Acho que todos gostamos das cartas abertas do Comendador Marques de Correia na última página da Única do Expresso. A que é reproduzida é de ontem, sábado, 17 de Maio de 2008.

São engraçadas, bem escritas, originais, acutilantes e tudo o mais.

Já agora, são escritas pelo director do jornal em causa, Henrique Monteiro de sua graça, esse mesmo que estão a pensar, o autor de crónicas sensaboronas em nome próprio.

Vejamos o caso da opinião do opinador bipolar sobre as questões da Educação, da sua Ministra e do insucesso.

  • Monteiro A, o Henrique, respiga números da OCDE para dizer que isto tem de mudar, que os docentes até nem estão mal pagos, que o nosso sistema é ineficaz e que se desperdiça dinheiro sem se verem resultados. Escreve sobre essas coisas por alturas da manifestação dos professores, sente-se que está com a corajosa Ministra.
  • Monteiro B, o Comendador, agarra nos números debitados pelo Ministério sobre o insucesso e o seu custo para satirizar a posição da Ministra sobre o assunto pois, afirma ele em tom brincalhão, não se pode deixar de fazer uma série de coisas só porque são caras e estamos numa de poupança. Não é difícil adivinhar o gozo colocado na concepção da prosa verrinosa.

Dir-me-ão os mais argutos que Monteiro A é um jornalista responsável e que, assinando em seu nome, há solidariedades a respeitar e que cada um limpa as mãos ao avental que lhe puseram, enquanto Monteiro B não passa de um heterónimo desopilante que não deve ser levado a sério.

Permitam-me discordar, porque se a mesma pessoa se desdobra deste modo nas opiniões, reservando para a pseudonímia toda a sua argúcia crítica contra o mesmo poder político que apoia quando assina em nome próprio, algo estará um pouco mal em tudo isto. A começar pela coerência e transparência.