Já usei esta citação aqui no blogue há uns meses, mas hoje começou a ficar mesmo calor e estou preguiçoso pelo que apenas lhe acrescento a interrogação.
Refiro-me à mítica «sociedade civil» cuja apatia tantos criticam, quase tantos quantos criticam a dita sociedade quando ela se agita e move de forma imprevisível.
Se no caso dos professores já se notara que as formas habituais de mobilização, com base nas estruturas organizacionais tradicionais, estão a cair em desuso para não dizer que estão obsoletas, no caso dos camionistas essa sensação começa a confirmar-se pois os protestos e as acções de luta voltaram a escapar, desta vez de forma quase total, ao enquadramento da estrutura tida como representativa dos agentes do protesto.
Claro que perante a imprevisibilidade de movimentos espontâneos deste tipo, mas com uma capacidade de funcionamento em rede que começa a mostrar-se interessante e eficaz, e a dificuldade dos poderes instalados para lidarem com esta nova situação, não era difícil adivinhar que ANTRAM e Governo chegassem a um acordo, um pouco como os sindicatos de docentes e o Me chegaram a um entendimento.
Este tipo de solução apressada e pressionada pelos acontecimentos que se sentem fugir aos espartilhos tradicionais tem uma parte boa, porque soluciona um problema imediato, mas uma outra perversa, pois tenta reconduzir os protestos à sua moldura institucional tradicional.
Porque os representantes querem recuperar o lugar que os representados parecem não lhes reconhecer, enquanto o poder precisa de alguém para se sentar ordeiramente á mesa das negociações institucionais.
De qualquer modo ficam os sinais que já dificilmente podem ser confundidos: as formas de protesto da «sociedade civil» começam a libertar-se dos figurinos previsíveis do passado e começam a ganhar contornos que incomodam os poderes. Há 15 anos tivemos o buzinão, mas mesmo esse teve em seu redor ainda o apoio de máquinas político-partidárias que enquadraram parcialmente o protesto. Basta lembrarmo-nos do PS de então a desfilar pelo garrafão da ponte 25 de Abril.
Agora, mesmo que com algumas infiltrações, os movimentos de protesto começam a funcionar por si mesmos, em rede, de uma forma cooperativa e não hierarquizada.
Pessoalmente, gosto.
Junho 11, 2008 at 10:30 pm
http://livresco.wordpress.com/2008/06/11/buzinao-nacional-marcado-para-dia-17-de-junho/
Junho 11, 2008 at 10:33 pm
Não percebo porque havemos de dar razão aos camionistas( pequenos empresários com 2-6 camions )se eles foram dos que mais falaram contra os protestos dos professores… eu bem que os ouvia nas bombas e nas tascas junto à minha escola.
E, além disso, não têm razão nenhuma… if not também quero o gasóleo mais barato para os profs que estão a leccionar a 30, 60, 100 ou 130 Km de casa.
Junho 11, 2008 at 10:33 pm
Assim se ganha dinheiro – o Estado continua a ser uma vaca leiteira…
http://livresco.wordpress.com/2008/06/11/corrupcao-onde-%e2%80%9cna%e2%80%9d-e-so-impressao-minha%e2%80%a6/
Junho 11, 2008 at 10:46 pm
António,
Eu nem sequer estou a discutir a substância da luta dos camionistas e sinceramente não me interessa o que eles disseram nas tascas.
Interessa-me mais o modo de mobilização.
Junho 11, 2008 at 10:49 pm
Concordo contigo Paulo: é o que interessa – e o poder treme…
Junho 11, 2008 at 10:50 pm
Vive-se história!
Junho 11, 2008 at 10:51 pm
Como dizia o outro: eles tem medo é dos mineiros…
Junho 11, 2008 at 11:00 pm
António abre os olhos…
É a prova de que há uma mudança qualitativa da situação no mundo desenvolvido onde o mal estar social é cada vez menos resolvido pelas vias de representação tradicionais.
Até agora, o Governo tem conseguido gerir a situação, mantendo a negociação sem ceder na reivindicação de descida do preço do gasóleo, que significaria abrir uma caixa de Pandora. Percebe-se que Sócrates está a fazer tudo para evitar uma acção de força e os danos de imagem correspondentes. Mas se o protesto não acabar nas próximas horas, a táctica corre risco de esgotamento, além de minar a autoridade do Estado.
http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS&id=319938
Junho 11, 2008 at 11:00 pm
Concordo com o Paulo. Estes novos meios de mobilização vão, penso eu, revolucionar as formas de contestação. São as bases em acção. Cansadas da incapacidade das estruturas que as representam defenderem os seus interesses, tendo em mãos meios de moblização novos e eficazes, ultrapassam as próprias estruturas.
