Não pensavam que eu iria deixar cair o assunto da acção do seminário sobre «A Avaliação do Desempenho do Pessoal Docente» leccionada pelo expert Dr. Jorge Fatal Nogueira no INA esta semana cair no esqquecimento pois não?

Bem me parecia!

É que, se consigo ser um bocadinhoinho sensível à argumentação dos direitos de autor de uma «ferramenta», já o mesmo não se aplica a material enviado para as escolas para divulgação do dito seminário.

Porque – penso eu de que – quando se pede para divulgar algo entre os docentes, devemos fazê-lo.

Certo?
Certo!
Então cá estão as folhinhas enviadas pelo INA para as Escolas em Abril passado para divulgar a iniciativa, as quais merecem análise quase atenta.

Analisemos a coisa por parâmetros, de que vou agora apenas isolar três:

  • Duração e custo do seminário: 200 euros individuais por 16 horas de formação, vezes 25 formandos. Dá algo como 5000 euros no total, ou seja, um encaixe superior a 300 euros por cada hora de formação. São valores claramente europeus. Boa malha. A iniciativa apresenta-se exemplar do ponto de vista financeiro. E os adesivos pagam, só para se sentirem bem (in)formados e poderem exibir currículo.
  • Objectivos específicos do seminário: «desenvolver um modelo de avaliação do desempenho que suporte o Estatuto da Carreira Docente e dê resposta concretas ao modelo proposto superiormente» e etc. Portanto, assume-se que é uma iniciativa destinada a quem tem interesse em suportar as soluções propostas «superiormente» através do ECD. Muito bem. Ninguém pode dizer que não sabe ao que vai. Podem achar-me exagerado, mas isto é algo que realmente só a adesivagem poderá aceitar de ânimo leve.

  • Programa: Aqui é que a coisa entra verdadeiramente no delírio. Lembremos que temos apenas 16 horas de formação. Mas temos 34 tópicos para abordar, o que dá dois por horas e mesmo assim ainda ficariam dois por dar. Lembremos que a metodologia anuncia ser expositiva, mas conter ainda debates, trabalhos de grupo e «construção de instrumentos». Tudo em 16 horas. isto é que deve ser trabalhar a galope. Mas mais interessante mesmo é que os tópicos parecem começar com uma sequência lógica que é rapidamente abandonada.

Reparem que a definição de objectivos surge depois de ser abordada a gestão pelos ditos. E notem como a entrevista de avaliação surge por duas vezes na lista, num caso com um artigo definido a anunciá-la e no outro sem o dito artigo.

Outro detalhe pleno de expertise é anunciar que os «objectivos, competências e atitudes» são as «4 dimensões do Estatuto da Carreira Docente».

E que tal o facto de se abordar a «medição», a «observação», a «auto-avaliação» e tudo o mais antes ainda de se tratar da «negociação da avaliação» e do acordo e «plano de desenvolvimento individual»?

Se o formador em causa argumentou que as 93/96 condutas eram uma «ferramenta» que levou 9 anos a desenvolver (embora o Estatuto da Carreira Docente tenha pouco mais de um ano), o que haverá a dizer sobre este programa do seminário? Terá demorado quanto tempo a preparar?

Ou será que é da responsabilidade do INA e o expert dr. JFN não tem nada a ver com isso?

Mas tudo bem, o que interessa é que o feed-back é porreiro e a malta paga sem ser obrigada e há quem fique feliz com tudo isto.

Bem-aventurados sejam!