Mais de 230 mil alunos efectuam amanhã e terça-feira exames de aferição
Fazem parte de uma turma de PCA de 6º ano e calcular o seu desempenho na prova de Língua Portuguesa não é o mesmo que jogar a sorte na roleta russa, mas quase.
O ano passado consegui prever praticamente ao pormenor o desempenho de cada um dos meus alunos de então, apenas sendo surpreendido e pela positiva num par de casos. Parte deles já eram alunos de PCA mas, para alguma surpresa, bateram a média nacional em termos de sucesso/insucesso.
Este ano a situação é bem diferente e quase me faz lembrar o meu Sporting naquela semana em que deu 5-3 ao Benfica em 20 minutos e depois levou 4-1 do pobre Leiria.
Já lá vão mais de 110 aulas e consigo imaginar um intervalo razoável para o desempenho da rapaziada, mas não sei se vou sair de lá com um par de D’s (um dos quais importado à última da hora, a quem mal dei aulas, mas que me vai aparecer na lista da turma) e um par de B’s, se me vão sair umas quatro negativas e nenhuma bondade para me alegrar.
E esta variação não tem origem propriamente na (in)capacidade dos alunos, mas sim na sua eventual (des)motivação.
Não é por causa da minha avaliação que estou vagamente preocupado. É apenas porque quando se passam mais de 200 horas com um grupo de alunos (são duas disciplinas a quatro tempos semanais), é difícil não querermos – por muitas dificuldades que tenham demonstrado no seu trajecto escolar até agora – que eles façam boa figura e possam sentir orgulho no seu trabalho.
Nestas alturas – já assim foi o ano passado – confesso que o meu trabalho deixa de ser especialmente relevante do ponto de vista técnico-pedagógico para ser mais de tipo motivacional e de preparação psicológica. Ontem dei-lhes a última aula antes da prova, após três semanas de realização e correcção de provas de aferição de anos anteriores. Já conhecem o modelo da prova, pois a maioria é repetente, pelo que resta explicar-lhes uns pequenos truques para lidar com a situação, chamar-lhes a atenção para a gramática que quase certamente sairá, pedir encarecidamente que não se baldem para a composição, já que vão ser obrigados a estar cinquenta minutos na sala.
Um dos alunos em causa já foi meu o ano passado e, apesar de ter levado um ano inteiro ali na linha de água, mas sempre numa de imersão, chegou à prova de aferição e safou-se com o C/Satisfaz (cumpri a minha palavra e teve classificação positiva no final do ano). Este ano pedi-lhe um B/Bom nem que seja para provar que a retenção dele não tinha sido em vão. Pedir um Bom a um aluno de PCA numa prova nacional não é temerário quando se sabe que o insucesso anterior foi mais ditado por falta de vontade do que por falta de capacidade.
A outros apenas pedi que fizessem os possíveis por não encolherem os ombros e acharem que aquilo não serve para nada.
Daqui por um mês logo ficaremos a saber do que fomos todos capazes, mas em especial se eles sentiram necessidade de ter orgulho em demonstrar o seu trabalho, se preferiram a solução mais fácil e tentadora.
Mas eu sinceramente acredito que vão escolher a opção certa.
Maio 15, 2008 at 11:18 pm
Os meus 13 alunos andam nervosos. Sabem que a nota “não conta para serem aprovados”, mas também sabem que está em causa “se somos ou não uma boa escola”!
Espero vários “D”…
Maio 15, 2008 at 11:27 pm
Os meus 2 (filhos) estão já a dormir.
Parece que a família é aferida amanhã!
Safa-se o pequenito que no pré escolar comemora o dia da família e me prometeu uma “carinha verde”.
Maio 15, 2008 at 11:31 pm
A este propósito não posso deixar de comentar o que aconteceu no meu agrupamento.
O Pedagógico decidiu fazer provas-tipo de aferição para treino dos alunos (com prof. exterior á turma e tudo isso)e que essas provas entrariam na avaliação do aluno, no final do ano lectivo. Até aqui tudo bem.
Qual não foi o meu espanto quando as ditas provas mais não eram do que fotocópias de provas de aferição de anos anteriores que nas aulas já eu tinha dado, corrigido e voltado a corrigir.
Claro que as notas da turma foram fora de série.
E agora com avaliar sem inflacionar?
Maio 15, 2008 at 11:57 pm
Uma dúvida,
Espero que o Paulo, o NP, o Zé ou outros colegas envolvidos das provas de aferição me consigam esclarecer.