Igualmente interessante é ver a internacionalização de algumas formas de luta.Pode muito bem estar a nascer a resposta dos trabalhadores aos problemas resultam da própria globalização.Aquela ideia do Marx…é capaz de começar a fazer sentido.
Junho 11, 2008 at 11:01 pm
Luísa Bessa
O “businão” de Sócrates?
lbessa@mediafin.pt
As greves dos camionistas já são uma banalidade mas nem por isso têm menos impacto. Desde que, em 1972, um protesto das empresas de transporte de mercadorias criou o caos no Chile e deu argumentos ao golpe que derrubou Allende, que os camionistas perceberam a sua força e passaram a usá-la.
http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS_OPINION&id=319662
Junho 11, 2008 at 11:02 pm
Há algo que me choca nesta paralização, independentemente da razão ou não que os camionistas possam ter: é o recurso à intimidação e mesmo a acções violentas para obrigar os outros a aderirem.
Com que legitimidade os camionistas tomam conta das estradas, bloqueando-as e mandando encostar os veículos pesados, como se fossem agentes da autoridade? Com que direito lançam pedras, furam pneus, ameaçam, etc.? São pessoas em protesto ou terroristas?
Defendo o direito à greve e também acho interessante que os cidadãos tenham capacidade de mobilização fora da alçada de organizações sindicais, mas também defendo um estado de direito, onde cada um seja livre de aderir ou não a greves, protestos, etc.
Fico incrédula perante a passividade das autoridades face a actos criminosos! O que aconteceria se, em dia de greve, eu me pusesse à frente do portão da minha escola e impedisse os meus colegas de entrar e, ainda por cima, ameaçasse a sua integridade física? No mínimo, já não estava a trabalhar…
Junho 11, 2008 at 11:03 pm
António é o principio do fim…
Junho 11, 2008 at 11:04 pm
11 pois minha querida onde está o Sócrates? Escondido
Junho 11, 2008 at 11:05 pm
Ultrapassado pelos acontecimentos…
Junho 11, 2008 at 11:05 pm
Grande Estadista!
Junho 11, 2008 at 11:07 pm
Tens um primeiro-ministro que anda a reboque dos acontecimentos – que não antecipa o futuro…
Junho 11, 2008 at 11:10 pm
Um primeiro-ministro tratou os professores como criminosos..
http://www.scribd.com/doc/2247135/Publico-Ouagadougou
Lê com muita atenção – não tenho a memória curta…como alguns
Junho 11, 2008 at 11:10 pm
que
Junho 11, 2008 at 11:12 pm
Uma correcção:
“caso das empresas de camionagem”
onde o Paulo escreveu
“caso dos camionistas”
E neste caso não têm razão nenhuma, acho lamentáveis as cedências do governo. Um dia destes temos o Sector Financeiro “em greve”! Contra o aumento dos impostos.
Junho 11, 2008 at 11:13 pm
O Governo já não existe. PONTO FINAL.
Junho 11, 2008 at 11:14 pm
Publicação: 11-06-2008 21:48 | Última actualização: 11-06-2008 22:24 Autoridades passivas face aos ilícitos Portugal está sob sequestro dos camionistas
Há três dias que as autoridades assistem sem reacção à violação do Estado de direito, com o Governo a manter silêncio sobre um bloqueio ilegal à livre circulação, causado pela paralisação dos camionistas. A Procuradoria-Geral da República limita-se a dizer que vai estar atenta a eventuais ilícitos.
Crise dos combustíveis
Os protestos contra os aumentos dos preços sobem de tom
Vídeos
Análise de António José Teixeira
Governo mostra receio do impacto de medidas duras contra camionistas
Partidos exigem acção
Oposição não compreende falta de medidas do Governo contra situação dos camionistas
Autoridades passivas
País está refém dos camionistas que praticam vários ilícitos
Slideshow
Corrida aos combustíveis
Postos “secam” devido ao protesto dos camionistas
Os comentadores políticos falam numa “crise manifesta da autoridade do Estado”, apelam à intervenção do Governo e estranham o silêncio do Presidente da República. Desde domingo que as forças de segurança assistem sem intervir a um bloqueio ilegal dos camionistas que mantém o país sob sequestro, com os ilícitos a sucederem-se.
“Tanto empregadores como trabalhadores decidiram não trabalhar estão a cometer dois tipos de crime: o “lockout”, que é proibido, e uma greve que não foi autorizada. Estão a ser violados os direitos dos outros cidadãos, como o de livre circulação, o direito ao exercício do trabalho, à alimentação e isso tem de ser protegido por um Estado de direito forte”, explica o advogado Luís Filipe Carvalho.
Os camionistas substituiram-se à polícia e assumiram o controlo das estradas: são eles quem decide quem passa e quem pára. A obstrução da via pública é um crime punível com pena de prisão, mas em três dias de obstrução de estradas, o Ministério Público não encontrou matéria para agir.
