Representante das associações de pais acusa site do IDT de incentivar consumo de droga
(…)
Existem ainda definições que os encarregados de educação consideram ser “quase um manual de instruções”. Diz o dicionário que “Queimar” é “aquecer com o isqueiro a heroína ou cocaína, até fazer a bolha brilhante, cativante e vaporosa cujo fumo será inalado com a ajuda de uma nota enrolada em tubo”.
A Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE) considera “muito preocupante” que seja transmitida uma “imagem convidativa das drogas” nomeadamente através da utilização de adjectivos como “brilhante” ou “cativante”. Nesse sentido, vai esta semana pedir ao IDT a reformulação imediata do site. “É fundamental que os jovens sejam informados, mas a forma como a informação está disponibilizada aumenta seguramente a curiosidade dos miúdos em relação às drogas. Pode fazer com que eles não queiram ser os betinhos que não consomem”, afirma a responsável da CNIPE, que representa cerca de 600 associações de pais.
Também a Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP) entende que a consulta deste dicionário por parte dos jovens “pode induzir a curiosidade por algumas experiências, em vez de ser preventora de comportamentos desviantes”, se for feita sem a intermediação de um adulto.
“Pode haver a tentação do ‘faça você mesmo’”, alertou Albino Almeida, presidente da CONFAP, referindo-se a conceitos como “Base”: “Cocaína pronta para fumar. Mistura de cocaína com bicarbonato de sódio ou amoníaco e água. É aquecida e posteriormente arrefecida. Por filtragem, obtêm-se cristais, pedrinha branca pronta para snifar na caneca ou na prata com uma nota enrolada”.
Sinto sempre alguma estranheza quando alguém acha que a melhor maneira de combater um problema não é falar dele, prestar informações e esclarecimentos adequados, mas optar pelo silêncio.
- Sexo? Não, não existe antes do casamento.
- Drogas? Não, só existem nos filmes.
- Violência? Não, é uma invenção dos telejornais.
- Liberdade de expressão? Não, isso é uma invenção de uns quantos utópicos.
Pior que as drogas é a ignorância sobre elas que leva a experiências confusas e por vezes fatais. Aliás, não é raro que o mergulho nessa situação se deva exactamente ao desejo de querer saber o que aquilo é, porque alguém falou nisso e a pressão dos pares se faz sentir. Mas infelizmente há quem não perceba.
Mais do que a religião, o silêncio é o ópio dos novos prosélitos dos bons costumes e da pureza das condutas.
Amén!
Maio 13, 2008 at 11:21 am
Paulo Guinote deu numa de bate-no-betinho.
Entre a omissão e a exaltação, entre a crítica e a aceitação acrítica, entre a censura e a propaganda vai uma grande diferença.
Seria interessante perceber qual a ideologia que preside ao IDT, enquanto organismo do Estado.
No fundo acho que o IDT não serve rigorosamente para nada, a não ser para a afirmação da vertente terapêutica do poder do estado e a criação de alguns empregos para os boys psicólogos e psiquiatras.
Mas não posso, mesmo que não me identifique com o lado dos “proteccionistas”, colocar-me ao lado dos acríticos e moralmente “neutros”, que entendem que a escolha é individual e que só nos compete informar “cientificamente”, mesmo que para isso nos coloquemos do lado das “vítimas”, retomando a sua linguagem e os seus preconceitos.
Outro erro de palmatória é o de que é sobretudo a ignorância que leva ao consumo das drogas ou a comportamentos desviantes.
A perversão e a experiência de ultrapassagem dos limites é o resultado da sociedade de espectáculo levada aos seus extremos, onde o que conta como realização pessoal é a representação dos papéis com notariedade nos media e a consumação do prazer imediato.
O consumo de drogas faz parte integrante da nossa sociedade, seja na forma farmacêutica-empresarial seja na forma traficante-mafiosa.
A “pureza das condutas” será então um termo desajustado, uma vez que o que está em jogo são duas visões de controlo dos cidadãos pelo mesmo Estado, uma na via terapêutica espartilhada e infantilizante da “informação” e da vida “saudável” para todos, outra integrada na parceria com as famílias e com a regulação do mercado.
