A percepção por parte da opinião pública de um gradual abaixamento da qualidade da Escola Pública, especialmente em virtude da pressão da tutela para produzir «sucesso» estatístico, acaba por levar à renovação e reforço de clivagens antigas em relação ás opções educativas das famílias com maior (mesmo que não excessiva) capacidade económica e as que não têm essas possibilidades.

Mesmo no «deserto» da margem sul, onde o desafogo económico não é o maior, assiste-se a um verdadeiro «booom» da oferta privada na área da Educação Pré-Escolar e do 1º CEB. Claro que essa oferta procura os pastos mais aprazíveis, fugindo das zonas mais deprimidas, mas mesmo assim a dita oferta recrudesce como cogumelos em zona úmbria.

É natural que a clientela de muitos dos novos estabelecimentos procure estas novas soluções por percepcionar, por vezes até de forma errada, que o sector público da Educação não satisfaz os requisitos de quem pretende um maior grau de exigência para os seus educandos.

E assim o sistema público acabará por perder alunos e, indirectamente, aligeirar o orçamento do M.E., principal objectivo das actuais políticas educativas.

Quanto ao resto, o discurso «meritocrático» e de pseudo-rigor para com os docentes e a gestão das escolas não passa de uma cortina de fumaça.