Contactada pela SIC, o comando da GNR limitou-se a dizer que não está autorizado a prestar declarações sobre o assunto. Já a Procuradoria-Geral da República respondeu em comunicado que “vai estar atenta a todos os ilícitos que eventualmente possam acontecer,” relacionados com a paralisação de transportes e mercadorias.
Quanto ao atropelamento mortal, a procuradoria informa que correm já as investigações necessárias, a cargo da GNR e do Ministério Público.
À excepção à atitude passiva das autoridades foi quebrada esta madrugada quando a Brigada de Trânsito da GNR escoltou 10 camiões-cisterna da Galp que partiram da zona industrial do Carregado para abastecer as estações de serviço de Lisboa. Uma medida para evitar a fúria dos piquetes e prevenir arremessos de pedras, que obrigou a BT a marcar presença em vários pontos da auto-estrada.
http://sic.aeiou.pt/online/noticias/dinheiro/20080611Portugal+esta+sob+sequestro+dos+camionistas.htm?wbc_purpose=baMO%25
Junho 11, 2008 at 11:15 pm
Meus caros o fim da história -como já alguém escreveu- aproxima-se..nós podemos negar que ela vai acontecer mas que a mesma quer a gente queira quer não ela vai suceder..juntem dois mais dois: Obama ganha os EUA fecham-se mais economicamente, a crise do petróleo agudiza-se pelo forte cescimente das potências emergentes-que não dispõem do mesmo nas suas terras(India e China), especulação de tipos como o Soros, europa em crise vai ameaçar fraccionar-se
( nestas ocasiões é cada um por si, lembrem-se de 1929), a espanha já tem a maior inflação dos últimos 9 ou 10 anos..desemprego a aumento exponencialmente..salários a baixar no inverso..natalidade baixa perigosamente baixa..emigração necesária mas indezsejada..
globalização selvagem..quem ganha com estetipo de globalização são a India e China que engolem os pequenos do 3º mundo..alterações climatéricas..menos área de cultivo..fome ..tumultos..etc.esta panela de pressão, acreditem não vai aguentar muito tempo sem estoirar..quando forem retirar a pressão já é tarde demais..
Texto visionário..
Quando se considera que o produto do trabalho e das luzes de trinta ou quarenta séculos foi entregar trezentos milhões de homens espalhados pelo globo a cerca de trinta déspotas, a maioria ignorante e imbecil, cada um dos quais é governado por três ou quatro celerados às vezes estúpidos, o que pensar da humanidade e o que dela esperar no futuro?
Sébastien-Roch Chamfort
Junho 11, 2008 at 11:16 pm
O Governo já não existe…
Junho 11, 2008 at 11:18 pm
“Tanto empregadores como trabalhadores decidiram não trabalhar estão a cometer dois tipos de crime: o “lockout”, que é proibido, e uma greve que não foi autorizada. Estão a ser violados os direitos dos outros cidadãos, como o de livre circulação, o direito ao exercício do trabalho, à alimentação e isso tem de ser protegido por um Estado de direito forte”, explica o advogado Luís Filipe Carvalho.
Junho 11, 2008 at 11:19 pm
Onde está o Sócrates? – aquele que começou a governar elegendo os professores como um alvo abater…
Junho 11, 2008 at 11:20 pm
a
Junho 11, 2008 at 11:22 pm
11 Junho 2008 – 00h30
Dia a Dia
Autoridade do Estado
Governo e polícias trabalhavam ontem para evitar um cerco a Lisboa por parte de um movimento de camionistas que se tinha divido nas últimas horas. Depois de uma decisão inicial de suspensão do protesto, uma parte do piquete rebelou-se e a comissão dos camionistas voltou atrás, acabando por se fracturar. Após uma noite de intensas negociações entre camionistas, o dia de ontem nasceu com uma atmosfera de estranho impasse. Até que morreu uma pessoa e a meio da tarde foi confirmada a continuação da paralisação. Resumindo: percebe-se que este movimento se pulverizou, está contaminado por uma proliferação de líderes ‘ad hoc’ que geram situações incontroláveis.
O perigo não está na impossibilidade de o Governo satisfazer todas as reivindicações, que ainda estão a ser negociadas, mas em grupos rebeldes que pedirão sempre o impossível. É a esses grupos que não pode hoje ou em qualquer outro dia ser concedida a possibilidade de cercar Lisboa ou outra cidade.
O Governo tem de saber exercer a autoridade do Estado, da forma mais democrática que se conhece, mas inequivocamente autoridade. Para que nenhum português se sinta por estes dias ameaçado, física ou verbalmente, só porque quer ir trabalhar. Para que ninguém se veja impedido de chegar aonde precisa.
