John Regan, o director pedagógico do Colégio Inglês do Porto publicou hoje no Público um curto texto de quatro parágrafos apenas onde faz um voo bastante rasante sobre algumas diferenças sobre o ensino «britânico» e português.
Deixando de lado se por «britânico» ele entende mais do que «inglês» e o entusiasmo desigual como descreve um e outro, fiquemo-nos pela sua conclusão, que constitui todo o curto quarto parágrafo da prosa:
Um sistema não é melhor do que o outro, mas é francamente fascinante constatar no terreno estas parentes diferenças.
Mas afinal que raio de conclusão é esta?
Uótesse de póinte?
Se nenhum é melhor, exactamente para que serve o orgulho manifestado no primeiro parágrafo quanto às qualidades maravilhosas e míticas do ensino britânico?
E se as diferenças são «aparentes» no que ficamos?
Afinal qual é o ponto desta opinião? O que motivou o distinto senhor a perder algum do seu tempo a alinhavar esta prosa? As aparências, o facto de ambos os sistemas serem equivalentes?
Ou meramente o fascínio do terreno constatado?
Ou o terreno da constatação fascinada?
Ou a constatada fascinação territorial?
Ou?
É que isto da indulgência e paternalismo britânicos para connosco têm muito que se lhe diga. E uma história longuíssima.

Junho 6, 2008 at 10:12 pm
Intelligibility is a precondition for understanding,Mr.Regan,isn’t it?
Junho 6, 2008 at 10:31 pm
Sunshine effects on a otherwise brilliant british mind?
Junho 6, 2008 at 10:41 pm
aparent não tem o mesmo significado em inlês que o nosso aparente. Mas uma boa tradução acrescentaria pouco à vacuidade da conclusão. So we might as well leave it like that…
Junho 6, 2008 at 10:43 pm
Amigos de Peniche, durante as invasões francesas…
Junho 6, 2008 at 10:51 pm
Colegas: mais uma vez o Público….
Junho 6, 2008 at 10:52 pm
Mas a Inglaterra foi e é um grande farol de Civilização.
Junho 6, 2008 at 11:04 pm
O fim da internet como a conhecemos…
Junho 6, 2008 at 11:06 pm
Olá Paulo Guinote
O texto faz lembrar um trabalho que realizei há largos anos a partir de um livro em que o autor (António de Cértima, «Epopeia maldita», publicado salvo erro nos inícios dos anos vinte do século passado) comparava as zonas agrícolas mais desenvolvidas da presença alemã no Tanganika com as zonas mais atrasadas da colonização portuguesa no extremo norte de Moçambique. Daí o autor saltava para uma conclusão generalista baseada na «sua evidência»: o colonialismo português era obviamente miserável quando comparado com os outros. O que o texto de John Regan permite perceber é que haverá certamente muito mais diferenças no interior do sistema de ensino britânico (e também no interior do português, basta pensar nos subprodutos em que assentam as desigualdades sociais em qualquer lado), do que entre o ensino português e o inglês. Parece-me que o texto compara o pior do ensino público português (ainda por cima a partir de estereótipos) com o melhor do privado inglês. Aliás, nem a dualidade público/privado é, em si, uma categoria de análise eficaz, até dentro das próprias escolas. Há público e público. Há privado e privado. Há escolas e escolas. Há turmas e turmas. É por isso que o José Mourinho lá teria as suas razões para se irritar com a superioridade britânica quando olha para os do «sul». Foi por este tipo de postura com cobertura da comunicação social, assente num complexo de inferioridade cultural partilhado um pouco por todos nós, herdado desde o tempo dos «estrangeirados» e confirmado por Eça, que a Finlândia se vai tornando o farol do nosso desastre…
Junho 6, 2008 at 11:48 pm
Sobre a situação em Inglaterra, pode ver aqui:
http://averomundo-jcm.blogspot.com/2008/06/inglaterra-educao-sob-fogo.html
Junho 6, 2008 at 11:50 pm
Já agora, estão a ver como é que as nossas escolas de medicina seriam convencidas da vocação dos alunos, não estão…
Junho 7, 2008 at 12:09 am
Ontem, no Parlamento, José Sócrates voltou a insistir na tónica reiterada nas últimas semanas. O governo, pelo que fez, não merecia estar a sofrer os reflexos da crise financeira internacional, aumento dos combustíveis e dos bens alimentares. Durante três anos o Governo conduziu uma politica pró-cíclica, assente na forte diminuição do investimento público, acreditando que mais tarde ou mais cedo a economia entraria nos eixos. Agora, que a recessão está à porta e torna irrelevantes os investimentos guardados para o ano eleitoral, José Sócrates sente-se injustiçado porque descobriu que o mercado é amoral. “É a vida”, como diria outro primeiro-ministro socialista.
