Li a generalidade dos comentários a um post de hoje à tarde e lá encontrei dois velhos argumentos contra quem critica os sindicatos:
- Só pode criticar quem lá está dentro.
- Quem critica só ajuda a enfraquecer a posição dos sindicatos.
A isso respondo de forma breve:
- Se assim é, não percebo como é que quem não é do PS pode criticar a sua acção no Governo.
- Se assim é, que espaço existe para a liberdade de expressão dos docentes não sindicalizados? Só podem criticar o ME?
Maio 11, 2008 at 9:45 pm
Concordando que, mesmo não se estando sindicalizado, se possa e se deva criticar as suas posições e actuações, sem que tal possa enfraquecer esses mesmos sindicatos, discordo da comparação feita no ponto 1 da resposta breve dada pelo Paulo.
Um sindicato não é eleito para formar governo, com poderes legislativos que abrangem todo um país e os seus cidadãos, tal como acontece com um governo.
Maio 11, 2008 at 9:48 pm
Logo, eu e mais uns quantos que não votaram no PS,podem e devem criticar medidas desse governo.
É a democracia.
Dizem.
Penso que está a confundir realidades bem diferentes.
Maio 11, 2008 at 9:53 pm
Outra diferença é que eu, estando sindicalizada, posso votar na eleição dos orgãos do sindicato. Os não sindicalizados não o podem fazer.
Quanto a eleições legislativas, autárquicas e presidenciais, todos os cidadãos podem votar, quer sejam ou não militantes dos partidos e personalidades que se apresentam ao eleitorado. (exceptuando-se os casos previstos na lei).
Maio 11, 2008 at 9:55 pm
digo, “e apoiantes ou não de personalidades….”
Maio 11, 2008 at 10:26 pm
Totalmente de acordo com o post.
Fernanda teria razão se os sindicatos se limitassem a representar os seus associados. Ora eles querem ser representantes de todos os professores! Eles tiveram a ousadia de dizer que mais de 90% dos professores aprovaram o entendimento que eles fizeram com o ME! Até para o mais débil mental é fácil reconhecer que isto é uma desonestidade intelectual. Eles apropriaram-se de uma identidade numérica que é falsa.
Maio 11, 2008 at 10:36 pm
Para deixar claras as minhas posições:
1. Vivemos num país livre e a liberdade de expressão é um bem inestimável. Os sindicatos são entidades públicas, e estão sujeitos, na sua acção, à crítica de todos.
2. Os sindicatos defendem interesses colectivos de grupos profissionais específicos. Neste caso, professores.
3. Só se sindicaliza quem quer. Mas quando um professor que não contribuiu para a existência de um sindicato beneficia de algo conseguido pela acção desse sindicato e dos seus apoiantes, será que terá, digamos assim, legitimidade moral para dizer: “Acho pouco. Podiam ter feito mais.”?…
Maio 11, 2008 at 10:43 pm
A lógica totalitária dos sindicatos é a mesma que anima as seitas religiosas.
Asseguram que representam os verdadeiros interesses dos filiados/crentes e obedecem à doutrina de Salvação por uma interposta historização da Verdade que só eles detêm.
É esta “apropriação” da identidade, referida por mariaprofessora, que constitui uma das bases dos movimentos totalitários.
Para conhecer melhor a influência da religião na vida política e sindical as obras de Ricoeur, Sloterdijk, Veyne e Girard são um bom contributo.
Maio 11, 2008 at 10:47 pm
Fernanda,
Eu posso levar a comparação para outros campos.
por exemplo: sou adepto do Sporting mas não sou associado.
Não posso discutir as opções da Direcção e do penteado do Paulo Bento?
António,
Neste caso não se trata de questões desse tipo. Trata-se discutir metodologias de acção. mesmo de fora tenho direito a dar a minha opinião. Em caso contrário, então sinto-me livre para nunca ter de aderir a uma greve convocada por um sindicato a que não pertenço.
Em troca, abdico dos 0,X% a mais ganhos em algumas negociações salariais.
Não podemos ir por esse caminho.
Os sindicatos querem cativar mais associados ou hostilizar todos que não têm cartão?
essa estratégia pode ser suicidária!
Maio 11, 2008 at 10:50 pm
António Duarte e a sua “moral”:
“E quem não acredita em Deus nem cupre as suas orientações não tem o direito de beneficiar da sua acção nem tão pouco de duvidar da sua sagrada misericórdia”
Maio 11, 2008 at 10:57 pm
Vivemos numa sociedade democrática, por enquanto, por que razão não podemos criticar ou contestar?
Mesmo os não sindicalizados o devem e podem fazer, criticar.
Caso contrário a liberdade fica comprometida.
