“A educação para a autoridade é um valor que tem vindo a ser descurado”
Joaquim Azevedo, director da Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica, considera que o Ministério da Educação não confia sistematicamente na autoridade e profissionalismo dos professores.
Porque já seria tempo de algumas mentes «traumatizadas» deixarem de lançar os seus fantasmas sobre todos nós…
Maio 23, 2008 at 12:19 am
Deixo apenas parte do comentário que desejaria fazer, o resto poderá ser visto no meu blogue http://porquemedizem.blogspot.com espalhado por diversos posts para os quais chamo a vossa atenção.
O que me assusta verdadeiramente é que, muito em breve, não teremos ninguém que queira ser professor ou então teremos apenas pessoas desqualificadas e inaptas para o serem, os idiotas do costume, isto é aqueles que pensam que os professores ganham muito e não fazem nada, que pensem um pouco… quem é que, no seu juízo perfeito, quer hoje iniciar uma carreira de professor? Quais são os atractivos? Ganhar à volta de cento e poucos contos, ser obrigado a ter uma qualificação académica elevadíssima (e séria…), sujeitar-se a andar de malas às costas mais de uma década e ser insultado e enxovalhado por alunos, pais, políticos e, no fundo, por todos excepto os colegas que os percebem? Quem desconhece poderá dizer que no topo da carreira se ganha muito, o tal 10º escalão, pois bem, não chega a 400 contos, ao fim de mais de 20 anos de serviço, (agora 25 ou mais) acham muito? Qualquer badameco ganha muito mais que isso sem se sujeitar a uma vida de estudo e sacrifícios cada vez mais acentuada. Resultado? Vai-se voltar ao passado em que 90% dos professores estavam de passagem e para quem as aulas eram um biscate para o início de carreira ou um mero entretém. Duvidam? Eu sou desse tempo, quando era aluno os meus professores raramente tinham habilitações profissionais para o serem e só nestes dois anos lectivos e nas turmas em que eu participava como professor saíram inúmeros colegas: ou pediram a reforma, por não aguentarem mais, ou foram curiosos, alguns com muito boa vontade, qualificação e (perdoem-me a expressão nada eduquesa, com muito jeito para ensinar) que foram experimentar e quando viram ao que iam chamaram-nos malucos e foram-se embora. Alguns sem se darem ao trabalho de o comunicar…
Fizeram bem, hoje ser professor raia a idiotia e, nessa medida, talvez a sinistra tenha razão em nos tratar como idiotas. Porém, não esqueçam que os filhos deles terão sempre bons professores e bons colégios, os vossos filhos é que não… acabando a geração que agora está a leccionar não haverá mais pessoas à altura de o fazerem e lembro os mais desprevenidos que formar um professor leva mais de dez anos… não é de um dia para o outro como os ministros e os políticos. Por tudo isto vos digo: tenham cuidado, não se deixem enganar e tratem bem os professores, eles começarão a ser uma espécie rara, em vias de extinção…
Um abraço cordial,
quink644
Maio 23, 2008 at 12:20 am
Porque … a União Faz Força!
mobilizacaoeunidadedosprofessores.blogspot.com/2008/05/apelo-temporrio.html
Maio 23, 2008 at 12:26 am
É por essa razão que um estudo recente aponta os professores de ensino básico como os segundos profissionais mais procurados nos EUA, até 2016.
Lá, os professores estão relativamente mal remunerados há pelo menos 20 anos. Deixou de ser atractivo.
Nós, parolos como sempre, para lá vamos. 20 anos depois. Já eles estão a tentar remediar o erro. Passa-se o mesmo na Europa.
Maio 23, 2008 at 12:36 am
Joaquim de Azevedo é mais do mesmo do circo. Vi ha dias na TV o José Manuel Revez, que muitos professores se lembram dele tanto da 24 de Julho como da DRELisboa. O actual director da DREL foi para lá, veio do Comercio e Turismo (creio), quando ele era director regional.
Até o Revez é agora Director de Infraestruturas (ministerio da administração interna).
Não ha pachorra para mais circo.
Francamente.
Este artigo sobre as ideias do “Jaquim” é do “politicamente correcto”.
Nota: E até era um fulano que me parecia com alguma piada, quase contra a corrente aparelhística do M.E., mas no fim de contas é tb um “politicamente correcto.
Maio 23, 2008 at 1:39 am
O texto é um pouco extenso mas…
Para nos fazer pensar.