Não vislumbro qualquer cruzada de “valores” ou de “princípios”, mas apenas questões de pormenor em relação à escolha dos “modos de vida” disponíveis no mercado capitalista.
Maio 13, 2008 at 11:22 am
Há coisas do arco da velha… Acabei de indicar esse site do IDT (www.tu-alinhas.pt) aos meus alunos do 11º, considerando que daqui a um ano vão estar submersos nas grandes cidades e não quero que vão de olhos fechados…
Maio 13, 2008 at 11:47 am
E as casas de alterne são raestaurantes com meninas bem a servir..e a morte não existe .-.as criancinhas não devem saber que a morte existe senão suicidam-se!
Maio 13, 2008 at 12:42 pm
Curiosa esta opinião do actual CE da CONFAP… Há pouco mais de um ano, a propósito de um inquérito com perguntas menos adequadas que este mesmo IDT promoveu junto de alunos, algumas das pessoas “ligadas” a este CE da CONFAP defenderam que não se deveria expor e criticar publicamente o assunto e o referido inquérito do IDT! Então qual a razão para agora “criticarem” o mesmo IDT, embora por assunto diferente, mas pela mesma substancia: uso de termos e expressões “desadequadas”? O que mudou?!
Maio 13, 2008 at 12:49 pm
E as coisas que nós adultos desconhecemos?
É que não são só as drogas e o sexo…
Há dias a minha filha que anda no 9.º ano contou-me “en passant” que havia colegas (com boas notas e ar absolutamente normal) que se divertiam em casa a apertar-se o pescoço para terem sensações novas quando desmaiavam!!!!!!!!!
Maio 13, 2008 at 2:13 pm
Boa tarde, pode-se falar destes assuntos, evitando a curiosidade, entregando a elaboração dos conteudos a técnicos especializados, de modo a evitar estas “aventuras”.
Apeagesatao
Maio 13, 2008 at 2:20 pm
Aos 4 anos (já sabia ler) a minha mãe ofereceu-me o meu 1º livro de Educação Sexual e aos 6 anos o meu pai deu-me uma “esfrega” sobre drogas. Esfrega tal que a curiosidade morreu logo ali e nunca experimentei (para além dos meus cigarrinhos).
Haja informação com responsabilidade e responsabilização.
Maio 13, 2008 at 2:27 pm
Pronto, CNIPE e CONFAP em uníssono.
Maio 13, 2008 at 2:49 pm
A CNIPE é uma alternativa à CONFAP, não exista confusão. Esta alternativa nada impede que possam estar de acordo, pontualmente ou melhor, a Confap, a partir da existência da CNIPE, virá a “reboque”.
Apeagesatao
Maio 13, 2008 at 3:45 pm
“É fundamental que os jovens sejam informados, mas a forma como a informação está disponibilizada aumenta seguramente a curiosidade dos miúdos em relação às drogas. Pode fazer com que eles não queiram ser os betinhos que não consomem””
Não fui ao site, mas acho é lamentável a linguagem utilizada.
Maio 13, 2008 at 3:45 pm
Não fui ao site, mas acho lamentável a linguagem utilizada.
Maio 13, 2008 at 4:19 pm
Proposta de deixas para um dicionário político
Estalinismo:
expressão irónica reveladora do fascínio que o brilho da democracia aprofundada exerce junto da esquerda, sedução e atracção ?irresistíveis?.
Contra-revolucionário:
aquele que não se revê no estalinismo. Conservador e desinteressante
Direitista:
aquele que não alinha nas medidas da esquerda e, por isto é considerado conversador, desprezível e desinteressante.
Escola inclusiva:
a escola inclusiva caracteriza-se por retomar a festa, nas suas virtudes trangressivas, ideia multicultural, contributo político e religioso e com uma dimensão tribal das referências, intensidade do transe colectivo e rituais comunitários.
(adaptação livre a partir do dicionário do Site Infanto-Juvenil tu-alinhas do IDT)
Maio 13, 2008 at 4:22 pm
Antigamente também havia gente escandalizada por se ensinar aos adolescentes a colocar preservativos…
Maio 13, 2008 at 5:02 pm
E hoje frequentam as casas de passe
Maio 13, 2008 at 5:07 pm
A IGE explica-se, na sua página, sobre a apresentação de queixas contra profs. É o e-atendimento ao serviço de todos!