Eduardo Dâmaso, Director-adjunto
http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx?contentid=6F5B1A3D-1161-4283-A56A-4D580B803E58&channelid=00000093-0000-0000-0000-000000000093
Junho 11, 2008 at 11:23 pm
Onde está o Sócrates? Aquele que comia e acontecia…pois…um bom tigre de papel…
Junho 11, 2008 at 11:26 pm
Na casa de banho com diarreia..
Junho 11, 2008 at 11:28 pm
A manifestação dos professores foi o principio: presentemente vive-se o principio do fim deste (des) governo…xau até amanhã
Junho 11, 2008 at 11:29 pm
Ou a ver esta serie completa..
Junho 11, 2008 at 11:31 pm
Dedico este artigo ao engenheiro (?) José Sócrates:
http://www.scribd.com/doc/2554508/DN-A-VITORIA-DOS-PORCOS-BaptistaBastos
Junho 11, 2008 at 11:35 pm
Estes comentadores têm agora um tom que já me é familiar. A defesa militante do governo, tal como vimos contra os professores. Agora quem tem de ser “metido na linha” são os camionistas que diz que atentam contra a Constituição e contra o Estado de Direito e isso tudo. Agora quem defende interesses corporativos são camionistas, mas já foram os pescadores, os juízes, os médicos, os farmacêuticos… os professores.
E quem for ler os comentários nas notícias do Público verá que tudo isso é obra dos Comunistas e que o terror ameaça os fundamentos da civilização.
Claro, claro! A civilização dos muito ricos fica em perigo quando a barbárie dos pobres pede um pouco mais.
Junho 11, 2008 at 11:39 pm
Totalmente de acordo com o Paulo “Agora, mesmo que com algumas infiltrações, os movimentos de protesto começam a funcionar por si mesmos, em rede, de uma forma cooperativa e não hierarquizada.
Pessoalmente, gosto.”
Pessoalmente, também gosto.
Junho 11, 2008 at 11:39 pm
Ó bigbrother.
Pareces a tua avó Genoveva! Para a cama às 23H30?
Junho 11, 2008 at 11:41 pm
Ai que me enganei! Foi o livresco!
Junho 11, 2008 at 11:52 pm
businão dia 17
até que alinharia mas… sem gasoil teria que ir de bicicleta.
Se eu tivesse um camião… (tema para composição escrita)
Junho 11, 2008 at 11:55 pm
O livresco estava um pouco excitado…
Não retiro uma vírgula do que disse lá atrás, e nem tinha a ver com o post do Paulo,mas ESTES pseudo-camionistas/patrões não têm razão.
Quanto às visões apocalípticas, ainda estamos longe…
E não se esqueçam da greve dos camionistas no chile e a quem aproveitou…é dos livros, colega livresco.
Junho 12, 2008 at 12:08 am
Têm piada a falar de legalidade. Isso faria sentido se vivessemos num Estado de Direito. Tomemos como exemplo o caso dos professores: desde que chegaram ao governo fizeram letra morta da lei em múltiplas situações, impuseram uma verdadeira ditadura nas escolas, não negociaram, não ouviram ninguém e, pior do que isso,não nos respeitaram, montando uma verdadeira campanha de propaganda destinada a reduzir os professores a pó.
O que estão a fazer com os trabalhadores? O mesmo: não trabalham, é preciso premiar quem trabalha, blá, blá blá. Resultado precaridade e a maioria colocada na fasquia dos 500. Agora Bruxelas com as 65h. Dizem que não há riqueza para distribuir. É verdade, mas as grandes fortunas aumentam. Mas para mim o mais grave é a falta de respeito…é a forma como se tratam as pessoas.
Perante isto, o que esperam que aconteça?
Junho 12, 2008 at 12:13 am
Tivessem os professores coragem de fazer uma greve por tempo indeterminado, e ver-se-ia de que lado estava o poder!
Isto só lá vai assim.
Junho 12, 2008 at 12:31 am
Concordo com Laranjalima.
Há muito que não vivemos num estado de direito. A justiça não funciona. Se funcionasse haveria muitos políticos e autarcas nas cadeias.
Há cada vez mais gente com a corda ao pescoço, enquanto outros fazem lucros obscenos à custa dessas mesmas dificuldades.
O que esperar?
