A percepção por parte da opinião pública de um gradual abaixamento da qualidade da Escola Pública, especialmente em virtude da pressão da tutela para produzir «sucesso» estatístico, acaba por levar à renovação e reforço de clivagens antigas em relação ás opções educativas das famílias com maior (mesmo que não excessiva) capacidade económica e as que não têm essas possibilidades.
Mesmo no «deserto» da margem sul, onde o desafogo económico não é o maior, assiste-se a um verdadeiro «booom» da oferta privada na área da Educação Pré-Escolar e do 1º CEB. Claro que essa oferta procura os pastos mais aprazíveis, fugindo das zonas mais deprimidas, mas mesmo assim a dita oferta recrudesce como cogumelos em zona úmbria.
É natural que a clientela de muitos dos novos estabelecimentos procure estas novas soluções por percepcionar, por vezes até de forma errada, que o sector público da Educação não satisfaz os requisitos de quem pretende um maior grau de exigência para os seus educandos.
E assim o sistema público acabará por perder alunos e, indirectamente, aligeirar o orçamento do M.E., principal objectivo das actuais políticas educativas.
Quanto ao resto, o discurso «meritocrático» e de pseudo-rigor para com os docentes e a gestão das escolas não passa de uma cortina de fumaça.
Maio 29, 2008 at 9:18 pm
Parece-me que o essencial da questão de quem ganha é respondida com o que escreve.
(..)”E assim o sistema público acabará por perder alunos e, indirectamente, aligeirar o orçamento do M.E., principal objectivo das actuais políticas educativas.”(…)
Maio 29, 2008 at 9:27 pm
Alguns telespectadores querem introduzir uma nova disciplina:
A Internet.
Maio 29, 2008 at 9:29 pm
1.”A percepção por parte da opinião pública de um gradual abaixamento da qualidade da Escola Pública, especialmente em virtude da pressão da tutela para produzir «sucesso»”
Mas a classe média/alta não quer para os filhos escolas com insucesso(repetentes), vejo isso no agrupamento dos meus filhos em que a escola com mais repetentes é a que menos pais com habilitações superiores tem.
2.”Mesmo no «deserto» da margem sul, onde o desafogo económico não é o maior, assiste-se a um verdadeiro «booom» da oferta privada na área da Educação Pré-Escolar e do 1º CEB.”
50% dos alunos do pré-escolar estão no privado, logo aí se cria um problema de abastecimento da rede pública do 1.ºciclo, com a tendência dos privados alargarem ao 1.º ciclo, a situação piora.
3. “E assim o sistema público acabará por perder alunos e, indirectamente, aligeirar o orçamento do M.E., principal objectivo das actuais políticas educativas.”
“É natural que a clientela de muitos dos novos estabelecimentos procure estas novas soluções por percepcionar, por vezes até de forma errada, que o sector público da Educação não satisfaz os requisitos de quem pretende um maior grau de exigência para os seus educandos.”
O “Sistema”, o “Sistema”, mas quem é se preocupa com o sistema público?
A Margarida Moreira(DREN), o José Leitão(DREL), etc.?
Às famílias interessa a escola dos filhos não o “sistema”. A escola é das comunidades educativas, no âmbito dos agrupamentos há que envolver os pais, orgulhá-los da escola dos filhos.
Aqui no Porto, as Escolas do 1.º ciclo da zona da Boavista-Foz, públicas, estão a abarrotar.
4.”E assim o sistema público acabará por perder alunos e, indirectamente, aligeirar o orçamento do M.E., principal objectivo das actuais políticas educativas.”
Em abono da verdade, o sistema público perdeu mais alunos no período do Guterrismo, 1995-2001, está nos dados do GEPE.
Alumas das medidas do ME até favorecem as EB1: As Refeições, o incentivo aos prolongamentos de horário(embora o modelo seja mau), maior estabilidade docente.