Maio 11, 2008 at 11:06 pm
Com muitíssimo respeito pala opiniões não ofensivas de todos. Em todos os países muito desenvolvidos e mais ou menos poderosos (EUA, França, Espanha, Alemanha, China, Bélgica, Suécia, Noruega…) são os sindicatos os intermediários e representantes dos trabalhadores. É por isso que não nos adiantará nada pretender criar movimentos cívicos (sempre transitórios e quase sempre acéfalos) se cada um pode fazer valer o seu ponto de vista reforçando o SEU sindicato (quantos temos em Portugal?)ou juntando-se à acção de qualquer um deles, desde que concorde com as suas reivindicações. Os sindicatos não existem de per si, são constituídos por pessoas.
Maio 11, 2008 at 11:07 pm
É claro que todas as instituições que exercem actividades públicas estão sujeitas à crítica pública. Isso não chega a ser uma questão teórica porque está resolvida na prática. O âmbito da acção dos sindicatos abrange todo o grupo profissional, não apenas os sindicalizados. Nada disso esgota a verdade. A força dos sindicatos é-lhes conferida pela capacidade de mobilização de todo o grupo profissional, não apenas dos associados. Com capacidade para se avançar para uma greve geral aos exames vitoriosa, o poder negocial é um; sem essa capacidade é outro. Just that simple. Nem vale a pena chorar sobre o leite derramado.
Maio 11, 2008 at 11:08 pm
Com muitíssimo respeito pala opiniões não ofensivas de todos. Em todos os países muito desenvolvidos e mais ou menos poderosos (EUA, França, Espanha, Alemanha, China, Bélgica, Suécia, Noruega…) são os sindicatos os intermediários e representantes dos trabalhadores. É por isso que não nos adiantará nada pretender criar movimentos cívicos (sempre transitórios e quase sempre acéfalos) se cada um pode fazer valer o seu ponto de vista reforçando o SEU sindicato (quantos temos em Portugal?)ou juntando-se à acção de qualquer um deles, desde que concorde com as suas reivindicações. Os sindicatos não existem de per si, são constituídos por pessoas.
Maio 11, 2008 at 11:12 pm
O Paulo não leu bem o que escrevi.
No caso que refere, é evidente que pode fazer isso tudo.Mas em caso de eleições, não poderá dar o seu contributo, certo?
mariaprofessora,
Não sei o nº de professores que nas várias escolas aprovaram o entendimento.
Na minha opinião, os sindicatos são importantes, especialmente em países como o nosso. E não só.Mas sinto também que as formas de luta e de protesto passarão cada vez mais por outras vias.E isso não me causa qualquer problema, antes pelo contrário.
Maio 11, 2008 at 11:13 pm
incompreensões
Paulo
creio que este seu post se refere aos meus comentários 30 e 32 em “incompreensões” e que, de mim, não espera concordância.
Destes 2 comentários (leia com mais atenção) não pode inferir o inferido.
Os sindicatos não são partidos políticos em que nos inscrevemos e/ou votamos por afinidade ideológica; os sindicatos são associações de indivíduos de uma classe ou grupo profissional para a defesa dos seus interesses profissionais. Não têm, nem devem ter qqr conotação com ideologias e, muito menos, com interesses partidários.
Assim, os sindicatos são o que deles fazemos (lá dentro). Só isto. Quem não tem razão é quem encara os sindicatos como partidos políticos.
Quem não tem razão é quem me rotula de bufo, como o fez Mário Machaqueiro (com. 64 do mesmo post), pelo simples facto dele discordar.
saudações
Maio 11, 2008 at 11:19 pm
Paulo:
Não quero contribuir, com as minhas opiniões, para afastar ninguém dos sindicatos, e também me parece que não tem sido essa a posição dos dirigentes sindicais. Já do lado dos “movimentos”, não gostei de ouvir chamar “traidores” e outros mimos a dirigentes sindicais de quem podemos certamente discordar e a quem podemos eventualmente exigir mais. Mas não será essa a via do diálogo construtivo.
Confesso que, no fundo, o “entendimento” me soube a pouco, quando a radicalização da luta nos estava a saber tão bem a todos. Mas também tento ser realista e sei, por experiências passadas, que não se pode confiar demasiado no radicalismo ou no espírito de unidade dos professores. Uma classe muito vasta, muito heterogénea, de interesses muito contraditórios, é o que é.
h5n1:
Provavelmente não detesta o sistema capitalista mais do que eu. O que propõe para acabarmos com ele?
Maio 11, 2008 at 11:24 pm
fernandooliveira,
Mas a quem é que passa pela cabeça que não se pode criticar?
Só que aqui há uma questão muito pragmática:nas eleições dos orgãos sindicais, nas listas que se apresentam,só podem votar os sindicalizados, certo?
Maio 11, 2008 at 11:35 pm
Fernanda 1
Correcto.
Li algures, não sei se foi aqui, qualquer contrária… daí essa minha opinião que nem é discutível. Julgo eu.