http://zerodeconduta.blogs.sapo.pt/
Junho 7, 2008 at 12:13 am
Apareçam:
http://zerodeconduta.blogs.sapo.pt/
Junho 7, 2008 at 12:14 am
Para todos aqueles que defendem o cheque-ensino, e a divulgação em bruto dos rankings dos exames, talvez valha a pena passar os olhos pela notícia que ontem tinha honras de capa no Guardian. Na Inglaterra, as “escolas religiosas escolhem os alunos mais ricos”, preferindo os filhos de famílias de classe média e deixando de parte os alunos com necessidades educativas especiais. E porquê? Para melhorar a sua posição no ranking. Como é evidente, conjugar os resultados dos rankings com escolas privadas financiadas pelo Estado, resulta na selecção social dos alunos e num ensino mais orientado para os resultados estatísticos do que para a qualidade das aprendizagens.
Junho 7, 2008 at 12:20 am
Na Inglaterra? E cá, não??!!
Junho 7, 2008 at 12:22 am
education.guardian.co.uk/faithschools/story/0,,2261448,00.html?gusrc=rss&feed=networkfront
Junho 7, 2008 at 12:22 am
zerodeconduta.blogs.sapo.pt/data/rss?tag=estes%20liberais%20s%C3%A3o%20uns%20brincalh%C3%B5es
Junho 7, 2008 at 12:24 am
Sexta-feira, 6 de Junho de 2008
Sócrates, o radical sem paralelo na UE
Alcachofras brancas, hoje de manhã, no Entroncamento, com abelhas à procura de não sei o quê.
A reforma das administrações públicas é um traço comum a muitos países da União Europeia, mas a representante da Federação Europeia dos Sindicatos da Função Pública (EPSU), Nadja Salson, não hesita em classificar a que está em curso em Portugal como “a mais radical” . Em declarações ao DN, aquela dirigente francesa – que representa 215 sindicatos e 8 milhões de funcionários – considera que “a simples ideia de colocar à força milhares de trabalhadores numa lista de excedentários com salário reduzido, seria impensável na França”. E pergunta: “Será que o resto dos portugueses aceitam ter milhares de funcionários desemprego técnico e a receber salário?”
Nadja Salson considera que a intenção do Governo português só encontra algum paralelo no plano do Reino Unido, que “pretende reduzir cerca de 50% dos funcionários estatutários nos próximos cinco anos, mas, ainda assim, com indemnizações negociadas”. Leia mais aqui.
Comentário
Ontem foram 200000 a encher as ruas de Lisboa. Em Outubro, os professores não terão outro remédio senão regressar a Lisboa pela simples razão de que não vão conseguir suportar os vexames e as injustiças da avaliação de desempenho burocrática. Para isto se compor e para que o consulado de Sócrates passe à história como o período mais negro dos últimos 30 anos, é necessário que Manuel Alegre crie um partido. É preciso esfrangalhar o Pê Ésse dos modernaços globalistas e do socialismo travesti. O movimento contra o socialismo travesti e globalista alastra a toda a Europa. Que se cuidem os modernaços!
Publicada por Ramiro em 19:59 4 comentários
Etiquetas: política
Junho 7, 2008 at 12:25 am
e para que o consulado de Sócrates passe à história como o período mais negro dos últimos 30 anos
Junho 7, 2008 at 12:29 am
Terça-feira, 3 de Junho de 2008
Opera buffa .
Imagem de Opera Buffa picada daqui
Do Portugal Profundo, onde resisto, muito tinha a contar (mas não devo ainda) sobre o momento que atravesso, estranhamente cruzado com o momento do País. Estranhamente porque não tenho importância de vulto: sou um pobre de poder, cristão, português, cidadão, bloguista, professor – nem sequer posso citar o que me comove e admiro. E incompreensivelmente, senão soubesse o que sei – se não soubesse o que sabe quem lê, ouve e sente que não pode ignorar… -, sobre o momento crucial do regime. Um regime que é, no fim das contas e dos sacos, um conjunto de polivalentes que ocupam o poder que julgam eterno.
Concedo, apenas, que tenho uma vontade.
