, o Brasil expande-se. Porque quando apenas muito poucos têm os meios de produzir, pequeno é o produto. Mas quando muitos têm o suficiente juntam os esforços para produzir muito. E todos ganham.
Mas os ideólogos da moda também diziam no princípio da presidência de Lula que os capitais estrangeiros iam fugir do Brasil e que o país ia regredir. Afinal tinham a teoria mal afinada.
Junho 11, 2008 at 11:29 pm
Estamos perante o fim de um sistema económico, baseado na famosa lei da oferta e da procura, nas cotações da bolsa e na especulação.
Não sei se os capitais estrangeiros estão a fugir do Brasil. Mas o “capital” humano está a debandar, nota-se nos nossos cursos CEF e Profissionais; isto, a nível de escola.
Junho 11, 2008 at 11:51 pm
Pois é, bigbrother (5) F Pessoa é que a sabia toda.
Isto permanece actual, a parolice e o provincianismo das nossas elites lisboetas. Ao ler alguns lisboetas, mesmo que não pertençam à elite (F Pessoa preferia a palavra escol) , a maneira como falam da província, parece que estão em Manhatan, no Upper East Side, e vai-se a ver moram na Pixeleira… Têm da província uma ideia recuada, no tempo e geograficamente, de onde sairam, para chegarem à grande cidade, a grandecíssima lisboa! Isso é que é progresso!
Na Holanda, qualquer pessoa, em qualquer ponto do país pode aceder facilmente a todos os bens culturais. Apanha-se um comboio de qualquer sítio do país e sai-se no aeroporto. O de lisboa nem sequer tem uma estação de metro!!! Na Holanda já não existem pobres desde o séc XIX, enquanto que em Portugal ainda se acha muito natural que existam, fazem parte da paisagem…
Junho 12, 2008 at 8:03 am
[...] à Esquerda Jump to Comments Concordando em parte com a leitura que o Paulo Guinote faz do artigo de José Carlos Vasconcelos, parece-me que a análise que ambos fazem da situação do PS [...]
Junho 14, 2008 at 7:01 pm
[...] em parte com a leitura que o Paulo Guinote faz do artigo de José Carlos Vasconcelos, parece-me que a análise que ambos fazem da situação do PS [...]