Junho 12, 2008 at 12:32 am
Quarta-feira, 11 de Junho de 2008
O cadáver adiado
A paralisação dos camionistas portugueses, que dura desde as 0:00 de segunda-feira, 9-6-2008, é apenas mais uma revolta corporativa de uma sequência que não abrandará até ao fundo do vale da depressão económica que o mundo não produtor de petróleo e de salários altos conhece e com consequências bastante mais graves em Portugal, por causa da política absolutamente errada de José Sócrates que afundou a economia nacional no absurdo contraciclo da sua política financeira autista. De que serve a alguém ter a “casa arrumada” (Sócrates, em 29-3-2008 em Mortágua) se estiver desempregado e a família passar fome?…
A paralisação é desagradável, mas quando o “desespero campeia”, como refere José Maria Martins, a “desobediência civil” parece a única saída para os camionistas das micro e pequenas empresas que constituem o grosso do sector dos transportes de mercadorias. Estes mantém os protestos, apesar da falta de solidariedade dos donos das grandes frotas que controlam a ANTRAM (só a TAS do presidente da ANTRAM António Mousinho tem “uma frota própria superior a 200 veículos”) e arrasam o sector no dumping dos preços dos fretes – ainda hoje, 11-6-2008, ouvia no programa Opinião Pública da SIC-Notícias uma gestora de frota dizer que uma grande transportadora, a Álvaro Figueiredo, cobrava apenas 450 euros para um frete Lisboa-Madrid. Devido à atomização e independência tradicional do sector, é muito mais difícil conseguir um acordo com as suas corporações – a associação empresarial ANTRAM e o sindicato FESTRU (ligado à CGTP) -, que não têm tropa de choque obediente com penetração e dimensões suficientes, como a CGTP-PC teve no protesto dos professores, para abafar os protestos independentes e vender os trabalhadores num acordo manhoso com o Governo. Isto é, a desmobilização dos trabalhadores só parece possível com concessões tangíveis e igualitárias, sem a troca suja de compensações políticas externas aos interesses dos próprios.
Como outras revoltas anti-sistémicas, esta nasce da base e despreza os compromissos dos sindicatos e associações oficiais que vivem na habitual cumplicidade com o poder. O poder embrulha os representantes das classes profissionais no maço da folha de apoios e os trabalhadores e elementos de base são vendidos em acordos que os prejudicam. Os compromissos dos representantes, que na verdade passaram para o lado do poder, impedem-nos de afrontar o governo e cedem, mediante a oferta de cerejas que encimam os seus bolos.
O governo de Sócrates já tem a morte marcada: o seu governo é apenas um “cadáver adiado” que nem procria.
Paradoxalmente, a economia está a ser o carrasco da sua política ultra-capitalista e de promiscuidade com os grandes grupos económicos:
*
o petróleo continua a subir (133,00 dólares às 12:31 de 11-6-2008), de patamar em patamar, dois passos acima e um para baixo;
*
o dólar deixou de descer (1,5493 dólares/euro às 12:31 de 11-6-2008) – já nem o negligente ministro das Finanças Teixeira dos Santos despreza, como fazia, a subida do petróleo acompanhada pela depreciação do dólar…
*
a inflação real acelera;
*
o Produto Interno Bruto mingua (nova descida de 0,2% no primeiro trimestre de 2008, imitando a contração de 0,1% do terceiro trimestre de 2007);
*
as exportações diminuem e as importações aumentam, desequilibrando ainda mais a balança comercial portuguesa;
*
o investimento directo estrangeiro no nosso País reduz-se radicalmente a metade, por mais que o ministro Pinho o veja a… crescer “e bem”;
*
multiplicam-se as falências e encerramento de empresas;
*
o desemprego real (o dos campos e ruas do País e não o da praça de Londres ou o da avenida António José de Almeida) aumenta;
*
a emigração dos desempregados, sub-empregados, subsistentes e jovens licenciados explode;
*
o endividamento das famílias (no final de 2007, era cerca de 129% do rendimento das famílias portuguesas, o segundo valor mais alto entre os países da zona euro) agrava-se, o crédito mal-parado cresce para o valor mais elevado de sempre (e 14,7% de aumento face ao primeiro trimestre de 2007) e a poupança reduz-se;
*
a fome reaparece, conforme avisam o Banco Alimentar e as organizações de caridade;
*
até a Igreja – veja-se a posição crítica do ponderado bispo do Porto, D. Manuel Clemente, em 5-6-2008, ou as palavras duras de D. Manuel Martins em 8-6-2008 – contesta o liberal Código do Trabalho e denuncia as desigualdades sociais, a fome e a carestia na saúde.
Mas como dizia, o meu professor Jorge Vasconcellos e Sá, “estas são as boas notícias”!… As más notícias é que no Outono de 2009 estará muito pior. José Sócrates arrisca-se a levar o Partido Socialista a um resultado pior do que o dr. Almeida Santos em 1985 (20,77 %), com o Bloco de Esquerda de Louçã na posição do PRD.
A partir de agora, importa preparar o futuro do País após a desgraça socratina que nos aconteceu.