Ridendo Castigat mores.
Eu axo q os alunos n devem d xumbar qd n vam á escola. Pq o aluno tb tem
direitos e se n vai á escola latrá os seus motivos pq isto tb é perciso ver q
á razões qd um aluno não vai á escola. primeiros a peçoa n se sente motivada
pq axa q a escola e a iducação estam uma beca sobre alurizadas.
Valáver, o q é q intereça a um bacano se o quelima de trásosmontes é munto
montanhoso? ou se a ecuação é exdruxula ou alcalina? ou cuantas estrofes tem
um cuadrado? ou se um angulo é paleolitico ou espongiforme? Hã?
E ópois os setores ainda xutam preguntas parvas tipo cuantos cantos tem ‘os
lesiades’, q é um livro xato e q n foi escrevido c/ palavras normais mas q no
aspequeto é como outro qq e só pode ter 4 cantos comós outros, daaaah.
Ás veses o pipol ainda tenta tar cos abanos em on, mas os bitaites dos profes
até dam gomitos e a malta re-sentesse, outro dia um arrotou q os jovens n tem
abitos de leitura e q a malta n sabemos ler nem escrever e a sorte do gimbras
foi q ele h-xoce bué da rapido e só o ‘garra de lin-chao’ é q conceguiu
assertar lhe com um sapato. Atão agora aviamos de ler tudo qt é livro desde o
Camóes até á idade média e por aí fora, qués ver???
O pipol tem é q aprender cenas q intressam como na minha escola q á um curço
de otelaria e a malta aprendemos a faser lã pereias e ovos mois e piças de
xicolate q são assim tipo as pecialidades da rejião e ópois pudemos ganhar um
gravetame do camandro. Ah poizé. tarei a inzajerar?
(Anónimo)
Maio 23, 2008 at 1:40 am
Parece brincadeira (de mau gosto) mas é verdade!
Maio 23, 2008 at 1:47 am
Com a (des)política educativa neste (des)país, com a humilhação sistemática e a desvalorizção social e económica dos professores, a violência em Portugal vai atingir níveis “inacreditáveis”.Já está aí. Mas é sómente o começo.
A escola, os professores, deixam de funcionar como “tampões sociais”.
O que é proferido, por Joaquim de Azevedo, é algo simplesmente “politicamente correcto”.
Se o sistema social alargado está em “equilíbrio” e se um (o)sistema central de controlo social (como é a escola) deixa de poder desempenhar o seu papel social (pela desautorização e o desprestígio social e profissional dos seus agentes, os professores, perpretada por este desgoverno e tem o apoio explícito ou implícito dos indivíduos do país), então o sistema social alargado – designado vulgarmente de “sociedade” – vai sofrer graves perturbações e, no caso concreto, os níveis de violência no espaço social subirão dramaticamente.
“EDUCARE.PT: A violência nas escolas está na ordem do dia. Na sua opinião, como se deve abordar este assunto?
Joaquim Azevedo: A violência na sociedade está na ordem do dia. Cresce e floresce. Como é que poderia não estar presente também nas escolas? O ovo onde ela germina não está na escola, está em toda a sociedade, nas guerras, nos media, nas relações humanas.”
Maio 23, 2008 at 2:19 am
Para o autor do comentário 1.
“Ganhar à volta de cento e poucos contos,”
Como, só se for com horário incompleto. Nenhum professor recebe menos de 1000 euros líquidos.
“ser obrigado a ter uma qualificação académica elevadíssima (e séria…)”
Licenciatura? É elevadíssima? É normal e banal hoje em dia…
Séria? Colega, 40% dos professores entre os 23 e os 35 anos, vêm das Universidadesa “Independentes” deste país.
“sujeitar-se a andar de malas às costas mais de uma década”
Pois, mas isso resulta do Concurso Nacional e Integrado de Professores, se a contratação fosse local tal situação não se verificava.
“e ser insultado e enxovalhado por alunos, pais,”
Sou um sortudo, desde 1996 que exerço a profissão, nunca fui ofendido por ninguém. lá chegará o dia.
“políticos e, no fundo, por todos excepto os colegas que os percebem?”
Será mesmo assim? As minhas maiores irritações profissionais foram sempre provocadas por colegas/gestão escolar.
