Acho que todos gostamos das cartas abertas do Comendador Marques de Correia na última página da Única do Expresso. A que é reproduzida é de ontem, sábado, 17 de Maio de 2008.
São engraçadas, bem escritas, originais, acutilantes e tudo o mais.
Já agora, são escritas pelo director do jornal em causa, Henrique Monteiro de sua graça, esse mesmo que estão a pensar, o autor de crónicas sensaboronas em nome próprio.
Vejamos o caso da opinião do opinador bipolar sobre as questões da Educação, da sua Ministra e do insucesso.
- Monteiro A, o Henrique, respiga números da OCDE para dizer que isto tem de mudar, que os docentes até nem estão mal pagos, que o nosso sistema é ineficaz e que se desperdiça dinheiro sem se verem resultados. Escreve sobre essas coisas por alturas da manifestação dos professores, sente-se que está com a corajosa Ministra.
- Monteiro B, o Comendador, agarra nos números debitados pelo Ministério sobre o insucesso e o seu custo para satirizar a posição da Ministra sobre o assunto pois, afirma ele em tom brincalhão, não se pode deixar de fazer uma série de coisas só porque são caras e estamos numa de poupança. Não é difícil adivinhar o gozo colocado na concepção da prosa verrinosa.
Dir-me-ão os mais argutos que Monteiro A é um jornalista responsável e que, assinando em seu nome, há solidariedades a respeitar e que cada um limpa as mãos ao avental que lhe puseram, enquanto Monteiro B não passa de um heterónimo desopilante que não deve ser levado a sério.
Permitam-me discordar, porque se a mesma pessoa se desdobra deste modo nas opiniões, reservando para a pseudonímia toda a sua argúcia crítica contra o mesmo poder político que apoia quando assina em nome próprio, algo estará um pouco mal em tudo isto. A começar pela coerência e transparência.

Maio 18, 2008 at 9:36 am
Ou talvez o comendador tenha viajado no avião “fretado” pelo sr eng e, nas alturas fumarentas, lhe tenha ocorrido a iluminação.
Maio 18, 2008 at 9:58 am
Gosto muito de ler as “Cartas Abertas” do Comendador Marques de Correia e, como tantas vezes acontece, esta última divertiu-me imenso pela ridicularização que aí se faz dos argumentos de MLR.
Desconhecia completamente que o seu autor era o Henrique Monteiro. Estou espantada, tanto mais que estava convencida que a autoria dessas “Cartas Abertas” se devia a dois ou três jornalistas do Expresso que, alternadamente, as iam escrevendo (tenho a vaga ideia de ter lido isso algures, há muito tempo, já não sei onde; mas, pelos vistos, estou a fazer confusão).
Se é realmente Henrique Monteiro quem escreve aqueles textos satíricos, há nesse senhor uma bipolaridade muito intrigante e, pior do que isso, uma dualidade que cheira a falta de honestidade para com os leitores. Se este jornalista precisa de aliviar a consciência, que comece por ser coerente e assuma, de uma vez por todas, o que pensa realmente!
Maio 18, 2008 at 10:07 am
As coisas que Paulo Guinote descobre. Quantos mais esquizofrénicos não andarão por aí?
Maio 18, 2008 at 10:09 am
O facto era sabido dos atentos,,,mas desta vez o henriquinho foi apanhado em contra-mão.
Boa trepa, Paulo!
Maio 18, 2008 at 10:10 am
Ora, Henrique Monteiro, Director do semanário Expresso, é um português comum.
“Não deixou exemplo
Inaugurava-se a estátua de Humberto Delgado, no Porto, quando alguém me saudou, garantindo apreciar as minhas intervenções públicas. Agradeci. Nisto, reparei que os olhos do meu interlocutor tremeluziam de apreensão: “Desculpe-me”, disse, “mas os da Câmara estão a olhar para aqui”. E raspou-se velozmente.