Maio 29, 2008 at 9:32 pm
PAULO o teu blog apareceu na Sic -hoja no telejornal- por causa da carta da nossa colega sobre O sabujo Miguel sousa vasconcelos e tavares..
Maio 29, 2008 at 9:33 pm
Não tem a ver com o post, mas descobri isto agora.
E ELES ANDEM AÍ, ANDEM, TODOS PELOS MESMOS SÍTIOSQ
No Figaro (on.line) de hoje:
Selon RTL, le ministère de l’Éducation nationale aurait adressé à plusieurs établissements scolaires des objectifs chiffrés pour limiter les redoublements dès cette année. En cause, le coût et l’efficacité de cette pratique.
Le gouvernement passe à l’acte. On savait la pratique du redoublement dans le collimateur des services de Xavier Darcos, car trop coûteuse et pas assez efficace. Le ministre de l’Éducation nationale a visiblement décidé d’agir. Selon une information de la radio RTL, le ministre aurait donné des consignes aux chefs d’établissement pour limiter les redoublements. Plusieurs principaux de collège, proviseurs de lycée et directeurs d’école auraient déjà reçu des lettres avec des objectifs chiffrés.
La station de radio cite d’abord l’exemple de professeurs d’école de Seine-Saint-Denis, où ces derniers auraient appris en conseil des maîtres (rassemblant directeurs et professeurs, ce sont eux qui suggèrent un redoublement, NDLR), qu’il fallait à tout prix éviter les redoublements cette année car ils coûtent cher à l’État.
Plus directement, la station s’est procuré une lettre d’avertissement de l’inspection académique adressée à un principal de collège de Besançon (Doubs). «Il est hors de question que le taux de redoublement pour les élèves de sixième soit près du double du taux départemental, il doit redescendre», précise le courrier. «En classe de quatrième, le taux est de quatre fois supérieur au taux départemental, il ne devra pas dépasser 10% cette année». Même objectif chiffré pour le passage en seconde. La lettre précise enfin que cette injonction devra s’appliquer à tous les personnels de l’établissement.
Maio 29, 2008 at 9:34 pm
Amigo DA, a estabilidade não é verdadeira é uma estabilidade fictícia, pois muitos dos professores não estão onde queriam, pelo menos aqui no Alentejo.
Maio 29, 2008 at 9:34 pm
Acrescento, o que mais penaliza na opinião pública a Escola Pública são as greves, alunos à porta sem aulas, agenda mediática à volta da violência, etc.
Maio 29, 2008 at 9:36 pm
Pois.
Maio 29, 2008 at 9:37 pm
DA,
Essa das greves penalizar a imagem da Escola é velha.
Mesmo sendo eu por regra avesso a greves, não aceito como bom esse argumento.
Um serviço público de qualidade não é atingido por esse tipo de situação.
Maio 29, 2008 at 9:37 pm
Eu sei Olinda, mas com Concurso Nacional, achas possível qualquer outro modelo que dê estabilidade às escolas.
Estabilidade docente, só sem concurso nacional…
Nas (malfadadas) AEC os professores são contratados localmente, moram perto da escola.
Maio 29, 2008 at 9:38 pm
achas possível qualquer outro modelo que dê estabilidade às escolas?
Maio 29, 2008 at 9:38 pm
Querem ver quem é que ganha?
O CDS ganha, porque indirectamente vai sendo cumprido o seu programa de privatização do ensino.
Os “investidores” ou “empresários” ou… (nem sei bem como se designam) também ganharão.
Se a escola pública se for degradando, os alunos que forem para as privadas também poderão ganhar qualquer coisita.
E quem pagará tantos ganhos? A escola pública e a sociedade, obviamente!
Mais quem? Ah, ah, o Estado! Ou alguém pensa que os “privados” dispensarão este precioso apoio?
Maio 29, 2008 at 9:40 pm
E assim se vai vivendo…
Maio 29, 2008 at 9:42 pm
“Essa das greves penalizar a imagem da Escola é velha.”