Maio 13, 2008 at 5:55 pm
Continua a haver gente escandalizada. É que agora ensina-se aos 10, 11 anos. E se é verdade que muitos iniciam a actividade sexual muito cedo, outros ainda estão a brincar aos pokémons.
O problema é sempre o mesmo: Quando?
Ao Zézinho já é tarde mas para o Joãozinho ainda é cedo…
Maio 13, 2008 at 6:07 pm
E ninguém chamou a ASAE ?
Bem prega Frei Sócrates
A lei só se aplica aos súbditos
Sócrates e Pinho violaram proibição de fumar a bordo do voo de Lisboa para Caracas
http://www.scribd.com/doc/2960129/Publico-Socrates-e-Pinho-violaram-proibicao-de-fumar-a-bordo-do-voo-de-Lisboa-para-Caracas
Maio 13, 2008 at 6:27 pm
Caro paulo Guinote:
Seja consequente: proponha que, presumindo o carácter libertador da informação (… os equívocos que esta palavra encerra!), os adolescentes sejam levados a tudo testar. E, já agora, não apenas substâncias tóxicas.
Maio 13, 2008 at 6:42 pm
Como já referi no meu blog: Se os dicionários incentivassem ao consumo, a língua portuguesa não levava tantos pontapés…
Maio 13, 2008 at 6:43 pm
Se os dicionários incentivassem ao consumo, a língua portuguesa não levava tantos pontapés…
Maio 13, 2008 at 6:59 pm
Lamento a linguagem usada. Continuo a achar que o adolescente que estiver com intenções de ter novas e diferentes experíências/sensações não precisa do entrar no site do IDT ou outro…
Lamentável são os adultos, trintões e… que se consideram super-esclarecidos que caem no embalo.
Maio 13, 2008 at 7:25 pm
Lúcio Peixe, parece que leu algo que não escrevi, pois em nenhum lado defendi a experi~encia como método de “teste”.
por favor, releia o meu comentário.
H5N1,
Provavelmente terá razão em algumas das críticas que me faz.
Sobre este assunto a minha opinião baseia-se na observação directa daquilo que levou muitos conhecidos (amigos, conhecidos, alunos) a consumir uma ou outra substância considerada como “droga”.
Não tenho uma tese global sobre o tema que é demasiado complexo para fórmulas gerais.
Lembro-me em especial dos casos que culminaram em morte, em grande parte por manifesta ignorância do que estavam a fazer.
Acho que a informação nunca é demais.
Não acho que o “calão” deva ser omitido.
A minha posição não pretende ser “neutra”.
Sendo não consumidor de qualquer substância viciante – excepto papel impresso e blogues – não me sinto, porém, do lado dos puritanos anti-.
Quando ao fenómeno da “drogas legais” vendidas em farmácias, esse é todo um outro mundo, que alimenta e é alimentado por um outro tipo de “dealers” e barões.
Maio 13, 2008 at 7:41 pm
Ouvi a notícia hoje pela manhã e pensei cá para os meus botões “ainda vou dar uma espreitadela ao dito dicionário só para ver se a linguagem é realmente pouco objectiva e doura a pílula, ou se é apenas fogacho de quem nada tem para fazer.”
Agora tenho mais que fazer e pouco apetite para análises linguisticas, descobertas de mensagens subliminares ou de outros subentendidos.
De qualquer forma acho pouco curial a publicidade feita pelas associações, o “escândalo” aproveitado pelos meios de comunicação à “diciocoisa” por se tornar um convite, uma publicidade gratuita, à consulta de tão perverso documento.
Resta-me perguntar: é estupidez pura e pouco tacto? ou apenas uma nova técnica de “márquetingue”?
Maio 13, 2008 at 9:56 pm
esclarecimento ao comentário 12
alguns dos erros (”conversador” em vez de conservador, “trangressivas” em vez de transgressivas) constam do dicionário original (fiz copy-paste), pelo que se pode constatar do nível de rigor na elaboração e divulgação do mesmo.
Maio 13, 2008 at 11:39 pm
Uma alternativa de dicionário…
http://criar.no.sapo.pt/dicionar/vocabulario.htm