Junho 12, 2008 at 12:33 am
doportugalprofundo.blogspot.com/
Junho 12, 2008 at 12:53 am
http://www.scribd.com/doc/2536958/Do-Portugal-Profundo-O-negocio-da-venda-dos-professores
Junho 12, 2008 at 12:53 am
http://www.scribd.com/doc/2576556/Portugal-Profundo-O-Memorando-e-a-Mocao-dos-sindicatos-de-professores
Junho 12, 2008 at 1:41 am
Percebo e partilho da tentação de analisar a situação à luz do que se sabe sobre os diversos tipos de movimentos sociais. Até eu decide chamar a isto a patuleia do petróleo. Mas não consigo aceitar que o país fique refém da pura arruaça. Os custos deste tipo de comportamentos são sempre calamitosos. Por outro lado, para um governo tão fanfarrão e repressivo com os funcionários públicos, farmacêuticos, etc., está agora a revelar-se bastante medroso com “a rua” tuga, chegando a pôr em risco a economia. A recém regressada Senhora do Leite ainda vai acabar por receber o poder de mão beijada. A continuarmos assim, nem vai precisar de dizer grande coisa; basta-lhe prometer ordem.
Junho 12, 2008 at 1:46 am
O sr. Paulo também saberá que não há melhor argumento para a imposição de estado de sitio, lei marcial ou equivalente do que uma desobediência civil.E esta manifestação é isso mesmo.
Parece muito excitante a ideia de movimentos mais ou menos espontâneos, mas é muito perigoso. Se Sócrates tiver o apoio de França e de Espanha,e sabendo eu da sua vontade de afirmar poder, um dia destes vamos ter recolher obrigatório.
E quanto a professores fazerem qq coisa de parecido, é para rir.
Há muitos anos que milhares de professoes gastam fortunas em combustível para fazerem as centenas de quilómetros que os separam dos locais de trabalho, e nunca levantaram uma palha… Isto passa, agora vamos todos apanhar muito sol, que o vai haver, e em Setembro lá estaremos felizes a mostrar os bronzeados decotes.
Boas viagens.
Junho 12, 2008 at 1:59 am
Senhor Paulo,
Permito-me recordar-lhe as muito esquecidas estratégias de manipulação.Passo a citar a estratégis nº2, para avivar algumas memórias:
«2. CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES
Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar uma certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.»
Chamo também a sua preciosa atenção para a parte final do post 46, que, nem de propósito:
«A recém regressada Senhora do Leite ainda vai acabar por receber o poder de mão beijada. A continuarmos assim, nem vai precisar de dizer grande coisa; basta-lhe prometer ordem.»
Prometer e impor, digo eu.
Junho 12, 2008 at 3:23 am
I learned this date and time (7.04.2008) very well could be the next independence day for all people (humanity) of the world, not only Americans at this time, from what has been called and become known as “The New World Order”. Via website like youtube, myspace and other site that have started to place information of this date are beginning to be place through out the Internet from letter, posting, blogs, bulletins and video even as you are reading these word before your eyes. While some site in America have been blocked, deleted and censored (learned via comments in postings). It seems to be only the start of this event to the outside world of those presenting the demonstrations, information and Video’s. Those who are presenting it, are ever more persistence it seems in only creating the focus of infiltrating the information at a faster pace then those who are attempting to hinder it. The video(s) and ideal behind this are for the people of the world to stand in “A PEACEFUL NON-VIOLENT DEMONSTRATION” to take a stand in ALL World Capitals everywhere, from places like Washington D.C., London, Paris, Berlin, Moscow, Athens – in every political Capital across the world.
As to the original maker and creationist of this forth-coming event on July 4th, 2008 it still remains unknown at this time.
Here is the content I received in full contexts:
We need people to share this message
On 4th July 2008 – A peaceful non-violent demonstration will take place in cities around the world to expose the fraud, corruption and lies at the heart of our governments. It is an opportunity to express your right to free independent thought and to begin the fight to reclaim your liberties and freedoms. On the streets of London, on the sidewalks of Washington D.C., in the heart of Athens and in every other political Capital across the world, demonstrations will take place to demand a return of proper representative government. This may represent a final opportunity for the citizens of the world to stand together to demand the independent free world we all want to live in — WE the people of the world will be heard on this day 04th JULY 2008.
http://www.nowpublic.com/culture/july-4th-2008-how-it-will-affect-everyone-everywhere-world
Junho 12, 2008 at 4:04 am
who let the dogs out?
Quando o desespero impera já não há razão, lei ou estado de direito, mas sim o instinto da sobrevivência, da irracionalidade, do impensável…
Falar no estado de direito e no respeito pelas liberdades dos outros quando está em causa o mínimo de condições de sobrevivência é absurdo!
Junho 12, 2008 at 4:12 am
O que mais estranhei em algumas televisões foi alguns comentadores, como o actual director da SIC a apelar ao restabelecimento da ordem. Foi patético!
Algumas pessoas não perceberam que a Internet e o SMS retirou o poder aos partidos, aos sindicatos às associações patronais. Nestes tempos poderão surgir movimentos sociais espontâneos e com um grau razoável de organização que não obedecerão aos poderes instuídos. Estamos perante uma nova fase: o aparecimento da democracia directa.
