MOÇÃO
A Assembleia do Agrupamento Vertical de Escolas de Azeitão vem por esta forma manifestar a sua preocupação e repúdio pelo rumo que a tutela tem vindo a impor à escola pública em Portugal.
Porque queremos o melhor para o ensino, porque entendemos que ainda é tempo de arrepiar caminho e encontrar melhores soluções, em diálogo, porque pretendemos clarificar a nossa actuação futura, por transparência e frontalidade afirmamos:
À Assembleia, como órgão responsável pela regulamentação base do funcionamento das escolas deste agrupamento, caberá ratificar a consignação em Regulamento Interno, dos diversos normativos legais que nos últimos meses têm vindo a ser publicados na área da educação.
Genericamente não concordamos com eles.
Na sua base doutrinária extremamente hostil perante os professores enquanto profissionais.
Nos seus indisfarçáveis intuitos economicistas e eleitoralistas em detrimento dos pedagógicos.
Concretamente e em resumo:
- O ECD, entre outras, pela forma como, gratuitamente, sem nexo, sem justiça e sem qualquer valia pedagógica se fractura a carreira docente em titulares e não titulares.
- DL 3/08 – Ensino Especial – Pela negação dos princípios da escola inclusiva de qualidade para todos.
- O DL 2/08 – Avaliação de docentes – Pela sua natureza excessivamente burocratizada, eivado de incorrecções, com parâmetros vagos e, por isso, potenciadora de injustiças.
- A Lei 3/08 – Estatuto do aluno – Pela letra e conteúdo virtualmente impossível de colocar em RI, e em prática, e por ser promotor do facilitismo escolar e do desrespeito pelos docentes e não docentes.
- O DL 75/08 – Gestão – Pela imposição de um modelo de gestão centralizador, não apoiado na realidade, pouco respeitador dos princípios da democracia participada.
- Finalmente, e porque este é um documento da Assembleia, pela forma desrespeitosa, por isso intolerável, como é extinto, sem qualquer tipo de avaliação, este órgão, que tem funcionado desde a sua criação há 9 anos, no estrito cumprimento das suas atribuições, utilizando para isso milhares de horas não remuneradas dos seus elementos que souberam dar o seu melhor para que a Assembleia fosse – e foi – um espaço aberto a toda a comunidade educativa e em que todos tiveram o seu lugar, a sua palavra, a sua participação livre e justa. Fizemos um bom trabalho. Seremos extintos, sem mais. Porém, não sem que nos seja pedido que tudo coloquemos em prática, que tudo vertamos em RI, que todos motivemos para o que de novo se prepara para o ensino.
Constituímo-nos ao abrigo do DL 115-A. Cumprimos sempre as atribuições aí consignadas. No passado dia 12/4, este diploma foi revogado. Enquanto Assembleia incumbem-nos de tarefas relativas ao Regulamento Interno e Conselho Geral Transitório, entre outras. Como elementos responsáveis de um (ainda) órgão de gestão, cumpriremos, pelos mínimos exigíveis, sem qualquer entusiasmo, sob protesto (fundamentado no atrás exposto) e até ao rigoroso dia em que cessarmos funções, as tarefas que os novos normativos legais nos impõem.
Esta escola pública não nos quer
Não é esta a escola pública que queremos
O Presidente da Assembleia
Jorge Freixial
Maio 28, 2008 at 9:26 am
Estou solidário com esta atitude, tenho algum receio é sobre as consequências que podem advir do não cumprimento da legislação. Penso que o Governo pode tomar uma posição de nomear um qualquer Director e depois?
Maio 28, 2008 at 9:39 am
“La privatisation exige la standardisation
La privatisation exige la standardisation par la mesure des «compétences acquises». Pourquoi?
1° En premier lieu, parce la généralisation du nouveau système «technique» de production-distribution – les nouvelles technologies de l’énergie nucléaire, des nouvelles matières, des biotechnologies et du génie génétique, toutes fondées sur l’électronique, les processus virtuels et le tout-publicité – combinée avec les difficultés d’accumulation rentable des capitaux ainsi qu’avec le tassement relatif des débouchés marchands a suscité une offensive mondialisée pour la généralisation des privatisations. De manière concertée, les classes dominantes des pays impérialistes, malgré leurs intérêts respectifs particuliers, militent en faveur de l’ouverture de nouveaux territoires d’investissements privés et d’accaparement privé de la richesse produite.
L’un de ces nouveaux marchés est l’enseignement et la formation. Colossal en termes d’investissements et de rentabilité, ce secteur représente l’équivalent de la découverte d’un nouveau continent pour les investisseurs.”
http://www.ssp-vpod.ch/ssp/go.pl?p=http://www.ssp-vpod.ch/ssp/en12.htm
Maio 28, 2008 at 9:42 am
A informação que se segue já circula na sala de professores da minha escola, como exemplo.
Também já circula por mails.
DIVULGUEM!
SEM LISTAS NA SECUNDÁRIA ANTÓNIO NOBRE
Escola Secundária António Nobre sem listas docentes candidatas ao Conselho Geral Transitório
Tal como vem acontecendo em várias escolas de todo o país, terminado o prazo aberto na Escola Secundária António Nobre, no Porto, para apresentação de listas candidatas ao Conselho Geral Transitório previsto no artigo 60.º do Decreto-Lei n.º 75/2008 de 22 de Abril, não teve lugar a apresentação de qualquer candidatura ao órgão em causa. Lembramos que, nos termos do disposto no citado decreto-lei, a não criação deste órgão impede, na prática, a aplicação do novo modelo de gestão, pois seria o Conselho Geral Transitório a promover os procedimentos que levariam à selecção do futuro director.