Sobre a falta de professores, que acontecerá a médio prazo em alguns grupos disciplinares, mas não para já. Ainda agora neste concurso, apresentaram-se, só para contratação, mais de 50.000 candidatos.
Maio 23, 2008 at 9:14 am
DA,
Está-me a insultar com o seu comentário 8. E não lho permito!
Maio 23, 2008 at 9:25 am
As palavras de J. A. que li na totalidade correspondem a uma visão correcta. Contudo: se este senhor estivesse no poder, dizia isto? Actuava firmemente perante as desconsiderações aos professores? Permito-me duvidar.
Maio 23, 2008 at 9:36 am
Paulo Guinote de vez em quando escorrega para o temível “nós” – os docentes, entenda-se – em contraposição aos outros.
Esta forma subliminar de entender a política é que constitui na essência um dos mais terríveis legados do PENSAMENTO ÚNICO, constituindo um pesado lastro deixado tanto pelo salazarismo como pelo estalinismo e que dificulta em muito uma análise do que está em jogo.
Os docentes são tão dignos ou indignos como os médicos, os advogados ou os juízes; classes que estavam habituadas a algumas mordomias de bem-estar no Welfaretate saído da 2.ª Guerra, e que agora estão debaixo de fogo com vista à sua desvalorização e submissão aos desígnios do Capital.
Não são os docentes que são especiais ou diferentes, pois apenas e tão só representam uma importante fatia da tal classe média que agora já não se revela de grande utilidade para o sistema capitalista globalizado, uma vez que a produção de mais valia se desloca para as zonas onde o trabalho assalariado é semi-escravo e o conhecimento se transforma numa mercadoria transnacional sem pátria e sem raízes.
O ensino dá lugar à educação, logo os docentes podem passar a ser meros administradores de técnicas de gestão de serviços e produtos virados para o consumo.
Sendo tudo aferido ao valor abstracto e ao arbítrio do mercado, os docentes-enquanto-força-de-trabalho estão ao nível de qualquer outro factor de produção.
A função da Escola e da Universidade mudou radicalmente desde que o mercado se tornou a razão de ser da educação. Logo os docentes deverão ser remetidos a empregados e funcionários do Capital – público ou privado – sujeitos às leis da oferta e procura do mercado.
Neste quadro, a “Escola pública” vs. privada, serve apenas como cortina de fumo para ocultar a operação de limpeza em curso, onde a Escola e a Universidade enquanto casas do saber e da cultura dão lugar a um gigantesco espaço comercial e terapêutico de igualização massificada de produtores-consumidores.
Este é o verdadeiro problema que afecta a Educação e os docentes. Não se trata de uma maldade deste governo ou da aplicação de estratégias erradas, mas apenas da aplicação de medidas destinadas à ocupação do espaço educativo pelo processo de acumulação de Capital.
Maio 23, 2008 at 12:14 pm
De autor do comentário 1 para DA:
Viva! Vou ter que ter muito cuidado ao responder-lhe porque não gosto de insultar ninguém… Porém, já que diz ser colega desde 1996, não consigo deixar de lhe perguntar se tem dado aulas em Marte ou noutro lado qualquer que eu desconheça, mas se partir do princípio de que as deu em Portugal, bom, aí o caso muda de figura e o meu espanto é total… Ou talvez não saiba, ou não queira saber.
Só na escola onde lecciono há inúmeros colegas que, efectivamente, não tem horário completo e, muitos que o têm, foram obrigados a assinar dois horários de 11 horas, para assim ficarem sem quaisquer direitos. Não sabia?
Existem cursos CEF, profissionais e turmas de autênticos selvagens, absolutamente analfabetos, cuja própria existência é, por si só, um ultraje a quem tente transmitir seja o que for, pois grande parte deles não são falantes de português e não entendem nada do que se está a tentar dizer. Não sabia?
Quanto a habilitações começo por falar por mim: sou licenciado em Filosofia, pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde também efectuei o estágio profissional do ramo educacional, sou mestrado em História Contemporânea, pela Faculdade de Letras (dita clássica) da Universidade de Lisboa e estou (ou já nem sei se estava, uma vez que, desde que entraram estes tempos de 45m, nunca mais tive tempo para nada) a preparar-me para iniciar o doutoramento interligando as duas áreas anteriores com as Ciências da Educação. Espero que não duvide, pois, da seriedade das minhas habilitações, já que em todas elas prestei provas públicas e redigi inúmeros trabalhos que estão ao dispor de quem quiser (desde logo porque alguns foram publicados). Quanto aos meus colegas não me interessa saber quais e onde obtiveram as suas habilitações, já que isso é um problema de secretaria… De resto, se os seus cursos são reconhecidos pelo estado, teria que ser muito convencido para me pronunciar sobre eles. Não pensa assim?
