Esta semana a revista Marianne tem um longo trabalho sobre o que designa como Novo Pensamento Único, uma forma de pensar em termos políticos, económicos, sociais e culturais que tende a servir os poderes do momento e aspira a tornar-se hegemónico na esfera pública.

É uma evidência que todos conhecemos, mesmo se nem sempre percebemos que o Pensamento Único até pode mudar de conteúdo ao longo do tempo, permanecendo, isso sim, o desejo de hegemonia. E, naturalmente, o Pensamento Único está sempre do lado do poder, seja ele qual for, dependendo apenas do contexto em que se integra. Por regra apresenta-se como a única solução ou explicação virtuosa e possível para uma situação, apoiando-se em estudos que assume como incontestáveis e acusa as opiniões dissidentes de intolerância ou de colocar em causa a integridade pessoal dos adeptos do PU.

O PU, em algumas circunstâncias, até pode ser algo volátil, só que, em cada momento, pretende apresentar-se e inscrever-se como totalizante no espaço público de debate. Quando se irritam os defensores do PU, acusam os seus adversários de serem eles próprios defensores de um (outro) PU. Confuso? Nem por isso… desde que concretizemos.

Em Portugal temos agora o P.U.S. – Pensamento Único Socrático. Como sabemos é um pensamento que pretende hegemonizar as discussões, apresentando-se como tocado pelo dom da infalibilidade comprovada e testada, e esvaziar ou desvalorizar qualquer visão contrária que se lhe apresente. Em caso de necessidade, contudo, o P.U.S. evolui e transforma-se, mas nunca abandona a tal postura hegemonizante e de absoluta certeza (veja-se a oscilação quanto ao aeroporto, por exemplo, ou quanto ás projecções económicas para o próximo ano). Na área da Educação, MLR é um exemplo brilhante de uma postura de P.U.S., nunca admitindo qualquer hesitação ou falha nas soluções adoptadas, mesmo quando são divergentes.

No contexto do P.U.S. temos sub-variantes sectoriais e temáticas, muitas vezes associadas ao desempenho de uma personalidade integrante do núcleo duro definidor do P.U.S. nacional.

Vejamos meia dúzia de exemplos concretos, para melhor assimilarmos este conceito, quiçá mesmo um novo paradigma do pensamento português:

  • P.U.A. - Pensamento Único Aparelhístico. Principal agente: Vitalino Canas.
  • P.U.A.H. – Pensamento Único Aparentemente Heterodoxo. O exemplo maior é Jorge Coelho.
  • P.U.I. – Pensamento Único Independente. Tem José Miguel Júdice como ponta de lança.
  • P.U.M.B.A. – Pensamento Único Mesmo Bem Alvitrado. Sai às segundas-feiras, com o António Vitorino.
  • P.U.P.U. – Pensamento Único Politicamente Unificado. Claro, é evidente, só poderia ser a missão de Vital Moreira.
  • P.U.T.I.N. – Pensamento Único Tecnológico e Inteligente Nacional. O noso estimado Carlos Zorrinho.

À margem destas correntes existem ainda dois históricos P.U.M.S. – Pensamentos Únicos Mesmo Socialistas (expoentes máximos Mário Soares e Manuel Alegre), assim como temos alguns franco-atiradores do P.U.A. (M.L.) – Pensamento Único Alternativo (Muito Limitado), com destaque para Manuel Maria Carrilho, Ferro Rodrigues e João Cravinho, nos intervalos das nomeações para cargos de destaque na Europa.

Quanto ao estado do P.U.S. é aquele que já sabemos. Enquanto não se lancetar a bolha, vai crescendo e infectando tudo á volta, podendo vir a ser fatal, para quem não foi vacinado até ao tecto.

Aqui no Umbigo temos, em contrapartida, o P.G.U.I.N.O.T.E. – Pensamento Generalista Umbilical Independente Nada Ortodoxo e Tão Esquisito, porque foi aquilo que se conseguiu arranjar. Quem quiser que arranje o seu próprio P.U.