O SPN, desde o início muito crítico deste novo modelo, saúda os docentes desta escola e aproveita para renovar o apelo a que em cada escola e agrupamento se evitem as precipitações e que sejam muito bem discutidas todas as implicações deste novo modelo, na certeza de que muitas mais decisões deste tipo irão, naturalmente, surgir.
mobilizacaoeunidadedosprofessores.blogspot.com/
Maio 28, 2008 at 9:44 am
Rui Martins (1),
Se o ME nomear alguém, assume as consequências daí decorrentes.!!!!
Maio 28, 2008 at 10:45 am
Tenho algumas dúvidas das consequências. Não sei se é melhor esta posição, sujeitarmo-nos ao que vier, se, é melhor lutarmos por defender os nossos direitos no “terreno”.
Maio 28, 2008 at 12:23 pm
Tinha de vir o pedagokês. Coitada da Escola Pública.
Entre pais omissos, docentes e ministério, trama-se a malta.
Maio 28, 2008 at 12:39 pm
A assembleia de escola enquanto órgão deixou de existir com o novo regime de gestão.
Só o presidente “funciona” para assegurar os procedimentos eleitorais….
Se não houver lista, passados 30 dias, abre-se novo período eleitoral agora da responsabilidade do PCE !!!.
Se continuar a não haver lista, o CGT não se pode constituir mesmo que estejam eleitos/designados os restantes membros…e a legislação não prevê como sair deste BECO.
O Pedreira estava optimista e tem razões…isto vai ocorrer apenas numa dúzia ?? de escolas.
Maio 28, 2008 at 1:04 pm
António #7
Esclarecimento: o artigo 63 prevê que a Assembleia se mantenha em funções com as mesmas competências, até à tomada de posse do Conselho Geral Transitório.
Maio 28, 2008 at 1:08 pm
Sobre o texto, concordo que devam cumprir até ao dia de cessar funções, mas devo acrescentar que, num órgão eleito, os eleitos podem sempre cessar as funções a seu pedido em qualquer momento, invocando razões de peso.
Precisamente, a objecção profunda que causam as circunstâncias actuais é uma razão de muito peso para cessar as funções e para assim não praticar os actos que se repudiam.
Demissão…
Maio 28, 2008 at 2:54 pm
Mais parece um documento saído da FENPROF…
Maio 28, 2008 at 3:06 pm
Quero lá saber de pedaquês ou finlandês, chinês ou o raio que o parta.
A partir de agora só vou querer saber de mim.Os putos que se lixem os PCE que se lixem,os pais que se lixem,o ministério que se lixe,a lurdinhas que se lixe !
de qualquer modo dentro de algum-pouco tempos estamos mesmos todos fod..por isso já nada conta.
Maio 28, 2008 at 3:51 pm
Excelente exemplo. A registar nos anais e na memória.
Dos fracos (de espírito) não reza a História.
“O português-comum, em ditadura ou democracia, verga-se a qualquer poder” (H. D.)
Os portugueses-de-facto não se vergam… São Lusitanos!
Maio 28, 2008 at 3:57 pm
OS MEDOS DOS PROFESSORES
Segundo o livro, que resulta de uma tese de mestrado, lançado ontem (27-05-2008), da autoria da colega Luísa Cristina Fernandes, “Os medos dos professores… e só deles?”, eis os três medos dos professores portugueses:
. o nível salarial;
. a desmotivação dos alunos;
. a indisciplina.
(…)
mobilizacaoeunidadedosprofessores.blogspot.com/
Maio 28, 2008 at 4:13 pm
“potugueses-de-facto” são raros, estão em vias de extinção e não fazem parte da classe política!!!!
Desculpe a minha ignorância ana, quem é H. D.? Achei interessante a frase e fiquei curiosa!
Maio 28, 2008 at 4:21 pm
Humberto Delgado
Maio 28, 2008 at 4:38 pm
Aos medos dos profs já assinalados, não quero deixar de registar mais com um que deparo diariamente: o medo do desemprego.
Com quadros já com excesso de docentes, devido ao encerramento de muitas escolas do 1.ºC. nas zonas do interior e à actual política, muitos profs com 25 anos de serviço pensam já concorrer para outras regiões.
Deixar para trás uma vida e recomeçar, parece ser a única hipótese face ao o especto dos “excedentários”.
O espectro
Maio 28, 2008 at 4:49 pm
Só podia ser!
Obrigada ana
Maio 28, 2008 at 5:54 pm
João 8.
Toda a razão…mas os CGT estão aí durante o mês de Junho, na minha escola já só faltam os autarcas e os comunitários.
Aa Assembleiaa ,se tivessem vergonha, demitiam-se!
Maio 28, 2008 at 9:21 pm
António – 18
Há Assembleias que se transfiguraram em lista para o CGT !!! Não têm um pingo de dignidade.
Maio 29, 2008 at 1:13 am
Agora não é o momento. Numa oportunidade mais apropriada, talvez possamos dedicar algum tempo ao corajoso H.D.
Hoje é tempo de saudar os posts pela sua grande pertinência. Estamos de parabéns. Registo com agrado que se tem feito um esforço para elevar o nível.
(19) – Muitas, mesmo muitas optaram por se travestir em CGT’s.
Por isso me parece que neste estudo sobre os medos dos professores falta um que é o maior: o medo do poder.Não me surpreende que não conste porque, segundo li, o estudo foi feito a partir de uma amostra de pouco mais de 200 professores. Deviam ser todos do PS, amigos do coração da tutela da tutela. Pudera…