Maio 12, 2008 at 12:27 am
O António Duarte escreveu:
“quando a radicalização da luta nos estava a saber tão bem a todos.”
Retire-me desse “todos”.
Ponha lá:
“quase todos” ou “muitos de nós”
Maio 12, 2008 at 12:43 am
Citizen
Vejo que acusou o toque. Deixe lá. Foi só uma provocação mázinha da minha parte. Não quis propriamente chamá-lo de bufo. Mas… tanta perguntinha da sua parte até parece trazer água no bico, não acha? Ainda por cima quando se trata de perguntas com veneno pelo meio, como a de insinuar que nos encontros da velha e já enterrada Associação de Professores Provisórios com o Ministério houve um “intermediário”. Mas qual intermediário? Está a sugerir que nós tínhamos algum primo ou prima no Ministério bem situado(a) para nos facilitar os contactos na 5 de Outubro? Quem nos dera, que bem difícil foi chegarmos à fala com a Conceição Castro Ramos! Essas suas insinuações parecem sugerir que só os sindicatos não precisam de intermediários. Os “outros”, esses perigosos grupos subversivos que aparecem à margem das organizações tradicionais, precisam sempre de um “intermediário”. Pois como se compreende que eles até se sentem à mesa com um secretário de Estado?
Também tenciono colocar um ponto final nesta troca de mimos consigo, que só foi suscitada porque você decidiu visar-me numa das mensagens, quando eu estava apenas a discutir argumentos e não pessoas. E termino com uma simples observação. Pode acusar-me de protagonismo. Vá-se lá saber porquê. Talvez porque eu dê o nome e a cara. E você, que se esconde atrás de um tal “Citizen”, é exactamente quem?…
Maio 12, 2008 at 12:56 am
Hum!, coisa de famílias, vou já para outro lado.
Maio 12, 2008 at 1:24 am
Porque
Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Maio 12, 2008 at 3:08 am
eu chamo-me Rodrigues Antunes
será nick ou será nome??!!!
estas dos nomes verdadeiros partem-me todo
))
Maio 12, 2008 at 10:27 am
Caro DA
A simples negação do voto e o desprezo pelas organizações que mais não fazem do que lubrificar o sistema capitalista, certamente criaria um grave problema de legitimidade à Nomenklatura.
Ao fim de 150 anos de experiência política com organizações totalmente burocratizadas e corrompidas, não há reforma possível das mesmas.
A democracia não se reduz aos aparelhos ideológicos do Estado, nem à votação-delegação de responsabilidades da gestão da força de trabalho e dos recursos económico-financeiros.
Portanto, o primeiro e mais decisivo passo a dar no sentido da mudança, será sempre o corte radical com o tipo de fetichismo representativo, responsável pela reprodução da Nomenklatura tal como ela existe no actual sistema capitalista.
O outro passo será mais complexo e exigirá um outro olhar sobre a organização do sistema de produção, recusando o fetichismo do valor e da mercadoria, procurando um modo político de democracia sem trabalho assalariado e sem exploração.
A História não apresenta soluções mas é possível rejeitar aquilo que não contribuíu para o incremento da Justiça e para a elevação da condição humana numa base ética de respeito pelo Outro.
Maio 12, 2008 at 12:50 pm
Sou membro com responsabilidades do Movimento Cívico Em Defesa da Escola Pública e da Dignidade da Docência. O nosso movimento surgiu espontaneamente de conversas entre professores de Leiria que achavam que os Sindicatos estavam a fazer pouco, que faltava novas vozes para continuar a luta e que era preciso unir os professores na luta que se avizinhava. O resultado disto (e ocorreu o mesmo em muitos mais sítios) foi o forçar os Sindicatos a endurecer a luta, com marchas e, finalmente, com a Manifestação de 8 de Março, que provou a nossa unidade momentânea a todos, para surpresa do Governo. Mas alguns acharam que isto era perigoso e decidiram que MLR e os Sindicatos tinham de retomar o protagonismo – e nasceu aí o acordo que não é acordo…
Há que lembrar que as pessoas vivem em democracia e têm direito à sua opinião, que os Sindicatos representam quem lhes paga as quotas mas, quando querem saber o que professores pensam, reúnem com todos (os que pagam e os que não pagam) e que há diferenças entre unidade e unicidade…
Maio 12, 2008 at 6:06 pm
Ficaram-me duas questões, depois de ler os comentários:
Não sou do Ps, não votei PS , nem votarei, posso ainda assim criticar o Governo … ou faço-o só em casa?
Não sou sindicalizada, tenho feito greve, apoiei algumas acções dos sindicatos, fui à Marcha , tenho ido aos protestos,não aceitei o entendimento, ainda assim, posso ou não criticar a acção dos sindicatos? … que por sinal andam como o tempo… murchos!!!!!! … não dizem nada, nadinha… que se ouça… é mentira? Como diria in illo tempore o meu avô “vai para o saco” … se o saco rebenta…