Plano Tecnológico é um “poderoso meio” para melhorar os resultados escolares
O coordenador do Plano Tecnológico da Educação (PTE), João Trocado da Mata, considerou hoje que o PTE é “um poderoso meio” tendo em vista a melhoria do ensino e dos resultados escolares dos alunos. “Todo este esforço contribui decisivamente para modernizar os processos de ensino e de aprendizagem”, afirmou o responsável.
Segundo o coordenador do PTE, estudos internacionais mostram uma “correlação positiva” entre a utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) em contexto de sala de aula e o aproveitamento escolar dos estudantes. O Plano Tecnológico do sector representa um investimento de cerca de 400 milhões de euros e pretende colocar Portugal entre os cinco países europeus mais avançados na modernização tecnológica dos estabelecimentos de ensino.
Sublinhando a importância do plano ser “apropriado e mesmo reclamado” pelas escolas, João Trocado da Mata manifesta-se “optimista” em relação à sua concretização, fazendo um balanço “positivo” quando está prestes a assinalar-se um ano sobre o seu lançamento. “O valor do investimento é suficiente para cumprir o desígnio definido pelo Governo, sobretudo tendo em conta as estimativas iniciais. No concurso público internacional das redes de área local foi possível baixar em 30 por cento o valor previsto para a sua aquisição. Estou certo de que nos outros concursos acontecerá o mesmo”, afirmou.
Digam-me lá se não é sempre emocionante ver o entusiasmo de um Coordenador no sucesso da acção da instituição, projecto, plano, grupo de trabalho ou estrutura de missão que coordena?
Já quando era petiz e por vezes acompanhava a minha mãe na ronda das compras ficava admirado porque se dava ela ao trabalho de perguntar ao vendedor se a fruta era boa, o peixe fresco ou a carne tenra… Acaso esperava que dissessem mal do produto que vendiam?
Ela explicava-me que era uma questão de confiança pessoal, mesmo quando repetidas vezes se revelava terem sido erróneas as indicações recebidas.
Agora nem a questão da confiança pessoal – valor em manifesto desuso – se coloca portanto isto entra por um ouvido (ou é lido por um olho meio distraído) e faz ligação directa com o canal de saída…
Junho 9, 2008 at 10:55 am
Nos EUA, por exemplo, que criaram Planos Tecnológicos deste género há mais de dez anos, estão a desactivar vários porque concluíram, comparando as médias de alunos com e sem computadores, que não há qualquer vantagem para aqueles com acesso a eles. A excepção, segundo me recordo, eram os alunos mais avançados de Matemática – uma reduzida percentagem do total.
in,
professoresramiromarques.blogspot.com/2008/06/mais-um-plano-para-falhar-agora-vez-do.html
Junho 9, 2008 at 11:30 am
Isto é o que o povo chamava “fazer a festa, lançar os foguetes e apanhar as canas”, agora com um acrescento pós-moderno “…e passar no banco a depositar o cheque.”
Nem sequer estão actualizados. Como escreveu anahenriques (1), nos EUA estão a retirar os computadores das salas de aula porque concluiram, ao fim de dez anos, que aqueles não melhoram as aprendizagens básicas, e são uma fonte de distração.
Entretanto neste paisito bacoco e mal governado, vamos agora entrar na asneira, com todo o entusiasmo dos pobrezinhos de espírito.
Até há algum tempo, as vantagens dos pc nas salas de aula era uma questão de opinião. Mas agora não restam dúvidas. Já há estudos conclusivos feitos em locais onde os pcs foram intraduzidos há mais de dez anos!!
Junho 9, 2008 at 12:27 pm
Um plano tecnológico que se resume à instalação de hardware e software nas esolas??? E a exigência? E o rigor? E o trabalho e empenho efectivos de pais, alunos e professores?
Junho 9, 2008 at 2:31 pm
Dados curiosos sobre o (in)sucesso escolar, para quem estiver interessado.
http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Nacional/Interior.aspx?content_id=955885
Junho 9, 2008 at 2:39 pm
Refiro-me, principalmente, ao título “Alunos juntos contra exames”, em Mais Nacional, com ligação na página acima referida.
Junho 9, 2008 at 4:03 pm
Não há consenso quanto às vantagens das TIC no ensino, mas uma coisa os (verdadeiros) investigadores concordam: não é a tecnologia por si só que resolve os problemas. Um bom exemplo pode ser encontrado neste artigo do Washington Post de há alguns meses atrás. Aliás, um projecto confuso, com algumas coisas muito questionáveis, virado essencialmente para o hardware, como o Plano Tecnológico da Educação terá poucas hipóteses de resolver o que quer que seja. E depois de 2010? Teremos, certamente a repetição do que se passou com o Nónio (um projecto muito mais bem pensado), por exemplo.