O poder-poder não aje só: precisa das forças adjacentes. Uma delas, é a força dos media. Na orquestração o poder carece da cumplicidade dos meios para disfarçar a premeditação. Surpreende, então, quando consegue conjugar os meios para montar a operação, pela coincidência e espontaneidade. Mas, lá nos bastidores sombrios do teatro das Luzes, enrola-se a partitura da orquestra política com o libretto da ópera bufa dos bassos media.
O Programa “Aqui e Agora” da SIC integrado no Jornal da Noite da SIC (2.ª parte), cerca das 20:45 horas de 29-5-2008 com o tema “Os perigos da Internet” (que pode ser visto no Blasfémias) tinha como tema o blogue Do Portugal Profundo e a difamação.
O programa foi moderado por Rodrigues Guedes de Carvalho e teve a participação do dr. Francisco Moita Flores, o advogado dr. Rogério Alves e o psiquiatra dr. José Gameiro. O programa compunha-se ainda de uma peça jornalística editada pelo jornalista Lourenço Medeiros da SIC.
O jornalista Rodrigo Guedes de Carvalho abriu o programa “Aqui e Agora” com o tema “Os perigos da Internet” com a frase: “Algumas dessas bocas podem levar a processos legais”.
Depois da referência ao caso “Freedom to Copy”, de autor anónimo, relacionado com um alegado plágio no livro “Equador” de Miguel Sousa Tavares e de uma referência a um comentário (!) num blogue do professor Ramiro Marques, onde alguém teria posto uma frase que o comentador Sousa Tavares não disse nem na sua coluna do Expresso de 6-1-2007, intitulada ”Governar contra os tribunais” onde trata dos professores, aparece Do Portugal Profundo com uma peça editada e narrada pelo jornalista Lourenço Medeiros.
O conteúdo dessa peça de Lourenço Medeiros, com imagens do blogue e do próprio autor, António Balbino Caldeira, e do seu advogado Dr. José Maria Martins, com o seguinte texto:
“Não faltam casos de polémicas com blogues. O primeiro-ministro viu as suas credenciais académicas contestadas pelo autor do blogue Do Portugal Profundo. António Baldino (sic) Caldeira, defendido por um advogado, José Maria Martins, que compara no seu blogue o primeiro-ministro a uma “virgem amuada”. O caso nunca chegou a ser julgado.
Hoje, com um computador portátil, é possível dizermos o que quisermos, sobre quem quisermos, ao mundo todo. Seja verdade ou mentira.”
Em rodapé, desta peça sobre este blogue Do Portugal Profundo, por baixo do nome do programa “Os Perigos da Internet”, aparece a legenda “José Sócrates foi alvo do blogue Do Portugal Profundo”… Não foi sequer o enquadramento malicioso (os anónimos, as calúnias sem base, as violações…), mas a deformação e inversão dos factos e a mentira.
Depois, os comentários do dr. Rogério Alves, ex-bastonário da Ordem dos Advogados, do dr. Moita Flores, comentador de assuntos de justiça, e do psiquiatra dr. José Gameiro, sobre os malefícios dos blogues, sendo ainda apontados outros casos sobre os crimes da net.
Como diz o Pedro Sales do Zero de Conduta, que contestou a peça de Lourenço Medeiros sobre Do Portugal Profundo no caso Sócrates, em nome da verdade, com um computador portátil qualquer pessoa pode publicar mentiras: o caso foi arquivado pela procuradora-geral adjunta dra. Cândida Almeida do Ministério Público e a queixa do primeiro-ministro era afinal sobre o MBA (referia-me ao grau…) e ao facto de eu ter escrito que havia um “centro governamental de comando e controlo dos media”…
Ora eu revelei três factos verdadeiros no que chamei o Dossier Sócrates, como quem é jornalista devia saber e não tem desculpa, senão maldade, em publicar ao contrário: que Sócrates não é engenheiro, nem nunca foi, como se intitulava; que não é pós-graduado em Engenharia Sanitária; e que obteve a licenciatura na Universidade Independente da forma como obteve. Sobre estes três factos, o “primeiro-ministro e cidadão enquanto tal” nada se queixou. Queixou-se do que escrevi sobre o MBA (referia-me ao grau…); e ao facto de eu ter dito num post que havia um “centro governamental de comando e controlo dos media”… O Ministério Público, através da procuradora-geral adjunta dra. Cândida Almeida não encontrou mérito na queixa, arquivando-a e notificou José Sócrates para deduzir acusação particular. O primeiro-ministro mudou de ideia face à altura da queixa e não o quis fazer, por motivo que não classifico.