Depois a banalidade que encontra em Portugal da existência de licenciados é apenas, e para mim chega, contrariada pelas estatísticas em relação aos países da EU, talvez se quiser comparar com o Burundi, o Togo ou o Benin esta minha constatação se altere. Concorda?
Pelo que li não me espanta que “as minhas [suas] maiores irritações profissionais foram [tenham sido] sempre provocadas por colegas/gestão escolar.” De facto, deve ser muito difícil lidar com um marciano… sobretudo quando ele, possivelmente, inicia a conversa com um inquérito sobre o percurso académico… e defende que um professor deve andar com as malas às costas porque os concursos são (foram?) nacionais e não regionais. Claro que também deve considerar que a culpa foi desses mesmos professores, que se recusavam a entrar em concursos regionais (quando eu, por exemplo, cheguei a fazer autênticos ralis com um carro cheio de colegas para conseguir ir às diversas CAEs concorrer aos mini-concursos); para além de também ser por vontade e decisão dos colegas que as vagas, quer de escola quer dos QZPs , quer seja do que for se encontram fechadas… claro que estes colegas não querem ser integrados na carreira, para assim terem de ser recolocados e ganharem mais…
Quanto aos 50 000 candidatos que ‘sobraram’ este ano apenas lhe digo: se as turmas fossem, como deviam ser, muito mais pequenas, os horários se mantivessem como eram, desde logo para que o professor possa fazer a sua segunda actividade mais importante, a seguir a ensinar, que é estudar, se os apoios pedagógicos e tantas outras coisas fossem entendidas como tempos lectivos (um disparate não é?, tentar esclarecer dúvidas e dificuldades dos alunos nunca foi, nem é ensinar…); bom, mas etc., etc. , etc., finalizando por serem também os professores que concederam as licenças a essas Universidades para pudessem licenciar pessoas… talvez fossem só 49 000. Assim, como há muitos a querer entrar, deve-se é tratar o pior possível os que lá estão (obviamente retirando a sua excepção) para serem substituídos por contratados que, muitas vezes, só diferem dos efectivos no salário ainda mais miserável que auferem.
Finalmente, espero que os nossos caminhos nunca se cruzem… eu iria ser, com certeza, daqueles colegas com quem teria das maiores ‘irritações profissionais’.
Cordialmente,
quink644
Maio 23, 2008 at 1:32 pm
Curiosamente, ou não, muitos docentes defendem o mesmo modelo de escola terapêutica que este governo dissemina, e raramente se atreve(ra)m a questionar a desautorização progressiva do seu estatuto ao longo dos últimos 33 anos.
E aqui não podem restar dúvidas de que as principais orientações ideológicas e normativas que destruíram a autoridade dos docentes partiu da “esquerda” e dos seus intelectuais orgânicos instalados no ME, nos sindicatos e nos media.
Agora choram-se lágrimas de crocodilo contrafeito e concentra-se a fúria nos últimos 3 anos do governo Sócrates, porque também convém aos sindicatos e restantes companheiro de enterro da escola do “passado”, apagarem o seu próprio cadastro em matéria de alienação da autoridade e desvalorização do papel do docente na escola emancipadora e alunocentrada.
Demonstra-se então muita preocupação com a “desvalorização económica e social dos docentes” agora verificada, mas esquece-se todo o percurso que conduziu ao actual estado das coisas e que colocou os docentes ao nível de vulgares empregados dos alunos, qualquer coisa entre o antigo pedagogo escravo que vigiava o comportamento do jovem e o actual assistente social assalariado que presta serviços ao utente.
Maio 23, 2008 at 2:20 pm
Tal como eu já tenho referido aqui neste blog várias vezes e, pegando nas palavras do h5n1, o problema relativo à autoridade (ou falta dela) dos professores é um problema de cariz ideológico sobre o qual muitos, por complexo ou estúpidez, se calaram durante anos e anos a fio!
As mentes “traumatizadas”, tal como está escrito no tópico, anexaram um país e uma profissão aos desejos do sistema da “bicharada” e dos seus defensores!