É possível(e se está a acontecer) as escolas considerarem as provas de aferição como testes normais com peso na avaliação, nalguns casos, poderem até ser decisivas para a aprovação dos alunos?
Maio 16, 2008 at 12:00 am
DA,
é impossível e passível de processo disciplinar. Aconteceu no ano passado na escola da minha filha e deu asneira da grande.
Maio 16, 2008 at 12:01 am
DA:
a resposta é não!
Mas ontem disse a uma aluna, na presença da mãe, que se ela tivesse “boa nota” ia ter isso em conta; se tivesse “má nota”… não contava para nada!
Não sei se fiz bem… foi uma tentativa (desesperada?) de a motivar.
Seja como for, nunca é “um teste normal”… e não tenho recebido informações que se esteja a encarar a prova desse modo!
Maio 16, 2008 at 12:12 am
Há uma coisa muito interessante quando se tem alunos em provas de avaliação externa. É construída uma sobre-solidariedade entre professores e alunos. Sempre senti isso, ainda muito antes de se falar em avaliações e em rankings. No meu caso, os alunos disputavam a entrada nos cursos que queriam. Tenho saudades desses tempos. Pois esta gente do ME acabou com o exame de Filosofia.
Uma cultura de prestação de contas – tendo em conta as pessoas que temos à frente – através de exames seria a única que reforçaria a qualidade das escolas. Não é preciso preencher grelhas…
Maio 16, 2008 at 12:19 am
Obrigado, eu até concordaria que contasse alguma coisa, para responsabilizar os alunos…
Prefiro as Provas de Aferição, por serem feitas durante o ano lectivo e dentro do ritmo das aulas, aos exames nacionais, quando os alunos fazem estes já sabem que nota vão ter, estudam pouco(o ano passado tive 4 turmas do 9.º ano, duas delas DT, bem sei o que custou motivá-los e no dia em que sairam as notas não se via ninguém na escola), qual a motivação dos que vão a exame com 2?
Maio 16, 2008 at 12:20 am
“eu até concordaria SE contasse alguma coisa”
Maio 16, 2008 at 12:21 am
Estou-me a referir ao Básico, é claro. No Secundário sou favorável aos exames.
Maio 16, 2008 at 12:27 am
As Provas de Aferição nesta altura do ano baralham um pouco os miúdos. Parece que o ano já acabou, uma vez que “sai” toda a matéria de 1º ou 2º ciclo, conforme o caso. Então, o que fazem depois? Também causa algum desinteresse pelo mês que ainda falta.
Mas estes momentos, um pouco solenes, são da maior importância para a formação deles.
Mesmo não contando para a avaliação.
Maio 16, 2008 at 12:35 am
No 9.º ano os exames deveriam contar para a selecção de alunos. O governo quer expandir ao máximo os cursos profissionais(ouvi dizer até 70 ou 80 por cento dos alunos). Uma selecção pelos exames (a todas as disciplinas) era um sinal de seriedade. Também no 4.º e 6.º anos os exames (provas aferidas) deveriam contar para a nota final e fornecer indicações sérias para o futuro dos alunos. A escala do básica deveria retornar à antiga, do 0 a 20.
E comeste me vou…
Maio 16, 2008 at 12:42 am
JCM, nos comentários do post anterior está lá esse assunto.
Querem 50% nos profissionais , artísticos, etc.
“A escala do básica deveria retornar à antiga, do 0 a 20.”
0-10, talvez, 20 é muito. E a partir do 7.º ano, abaixo não…ainda são muito crianças.
Maio 16, 2008 at 1:32 pm
Dos meus 47, uns são todos briosos e querem sempre “ganhar” nem que seja a feijões… e são bastantes, outros – menos – acham tudo uma seca… mesmo assim , como tinham que estar a olhar para a Prova durante tanto tempo, espero que, para parecer que o tempo passava, tenham tentado responder às perguntas… com um bocadinho de atenção, até esses eram capazes de se desenvencilhar… bastava quererem… por isso esperemos. Agora, mal acabe a Prova de Matemática, ficam psicologicamente de férias…
Maio 16, 2008 at 4:57 pm
E, não é que, omanual do aplicador vem repleto de erros grosseiríssimos…
Maio 16, 2008 at 7:44 pm
Clarifiquem-me… Afinal PCAs … não são turmas de percursos alternativos? Com currículo diferente dos demais alunos? como exigir que façam as provas de aferição? Não estarão eles na mesma linha dos alunos do ensino especial?(sem ofensa)