Para além do meu caso pessoal, ressumou a raiva e inveja anti-blóguica no programa. Queria passar de largo, como diz o poema do Pedro Barroso, para ver se nem comentava, como faço com quem não justifica, pelo insulto, encaixando a orquestração no meu peito de soldado. As orquestrações provam-se com muita dificuldade e não gosto de afirmar o que não apuro. Porém…
O programa pareceu-me aquelas fotografias sem tema, um programa chocho sem um assunto actual. O problema foi que o tema principal fugiu do filme previsto, aventa o meu amigo dr. José Maria Martins lá no blogue dele. A evidência do tema principal previsto para o programa apresentou-a mais tarde o nosso comentador Do Portugal Profundo, Zé Truca-Truca, no blogue do Dr. Martins:
“Eu vi, ontem, dia 29/05/2008, pelas 13h45, junto ao Tribunal da Boa-Hora, com um olhar maroto, a equipe de repórteres da SIC, frente à escadaria do tribunal. Pelas 14h30, mediante informações recolhidas junto da secretaria da 3ª Vara Criminal, recolheram a câmara e deram de frosques.”
Já falei com o comentador Zé Truca-Truca e ele confirmou a informação com a verdade histórica aceite no testemunho dos geógrafos árabes: “eu vi”. Disse-me que se houver alguém que ponha em causa essa sua revelação, de que lá esteve essa equipa da SIC e que desmobilizaram quando viram que não havia julgamento, que poderá contar mais pormenores.
Portanto, a equipe da SIC foi para a porta do tribunal emboscar-me para “abrilhantar”, como disse o dr. Martins, o programa dessa noite: o meu caso era o motivo actual que justificava o programa da semana. Ninguém da SIC me contactou, nem antes nem depois. Nem sequer, apesar da introdução da peça pelo jornalista Rodrigo Guedes de Carvalho, se referiu o meu julgamento que tinham ido filmar… Não me dou essa importância de um programa e acho surpreendente do estado do regime a centralidade informativa do meu caso, com um destaque inaudito que não foi seguido pelas outras cadeias (salvo seja!…)… Creio que ao dr. Francisco Pinto Balsemão, que não deve ter gostado da protecção interna dada no caso do Dossier Sócrates, também não agrada esta instrumentalização do canal para abater um simples cidadão da província cujo único “crime” tem sido ousar afrontar o poder podre.
Nada tenho contra a SIC e percebo o aperto da aflição – e até o rancor de vingança (sou cristão e perdoo) – dos laços duns e doutros e a abstenção, trabalho honesto e indignação dos demais. O que me custa é, em contraponto com as peças que os próprios no passado editaram, a desumanidade de aceitar que esses laços valem a honra limpa de um cidadão do povo.
Junho 7, 2008 at 12:30 am
http://www.doportugalprofundo.blogspot.com/
Junho 7, 2008 at 12:31 am
simples cidadão da província cujo único “crime” tem sido ousar afrontar o poder podre.
Junho 7, 2008 at 12:37 am
Hum!, ardinas assassinados na net, na rede ou uma coisa parecida. Um atentado à liberdade de escolha ou a liberdade da publicidade.
Não me chego para coniderar qual o “link” mais belo. Está uma seca.
Junho 7, 2008 at 5:19 am
É do conhecimento geral que o sistema de ensino, não superior, no Reino Unido e nos Estados Unidos estão em franco declínio, em resultado da invasão do “eduquês” que fez dos estabelecimentos de ensino público desses países, verdadeiros “tubos de ensaio”, para diversas experiências pedagógicas desastrosas e indutoras de instabilidade no exercício da profissão docente.
Ao contrário dos países nórdicos, onde a profissão do professor é respeitada, no Reino Unido e nos Estados Unidos a profissão docente é subvalorizada, tendo como consequência o facto de muitos professores abandonarem a profissão, debilitando e desestabilizando a qualidade de ensino ministrado.
Como importamos destes páises as “modas” nas práticas educativas, o resultado está à vista: instabilidade nas escolas e na profissão docente e subsequente perda de qualidade da Escola pública portuguesa.
Uma vez que estamos sempre a focalizar o ensino da Finlândia porque razão não tentamos imitar as boas práticas da Escola Finlandesa?
Junho 7, 2008 at 5:21 am
Em [23] 2º linha deve ler-se “está” em vez de “estão”.
Junho 7, 2008 at 5:36 am
O sistema educativo inglês permite perpetuar a divisão das classes sociais, uma vez que a classes média alta e classe alta frequentam as Escolas privadas de matriz muitas vezes religiosa, onde o rigor e a exigência são imagens de marca, enquanto as classes médias e os mais pobres frequentam as escolas públicas, onde a falta de rigor, a falta de exigência e instabilidade do corpo docente predominam.