Agora queixam-se, pois claro. Mas ainda bem que alguns acordam. Antes tarde do que nunca.
Maio 23, 2008 at 5:57 pm
Para o quink644,
“deixar de lhe perguntar se tem dado aulas em Marte ou noutro lado qualquer que eu desconheça”
Tenho dado aulas no grande Porto, excepto durante os 2 anos em que pertenci ao quadro de zona de Braga.
“Só na escola onde lecciono há inúmeros colegas que, efectivamente, não tem horário completo e, muitos que o têm, foram obrigados a assinar dois horários de 11 horas, para assim ficarem sem quaisquer direitos. Não sabia?”
Sabia, de resto, o meu irmão que é professor de Educação Física, licenciado numa Universidade a sério – Universidade do Porto (FCDEF), e ou está no Desemprego e a Recibos verdes em Ginásios, ou então, lá consegue uma substituição de uns meses a contrato.
Desde sempre que critico a existência de horários minúsculos, embora quem os tenha possa concorrer a outras escolas para os completar.
“Existem cursos CEF, profissionais e turmas de autênticos selvagens, absolutamente analfabetos, cuja própria existência é, por si só, um ultraje a quem tente transmitir seja o que for, pois grande parte deles não são falantes de português e não entendem nada do que se está a tentar dizer. Não sabia?”
Sabia, mas não é a realidade de todas as escolas do país, Algumas, e bem, não abrem CEFs a torto e a direito. Na minha escola há uma turma de um curso Profissional e 2 turmas do Tecnológico de Desporto.
Sobre as Habilitações dos professores, apenas quis mostrar que não diferem da restante população com formação superior. Já lá vai o tempo, do sr Doutor (o médico), o professor e o padre. Licenciados são cada vez mais.
“De facto, deve ser muito difícil lidar com um marciano…”
Suposição sua. Apenas lhe disse que no meu caso, os alunos não me criam problemas. Já algumas (não) decisões de quem tem poder dentro da escola irritam-me profundamente. Qual seria a sua reacção quando tem colegas que leccionaram ao 12.º ano e se recusam a fazer reapreciações de exames aos seus alunos, obrigando-os a recorrer a explicadores?
“sobretudo quando ele, possivelmente, inicia a conversa com um inquérito sobre o percurso académico… e defende que um professor deve andar com as malas às costas porque os concursos são (foram?) nacionais e não regionais”
É conversa, que não costumo ter, a não ser com familiares que são professores e pontualmente com orientadores de estágio. Os dados são públicos, estão disponíveis no Observatório da Ciência e Ensino Superior.
Mas eu defendi que os professores devem andar com a casa às costas? Apenas escrevi que tal se deve ao concurso nacional. Se sou contra o concurso nacional é por não quero ver professores do Porto no Alentejo, e os do Alentejo no Porto ou no desemprego. Faz sentido, cenário hipotético, o concelho do Alvito ter professores de fora, quando há professores naturais de lá no desemprego?
Abraço,
Daniel
Maio 23, 2008 at 6:09 pm
Bom, vai por aqui um debate aceso, comentários 1, 8, 12. Para o comentário 8, sabe quantos alunos meus do secundário querem ser professores? Zero! Sempre tive alunos a quererem ser professores. Presentemente é que não. Isto quererá dizer alguma coisa? Penso que é óbvio.