Confuso, vi que alguns assessores falavam a poucos metros de nós. Provavelmente discutiam futebol. Mas aquele infeliz julgou que poderia ser prejudicado por ser visto a cavaquear com quem não está nas boas graças do poder. O absurdo é ainda maior porque aconteceu numa homenagem ao General Sem Medo…
Dizia-se que o General não tinha medo pelo contraste – o português comum, em ditadura e em democracia, verga-se perante qualquer poder. in blasfemias.net (Publicado por CAA em 17 Maio, 2008)
criticademusica.blogspot.com/”
Maio 18, 2008 at 10:10 am
Mas a fotografia que encima a “coisa” não é de todo inocente…
Maio 18, 2008 at 10:20 am
Agora é que é…
O Henrique teve a sua estrada de Damasco… Felizmente! Embora tardia…
Está outro.
A lurdes que se cuide:
Vai ser desmascarada:
Maio 18, 2008 at 10:22 am
Uma (possível) cartilha dos portugueses não-comuns.
Pássaro solitário
“… As condições de um pássaro solitário são cinco:
1º que ele voe ao ponto mais alto;
2º que não anseie por companhia nem a da sua própria espécie;
3º que dirija o seu bico para os céus;
4º que não tenha cor definida;
5º que tenha um canto muito suave …”
Maio 18, 2008 at 12:33 pm
Brilhante a analogia chumbo/doença; chumbo/nascimento. Não pude deixar de relacioná-las com uma de entre um conjunto de “pérolas” de alunos criativos recebida há dias (para os que gostam de “bater” nos professores, garanto-vos que nenhum dos meus colegas ensinou isto aos jovens):
Em 2020 a previdência não terá mais dinheiro pra pagar aos aposentados
graças à quantidade de idosos que se recusam a morrer.
Maio 18, 2008 at 12:44 pm
Paulo: pensando bem…
Há outra hipótese explicativa – e algo mais conspirativa – para a aparente doença bipolar de Henrique Monteiro. Tentarei justificar este ponto de vista.
O Henrique institucional vai dando vazão às preferências do dono do pasquim. Conforme pode, defende a sua dama: o governo de José Sócrates, o governo “socialista” que estilhaça as “8 horas por dia”, mandando para as urtigas as outras formas de vida não laborais dos cidadãos, algo que o PSD ou até o CDS nunca teriam a ousadia de fazer. No breve período de grande mobilização dos professores permitiu alguma descompressão entre o coro dos comentadores, reservando com isso uma margem de credibilidade e também, o que não é desprezável, salvaguardando o volume das tiragens.
Mas Pinto Balsemão sabe melhor que ninguém que a insensatez e algum desejo excessivo de protagonismo podem desfazer, de um momento para o outro, a credibilidade do seu governo de estimação, principalmente quando MLR se aproxima perigosamente da defesa descarada das teses de um ensino desleixado, pouco exigente, facilitista. É nesta altura que entra em acção o Henrique Comendador brincalhão, advertindo amigavelmente a <em<visada: porquê não te calas?
Homens como Balsemão/Henrique Monteiro sabem perfeitamente o que querem e conhecem os segredos da poda. Merecem ser tratados como pessoas inteligentes.
Maio 18, 2008 at 12:55 pm
Muito bem, António Ferrão…subscrevo.
Maio 18, 2008 at 1:19 pm
digam ao Monteiro para vir para a psicanálise que nós compreendemos tudo isso…
http://criticademusica.blogspot.com/
http://psicanalises.blogspot.com/
Maio 18, 2008 at 1:22 pm
tb a hipótese do peixe pode ser considerada….
Lúcio Peixe Diz:
Maio 18, 2008 at 9:36 am
Ou talvez o comendador tenha viajado no avião “fretado” pelo sr eng e, nas alturas fumarentas, lhe tenha ocorrido a iluminação.
Maio 18, 2008 at 1:43 pm
António Ferrão (10),
Os regimes autoritários impõem-se SEMPRE com a conivência expressa ou sub-entendida de homens (muito) inteligentes. Penso que está de acordo.