Este panorama da escola pública inglesa piorou com o reinado da 3ª via do senhor Blair.
Junho 7, 2008 at 10:20 am
Enquanto o ensino continuar dividido em Elois e Morlocks, nao faz sentido sequer perder muito tempo em discussoes sobre sistemas de ensino.
E como se, enquanto uns comem o filet mignon, o resto do pessoal vai discutindo a forma e textura do osso que vai roer.
Junho 7, 2008 at 11:01 am
Sobre o sistema inglês, penso que as conclusões estão tiradas:
http://hekate-hkt.blogspot.com/2008/02/educao-uma-reforma-falhada.html
Junho 7, 2008 at 12:18 pm
http://dn.sapo.pt/2008/06/07/sociedade/fenprof_denuncia_pressao_para_limita.html
Fenprof denuncia pressão para limitar ensino especial
PEDRO SOUSA TAVARES
Educação. A Fenprof acusa o Ministério de ter técnicos a pressionarem as escolas para retirarem alunos do ensino especial e fala numa redução de 60% em 2008/09. O secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, nega todas as acusações e diz que o sindicato “mente compulsivamente”
Sindicato prevê redução de 60% dos abrangidos
A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) acusa o Ministério da Educação de enviar às escolas “equipas de monitorização” que, sob o argumento de verificarem se os alunos da Educação Especial cumprem os critérios definidos, fazem “pressão” para reduzir o número de abrangidos. O sindicato prevê o fim dos apoios a 60% dos cerca de 50 mil alunosno subsistema.
Ao DN, o secretário de Estado, Valter Lemos, desmente as acusações, afirmando que a federação “mente compulsivamente” em matéria de Educação Especial.”Há um ano, diziam que iam sair 60 mil alunos”, lembra, avisando que o sindicato “terá de responder” pelas referências “absolutamente falsas” a pressões: “Onde estão essas equipas? identifiquem uma. Uma pessoa. É inacreditável”, lamenta.
Valter Lemos admite que, tal como o DN já noticiou, dados do Ministério estimam que, face a uma taxa de prevalência que situam em 1,8%, cerca de 27 mil dos 49 877 alunos actualmente abrangidos poderão estar a ser erradamente identificados. Porém, considera abusivas as “leituras políticas” da Fenprof de que há metas quantitativas de alunos a excluir.
Para o governante, a Fenprof quer “manchar” a imagem do Ministério, nomeadamente ao anunciar uma queixa à UNESCO: “Em 2003, com outro Governo, iam fazer uma queixa por causa da educação especial. Com outro modelo, nova queixa. E o que aconteceu à primeira?”.
Mas Mário Nogueira, da Fenprof, garante poder “provar tudo” o que afirma. “Os técnicos andam nas escolas. Já foram a agrupamentos da região Centro e do Sul. Na região Centro, há uma técnica que fez um estágio de seis meses na Finlândia”, conta. “Uma docente de educação especial disse-me que essa técnica reduziu de sete para quatro as crianças acompanhadas na sua escola. E a sua preocupação era como reduzir mais para fazer o que o Ministério quer”.
O sindicalista diz que a previsão da Fenprof era para a saída de “40 mil e não 60 mil alunos, o que não é impossível, dados os mais de 10 mil que saíram desde 2005/06 e os que o Ministério diz estarem a mais”.E acrescenta que a queixa à UNESCO de 2003 “não foi feita porque se referia a um projecto de diploma que o Governo de então acabou por não lançar. Era bom que os secretários de Estado se informassem antes. Evitariam fazer certas figuras que lhes ficam mal.”
Na base do diferendo está a adopção pelo Governo da Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF), da OMS, para sinalizar alunos da Educação Especial. Uma opção que divide especialistas e também não reúne consensos entre pais. Albino Almeida, da Confederação Nacional das Associações de Pais), diz que esta estrutura “confia na reforma” que o Governo está a implementar, apesar de prometer “vigilância . Já Fernando Magalhães, da Plataforma de Pais pelo Ensino Especial, diz que as alterações já feitas ao novo regime legal (3/2008)”salvaguardaram a situação de muitas crianças que ficariam excluídas” com a CIF. Porém, ainda acha que o sistema “implementa um pente tão fino [na selecção de alunos] que arrisca arrancar o cabelo”.
Junho 8, 2008 at 4:19 pm
Essa equipa de monitorização às escolas, segundo soube por uma colega, exclui os alunos da Educação Especial através de uma ligeira “vista de olhos” dos processos individuais.