Maio 23, 2008 at 7:47 pm
No fundo, talvez não discordemos em tantos pontos quanto me queria parecer. Apenas lhe quero dizer o que a outra colega (Maria 2) disse, hoje em dia já começa a ser difícil encontrar a nível do secundário quem queira vir a ser professor e aos que estão agora a começar ou a pensar começar, sugiro-lhes apenas que pensem duas vezes… Penso que, neste momento, deve ser difícil encontrar alguma carreira pior ou que me pareça menos atractiva do que a de professor… Quando se põe muita carga na carroça, corre-se o risco de levantar o burro do chão e aí viola, ele já não conseguirá puxar mais… por vezes, tanto se quer esticar tanto a corda que ela acaba por partir. Assim começam a estar os professores, pelos vistos tem a sorte de não conhecer os CEFs, alguns profissionais, tecnológicos ou seja lá o que for, daqueles de se lhes tirar o chapéu. Tem tido sorte, acredite. Já agora também não deve ter ouvido falar em EFAs ou CNO / CRVCs, tem ainda mais sorte…mas tanta sorte torna-o quase num marciano, tem bons alunos? Vou já para o Porto…
Depois não me compreendeu suficientemente bem no que respeita aos problemas com os alunos, encarregados de educação, etc. Eu não tenho tido problemas muito graves, então se comparar com outros colegas de escola sou um sortudo, mas sempre lhe vou dizendo, o que faria se fosse DT e telefonasse para um Enc. Ed. chamar à atenção para o elevado número de faltas, disciplinares e não disciplinares e lhe respondessem do outro lado: o quê, está-me a falar do T.? Epá, nem me fale desse gajo, não quero saber dele para nada, vá-se mas é f… Ou pedir a um aluno para, depois de muitas cartas e telefonemas, que a mãe venha à escola e ele lhe responda: Ó stor, essa p. do c. não quer saber de mim nem desta m. para nada, não perca tempo que a v. não vem…
Começo a pensar que os nossos alunos em geral, não a fina flor ou o escol daqui ou dali, se bem que mesmo aí vai sendo cada vez mais difícil, não percebem os rudimentos vocabulares da língua, nunca leram nem pensaram ler nada, a não ser as Gordas dos desportivos, já que o desenvolvimento das notícias em si não entendem, já fiz essa experiência muitas vezes, analisar uma notícia de um daqueles pasquins que eles trazem e verificarmos em conjunto que eles não percebem o que lá está escrito… Mas, dizia eu… começo a pensar que os nossos alunos em geral estão doentes e essa é uma doença social, pobre sociedade a nossa que só pode estar ainda mais doente do que eles e nem sequer se apercebe disso… Acredite, as coisas não estão boas e, se não houver uma revolução profunda, coisa em que infelizmente não acredito, irão de mal a pior deixando nós de ser professores, apenas vigilantes, pastores ou qualquer coisa assim e a escola, se já não se passa isso e eu penso que sim, deixará de ser escola para se tornar num armazém de crianças e jovens…
Cordialmente,
Quink644
Maio 23, 2008 at 9:17 pm
“Já agora também não deve ter ouvido falar em EFAs ou CNO / CRVCs, tem ainda mais sorte…mas tanta sorte torna-o quase num marciano, tem bons alunos?”
Conheço isso, a minha mãe, que já está na casa dos 50 anos, neste momento desempregada, foi enviada para um CNO, de um centro de formação de uma associação empresarial(?), julgo, não era numa escola, pelo centro de emprego para fazer o 9.º ano. Nunca a vi motivada para aquilo, teve 18(?) sessões semanais de RVCC, fez o dossier com percurso de vida, com a ajuda dos filhos, claro, que ela não percebe nada de TICs. A partir do Dossier as formadoras foram fazendo alguns exercícios (Estatística, Língua – há/à, e pouco mais), mas tudo muito insuficiente para acrescentar quaisquer conhecimentos a quem deixou a escola há mais de 40 anos. Penso que se a tivessem encaminhado para um EFA – B2,B3 talvez aprendesse alguma coisa significativa.
Sobre os EFAS, sei que nas escolas onde substituíram o 3.º ciclo do Recorrente Nocturno, se trabalha com seriedade, os professores são os mesmos do antigo recorrente.
Sobre os CNOs, o processo de RVCC acrescenta muito pouco às pessoas, deviam ser encaminhadas para um EFA, nestes sempre se ensina alguma coisa.
Mas não estou por dentro. Acredito no entanto na seriedade do trabalho que é feito nas escolas públicas. O grande problema parecem ser os objectivos a que os CNOs estão obrigados a atingir.
Já agora sabe-me dizer o motivo de tantas escolas estarem a abrir CNOs, o que ganham com estes?
Maio 23, 2008 at 10:20 pm
Não percebo nada disso… de facto, sou uma pessoa que apenas quer ser professor, isto é, poder estudar e ensinar o que vou descobrindo. Nunca liguei patavina a essas coisas de secretaria, mandam-me dar aulas, neste ou naquele horário, nesta e naquela disciplina e eu dou, ponto final. Há muito tempo que já não tento perceber nada dessas coisas sérias… isso é para os CEs, CPs e essa malta.
Lamento, no entanto, o que fizeram à sua mãe. Eu tenho uma turma de EFA secundário e aquilo é muito duro, das 19 às 23 todos os dias…
Um abraço,
quink644