Mas como sabe o que distingue os homens não é a inteligência mas o seu nível de evolução. Quanto mais coerente um Homem é no seu comportamento expresso, mais evoluido é – pelos actos os reconhecereis~!
Gosto muito da expressão, que ilustra a “esquizofrenia” do português comum (mais ou menos “inteligente”) claro:
“o português comum, em ditadura e em democracia, verga-se perante qualquer poder. in blasfemias.net (Publicado por CAA em 17 Maio, 200
criticademusica.blogspot.com/”
Maio 18, 2008 at 2:51 pm
Nao vejo aqui esquizofrenia nenhuma!
Ate faz muito sentido!
Por um lado, temos assuntos serios como a Saude, a Justica e a Educacao dos alunos, em que nao se pode olhar a despesas.
Com essas coisas nao se brinca.
Por outro lado, temos a carreira dos professores e a sua remuneracao.
Ai, a posicao e a seguinte:
Esperem ate lhes ver o branco dos olhos, e entao, fogo a vontade!
Maio 18, 2008 at 3:10 pm
Ferrão,
Não lhes nego a inteligência.
Porque no fundo estamos de acordo sobre o que lhes falta.
Maio 18, 2008 at 3:40 pm
Desconhecia que um era o outro. Talvez estejamos perante um problema de física ou de química. Não sei. Não entendo bem essas coisas.
O facto é que isto me fez lembrar a rábula da Ivone Silva quando, simultâneamente, era Olívia criada e Olívia patroa. Lembram-se?
Parece que em Portugal o problema é sério pois nunca percebemos exactamente quem é uma e quem é outra. Nem a Olívia sabia. Por isso vivia uma tremenda luta interior. Mas o problema só a ela pertencia…
Maio 18, 2008 at 3:46 pm
Ferrão,
Claro. Só pode. O “comendador” existe para fazer veicular uma dupla mensagem. E concordo que “(A) mensagem de facto” seja para as assessorias de imagem e de comunicação do P.M. Até porque MLR (já) só é uma mera “personagem de decoração”…
Tem o total beneplácido, até direi, quiçá, invenção do próprio Balsemão. Ele nunca perde os negócios e os seus interesses de vista. E quem trabalha para ele está (bem) informado disso.
“Mas Pinto Balsemão sabe melhor que ninguém que a insensatez e algum desejo excessivo de protagonismo podem desfazer, de um momento para o outro, a credibilidade do seu governo de estimação, principalmente quando MLR se aproxima perigosamente da defesa descarada das teses de um ensino desleixado, pouco exigente, facilitista. É nesta altura que entra em acção o Henrique Comendador brincalhão, advertindo amigavelmente a <em<visada: porquê não te calas?”
Maio 18, 2008 at 5:15 pm
O “Comendador” acerta na “muche”, porque a cambada que por lá se arrasta está convencida que “descobriu a pólvora seca”!
Vai ser uma trabalheira para reconstruir o que a corja tem andado a implodir!
Parabéns ao “comendador” e bem-haja ao Paulo por ter postado.
Maio 18, 2008 at 7:00 pm
Os Pais dos alunos que chumbam e custam 3000 euritos ao Estado, no mínimo pagam dez vezes isso em impostos! Acho bem que MLR tenha levantado esta lebre, todos gostaríamos de saber para que poço sem fundo vão os resultados do saque que a DGCI está a fazer.