Se às greves juntares as tolerâncias de ponto, as(recentes) dispensas em dia de provas, são muitos dias de aulas perdidos.
Baseio-me na realidade que conheço e no que ouço nas reuniões de pais, uma Escola EB1 do Porto onde 50% dos Encarregados de Educação têm formação superior. E a totalidade dos alunos no 1.ºano vêm do privado(no agrupamento só há uma sala do pré-escolar).
Maio 29, 2008 at 9:43 pm
Mas também vai ser por pouco tempo a não ser que introduzam o programa novas oportunidades depois dos 70 anos..segundo noticias de hoje em 2046 por cada cem jovens existirão 240 velhos…o futuro não são infantários m,as sim geritários.
Maio 29, 2008 at 9:43 pm
comentário 17,
“Os “investidores” ou “empresários” ou… (nem sei bem como se designam) também ganharão.”
Olha o Belmiro vai abrir um colégio em Matosinhos!
Maio 29, 2008 at 10:07 pm
Un rêve fou des technocrates et des industriels
L’école, grand marché du XXIe siècle
MILLE milliards de dollars, tel est, selon l’OCDE, le montant des dépenses annuelles de ses Etats membres en faveur de l’enseignement. Un tel « marché » est activement convoité. Quatre millions d’enseignants, 80 millions d’élèves et étudiants, 320 000 établissements scolaires (dont 5 000 universités et écoles supérieures de l’Union européenne) sont à présent dans la ligne de mire des marchands. Mais il faudra beaucoup d’efforts pour faire appliquer ces textes et rapports, qui demanderaient un démantèlement de l’essentiel du service public de l’enseignement.
http://www.monde-diplomatique.fr/1998/06/DE_SELYS/10584
Maio 29, 2008 at 10:28 pm
Não se chega a entender muito bem tanta preocupação dos professores com a escola pública. Conheci há anos atrás (5, 6 anos) escolas que perdiam alunos ano após ano com satisfação por parte de professores do quadro dessas escolas que ficavam com horários zero e acumulavam nos colégios particulares para onde iam os alunos. Porque é que há cada vez mais pais a preferirem o ensino privado?
Maio 29, 2008 at 10:31 pm
Ai Afonso Leonardo és tão naif…
Maio 29, 2008 at 10:38 pm
O autor do blog chega a uma conclusão óbvia e evidente.
Como já aqui referi algumas vezes, enquanto os professores do “ensino” público continuarem a não discutir o cerne da questão não vão a lado nenhum, porque poucos pais os perceberão.
Deixemo-nos de ideologias tontas que não matam a fome a ninguém, que pai com algum poder financeiro e um nível cultural médio alto aceitará ter o seu filho numa turma onde 10 ou 15% dos alunos perturbem as aulas? Onde se utilize a calculadora para realizar cálculos no 1º e 2º ciclos?
Como já aqui disse, filho meu na “escola” pública só se eu muito empobrecer!
A verdade é que enquanto a “escola” pública não perceber que tem que voltar rapidamente para a exigência, disciplina e rigor, nem que para isso se manifestem 100 mil professores, o vosso emprego será, obviamente, um emprego a prazo, porque em pouco tempo os vossos clientes serão apenas aqueles que não podem pagar um bom colégio privado…! Não é por acaso que conheço pessoalmente professores que estão a tentar reunir suporte financeiro para arrancarem com um colégio privado, onde os alunos usarão todos uniforme! E mais ainda, o colégio só aceitará rapazes, o colégio só aceitará quem tiver aproveitamento em duas fichas de avaliação de conhecimentos (Matemática e Português) e mais ainda, aqueles que revelarem comportamentos pouco dignos serão convidados a frequentar a… “escola” pública!
Estes professores estão completamente fartos da ideologia dominante dos “coitadinhos” e já perceberam que num mundo globalizado quem não dominar os conhecimentos adquiridos pelas gerações anteriores não terá qualquer hipótese de concorrer no futuro mercado peninsular de trabalho! A “escola” pública é hoje um factor de exclusão social.