Junho 9, 2008 at 4:25 pm
Eu começo a estar farto do Vista e das ligações da microsoft com os virus as falhas do sistema para dar sempre mais € a essa gente.
Junho 9, 2008 at 5:15 pm
O planozito corre bem? Pelo menos são essas as indicações da avaliação interna…
Junho 9, 2008 at 5:24 pm
Dados os resultados só posso comentar: que faria se não fosse assim poderoso… Faz-me lembrar o limpa-vidros Ajax, não se lembram?
Junho 9, 2008 at 6:02 pm
Apesar de eu trabalhar em informática não tenho qualquer dúvida que colocar computadores nas salas de aula não é uma boa solução…
Não é uma boa solução porque os “alunos” olham para o computador como um centro lúdico multimédia do que como uma ferramenta de trabalho.
Não tenho grandes ilusões em relação a esta matéria, os professores terão que gerir mais um conflito – a utilização do computador para visitar websites lúdicos e utilização de software de conversão online (nos adolescentes vai ser terrível).
A introdução de computadores nas salas de aula é algo que deve ser feito apenas em algumas (poucas) salas, senão teremos os professores das disciplinas centrais e mais importantes (já sei que é pouco pós-moderno falar em disciplinas centrais e principais, portanto escusam de comentar), a lutar contra a preguiça habitual do tal um terço dos “alunos”, a lutar contra as capacidades dos actuais telemoveis e a lutar contra a utilização abusiva dos computadores, sobrando pouco tempo e nenhuma energia para aquilo que dever a actividade do professores – ensinar (outra palavra muito pouco pós-moderna)…!
Outro aspecto a ter em conta é o facto de estas máquinas terem instalado software pago…! Se estas máquinas trazem software microsoft é um verdadeiro escândalo! O Estado tem que perceber de uma vez por todas que tem que ter respeito com o trabalho e suor do contribuinte e por isso deveria instalar software livre e gratuito. Se assim não for, vai estoirar mais uns milhões de euros em Vistas, Offices, Nortons e companhia limitada e vai promover estas empresas, sem qualquer custo para estas, em público alvo extremamente jovem e. por isso, facilmente sugestionáveis!
Assim, aconselho VIVAMENTE o Estado a colocar computadores e software para aligeirarem a carga burocrática reinante na “escola” pública, a equiparem todas as salas com um único computador e um video projector PARA o PROFESSOR, a equipa duas ou três salas com computadores para as aulas de projecto, estudo acompanhado e para “cursos” profissionais e todos estes computadores devem ter instalado software LIVRE e GRATUITO. A escola não deve ser transformada numa espécie de escola MICROSOFT gratuita.
Junho 9, 2008 at 6:02 pm
Observação: desculpem o português apressado, mas estou um pouco apertado de tempo
Junho 9, 2008 at 7:20 pm
A cria humana desenvolve-se por um período de tempo muito longo, designado de infância e adolescência, até ser um indivíduo adulto. Durante esse longo período de tempo, a cria faz o aprendizado dito cultural (em sentido vasto), de interrelação sobretudo com os adultos cuidadores de proximidade – normalmente os pais biológicos- e por volta dos 7 anos ela ingressa num mundo de interrelações mais vasto com outros adultos e pares ou colegas. Trata-se de uma outra fase de crescimento em direcção á sua individuação. Nas sociedades ocidentais, está prescrito que nesta 2ª etapa colaboram no aprendizado indivíduos altamente qualificados que proporcionam aprendizagens culturais específicas da(s) cultura(s)para futura inserção social – os professores-, designados de conteúdos disciplinares ou programáticos, e em simultêneo o aprendizado (ou ensaio) do(s) modo(s)possíveis de relacionamento com os pares e com os adultos. Neste processo, de dimensão completamente diferente dos relacionamentos familiares a distância psicológica é/deve ser muito maior e o professor trabalha com um conjunto/turma (e não com cada um)o que permite a aprendizagem efectiva das relações sociais- o que é permitido ou não.
Está estudado e demonstrado empiricamente que quanto maior o número de modelos de adultos e colegas os alunos se relacionem e diversidade, maior a probabilidade de crescimento e de adaptação futura, pela possibilidade de ensaio e modelagem.
Qualquer máquina ou objecto introduzido em meio escolar é um mero utensílio, ou auxiliar do professor. Mais nada. Mas pode modificar e perturbar as relações num grupo se…
Junho 9, 2008 at 10:46 pm
Eu já apreciei alguns resultados, olhando para alunos com computadores daqueles quase dados. Por exemplo, muitos alunos que os adquiriram brincam menos com o telemóvel… porque brincam mais com o computador! Também há aqueles que se estão a tornar ambidestros, para não se atrasarem no uso de nenhuma destas tecnologias. Por exemplo, jogar o GunZ no computador e enviar ao mesmo tempo cinco mensagens por minuto para os amiguitos não é tarefa fácil! Experimentem e depois digam!