Maio 18, 2008 at 8:52 pm
Mas não tem nada de bipolar a personagem de Comendador Marques Correia tem tidos vários escribas e o papel dele é desancar com humor o Monteiro só tem que seguir a linha da personagem. que é um contraponto ao cinzentismo e ao politicamente correcto do jornal a crónica do Marques Correia é a primeira coisa que leio. Marcelo Rebelo de Sousa já escreveu o Comendador
Maio 18, 2008 at 11:00 pm
Por falar em poupar! Recebi agora mesmo esta informação. Nada que, na verdade, já não soubessemos…
Jorge Pedreira admitiu hoje o óbvio: a Avaliação do Desempenho não tem por objectivo cimeiro aumentar a qualidade da oferta educativa das escolas e, muito menos, promover o desenvolvimento profissional dos docentes. Nas palavras do Secretário de Estado (que é Jorge mas que de educação nada percebe) apenas visa contribuir para a redução do défice público. — Eureka! O enigma da má-fé ministerial fica finalmente revelado.
No fórum da ‘TSF’ da manhã de hoje, Pedreira, justificou os motivos pelos quais o ME discorda da proposta de António Vitorino em adiar a avaliação e testar-se o modelo preconizado pelo M.E. em escolas piloto durante um ou dois anos.
Pedreira (o Jorge, que até é secretário da ministra Lurdes), confessou o politicamente inconfessável: ‘Terá de haver avaliação para que os professores possam progredir na carreira e assim possam vir beneficiar de acréscimos salariais’ (sic).
Ou seja, aquilo que hoje se discute no mundo ocidental (democrático e desenvolvido, como rotula mas desconhece a ‘primeira ministra’), gira em torno da dicotomia de se saber se a avaliação do desempenho docente serve propósitos de requalificação educativa (se para isso directamente contribui) ou se visa simplesmente constituir-se em mais um instrumento de redução do défice público.
Nesta matéria, Pedreira (o tal que é Jorge e ao mesmo tempo teima em ser secretário da ministra que também parece oriunda de uma pedreira), foi claro: Importa conter a despesa do Estado com a massa salarial dos docentes; o resto (a qualidade das escolas e do desempenho dos professores) é tanga(!!!).
Percebe-se, assim, porque motivo este modelo de avaliação plagia aquele que singra na Roménia, no Chile ou na Colômbia. Países aos quais a OCDE, o FMI, o New Public Management americano, impôs: a desqualificação da escola pública em nome da contenção da despesa pública; Percebe-se, assim, porque razão a ministra Maria de Lurdes (que tem um secretário que, como ela, também é pedreira) invoque a Finlândia para revelar dados estatísticos de sucesso escolar e a ignore em matéria de avaliação do desempenho docente. Percebo a ministra pedreira: não se pode referenciar aquilo que não existe. A Finlândia, com efeito, não tem em vigor qualquer sistema ou modelo formal e oficial de avaliação do desempenho dos professores!
Agradeço à pedreira intelectual que grassa no governo de Sócrates (que por acaso não é pedreiro — até é engenheiro), finalmente nos ter brindado com tão eloquente esclarecimento. Cito-os:
A avaliação dos Docentes é mais um adicional instrumento legislativo para combater o défice público(!).
Obrigado, Srs. Pedreiras, pela clarificação do óbvio.
P. S. – Passem palavra e não queremos acordos!!!
Maio 19, 2008 at 8:20 pm
Desta vez, por acaso, nem concordo com o Paulo Guinote. Acho que cada um tem direito às suas esquizofrenias. Se quiser pôr os seus pseudónimos a discutir uns com os outros, pois que o faça. As certezas são uma coisa reservada aos infalíveis. E de infalíveis está o mundo cheio.
Por falar nisso: o que me incomoda mais é que, 22 comentários depois, ninguém tenha dado pelo facto de que o Comendador deu uma calinada científica. De facto, a água NÃO É constituida por duas MOLÉCULAS de hidrogénio e uma de oxigénio!…
Mas isso é um pormenor irrelevante. Estou a ser esquizofrénico, não é verdade?
Fevereiro 10, 2010 at 10:08 am
–Ora se eu já lhe disse que a visão do buraco de fechadura á apenas parcial e pode não obedecer á realidade, porque é que insiste nessa ?
http://apombalivre.blogspot.com/p/henrique-monteiro-por-mim-contei-o-que.html