Disse.
Maio 29, 2008 at 10:49 pm
Olhe Sr. Joaquim, tenha cuidado para os seus filhos não utilizarem os mesmos espaços públicos, transportes e, até, respirarem o mesmo ar de outros jovens e crianças.
Maio 29, 2008 at 10:52 pm
Mais, tenha cuidado com colégios só de rapazes!
Olhe que originam muitos traumas!
Maio 29, 2008 at 10:54 pm
Os 95% de apoiantes de partidos social-democratas (PS e PSD) e mais à esquerda (PCP e BE) aceitam ser comparados com alguns países da américa latina no que diz respeito à educação (fora o resto)? Estes 95% desistem de querer uma sociedade mais igual e mais justa como as escandinavas? Ei, social-democratas e mais à esquerda, 5% vão vencer? Acordem!
Maio 29, 2008 at 10:54 pm
Pois é os colégios de rapazes são tema para muitos filmes anglo-saxónicos, abixanados.
Maio 29, 2008 at 11:11 pm
Acho que os últimos comentadores ainda não perceberam que há duas formas de tentar a igualdade:
- normalizando por baixo;
- normalizando para cima.
Em Portugal optou-se pela igualitarização forçada para baixo. Mas não é só na escola.
Não são vocês que defendem (e bem) que a população portuguesa demonstra inveja ao querer que os professores tenham tão baixos salários como a maioria? Não são vocês que defendem (e bem) que a população deveria lutar por ter melhores salários, melhores horários de trabalho, melhores condições de trabalho, etc, etc?
Então, como é? Para vocês, querem o melhor; para os outros…
Quanto à separação dos sexos nas escolas, em que tipo de escolas é que vocês acham que andam os filhos daqueles que hoje mandam na sociedade portuguesa? Na “escola” pública do visto-me como quiser, falo como entender, respondo da forma que bem me apetecer, estudo se me der na gana, troco papelinhos com quem bem entender, etc? Porque será?
Por acaso não acham que aqueles que querem estudar deveriam ter oportunidade para isso? Por acaso não acham que quer vencer na vida merece uma oportunidade?
Maio 29, 2008 at 11:17 pm
Como é possível!
Os 95% de apoiantes de partidos social-democratas (PS e PSD) e mais à esquerda (PCP e BE) aceitam ser comparados com alguns países da américa latina no que diz respeito à educação (fora o resto)? Estes 95% desistem de querer uma sociedade mais igual e mais justa como as escandinavas? Ei, social-democratas e mais à esquerda, 5% vão vencer? Acordem!
Maio 30, 2008 at 12:30 am
“Em Portugal optou-se pela igualitarização forçada para baixo. Mas não é só na escola.”
O problema, é que não é só em Portugal. E como somos parolos, copiamos tudo o que se faz lá fora.
Até por sermos pequenos, podíamos fazer melhor e diferente. Mas não…
Maio 30, 2008 at 8:48 am
O Joaquim tem em grande parte razão.
Só quanto à inevitabilidade do modelo tecno-mercantil se vir a tornar uma realidade totalitária é que não posso concordar.
O mercado enquanto entidade abstracta é dominado pelo valor de troca e pela acumulação de Capital.
Ser inteligente e bem sucedido pode não passar necessariamente pela perversão, pela corrupção e pela imoralidade reinante no mundo da mafia político-financeiro dominante.
Daí as minhas dúvidas relativamente ao “modelo” de ensino que consiga conciliar a excelência humana com a degradação e alienação que o “vencer na vida” (no mercado de trabalho capitalista) exige.
Maio 30, 2008 at 2:44 pm
Alguém já leu isto (http://www.oecd.org/dataoecd/24/23/1919068.pdf) com atenção? Aconselho… só para percebermos o que nos está a ser feito…e não fazermos perguntas retóricas.