Os partidos os sindicatos e neste caso algumas associações patronais ainda não perceberam os sinais dos tempos!
Junho 12, 2008 at 4:17 am
O governo PS perante a crise, esta nova forma de revolta dos cidadãos está em estado “KO”, porque não percebeu o código, digo o sinal dos novos tempos.
Na Europa, com os políticos burocratas instalados em Bruxelas, a desorientação, o desnorte e a não percepção de que algo tem de mudar, assistiremos a cada “um por si”, numa luta egoísta pela sobrevivência!
Junho 12, 2008 at 9:02 am
A Marcha da Indignação de 8 de Março dos Professores marca uma viragem histórica na forma de mobilização e de protesto dos codadãos. Deverá (já) neste momento, estar a ser matéria de estudo e de investigação em alguns pólos de investigação em Universidades europeias e não só. Aliás, Portugal foi, com os Protestos por Timor, pioneiro!!!!
Junho 12, 2008 at 9:54 am
Pessoalmente, não gosto.
Não gostaria de ver professores nas ruas a ameaçar pessoas, a atirar pedras ou a ser trucidados por camiões. E acho que não é nada inocente a atitude de contemporização do governo com actos que, se fossem outros os protagonistas, já teriam sido classificados de “terroristas”.
Estes movimentos ditos “espontâneos” são organizados por pessoas concretas que defendem interesses cuja legitimidade é, no mínimo, duvidosa. E que conseguiram, com os seus protestos, benefícios que serão suportados por todos nós (é o que significam “menos impostos” e “menos portagens”) e pelos camionistas que irão ver alargados os seus horários de trabalho.
A vantagem dos sindicatos e outras associações representativas é que sabemos claramente quem são e quem representam. E que são responsáveis pelos seus actos e por isso mesmo têm de agir de forma responsável.
Claro que é mais fácil ir praticar actos de banditismo para a estrada, a coberto do anonimato que estes bandos difusos e espontâneos permitem.
Mas não me venham dizer que isto é o futuro ou que é com esta gente que vamos construir uma sociedade mais justa.
Junho 12, 2008 at 12:50 pm
O Povo que é Sábio
“Quem não se sente, não é filho de boa gente”
Junho 12, 2008 at 2:42 pm
eh eh eh
Não estou a ver bem ou esqueceram-se do ministro da cultura? Uma alegoria este esquecimento …
Junho 12, 2008 at 2:47 pm
JOHN RAWLS, Uma Teoria da Justiça, Afrontamento. Recomendo como uma excelente COMPRA. Para ler: “Definição da desobediência civil”.
Cito p. ex.: ” Em que momento deixa de ser vinculativo o dever de cumprir leis adoptadas por uma assembleia maioritária ( ou actos do executivo apoiados por tal maioria) quando confrontado com o direito de defender as nossas liberdades individuais e o dever e lutar contra a injustiça? Esta questão envolve a natureza e limites do princípio do governo pela maioria. Por esta razão, o problema d desobediência civil constitui um teste crucial para qualquer teoria do fundamento moral da democracia.” pp. 282 .
Estamos face a um caso prático GLOBAL ( Europa fora, não é?). Vamos ver como é que a UE resolve!
Como já se percebeu, não é dentro das quatro linhas que a coisa se vai resolver. E a esquerda-fácil ainda está a apanhar bonés…
Claro, que é constrangedor ver até onde a tirania do “empreededorismo-selvagem” e afins-dos-caprichos-dos-patrões leva os ânimos de GENTE ( tal como, p. ex.: muito bom jornalista se verga ao engolir daquilo que cala; como muita gente trabalha e trabalha sem contrato, férias, e o seu salário é o equivalente ao preço do sapatinho do patrão, ou aos óculos escuros de marca e o patrão não pode deixar de ficar na moda e etc.).
PS.: Não confundir PESCADORES COM CAMIONISTAS! PFV!
SIM! Assistimos à coação descarada dos patrões ao acto de desobediência civil, são pagos para marcarem presença e “açulados” a papaguear a vassalagem do costume! Isto sim! é que é – objectivamente – muito grave! Mais, Usar as forças de intervenção? Sim! SELEM OS ESCRITÓRIOS DOS PATRÕES! Cobrem-lhes já os IMPOSTOS! CONFISQUEM-LHES OS BENS! TROQUEM-LHES OS ÓCULOS DE MARCA POR UM DOS CHINESES!
A desobediência Civil na falta de melhor é uma boa forma de luta e Justa!
Esta Desobediência Civil é, com efeito, forjada. Porque descaradamente financiada pelos Patrões. Mas os ânimos estão lá esfomeados, como numa desobediência civil não coagida e acicatada. Vemos homens agrilhoados à sua condição/ estatuto de escravos. Sim. Escravos é assim q os patrões os tratam.
