Notícia do Público, de Bárbara Wong (sem ligação permanente), sobre uma das situações infelizmente mais descuradas no nosso sistema de ensino, desde o despiste precoce dos casos até ao seu (não)enquadramento ao longo da vida escolar.
Sobredotados vão poder matricular-se no 1.º ano
As crianças sobredotadas vão poder entrar no 1.º ciclo um ano mais cedo, mas “a título excepcional”. Apesar da lei que enquadra os alunos com necessidades educativas especiais ter esquecido os meninos com capacidades excepcionais, o secretário de Estado da Educação, Jorge Pedreira, assinou um despacho que prevê a sua matrícula para o próximo ano lectivo.
O documento, datado de 16 de Maio, surgiu depois das críticas das associações que acompanham os sobredotados e de dois requerimentos da deputada independente Luísa Mesquita. Até ao mês passado, as direcções regionais indeferiram todos os pedidos de matrícula antecipada, porque cumpriam o decreto-lei 3/2008. Contudo, a anterior legislação possibilitava aos sobredotados entrar na escola mais cedo.Para Luísa Mesquita, o despacho de Pedreira não resolve o problema, pois só tem aplicação para este ano. Portanto, a deputada vai avançar com uma proposta de alteração ao decreto-lei, introduzindo apenas a frase que ficou esquecida na legislação revogada; aquela que prevê que as crianças com uma precocidade global elevada possam ingressar mais cedo na escola.
Em resposta aos requerimentos, a deputada recebeu uma carta assinada pela chefe de gabinete da ministra da Educação, que reconhece que a lei “apresenta uma lacuna para a resposta a dar nos casos de crianças com excepcionalidade intelectual”. No entanto, acrescenta a carta, após o início da escolaridade obrigatória, os alunos podem completar o 1.º ciclo em três anos; e saltar um ano, uma única vez ao longo dos 2.º e 3.º ciclos.
Até dia 11, os pais têm fazer o pedido e justificá-lo com um relatório de avaliação psicopedagógica.
Pais têm de fazer pedido de ingresso antecipado e juntar relatório que confirme que a criança é sobredotada.
Claro que estes casos são «excepcionais», por isso mesmo precisam de tratamentos «excepcionais» pela positiva e não da permanente desconfiança. Mas como lidar com sobredotados é mesmo muito complicado, a mediocridade não sabe como o fazer.
O resultado é uma moldura legal perfeitamente disparatada como se um verdadeiro sobredotado apenas pudesse «ganhar» um ano a um percurso escolar «normal». E claro que, como com as restante NEE, a ideia é incluir à força na regularidade tudo o que dela naturalmente foge.
Junho 5, 2008 at 6:15 pm
Então e os borderline globais, que são muitos?
É a esses que sai sempre a palha mais curta.
Junho 5, 2008 at 6:48 pm
És sobredotado?!!!! Tens de perceber que este raio deste país é um país para a “norma”!
Entretanto… e porque no fundo é tudo uma questão de educação versus mentalidades:
Para onde foi o Ouro do Brasil?
http://criticademusica.blogspot.com/
Junho 5, 2008 at 6:50 pm
tb deve ser por isto que os pianistas portugueses (exceptuando aqueles que nunca estudaram em Portugal…) são sempre eliminados no primeiro “round” dos concursos internacionais…
http://alvarosilvioteixeira.blogspot.com/2007/01/anne-teresa-de-keersmaeker.html
Junho 5, 2008 at 7:02 pm
O Artur Pizarro, porque sofreu na pele, foi mais contundente.
http://alvarosilvioteixeira.blogspot.com/2007/01/artur-pizarro.html
Junho 5, 2008 at 7:12 pm
Sobre sobredotados: às vezes aparecem na TV acompanhados de pais babados que os exibem como tal. Quem me dera voltar a vê-los daqui a uns anitos, a ver no que deram…
Como professora de 2º ciclo tenho alguns alunos fora de série com os quais tenho trabalhado os chamados «planos de desenvolvimento» previstos na lei numa perspectiva de diferenciação pedagógica.
