Se há coisas que eu não percebo nas investidas anti-blogues é que elas partam de sectores teoricamente esclarecidos da sociedade e de personalidades com informação suficiente para perceberem do que estão a falar. Que deveriam perceber o que são generalizações abusivas. Que deveriam saber distinguir os ataques difamatórios anónimos (ou não) das querelas de opinião. Mas não percebem ou não querem perceber. Para demonstrar a sua tese usaram algum blogue anónimo e calunioso por vocação e prática corrente?

  • Ouvir Rodrigo Guedes de Carvalho a empurrar - no estatuto aparente de «moderador» – um debate sobre os «perigos da internet» é estranhíssimo, quando eu me lembro dele, rapaz ainda, quase das minhas idades, ainda não quadrado, pelo pátio da Faculdade. Envelheceu, precocemente, o que é pena. Escreveu uns livros, faz crónicas para o jornal do grupo com foto estilosa. Mas não se interroga porque, por exemplo, se deixa fotografar para a capa da Caras, a pretexto de um seu casamento «secreto». Mas acha que os perigos da net estão na difamação, quando muito daquilo a que alude mais não passa do que de conflito de opiniões. Até parece que se esqueceu da forma como a informação da SIC acotovelou quem bem quis no seu período inicial e de ascensão.
  • Quanto a Miguel Sousa Tavares o problema é recorrente: ele não parece ter conseguido perceber que há opiniões diferentes das dele no mundo sublunar, abaixo do olimpo que habita. Há pessoas que discordam dele, é uma coisa sem pés nem cabeça par ele. Pior, essas pessoas quando erram até o admitem e fazem divulgar essa sua admissão. Já MST nunca se enganou ou teve dúvidas. Tudo o que escreveu nos últimos 20 anos foi isento de qualquer mancha ou vaga incorrecção. Que sauidades de quando ele ainda não tinha regressado ao útero da burguesia esclarecida e acomodada de onde só saiu para o seu tirocínio de rebeldia juvenil.

No meu caso, agradeço a divulgação feita em prime-time deste bloguito que por aqui vai andando, com a foto e nome do autor no frontispício, sem grupo económico, cartão partidário ou sociedade para-secreta a defendê-lo. Talvez por isso achae que podem abusar e expô-lo como se fosse um blogue de «troca de informações de terroristas», de que falou Moita Flores para exemplificar os malefícios da droga blogosférica. Só faltou falarem em pedofilia desenfreada, incentivo à bestialidade necrófila ou fraude com cartões de crédito. E mostrarem novamente uma imagem do Umbigo.

Já agora também seria útil que, no mínimo, a reportagem fosse rigorosa. Em nenhum lugar que eu conheça, virtual ou físico, alguém apelou ao boicote ás obras de Sophia, mãe de MST. Sendo que o meu blogue o do Ramiro Marques aparecem no ecrã quando isso é dito, haveria matéria para processar alguém? Eu não estou interessado, mas a interrogação fica.

Será que não haverá mais nada de interessante para exorcizar no período nobre televisivo do que os demónios pessoais de alguns vultos da nossa praça?

Por mim tudo bem, quem por cá passar à procura de coisas aviltantes e caluniosas para as boas consciências sairá certamente defraudado. Em contrapartida, perceberá o ridículo de certas atitudes.