A grosseria que a ali vemos é de ESCRITÓRIO, não é a de Camião!
( este comentário é ontem, ms vale! Vale para os espanhóis e franceses …)
Junho 12, 2008 at 11:03 pm
António Duarte (54) eu tenho muito mais medo daqueles que praticam actos de banditismo pela calada nos gabinetes do poder: não lê aquelas notícias que dão conta de derrapagens sucessivas nas empreitadas públicas, vendas e compras de bens públicos por preços escandalosos, material informático adquirido pelo quíntuplo do preço, e outras filhas da putice? Esses defendem interesses cuja legitimidade não é duvidosa…
Ao lado destes, os camionistas que destroem mercadoria, partem os vidros e incendeiam camiões, são uns verdadeiros anjinhos de coro.
Junho 12, 2008 at 11:39 pm
James:
Não faço distinções entre bandidos que roubam na estrada ou nas finanças públicas. Mas distingo entre um roubo e uma agressão, ou entre um ladrão e um assassino. São coisas diferentes. Da mesma forma que reconheco toda a legitimidade a actos de desobediência civil, mas não aceito a violência ou a coacção física ou psicológica como argumento.
E também me faz impressão ver tantos professores que aqui escrevem e que nunca tolerariam que algum sindicato os obrigasse a fazer uma greve ou outra qualquer acção de protesto com que não concordassem, mas achem normal que isso se passe entre os camionistas. Talvez os achem uma categoria inferior. Devem ser os mesmos complexos de superioridade (ou de inferioridade) que levam à defesa da Ordem dos Professores.
Junho 13, 2008 at 12:00 am
António Duarte (59) Veja que quanto aos camionistas, eu por momentos até os elevei acima de humanos e chamei-lhes anjinhos…
É evidente que há múltiplos tipos de ilícitos, qualquer um sabe, mesmo sem ter gasto os fundilhos numa escola de Direito
Mas de certeza que se neste país não se tolerasse tanto e se punissem exemplarmente os roubos nas finanças públicas, talvez não houvesse tanto vandalismo na via pública, porque a riqueza estaria mais bem distribuída. E não veríamos tanta miséria nas escolas…
Junho 13, 2008 at 12:07 am
Completamente de acordo com
Pedro Castro (#52).
O que os “políticos” e os poderes instalados (ainda) se recusam a perceber é que tudo isto (já)não é uma questão de estado de direito, de representatividade,de sefurança, de justiça etc, etc…Estão (des)confortavelmente na fase da negação.
Isto já é, e vai passar a ser cada vez mais e muito mais rapidamente… uma questão de SOBREVIVÊNCIA.
E, não é só por cá, mas também por lá pelas europas, pelas américas…A ocidente como a oriente.
Ontem os médicos, os magistrados, os funcionários públicos, os professores, hoje os pescadores e os camionistas/empresários, amanhã os taxistas e os agricultores.
A seguir será a vez do “sector financeiro” como diz o DA(#19).
E, a avaliar pelo crédito mal-parado e pelo aumento cada vez mais significativo de casas à venda porque a dita cuja classe média já não está a conseguir pagar as prestações, não restam dúvidas que esse tempo vai chegar e mais depressa do que “eles” pensam.
Talvez agora, alguns senhores da banca que eu ouvi(a propósito dos protestos dos professores) defender a necessidade de fazer as “reformas estruturais” que o governo estava a levar a cabo, já não estejam tão seguros do seu discurso.
Pessoalmente, acho que são novos os tempos que aí veem. Ou, nem tanto… Umberto Eco já tem falado/escrito sobre esses tempos.
Junho 13, 2008 at 12:34 am
O gajo na SIC apelou à ordem, o CDS também achou que sim, e outros que também.
Permito-me transcrever parte do post (51):
«Algumas pessoas não perceberam que a Internet e o SMS retirou o poder aos partidos, aos sindicatos às associações patronais. Nestes tempos poderão surgir movimentos sociais espontâneos e com um grau razoável de organização que não obedecerão aos poderes instituídos. Estamos perante uma nova fase: o aparecimento da democracia directa.»
Admito que sim. Mas também há muitas pessoas que não ouviram o Jorge Lacão (um quase desconhecido com uma posição forte no PS e no Governo)dizer que na falta de acordo, ontem, com os empresários, iria ser imediatamente accionado o mecanismo da requisição civil.
O Lacão foi um anónimo cidadão da desconhecida cidade de Abrantes, mas agora tem a mesma sede de poder que os outros. E pelo Poder, em desespero de causa, faz-se tudo.
As ditaduras são como os acidentes: nunca se sabe quando acontecem.
Mas com as desobediências civis, à margem das organizações legalmente reconhecidas, podem acontecer mais cedo do que se espera…