Daqui a exibi-los…
Junho 5, 2008 at 7:20 pm
havia uma senhora que pôs a filha de pequenina a estudar flauta numa escola privada, e bem paga, e parece ter ficado traumatizada pela menina ter passado só com 10 valores no 8º grau da dita flauta… parece que agora anda muito irritada com (alguns) conservatórios de música e parece não perceber, ou n querer perceber, que não os talentos existem mas nem todos os têm… senão todos seriamos grandes génios e não havia quem cozesse o pão que comemos ao pequeno almoço…
Junho 5, 2008 at 7:22 pm
o Artur Pizarro de facto foi exibido quando era pequenino…
e agora continua a exibir-se nos palcos internacionais…
para não falarmos de transcendências como o Mozart…
Junho 5, 2008 at 7:23 pm
Nem todos somos iguais…
melhor: todos somos sobretudo diferentes.
Junho 5, 2008 at 8:19 pm
No meu tempo da primária não era condição ser sobredotado para se saltar um ano. Era o professor que, após a sua avaliação, o sugeria aos encarregados de educação, sem necessidade de relatórios de psicólogos.
Junho 5, 2008 at 9:44 pm
Porque é que não deixam as crianças serem crianças? Para quê matriculá-los mais cedo na escola?!
Bom, esta conversa fez-me lembrar o filme Magnólia. Vou vê-lo
Junho 5, 2008 at 9:44 pm
Eu queria dizer, rever, claro
Junho 5, 2008 at 10:00 pm
Este “post” é mais uma excelente ponto de vista sobre outro assunto que parece pôr a classe política a assobiar para o lado! É inacreditável o que se tem feito aos sobredotados e a forma como são arrastados para a mediocridade mundana. Só um país gerido como este pode fazer isso a quem está acima da mediania. Não tenho nenhum interesse pessoal neste assunto, mas acho revoltante haver tanta gente a puxar tanto para baixo!
E neste país com tanto chico-esperto também não me admira que, qualquer dia, quando alguém pretender valorizar e fazer justiça aos verdadeiros sobredotados, haja outros que aproveitem através do assento no registo de nascimento!
Junho 5, 2008 at 11:48 pm
No meu tempo ,foi a professora que chamou a minha mãe e que lhe disse que a filha não estava a fazer nada no 1ºano ,que devia fazer um exame e ir para o 2ºano que ela própria leccionava na mesma sala …passei para o 2ºano ,e dei-me bem pois nem me lembro da mudança !!!
Não me considero sobredotada mas porque é que os bons alunos têm de andar ao mesmo ritmo de todos os medianos ,isto é ,a passo de caracol ? Não acho correcto ,a escola não pensar nos bons alunos e investir tanto nos maus que muitas vezes o são porque simplesmente não querem trabalhar.
Junho 6, 2008 at 12:54 am
eu explico:
um relatório de psicólogo x n é igual a trabalho para psicólogo.
dá jeito.
eu conheço uns poucos de casos que vão por os filhos como sobredotados e vai ser uma festa!!!!!!!!!!!!!
se os meninos já sofrem de pouca humildade………..
Junho 6, 2008 at 2:09 am
Aos 5 anos há mais crianças hiperestimuladas que sobredotadas. Os sobredotados precisam de acompanhamento extra para a personalidade e integrá-los mais cedo na escola só vai contribuir para que se canalizem as atenções para os resultados escolares.
Deixem as crianças ser crianças na idade correcta porque o secundário está infestado de crianças grandes que não o puderam ser na devida altura!
Junho 6, 2008 at 2:08 pm
Está na altura de, preto no branco, os professores denunciarem o que efectivamente se está a passar nas escolas. Tudo. Com a garantia de confidencialidade e de que se farão, efectivamente, ouvir.
queixasdeprofessores.blogspot.com/
(Movimento Mobilização e Unidade dos Professores)